Esta biografia de uma pessoa viva cita fontes, mas que não cobrem todo o conteúdo. (novembro de 2026) |
Elizabeth Viana (Marília, 17 de Dezembro de 1950) é cantora e intérprete brasileira. Com uma carreira de mais de cinco décadas, é conhecida por sua relevante contribuição na música brasileira, sobretudo no gênero musical Samba Rock. Graças ao seu pioneirismo e à longevidade de sua obra, é reconhecida como a "Rainha do Samba Rock".

Após vivenciar a adolescência descobrindo-se cantora, ao lado de importantes bandas de baile e orquestras na capital paulista, Elizabeth Viana inicia oficialmente sua carreira como intérprete em 1967 quando vence “A Grande Chance”, famoso programa de calouros criado e apresentado pelo então apresentador Flávio Cavalcanti. Além de um contrato de 5 anos com a TV Tupi, a cantora de Marília, interior de São Paulo, ganha então a oportunidade de lançar um compacto simples pela gravadora RCA/Victor, escolhendo a música Meu Guarda-Chuva, do já conhecido Jorge Ben, como abre-alas, o que a trouxe o título de Rainha do Samba Rock.

Até o ano de 1976 tem uma intensa agenda de lançamentos fonográficos - como é o caso dos sucessos Se quiser mas sem bronquear (Jorge Ben), Se quer chorar (Antonio Carlos e Jocafi), Olê Olá (Chico Buarque) -, e apresentações por todo o Brasil, participando de temporadas em teatros com grandes nomes da MPB (Jair Rodrigues, Os Originais do Samba, etc) além de ser convidada frequente de programas de rádio e televisão, sobretudo em São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 1970, acompanhada de Marcos Valle, participa do programa MPB Especial, de Fernando Faro. No VII Festival Internacional da Canção, em 1972, defendeu a composição Diferenças, com Rildo Hora. No ano de 1977, ao lado de um time do alto escalão da música instrumental brasileira como Heraldo do Monte, Cláudio Bertrami, Luiz Mello, e participação do jovem Branca di Neve na percussão, lança o LP “Canto Livre”, com prensagens também em países europeus. Neste álbum de 10 faixas, Elizabeth Viana grava as composições inéditas Dupla Traição, de Djavan, João e Maria, de Chico Buarque e Sivuca, e Dilé, de Jorge Ben. Depois de alguns anos fora da cena musical para dedicar-se a família, em 1987, Elizabeth lança um mix (compacto simples no formato de LP) com duas canções de Benê Alves, Magia no Olhar e Pisou na Bola, essa última obtendo enorme sucesso junto ao público dos bailes black.
Em 1989 é convidada para estrelar uma temporada de 6 meses na cidade de Okayama, no Japão, difundindo a música e a cultura brasileira. Desde então, de volta à noite, segue realizando shows na cena independente, sobretudo a convite de jovens bandas interessadas na trajetória da cantora e na história do Samba Rock, circulando em casas de shows e no circuito musical do Sesc. No ano de 2002, a convite da TV Cultura, se consagra ao gravar o programa Ensaio. As gravações mais recentes se tratam de registros de apresentações ao vivo e material não publicado, como é o caso de Diz DJ (Luís Vagner) e Marinella (Janja Gomes), ambas com a banda mineira 2°DP. Recentemente, pelo projeto #CulturaemCasa, Elizabeth Viana participou do Festival Raízes Black, no Teatro Sérgio Cardoso, mostrando todo balanço e carisma dessa que é uma das mais bonitas vozes do Brasil.

Contribuição
Os 50 anos de carreira não diminuem a disposição de Elizabeth Viana para seguir circulando pelos palcos, conquistando novos públicos. Ao mesmo tempo, evidencia-se a importância de se preservar a memória contida em sua obra - sua chegada ao estrelato, seu contato próximo com compositores brasileiros fundamentais da segunda metade do Século XX, sua agitada agenda de trabalhos até o final dos anos 70, e sua dedicação contínua à música mesmo após os tempos áureos.
É inegável a sua contribuição para o desenvolvimento do Samba Rock no final dos anos 60 e década de 70. Em arquivos da hemeroteca da Biblioteca Nacional é possível encontrar grandes feitos da artista.
