Duquela
Doukkala • دكالة (Dukkālah) • ⵉⴷⵓⴽⴰⵍⵏ (Idukalen) | |
|---|---|
| Coordenadas: 32° 30′ N, 8° 26′ O | |
| País | Marrocos |
| Região | Casablanca-Settat |
| Região (1997-2015) | Doukkala-Abda |
| Província | El Jadida e Sidi Bennour |
Duquela ( em árabe: دكالة, em berbere: ⵉⴷⵓⴽⴰⵍⵏ) é uma região natural de Marrocos composta por planícies e florestas férteis. Hoje faz parte da região administrativa de Casablanca-Settat. É uma planície que se estende do Oceano Atlântico, ao sul de Sidi Rahal Chatai, até cerca de 50 km mais ao sul e à mesma distância para leste. Os principais centros urbanos são Sidi Smail, Sidi Bennour, Had Ouled Frej e Zemamra, dos quais Sidi Bennour é o que apresenta mais rápido desenvolvimento. É uma região predominantemente agrícola, com poucas atrações turísticas.
Historicamente, a Duquela era uma confederação de tribos Amazigh, que ocupavam o território entre os rios Oum Er-Rbia e Tensift, e do Oceano Atlântico até Jbilate, perto de Marraquexe. Faziam parte de uma confederação tribal muito maior, a de Barghawata, que se estendia de Anfa a Tensift, e foi um estado independente de 744 d.C. a 1058 d.C.
Os Duquela agregavam as tribos Masmuda (Ragraga, Hazmira, Banu Dghugh, Banu Magir e Mushtarayya ou Mouchtaraia), juntamente com as tribos Sanaja, estas minoritárias no conjunto. Os sanajas ocupavam a costa atlântica entre Azamor e a região a sul de El Jadida.
Quando os almóadas, sob o comando de Abde Almumine, capturaram a cidade de Marraquexe em 1147, os Duquela tomaram partido contra eles e a favor da dinastia almorávida. Foram derrotados por Amumine e aniquilados, com as mulheres e as crianças vendidas como escravos. Almumine trouxe tribos beduínas árabes menos rebeldes para colonizar a área, incluindo os Banu Hilal, uma coaligação de tribos que tinha derrotado anteriormente na Tunísia. Entre as tribos que posteriormente se deslocaram para a região contam-se os al-Maquil. Em 1250, dos Duquela, apenas os Ragraga resistiam intactos depois da conquista e subsequente povoação por tribos orientais.
Desde a chegada dos Banu Hilal, houve uma fusão linguística e cultural contínua entre as populações da região. Continuou a ser possível distinguir claramente o elemento nativo berbere do árabe até o século XVI. Contudo, a arabização linguística acabou por prevalecer. Quando o capitão James Riley visitou a região em 1770, escreveu: "nas províncias de Abdah e Duquella, que são inteiramente povoadas por árabes que vivem em tendas e em estado primitivo ou nómada (as suas tendas são feitas dos mesmos materiais e montadas da mesma maneira que as dos árabes no deserto), observei que essas pessoas eram de uma pele muito mais clara do que as do deserto; mas essa circunstância, com toda a probabilidade, devia-se ao clima ser mais temperado; ao facto de estarem menos expostos aos raios solares e mais bem protegidos pelo seu vestuário; ainda assim, suas feições eram quase as mesmas, e as de ambos têm uma forte semelhança com as dos judeus berberes, que também têm olhos negros e narizes árabes".
Também vale a pena mencionar que há duas fações: os Chiadma, que estão associados aos Chiadma e aos Chtouka de Chtouka Ait Baha, que foram realojados para Duquela, ao norte do rio Oum Er-Rbia.
No final do protetorado francês (c. 1950), viviam em Duquela 372.269 muçulmanos, 2.680 europeus e 3.933 judeus.

A região de Duquela está dividida em três sub-regiões, paralelas ao litoral.
A única montanha existente faz fronteira com a planície de Rahamna e chama-se Jbel Lakhdar (em árabe: جبل لخضر), que significa "montanha verde".
A zona de planície está sujeita a inundações. Entre Sidi Bennour e Larbaa Ouled Amrane, em épocas de grande pluviosidade, forma-se um lago temporário, a que se dá o nome de Ouarar (árabe: ورار). A sua maior superfície foi registada em 1916, 1966 e 2008.