O gene EPAS1 (Endothelial PAS Domain Protein 1), frequentemente designado na literatura científica como HIF-2α (Hypoxia-Inducible Factor 2-Alpha), é um elemento fundamental na biologia molecular humana que codifica uma subunidade de um fator de transcrição ativado pelo ambiente e responsável por coordenar a resposta homeostática do organismo à privação de oxigénio (hipoxia). Sob condições normais de oxigenação, esta proteína é continuamente sintetizada e prontamente degradada através da via da ubiquitina e proteassoma, mas a diminuição dos níveis de oxigénio celular estabiliza-a, permitindo a sua translocação para o núcleo celular onde se liga a elementos de resposta à hipoxia no ADN e despoleta a transcrição de genes cruciais para a sobrevivência, regulando processos vitais como a eritropoiese, através da estimulação da eritropoietina (EPO) nos rins, a angiogénese e a reprogramação do metabolismo celular. Para além do seu papel fisiológico basal, o EPAS1 ganhou enorme destaque na antropologia evolutiva e na genética de populações quando se descobriu que uma variante específica deste gene, herdada através da introgressão genética com os hominídeos de Denisova (uma espécie humana arcaica extinta), foi alvo de uma seleção natural extremamente rápida e intensa nas populações nativas do Planalto do Tibete; esta mutação adaptativa atua como um mecanismo de controlo que impede a hiperprodução perigosa de glóbulos vermelhos em altitudes superiores a 4000 metros, evitando assim a eritrocitose excessiva, a hipertensão pulmonar e o aumento da viscosidade sanguínea que afetam os indivíduos não adaptados. Paralelamente ao seu valor evolutivo, o EPAS1 possui uma grande relevância clínica na medicina contemporânea, uma vez que a sua desregulação e consequente hiperatividade estão intimamente ligadas à oncogénese, particularmente no desenvolvimento do carcinoma renal de células claras e de paragangliomas devido à capacidade dos tumores de subverterem este mecanismo para induzir a vascularização que sustenta o seu crescimento, o que transformou este gene e os estabilizadores ou inibidores de HIF em alvos terapêuticos de primeira linha para o tratamento do cancro e da anemia associada à doença renal crónica.