Segundo o pesquisador Pedro Tadeu Faria D'Allevedo, Elizabeth Viana figura, junto de outros artistas relevantes para a construção do imaginário do gênero, no que chamou de "playlist dos bailes nostalgia (Samba Rock tradicional [ou das antigas] nacional)", com a música Meu Guarda-Chuva (p.264). Já Luciana Xavier de Oliveira, em sua monografia, também reforça a tese de que as gravações da intérprete fizeram sucesso nos bailes e festas da periferia na transição dos anos 60 para 70 (p.20).
Em publicação no portal Geledés - Instituto da Mulher Negra, na seção Patrimônio Cultural, a gravação Meu Guarda-Chuva também é mencionada como uma das 100 músicas consideradas "black hits".
Entrevistas
Embora haja um quantidade razoável de citações a Elizabeth Viana nos arquivos da Hemeroteca da Biblioteca Nacional, sobretudo nos anos 1970, há poucos registros de reportagens que tragam a sua perspectiva enquanto protagonista.
No ano de 2024, a intérprete concedeu uma entrevista ao jornalista Pedro Alexandre Sanches com detalhes sobre os desafios da carreira, vida pessoal e algumas curiosidades de sua vivência na música. Em um encontro na cidade de São Roque (SP), após um de seus shows, Elizabeth Viana conta de suas participações em festivais, programas da TV Globo e TV Tupi, seu contato com diversos artistas fundamentais para a MPB e com produtores de renome, como Fernando Faro.
Outro tema abordado na conversa foi o mistério que envolve o título da música Bebete Vãobora, um clássico da obra de Jorge Ben:
"(A Casa Musical) Era onde a gente ficava antes de ir ao ar, perto da Tupi. Era o escritório do Faro, onde ele ficava e ficava todo mundo, Gal Costa, Caetano, Jorge, todo mundo. A gente ia tomar café, ficava todo mundo lá. Tenho que encontrar Jorge Ben e relembrar ele que 'Bebete Vambora' saiu do meu nome. Estávamos na Casa Musical, fiquei conversando com Faro, Jorge estava do meu lado quando alguém gritou: 'Bete, vambora!'. Jorge estava com o violão na mão, olhou bem para mim e falou: 'Nossa, ainda não cantaram Elizabeth…'. Passou algum tempo, escutei a música. Olha só, foi naquele momento. Quero um dia encontrar com ele e ver se ele lembra esse detalhe", conta Elizabeth ao entrevistador.
As gravações originais da obra de Elizabeth Viana são relativamente raras de serem encontradas em lojas especializadas. Igualmente, há diversos fonogramas que foram lançados exclusivamente em compactos e LPs, não havendo reedições em suporte físico ou digital. Recomenda-se a busca de tais registros no Youtube e nas redes sociais oficais da cantora.
Como citado no artigo de Pedro Alexandre Sanches, Elizabeth Viana "(...) desenvolveu uma carreira discográfica curta e dispersa e foi invisibilizada pela mídia caça-cliques (ou o que quer que governasse o “sucesso” à época). Essa escassez, no entanto, não a impediu de passar grande parte das últimas sete décadas em cima do palco, dos mais variados palcos, fosse nos programas da TV Tupi e da Globo, nos festivais da canção, em boates, em teatros (caso da temporada carioca de 1970 no Teatro Casa Grande, ao lado de Jair Rodrigues, Márcia e Os Originais do Samba), em bares (como o Trem Azul, em Pinheiros, na capital paulista, do qual foi sócia minoritária) (...)".
