Douglas Aircraft Company

Douglas Aircraft Company
Logotipo da Douglas Aircraft, usado de 1962 a 1967
AtividadeIndústria aeroespacial
Fundação22 de julho de 1921
Fundador(es)Donald Wills Douglas
DestinoFusão com a McDonnell Aircraft Corporation
Encerramento28 de abril de 1967
SedeSanta Mônica e Long Beach, Califórnia, Estados Unidos
Pessoas-chaveBill Bridgeman
LaVerne Ward Browne
Carl Cover
Ed Heinemann
Ted R. Smith
Sucessora(s)McDonnell Douglas

A Douglas Aircraft Company foi uma empresa aeroespacial e de defesa dos Estados Unidos, sediada no sul da Califórnia. Fundada por Donald Wills Douglas em 1921, fundiu-se com a McDonnell Aircraft em 1967 para formar a McDonnell Douglas, da qual passou a ser uma divisão.

História

Década de 1920

A empresa foi fundada com o nome Douglas Company por Donald Wills Douglas em 22 de julho de 1921, em Santa Mônica, na Califórnia, depois da dissolução da Davis-Douglas Company. Em 1924, aviões Douglas completaram a primeira volta ao mundo por via aérea. Um ano antes, o Serviço Aéreo do Exército dos Estados Unidos começou a planejar a primeira circum-navegação do planeta em aeronaves, numa iniciativa chamada "World Flight". Donald Douglas propôs uma versão modificada do Douglas DT para atender às necessidades do Exército. O DT era um avião torpedeiro biplano, com dois lugares e cabine aberta, já fabricado para a Marinha dos Estados Unidos. Os DT saíram das linhas de montagem das fábricas da empresa em Rock Island, Illinois, e Dayton, Ohio, para receber as modificações.

A aeronave modificada recebeu o nome Douglas World Cruiser, ou DWC. Foi também o primeiro projeto de Jack Northrop para a Douglas. Northrop projetou o sistema de combustível da série. Depois da entrega do protótipo, em novembro de 1923, os testes terminaram com êxito em 19 de novembro e o Exército encomendou à Douglas quatro aeronaves de produção em série. A expedição exigia peças sobressalentes. Foram separados quinze motores Liberty L-12, catorze conjuntos de flutuadores e peças de célula suficientes para mais duas aeronaves. O material seguiu para aeroportos ao longo da rota. A última das quatro aeronaves foi entregue ao Exército dos Estados Unidos em 11 de março de 1924.

Os quatro aviões partiram de Seattle, Washington, em 6 de abril de 1924, rumo ao oeste. Dois regressaram à cidade em 28 de setembro e foram recebidos com entusiasmo. Um avião havia se perdido sob nevoeiro e outro fez um pouso forçado no Atlântico e afundou. O protótipo do DWC recebeu outro nome e se juntou aos dois restantes para completar o trecho norte-americano do voo. Depois da viagem, o Serviço Aéreo do Exército encomendou seis aeronaves semelhantes para missões de observação. O êxito do DWC levou o nome da Douglas Aircraft Company a outros países e fez a empresa adotar o lema "First Around the World, First the World Around".

O primeiro logotipo da Douglas combinava duas letras D com duas asas abertas. As letras ficavam de costas uma para a outra e formavam um coração, numa alusão ao clã Douglas. Depois do voo do DWC, a empresa adotou um logotipo com três aviões que circundavam um globo. O desenho passou a mostrar uma aeronave, um míssil e um globo. A McDonnell Douglas adotou esse logotipo em 1967. Ele também deu origem ao logotipo usado pela Boeing depois da fusão das empresas em 1997.

Antes da Segunda Guerra Mundial

A Douglas Aircraft projetou e construiu aeronaves para as forças armadas dos Estados Unidos, entre elas a Marinha, as Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, a Força Aérea e a Guarda Costeira dos Estados Unidos.

