Eikasia

O termo eikasia (grego antigo: εἰκασία), que significa imaginação em grego, foi usado por Platão para se referir ao modo humano de lidar com as aparências. Representa um tipo de cognição baseada em imagens e aparências sensoriais, como sombras e reflexos ou, de modo mais amplo, percepções que tomamos como reais sem reflexão crítica .

Platão indica que, no processo de buscar a verdade, o filósofo em formação usa uma forma de imaginação construtiva, que o ajuda a ver além das imagens sensoriais e aproximar-se da realidade verdadeira. A “imaginação eikástica” é, portanto, um meio de transição entre a percepção das aparências e a compreensão intelectual do real .

Corinne Praus Sze ressalta que a alegoria da caverna é essencial para compreender tanto a educação do filósofo platônico quanto o papel do filósofo na sociedade, podendo até conter uma chave para entender toda a República de Platão . Ele reexamina uma dificuldade recorrente: a interpretação dos detalhes dentro da caverna, especialmente a diferença entre as sombras e os objetos que as projetam, e o momento em que o prisioneiro é forçado a se virar para olhar para os objetos e o fogo. O autor propõe uma leitura desses elementos que seja coerente com a explicação do próprio Platão e com o uso de imagens semelhantes em outras partes da República.

A interpretação tradicional entende que a Alegoria da Caverna e a Linha Dividida (que a precede) devem ser lidas em paralelo, pois ambas se baseiam na divisão do conhecimento em quatro níveis:

  1. Eikasia (imaginação) – o nível mais baixo, em que se percebem apenas sombras e imagens;
  2. Pistis (crença) – percepção dos objetos reais dentro da caverna;
  3. Dianoia (pensamento discursivo) – raciocínio matemático;
  4. Noesis (intelecto puro) – conhecimento das Formas.

Assim, dentro da caverna os prisioneiros que veem apenas sombras representam o estado mental da eikasia e os que veem os objetos que produzem as sombras representam a pistis .

É a inabilidade para perceber se uma percepção é uma imagem de qualquer outra coisa. Como tal previne perceber se um sonho, uma memória, ou uma reflexão num espelho não é uma realidade como tal.

Referências

  1. ↑ «eikasia». FOLDOC. Consultado em 22 de junho de 2006. Arquivado do original em 20 de junho de 2006
  2. ↑ Storey, Damien (2020). «What is Eikasia?». Oxford Studies in Ancient Philosophy. 58: 19-57
  3. ↑ Hamlyn, D.W. (1958). «Re-Imagining Imagination: Revisiting Plato's Eikasia andAristotle's Phantasia». The Philosophical Quarterly. 8 (30): 14-23
  4. 1 2 3 Sze, Corinne Praus (1977). «Εikasia and Pistis in Plato's Cave Allegory». The Classical Quarterly. 27 (1): 127-138

Bibliografia

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