Abaixo, catálogo organizado pelo músico e produtor cultural Pedro Cezar, a partir do contato com material físico (compactos simples, duplos, LPs e outros materiais promocionais do arquivo pessoal de Elizabeth), além de consultas em sites na internet:
| Nº | Música | Compositores | Ano | Gravadora / selo | Álbum | Intérpretes | Formato |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| — | Meu Guarda-Chuva | Jorge Ben | 1969 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| — | Segredo | Herivelto Martins; Marino Pinto | 1969 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| 1 | Meu Guarda-Chuva | Jorge Ben | 1969 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| 2 | Bossa na Fossa (pot-pourri): De Cigarro em Cigarro; Ninguém Me Ama; Ouça | Luiz Bonfá; Fernando Lobo; Antonio Maria; Maysa | 1969 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| 1 | Se Você Quiser Mas Sem Bronquear | Jorge Ben | 1969 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| 2 | Fechei a Porta | Sebastião Mota; Ferreira dos Santos | 1969 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| 2 | Gostei de Ver | Eduardo Gudin; Marco Antonio da Silva Ramos | 1969 | RCA Victor | V Festival de Música Popular Brasileira | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| 5 | O Sonho | Egberto Gismonti | 1969 | RCA Victor | Disparo 70 | Elizabeth Viana | Long play |
| — | Tem Que Me Aceitar Como Eu Sou | Mario Marcos | 1970 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| — | Gosto de Sorrir | Renato Junior | 1970 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| 4 | Olé, Olá | Chico Buarque de Hollanda | 1970 | RCA Victor / Abril Cultural | Música Popular Brasileira – Chico Buarque de Hollanda | Elizabeth Vianna com Regional | Long play |
| — | Se Quer Chorar | Antonio Carlos; Jocafi | 1971 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| — | Primeiro Vento | Eduardo Gudin; Marcão | 1971 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| 6 | Eu Não Queria | Antonio Carlos; Jocafi | 1971 | — | Cada Um na Sua | Vários | Long play |
| — | Diferenças | Rildo Hora; Manuel Nunes | 1972 | RCA Victor | Rildo & Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| 1 | Cheguei Bahia | Hilton; Didi | 1973 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| 2 | A Tristeza Bateu em Minha Porta | Renato Junior | 1973 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| 1 | Novo Amor Novo Frevo | J. Costa; Edilon; Didi | 1973 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| 2 | Êle | Eduardo Gudin; Paulo Frederico | 1973 | RCA Victor | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto duplo |
| — | Tataê | Gilson de Souza | 1973–1976 (aprox.) | TAMBÍ | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| — | Lamento de Ouro | Gilson de Souza | 1973–1976 (aprox.) | TAMBÍ | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Compacto simples |
| 1 | João e Maria | Chico Buarque; Sivuca | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 2 | Beija-Flor | Nelson Cavaquinho; Noel Silva; Augusto Tomaz Jr. | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 3 | Dupla Traição | Djavan | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 4 | Lágrimas | Gilson de Souza | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 5 | O Que Será (À Flor da Terra) | Chico Buarque | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 1 | Dilê | Jorge Ben | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 2 | Olhos nos Olhos | Chico Buarque | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 3 | Lama | Mauro Duarte | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 4 | Canção para Quem Vem | Gilson de Souza | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| 5 | Brasil, Berço dos Imigrantes | Roberto Ribeiro; Jorge Lucas | 1977 | Takeplay | Canto Livre | Elizabeth Viana | Long play |
| — | Magia no Olhar | Bene Alves | 1987 | Acervo Comercial Fonográfica Ltda. | Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Long play |
| — | Pisou na Bola | Bene Alves | 1987 | Acervo Comercial Fonográfica Ltda. | Mix – Elizabeth Viana | Elizabeth Viana | Long play |
| — | Meu Guarda-Chuva | Jorge Ben | 1987 | Box Music / Ariola Discos | Som de Valente – Rolando Rock | Elizabeth Viana | Long play / coletânea |
| — | Pisou na Bola | Benê Alves | 1987 | Continental | Samba Rock em 2 Tempos | Elizabeth Viana | Long play / coletânea |
| — | Meu Guarda-Chuva (Originais do Samba feat. Elizabeth Viana) | Jorge Ben | 2003 | Rhythm and Blues | Swing dos Originais | Originais do Samba feat. Elizabeth Viana | CD |
| — | A Paz É a Música (Don Richard feat. Elizabeth Viana) | Don Richard; Rubem Carvalho | 2010 | Independente | Single | Don Richard feat. Elizabeth Viana | Single |
| — | O Negócio É Samba Rock | Antonio Luiz; Nil Bernardes | 2026 | OBI Music | Coletânea | Elizabeth Viana | Single |
| — | Tô de Saco Cheio | Antonio Luiz; Cesar Augusto | 2026 | OBI Music | Coletânea | Elizabeth Viana | Single |
Observação: consultar o verbete Elizabeth Viana no site internacional Discogs, ainda que, lá, não apareçam todos os lançamentos efetivamente realizados.