No começo, a empresa fabricava aviões torpedeiros para a Marinha, mas desenvolveu versões destinadas ao reconhecimento e ao correio aéreo. Em cinco anos, sua produção chegou a cerca de cem aeronaves por ano. Entre os primeiros empregados estavam Ed Heinemann, "Dutch" Kindelberger, Carl Cover e Jack Northrop, que depois fundou a Northrop Corporation.

Em meados da década de 1920, a empresa mantinha instalações de fabricação em Santa Mônica, no terreno que passou a ser o Douglas Park, na esquina da 25th Street com o Wilshire Boulevard. A Douglas manteve o mercado militar, passou a produzir aviões anfíbios no fim da década e transferiu suas instalações para o Clover Field, em Santa Mônica. O complexo era tão grande que as funcionárias do correio interno usavam patins para entregar a correspondência. No fim da Segunda Guerra Mundial, a companhia tinha instalações em Santa Mônica, El Segundo, Long Beach e Torrance, na Califórnia. Havia fábricas também em Tulsa e Midwest City, em Oklahoma, e em Chicago, Illinois. Em 30 de novembro de 1928, a companhia foi reorganizada como Douglas Aircraft Company.

Operadora de máquina-ferramenta na fábrica da Douglas Aircraft em Long Beach durante a Segunda Guerra Mundial. Com a ida de milhares de trabalhadores para o serviço militar, fabricantes dos Estados Unidos contrataram mulheres para a produção. Elas chegaram a formar 40% da mão de obra de uma fábrica típica de aeronaves.

Em 1934, a Douglas produziu um avião comercial de transporte bimotor, o Douglas DC-2, seguido pelo DC-3 em 1936. A empresa fabricava aviões comerciais, bombardeiros leves e médios, caças, aviões de transporte, aeronaves de reconhecimento e modelos experimentais.

Entre os produtos da Douglas, a série de aviões comerciais "DC", abreviação de Douglas Commercial, foi a que alcançou maior fama. Um de seus modelos foi o Douglas DC-3, muitas vezes chamado de o avião de transporte mais decisivo já construído. Sua versão militar recebeu o nome C-47 Skytrain e, no serviço britânico, "Dakota". Muitas aeronaves Douglas permaneceram em serviço por longos períodos.

Segunda Guerra Mundial

Mulheres trabalham em um bombardeiro na Douglas Aircraft Company, em Long Beach, Califórnia, em outubro de 1942

Na Segunda Guerra Mundial, a Douglas participou do consórcio BVD, formado por Boeing, Vega e Douglas, para produzir o B-17 Flying Fortress. Depois da guerra, fabricou sob licença outro projeto da Boeing, o bombardeiro B-47 Stratojet, movido a turbojato, na fábrica número 6 da Força Aérea dos Estados Unidos, em Marietta, Geórgia.

Almoxarifado da fábrica de Long Beach, cerca de 1942

A guerra elevou muito as encomendas da Douglas. A empresa ficou em quinto lugar entre as companhias dos Estados Unidos pelo valor dos contratos de produção militar. De 1942 a 1945, produziu quase 30 mil aeronaves e seu quadro de funcionários chegou a 160 mil pessoas. Entre os aviões fabricados estavam o C-47 Skytrain, o DB-7, chamado também de A-20, Havoc ou Boston, o bombardeiro de mergulho SBD Dauntless e o A-26 Invader.

Depois da guerra

Um C-47A Skytrain retirado de serviço pela Força Aérea dos Estados Unidos e exposto na Inglaterra em 2010. Esta aeronave operou a partir de uma base em Devon, Inglaterra, durante a invasão da Normandia.

No fim da guerra, a Douglas Aircraft enfrentou cortes causados pelo encerramento das encomendas governamentais e pelo excesso de aeronaves disponíveis. A companhia dispensou quase cem mil trabalhadores.

As Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos criaram o Projeto RAND, nome derivado de Research ANd Development, para estudar o planejamento de longo prazo de armas futuras. Em março de 1946, a Douglas Aircraft Company recebeu o contrato para pesquisar a guerra intercontinental. O Projeto RAND deu origem à RAND Corporation.

