Duldul

A Batalha de Narauã entre Ali e os carijitas. Ali, montado em Duldul, empunha sua espada Dulfacar de duas pontas. Pintura em miniatura de um manuscrito do Maktel-i Ali Resul, um poema em mesnevi sobre o martírio de Huceine ibne Ali. Produzida na Turquia otomana, entre o final do século XVI e o início do XVII.

Duldul (em árabe: دُلْدُل) foi a mula do profeta islâmico Maomé, posteriormente doada a Ali ibne Abi Talibe. Segundo a tradição, foi enviada como presente em 627 pelo governante do Egito conhecido como Almucauquis, juntamente com outros presentes diplomáticos. Duldul tornou-se uma das montarias mais célebres da tradição islâmica, figurando com destaque tanto nas narrativas históricas quanto na literatura e na iconografia dedicadas a Ali. Seu nome deriva da palavra árabe duldul, que significa "ouriço". Segundo a tradição, essa denominação fazia referência à rapidez e à agilidade do animal, embora a Encyclopaedia of Islam observe que essa interpretação permanece incerta e possa estar relacionada ao seu modo de andar. Embora a literatura posterior frequentemente descreva Duldul como uma mula branca, as fontes árabes antigas não são unânimes quanto às suas características. A TDV İslâm Ansiklopedisi assinala que não há consenso sequer sobre seu sexo, observando que diversas fontes árabes a descrevem como um macho de pelagem acinzentada, enquanto a tradição turca passou a retratá-la como uma mula branca.

História

Duldul foi um dos presentes enviados a Maomé por Almucauquis, governante do Egito, no sexto ano após a Hégira (627), juntamente com outras valiosas dádivas diplomáticas. Segundo a tradição, o animal recebeu o nome Duldul ("ouriço") em razão da rapidez e agilidade de seus movimentos, embora a Encyclopaedia of Islam observe que essa interpretação permanece incerta e possa estar relacionada ao seu modo de andar. As fontes também divergem quanto às suas características físicas. Embora a literatura posterior costume descrevê-lo como uma mula branca, a TDV İslâm Ansiklopedisi observa que as fontes árabes não são unânimes nem mesmo quanto ao seu sexo, havendo relatos que o apresentam como um macho de pelagem acinzentada. Maomé utilizava a mula tanto em campanhas militares quanto em seus deslocamentos cotidianos e confiou seus cuidados a Uqueba ibne Amir, que mais tarde se tornaria governador do Egito. Posteriormente, Maomé presenteou Duldul a Ali. Segundo a tradição, a montaria passou depois a seus filhos Alhaçane e Huceine, sendo herdada posteriormente por Maomé ibne Alanafia. Fontes sunitas e xiitas relatam que Ali montou Duldul durante combates contra os carijitas, enquanto a tradição xiita também a associa às batalhas do Camelo e de Sifim. Segundo a Encyclopaedia of Islam, Duldul sobreviveu a Maomé e morreu em Iambo, já extremamente idosa e sem dentes, sendo necessário colocar a cevada diretamente em sua boca para alimentá-la. Embora tenha sido a mais conhecida de suas montarias, Maomé recebeu outras mulas como presentes diplomáticos, enviadas por Farua ibne Anre Aljudami, pelo governante de Ácaba, pelo governante de Dumate Aljandal e pelo negus da Abissínia Axame.

Legado

Na literatura persa e turca, Duldul passou a constituir, ao lado de Dulfacar, um dos atributos mais característicos de Ali. Fontes históricas e religiosas relatam que Ali derrotava seus adversários tanto pela perícia com sua espada quanto pela habilidade e velocidade de sua montaria, circunstância que levou a tradição literária a apresentar ambos como elementos inseparáveis de sua figura heroica. Na poesia clássica, Ali recebeu frequentemente o epíteto de "senhor montado em Duldul" (şâh-ı düldül-süvâr), enquanto a montaria se tornou um dos símbolos mais recorrentes de sua coragem e de suas façanhas militares. Duldul também ocupa lugar de destaque nos romances épicos conhecidos como Hz. Ali cenkleri, nos quais auxilia Ali em combate e demonstra qualidades quase humanas, além de velocidade e resistência extraordinárias. Na poesia otomana, essas características fizeram da montaria uma metáfora recorrente para rapidez, agilidade intelectual e inspiração poética, sendo frequentemente comparada ao engenho dos poetas, enquanto Dulfacar simbolizava a força e o poder de sua escrita. Duldul aparece ainda na poesia rahşiyye, dedicada às montarias de sultões e altos dignitários, como modelo ideal de velocidade, nobreza e excelência.

Referências

  1. 1 2 Huart & Pellat 1965, p. 624.
  2. 1 2 3 Yardım 1994, p. 20.
  3. ↑ Uzun 1994, p. 20.
  4. ↑ Uzun 1994, pp. 20–21.

Bibliografia