
Diple ou diplo é um sinal gráfico ( > ), que consiste numa formação em ângulo orientada para a direita, semelhante ao sinal de maior, o qual era usado, nas margens dos textos, para assinalar trechos ou passagens que se pretendiam ressaltar, na Antiguidade Clássica.
No que toca à sua função, o diple assemelha-se a outros sinais gráficos que, entretanto, se foram desenvolvendo ao longos dos séculos, com a mesma finalidade ou finalidades semelhantes, como o pé-de-mosca (¶) e a manícula (☞).
O substantivo «diple» entra na língua portuguesa por via do latim diple, o qual proveio, por sua vez do grego antigo διπλῆ (diplé), que significa «duplo» ou «duas linhas» (por alusão às duas linhas que se tinham de desenhar para poder representar este sinal).
O antilambda é um símbolo gráfico, também usado na Antiguidade Clássica, que se caracteriza por ser um lamdba ( Λ ) maiúsculo, que tanto pode estar orientado para a direita ( < ) como para a esquerda ( > ), sendo certo que por vezes também pode ser representado por um oito deitado (∞ ).
Enquanto que a diple serve para realçar a importância de um trecho, o antilambda serve apenas para assinalar o início de uma citação ou de uma fala de uma personagem em texto dramático.
Os primeiros sinais gráficos para assinalar passagens e trechos em textos aparecem na Antiguidade Clássica, no séc. II a.C., entre os bibliotecários da Biblioteca de Alexandria. Aristarco de Samotrácia, na qualidade de bibliotecário-chefe da Biblioteca de Alexandria de 153 a.C. a 145 a.C., promoveu o uso do diple na revisão de textos. Aristarco assinalava diples junto aos parágrafos ou trechos que entendia conterem passagens relevantes ou dignas de nota, muitas vezes apontando inclusive para glosas e apontamentos nas margens, com interpretações adicionais sobre essas passagens.
Também se servia de uma versão exornada do diple, o diple periestigmene (⸖), ou “diple pontuado”, para assinalar trechos com cujas interpretações, apontadas e glosadas à margem, não concordava.