| Tihuana | |
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Tihuana em 2009 Da esquerda à direita: Román, Egypcio, Baía, Léo e PG | |
| Informações gerais | |
| Origem | São Paulo, SP |
| País | Brasil |
| Gêneros | |
| Período em atividade | 1999–2017 2024–presente |
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| Página oficial | tihuana |
Tihuana é uma banda de rock brasileira formada em 1999 em São Paulo. Sua formação consiste em Egypcio (vocais e violão), Román Laurito (baixo e vocais de apoio), Léo Stuart (guitarra e vocais de apoio), PG (bateria e vocais de apoio) e Fernando Baía (percussão e vocais).
O Tihuana surgiu a partir do Ostheobaldo, uma banda do circuito underground paulista formada por Johnny, Léo Stuart, Román Laurito, PG e Fernando Baía que obteve certo reconhecimento no final da década de 1990. Após o vocalista sair da banda, Stuart, Laurito, PG, Baía e Adriano "Egypcio" Grande iniciaram as gravações do terceiro disco do Ostheobaldo mas optaram por recomeçar sob outro nome e transformaram o projeto no álbum de estreia do Tihuana. Ilegal (2000) vendeu cento e cinquenta mil cópias alçado por sucessos como "Que Ves?" e "Tropa de Elite" (que ganharia fama renovada ao ser incluída na trilha sonora do filme homônimo de 2007), e lhes rendeu o primeiro disco de platina de sua carreira. O segundo álbum, A Vida Nos Ensina (2002) vendeu vinte mil cópias e continha a faixa "Por Que Será?", que teve bom desempenho. Já o terceiro, Aqui ou em Qualquer Lugar (2003), também vendeu trinta mil cópias e trouxe a faixa "Bote Fé". O quarto, homônimo à banda (2005), emplacou a faixa "Renata", enquanto o quinto, Um Dia de Cada Vez (2006) continha "Na Parede do Quintal", "De Longe" e a terceira faixa, homônima ao álbum. O último disco da banda, Agora É pra Valer! (2013) tem a canção "Minha Rainha", que conta com a participação do músico Digão, vocalista e guitarrista da banda Raimundos.
Surgida na mesma época que bandas como Raimundos, Charlie Brown Jr., CPM 22 e Detonautas Roque Clube, a banda teve grande influência no início dos anos 2000, além de também ter exercido influência a outras bandas e na indústria fonográfica nacional. Musicalmente, o conjunto possui influências de vários gêneros desde o pop, passando pelo rap, hardcore punk e reggae, mas tendo como sua maior influência, a música latina.
Em julho de 2017, o vocalista Egypcio anunciou sua saída do grupo, o que culminou no encerramento das atividades alguns dias depois. Em 2024, sete anos após anunciarem um hiato, anunciaram uma turnê de despedida, Tihuana 25 Anos, que também comemora os 25 anos desde o lançamento de Ilegal, álbum de estreia da banda, e conta com um repertório que inclui todas as faixas deste mesmo álbum. A turnê conta com a formação original — que inclui o percussionista Baía, que havia saído em 2012 e sido substituído por Fouad Khayat até 2017 — e teve início em dezembro do mesmo ano, numa apresentação no 89 Rock Boat.

Na década de 1990, os músicos cariocas Román Laurito, Paulo Guilherme "PG" Leal Rodrigues, Leonardo "Leo" Stuart e Renato "John" Ribeiro e o baiano Fernando Baía formaram uma banda de rock. Baía havia iniciado sua carreira como baterista há pouco tempo e ido procurar oportunidades em São Paulo, onde conheceu Leo, PG e Román, que saíram do Rio de Janeiro e foram para a mesma cidade também em busca de oportunidades.
Temendo perder contato com Baía por dispensá-lo, Román convidou o músico a ingressar na banda, mesmo ela já tendo um baterista. Baía e PG passaram a revesar no instrumento. Em 1999, já na capital paulista, a banda acaba após a saída do vocalista. Os integrantes remanescentes cogitaram voltar para o Rio de Janeiro, mas tomaram a decisão de permanecer em São Paulo e encontrar outro vocalista para iniciar um novo projeto. Numa feira de surfe na capital paulista, conheceram Adriano "Egypcio" Grande.
Egypcio chamou a atenção de Paulo Guilherme, o P.G., que gostou do vocal e do jeito que ele cantava. Entraram em contato com o vocalista e começaram a gravar músicas até formarem uma demo. Na mesma época, Román sugeriu a Fernando Baía que tocasse percussão, um tipo de instrumento muito associado à cultura da terra natal do baterista. Com apenas seis canções prontas, a banda batizada de Tihuana conquistou seu primeiro contrato pela gravadora multinacional Virgin Records. Seu álbum de estreia, chamado Ilegal, fora lançado com faixas de grande repercussão como "Que Ves?", versão do grupo argentino Divididos; "Tropa de Elite", que originalmente era uma exaltação ao próprio grupo que acabaria anos depois associada ao BOPE e incluída no filme homônimo de 2007; "Eu Vi Gnomos" e "Pula!". O disco vendeu 150 mil cópias, proporcionando o primeiro disco de ouro para o Tihuana. "Tudo o que não tínhamos conseguido com nossas bandas anteriores, conseguimos com o Tihuana. Obtivemos ótima aceitação da galera, da gravadora, ganhamos disco de Ouro, tocamos no festival Rock in Rio e no país todo. Foi uma surpresa tanta aceitação logo de primeira", disse o baixista Román.
