Francisco de Paula Dutra Faria

Francisco de Paula Dutra Faria
Nascimento22 de março de 1910
Angra do Heroísmo
Morte6 de julho de 1978 (68 anos)
Lisboa
CidadaniaPortugal
Ocupaçãojornalista, romancista, cronista
Distinções

Francisco de Paula Dutra Faria (Santa Luzia, Angra do Heroísmo, 22 de Março de 1910 – Lisboa, 6 de Julho de 1978) foi um influente jornalista ligado ao integralismo lusitano e ao Estado Novo, que se destacou como diretor da Agência de Notícias e de Informações (ANI) e como comentador televisivo durante os anos finais da Segunda República Portuguesa. Publicou também algumas obras de ficção. O seu nome consta na lista de colaboradores do Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas. Usou o pseudónimo de Patrick Al Cane.

Biografia

Nasceu na freguesia de Santa Luzia da cidade de Angra do Heroísmo, cidade onde conclui o ensino secundário no respetivo Liceu Nacional. Era filho do empregado comercial João Severino de Faria e de Isabel Palmira Dutra de Faria, doméstica, ambos também naturais da freguesia de Santa Luzia.

Ainda estudante liceal, iniciou-se com entusiasmo no jornalismo, fundando e dirigindo em Angra do Heroísmo um periódico intitulado Cruzada Nova (1928), uma revista de pendor nacionalista dedicada às artes e à doutrinação ligada ao campo conservador católico.

Terminado o ensino secundário, em 1929, com 19 anos de idade, fixou-se em Lisboa, onde se integrou nos meios intelectuais e políticos ligados ao movimento nacional-sindicalista e se dedicou ao jornalismo. Conjuntamente com outro jornalista terceirense, Ramiro Valadão, acabou por se integrar no movimento nacional-sindicalista. Em colaboração com António Pedro, fundou e dirigiu os periódicos Acção Nacional e Revolução, órgãos de propaganda daquela corrente política. Nas páginas do Revolução elogiou a subida de Adolf Hitler ao poder. Também colaborou na revista integralista intitulada Política (1929-1931). Com a consolidação da Ditadura Nacional foram extintos os movimentos de caráter político, entre os quais os grupos nacional-sindicalistas e integralistas, e foi imposta a cessação da publicação dos periódicos que controlavam.

Extintos os periódicos onde trabalhava, passou a redator do semanário literário Fradique, dirigido por Tomás Ribeiro Colaço.

A 29 de julho de 1936, casou civilmente em Lisboa com Noémia Alvarez Gil (São Nicolau, Lisboa, c. 1911 – 4 de fevereiro de 1977), então estudante, filha de Artur da Conceição Alvarez Gil, reformado da Marinha, e de Domingas da Conceição Alvarez Gil, doméstica, ambos naturais de Lisboa (ele da freguesia das Mercês e ela da freguesia do Socorro).

Embora se mantivesse germanófilo, integrou a União Nacional, caminho seguido por muitos outros integralistas e nacional-sindicalistas que optaram por não enfrentar Oliveira Salazar. Essa opção levou a que fosse cooptado para a propaganda do Estado Novo e acabasse por ser um dos principais jornalistas ao serviço do Secretariado de Propaganda Nacional, cabendo-lhe chefiar os serviços culturais da Mocidade Portuguesa (1943), onde organizou o sector da formação ultramarina e fundou uma escola de locutores.

Foi chefe de redacção do Diário da Manhã (1944-1947) e, na década de 1950, redator principal de A Voz. Era colaborador do Diário Popular e da Acção, de Lisboa, e também do Diário Insular, de Angra do Heroísmo, para o qual enviou centenas de artigos sobre questões nacionais e de âmbito local. Para além de artigos noticiossos e sobre a actualidade políticas, é autor variados artigos sobre literatura e arte.

Quando o governo do Estado Novo decidiu fundar uma agência oficial de informação, a Agência de Notícias e Informação (ANI), foi nomeado seu director, passando na prática a controlar o fluxo de informação que era transmitido para os jornais e restantes órgão da comunicação social portuguesa.

Para além do jornalismo também se dedicou à escrita criativa, sendo autor de um conjunto de novelas, que foram sendo publicadas em livro ou em jornais, e dos romances Diário de um intelectual comunista e O Mistério da serra interdita, este último publicado como a tradução de uma obra assinada por Patrick Al-Cane, um seu pseudónimo.

Após o 25 de Abril de 1974, refugiou-se inicialmente em Espanha e depois no Brasil. Regressou a Portugal em 1976.

Em 1948 foi agraciado com o oficialato da Ordem da Fénix, da Grécia. A 11 de julho de 1959, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Cristo.

Obras publicadas

Para além das colaborações dispersas pelos diversos periódicos em que trabalhou, ou com os quais colaborou, é autor das seguintes obras:

Referências

  1. 1 2 3 4 5 "Dutra Faria" na Enciclopédia Açoriana.
  2. ↑ Doadores : Dutra Faria Arquivado em 15 de outubro de 2013, no Wayback Machine..
  3. ↑ Causa Nacional : Dutra Faria.
  4. ↑ Rita Correia (30 de julho de 2019). «Ficha histórica:Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1941-1945)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 3 de outubro de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 23 de fevereiro de 2026
  5. ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia de Santa Luzia - Angra do Heroísmo (1900-1911)». culturacores.azores.gov.pt. Centro de Conhecimento dos Açores - Direção Regional de Cultura do Governo Regional dos Açores. p. 24 e 24v, assento 39 (de 1910)
  6. ↑ Acção Nacional.
  7. ↑ Dutra Faria.
  8. ↑ Arquivo Virtual da Geração de Orpheu: Fradique.
  9. ↑ «Livro de registo de casamentos da 8.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1936-07-26 - 1936-12-27)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 207 e 207v, assento 207
  10. ↑ «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Francisco de Paula Dutra Faria". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 23 de julho de 2026. Cópia arquivada em 14 de julho de 2026