A Douglas seguiu desenvolvendo aeronaves, entre elas o quadrimotor Douglas DC-6, lançado em 1946, e seu último avião comercial a hélice, o Douglas DC-7, de 1953. A companhia também passou à propulsão a jato. Para a Marinha dos Estados Unidos, produziu o F3D Skyknight, de asas retas, em 1948, e o F4D Skyray, de linhas próprias da era do jato, em 1951. No mercado comercial, lançou o Douglas DC-8 em 1958 para concorrer com o novo Boeing 707.

A Douglas foi pioneira em áreas afins, como assentos ejetores, mísseis ar-ar, superfície-ar e ar-superfície, além de foguetes de lançamento, bombas e suportes para bombas.

Na década de 1950, a companhia entrou no setor de mísseis. Partiu de foguetes e mísseis ar-ar para sistemas completos no programa Nike, de 1956, e tornou-se a principal contratada dos programas do míssil balístico lançado do ar Skybolt e do míssil balístico Thor. A Douglas também recebeu contratos da NASA, sobretudo para projetar o estágio S-IVB dos foguetes Saturn IB e Saturn V.

Fusões

Em 1967, a empresa tinha dificuldades para ampliar a produção e atender à procura pelos aviões comerciais DC-8 e DC-9 e pelo avião militar de ataque A-4 Skyhawk. Também enfrentava problemas de qualidade e fluxo de caixa, os custos de desenvolvimento do DC-10 e a escassez de materiais provocada pela Guerra do Vietnã. Por causa disso, a Douglas viu com bons olhos uma proposta da McDonnell Aircraft Corporation. Em 28 de abril de 1967, depois de quase quatro anos de negociações, as duas empresas se fundiram para formar a McDonnell Douglas Corporation.

As atividades das duas companhias se complementavam. A McDonnell fazia boa parte de seus negócios com contratos de defesa, mas quase não tinha clientes civis. Os contratos comerciais da Douglas ajudariam a McDonnell a suportar eventuais quedas nas compras governamentais. A receita da McDonnell poderia aliviar os problemas financeiros da Douglas. Pouco depois do anúncio da fusão, a McDonnell comprou 1,5 milhão de ações da Douglas para que ela atendesse às suas "necessidades financeiras imediatas".

A empresa resultante instalou sua sede na unidade da McDonnell em St. Louis, Missouri. Adotou uma versão modificada do logotipo da Douglas. Donald Wills Douglas tornou-se presidente honorário e permaneceu no cargo até morrer, em 1981. A Douglas Aircraft Company continuou como subsidiária integral da McDonnell Douglas, presidida pelo filho de Douglas, Donald Wills Douglas Jr. Mais tarde, o ex-presidente da McDonnell David S. Lewis assumiu a presidência da Douglas Aircraft. A recuperação da divisão sob sua direção levou-o à presidência da McDonnell Douglas em 1969. A divisão espacial e de mísseis da Douglas passou para uma nova subsidiária, a McDonnell Douglas Astronautics Company.

A McDonnell Douglas fundiu-se com a concorrente Boeing em 1997. A Boeing incorporou a Douglas Aircraft à divisão Boeing Commercial Airplanes e extinguiu o nome Douglas Aircraft depois de 76 anos. O último avião comercial construído em Long Beach, o Boeing 717, terceira geração do Douglas DC-9, deixou de ser produzido em maio de 2006. Em 2011, o Boeing C-17 Globemaster III era a última aeronave ainda montada nas instalações de Long Beach. O último C-17 foi concluído no fim de 2015. O antigo logotipo da Douglas permanece no local, embora a Boeing já não o use.

Produtos

Aeronaves

Douglas DC-3
Douglas DC-6
Um DC-8-21 da Air Spain

Mísseis e espaçonaves

Na mídia

Ver também

Referências

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Bibliografia

Ligações externas

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