Em 2002, lançaram o segundo álbum, A Vida Nos Ensina, pela gravadora EMI, trazendo influências latinas e instrumentos andinos como marca principal. O sucesso se repetiu: hits do primeiro álbum como "Pula", "Praia Nudista", "Clandestino", "Tropa de Elite" e "Eu Vi Gnomos" ainda tocavam incessantemente nas rádios e paradas da MTV juntamente com os novos sucessos da banda. Emendaram a turnê do primeiro trabalho no segundo, se apresentaram no Japão e, quando voltaram ao Brasil, já se preparavam para a produção do terceiro álbum, Aqui ou em Qualquer Lugar, um disco muito mais rock, com o peso das guitarras e um som mais visceral, tendo sido produzido por Rick Bonadio e Rodrigo Castanho, lançado no ano de 2003 pela Sony Music.
O quarto álbum de estúdio, lançado em 2005, veio com o nome da banda, Tihuana, e foi alavancado pelo hit "Renata", que tratava de um tema polêmico, a prostituição infantil. Esse disco foi gravado no Midas Studios com produção de Rick Bonadio e Rodrigo Castanho, que também cuidou dos arranjos, ao lado da própria banda. O primeiro single do álbum foi a canção "Mulheres São de Vênus Homens São de Marte".
Este quarto disco, ao contrário dos anteriores, não tem naipe de metais, nem instrumentos andinos, em compensação tem um mega peso de guitarra. É bem melódico e trás letras, que "fazem a gente pensar", sem serem chatas. Segundo a banda "muitos sons vieram primeiro do violão para depois tomarem "corpo"'. A originalidade de suas letras, a capacidade de criar melodias que ficam na cabeça das pessoas e a qualidade de suas canções fizeram com que o grupo de tornasse um dos mais reconhecidos pela critica.
Em 2006, o Tihuana lançou o seu quinto álbum, Um Dia de Cada Vez. Juntamente com o álbum, lançaram o single "Na Parede do Quintal", que entrou para a lista das cançõs mais tocadas das rádios em 2006 e 2007. Um Dia de Cada Vez mostrou um amadurecimento por parte da banda na música e nas letras, bem como uma influência feminina da parceria com Ivy, ex-vocalista do Motora, com quem compuseram a maioria das faixas. Conforme a banda, o lançamento foi uma tentativa de "dar uma repaginada" em seus trabalhos. Em dezembro de 2007, anunciaram a turnê de divulgação do disco.
Em 2007, o Tihuana apareceu muito na mídia após "Tropa de Elite" ser utilizada na trilha sonora do filme homônimo. A canção, escrita como um "grito de guerra" particular (a "tropa" seria a própria banda), se tornou muito associada ao BOPE do qual a produção se trata. "Essa música estava na nossa primeira fita demo!", diz Egypcio "Mas não foi feita para nenhuma equipe de polícia. A tropa a que nos referíamos éramos nós mesmos, que estávamos chegando", explica.

Em 2008, o grupo lança seu primeiro álbum ao vivo e também o primeiro DVD da carreira, Tropa de Elite - Ao Vivo, gravado no estacionamento do Kazebre Rock Bar, na Zona Leste de São Paulo, no dia 23 de dezembro de 2007. Contou com as participações de Zeider do Planta & Raiz, Di Ferrero e Gee Rocha do NX Zero, MC Júnior & MC Leonardo e DJ JF, e o zero-cinco André Ramiro, do filme Tropa de Elite. No ano seguinte, o show foi lançado em CD e DVD pela Arsenal/Universal. O Tihuana fez duas turnês internacionais, a primeira no Japão, nas cidades de Nagoya e Toyohashi, a segunda nos Estados Unidos, passando por Nova Jersey, Boston, Atlanta e Virgínia. A banda se apresentou nos maiores festivais do Brasil como Rock in Rio, Planeta Atlântida, BMF, São Paulo Mix Festival, Pop Rock Brasil, Ceará Music, Porão do Rock, entre outros. Com mais de 700 shows na carreira, a banda encerrou a turnê Tropa de Elite - Ao Vivo.
Em 2011, a banda esteve em estúdio gravando o novo álbum, que contaria com algumas faixas como "Perto de Você, Longe de Mim", "Funk do Edmilson" (regravação de uma das músicas da banda Ostheobaldo), "Minha Garota" (tocada em todas as rádios de pop rock do Brasil), "Vem Morar Comigo", "Isso Aqui é uma Festa de Loucos", e a trilha do filme Tropa de Elite 2, intitulada "Comboio do Terror". No ano seguinte, o percussionista Baía deixa o grupo para seguir carreira como DJ; os demais integrantes afirmaram que foi uma saída "completamente amistosa" e o baixista Román brincou afirmando que Baía "traiu o rock". O músico Fouad Khayat foi escolhido para substitui-lo, tocando como músico de apoio até o hiato da banda em 2017.

Em 2013, o grupo lançou o single "Minha Rainha", com a participação de Digão (Raimundos). Seu videoclipe foi gravado na cidade de Praia Grande. O novo álbum, intitulado Agora é pra Valer!, é lançado dia 10 de maio do mesmo ano. Junto com o lançamento, foi iniciada uma turnê de divulgação que, conforme a banda, perduraria até o final do ano e seria seguida da gravação de um DVD.
Em setembro de 2014, o ônibus da banda sofreu um acidente quando um carro colidiu com ele na rodovia Fernão Dias. Conforme Egypcio, a maioria dos passageiros do ônibus estava dormindo e foi acordada com o som da colisão. O carro vinha na contramão sem motivo aparente (possivelmente vinha de um evento em Consolação e acabou se confundindo e entrando na via pelo sentido errado) e se chocou com o veículo da banda por volta das 4h. O piloto do carro, Johnny Luiz Araújo, de 21 anos, morreu no acidente, enquanto todos que estavam no ônibus saíram ilesos.
Em julho de 2017, o vocalista Egypcio confirmou sua saída do grupo por meio de um comunicado. Na ocasião, o cantor ressaltou a importância do período em que esteve na banda e agradeceu aos outros integrantes. No dia seguinte, foi publicado outro comunicado, dessa vez anunciando oficialmente o fim das atividades do Tihuana por tempo indeterminado. Com isso, Egypcio formou a banda Cali com outros quatro músicos, incluindo Fouad Khayat (que foi músico de apoio do Tihuana após a saída de Baía), Bruno Graveto e Leo Rota (que futuramente participaria da turnê de 25 anos do Tihuana). PG também seguiu na área artística, integrando a banda Sacramento. Román se tornou apresentador e locutor de rádio e Léo seguiu no ramo imobiliário numa empresa de sua família.
| “ | "Amigos, o Tihuana encerra suas atividades oficialmente por tempo indeterminado. Muito obrigado aos nossos familiares, músicos, equipe, parceiros e um agradecimento mais que especial aos nossos fãs. Foram 20 anos intensos de muito rock e acima de tudo muita verdade. Que Deus abençoe a caminhada de todos. Rock sempre!" | ” |
— Anúncio publicado pela banda em 14 de julho de 2017, via Facebook | ||
Em julho de 2024, sete anos depois do anúncio do hiato, a banda anunciou o seu retorno aos palcos para a turnê Tihuana 25 Anos, em comemoração aos 25 anos do lançamento de seu álbum de estreia, Ilegal. Sua estreia aconteceu no 89 Rock Boat, nos dias 15 a 18 de dezembro, a bordo do navio cruzeiro MSC Seaview. Inicialmente foi dito que a turnê teria vinte e cinco datas, contudo Egypcio afirmou em entrevista que a banda não impôs uma quantidade de shows, mas sim que se apresentariam "enquanto estiver bom, enquanto a galera estiver a fim de ver a gente".

Em virtude das diferentes origens dos integrantes — São Paulo (Egypcio), Salvador (Baía), Argentina (Román) e Rio de Janeiro (Léo e PG) —, suas influências são diversas; dentre suas inspirações, figuram bandas como Rage Against the Machine, Limp Bizkit, Bob Marley e Sepultura. O percussionista afirmou que foi influenciado por Naná Vasconcelos e Nação Zumbi. Léo, guitarrista do grupo, disse ter se inspirado nas bandas Kiss e Van Halen. Também foram musicalmente influenciados por gêneros como pop, rap, hardcore punk, reggae, rapcore e punk rock.
"Desde o nosso primeiro trabalho, tem de tudo... hardcore, reggae, música latina. Não temos limites musicais. [...] É impossível rotular o Tihuana pela grande variedade das nossas origens e influências musicais. Variamos muito porque não gostamos de nos sentir limitados em relação ao que fazemos e todos na banda participam muito de tudo. [...]"
Fernando Baía em entrevista ao Musicão (2009)
O Tihuana é conhecido por misturar rock, rap e reggae com música latina — influência trazida principalmente pelo baixista Román — ao introduzir instrumentos de percussão, o que lhes proporcionou uma identidade musical distinta e o destaque ainda na década de 1990.
As letras das canções falam de temas sociais e mensagens de festa e celebração. Conforme Baía, o álbum Ilegal (2000), primeiro trabalho do grupo, "tem de tudo... hardcore, reggae, música latina. Não temos limites musicais."
A banda incorporou diversos gêneros, como rock nacional e internacional, ritmos latinos, ska, surf music, funk de morro. Seu último álbum, Agora É pra Valer! (2013) contou com uma concentração maior no rock e rap.
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No texto, estas referências são precedidas pelo símbolo de adaga dupla (‡):