Emile Biayenda | |
|---|---|
| Cardeal da Santa Igreja Romana | |
| Arcebispo de Brazzaville | |
| Atividade eclesiástica | |
| Diocese | Arquidiocese de Brazzaville |
| Nomeação | 14 de junho de 1971 |
| Predecessor | Théophile Mbemba |
| Sucessor | Barthélémy Batantu |
| Mandato | 1971 — 1977 |
| Ordenação e nomeação | |
| Ordenação presbiteral | 26 de outubro de 1958 por Michel-Jules-Joseph-Marie Bernard |
| Nomeação episcopal | 7 de março de 1970 |
| Ordenação episcopal | 17 de maio de 1970 por Sergio Pignedoli |
| Nomeado arcebispo | 7 de março de 1970 |
| Cardinalato | |
| Criação | 5 de março de 1973 por Papa Paulo VI |
| Ordem | Cardeal-presbítero |
| Título | São Marcos em Agro Laurentino |
| Brasão | |
| Lema | In Verbo Tuo laxabo rete |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Mfinkabitoungou 1927 |
| Morte | Brazzaville 23 de março de 1977 (50 anos) |
| Nacionalidade | congolês |
| Funções exercidas | -Arcebispo coadjutor de Brazzaville (1970-1971) |
| Títulos anteriores | -Arcebispo titular de Garba (1970-1971) |
| dados em catholic-hierarchy.org Cardeais Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Emile Biayenda (Mfinkabitoungou, República do Congo, 1927 - Brazzaville, 23 de março de 1977) foi um cardeal e arcebispo da Arquidiocese de Brazzaville.
Emile Biayenda nasceu na pequena aldeia de Mfinkabitoungou (que não existe mais), Maléla-Bombé (Mpangala), perto de Vindza, distrito de Kindamba, na região de Pool, vicariato apostólico de Brazzaville, Congo-Brazzaville. Ele pertencia à tradição kòongó. Era o terceiro dos seis filhos de Semo dia Mbomba, um pequeno agricultor, e Biyela bia Milongo.
Estudou na escola católica de Mpangala (1935 a 1937) e na Missão Católica de Kindamba (1937 a 1942). Foi batizado em 7 de maio de 1938 e recebeu o nome de Émile. Em 1943, mudou-se para a Missão Católica de Boundji, no norte do Congo, para prosseguir seus estudos, onde permaneceu até 1944, quando ingressou no Seminário Menor de São Paulo, em Mbamou; de 1950 a 1958, estudou filosofia e teologia no Seminário Maior Libermann de Brazzaville. Em outubro de 1965, foi enviado para a Universidade Católica de Lyon, na França, onde obteve o doutorado em sociologia e a licenciatura em teologia em 1969.
Ordenado em 26 de outubro de 1958, na catedral do Sagrado Coração, em Brazzaville, por Michel-Jules-Joseph-Marie Bernard, CSSp., arcebispo de Brazzaville. Foi nomeado vigário da paróquia de Santa Maria de Ouenzé em agosto de 1959, onde permaneceu até 1962. Também cuidou da construção da igreja paroquial de São João de Vianney em Mouléké, entre março de 1962 e julho de 1965; posteriormente, foi nomeado seu pároco. Capelão nacional da Legião de Maria, de 1962 a 1965. Contudo, este movimento mariano parecia perigoso para alguns políticos e padre Émile foi colocado em prisão domiciliar por alguns meses em 1965, juntamente com o padre Louis Badila e o padre Robyr, da Congregação do Espírito Santo; eles foram posteriormente absolvidos e libertados.
Ao retornar de Lyon a Brazzaville em maio de 1965, foi designado vigário na paróquia do Santo Espírito, em Moungali. Nomeado vigário episcopal para a coordenação entre as obras apostólicas e as comissões arquidiocesanas de Brazzaville, em 18 de fevereiro de 1970.
O Papa Paulo VI, em 7 de março de 1970, nomeou-o arcebispo titular de Garba e arcebispo coadjutor de Brazzaville. A consagração episcopal aconteceu em 17 de maio de 1970, na capela do Pontificio Collegio Urbano de Propaganda Fide, em Roma, pelo arcebispo Sergio Pignedoli, secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos; os principais co-consagradores foram o arcebispo Mario Tagliaferri, delegado apostólico no Congo, e o bispo de Orléans, Guy-Marie Riobé. Seu lema episcopal era "In verbo tuo laxabo rete".
Monsenhor Biayenda sucedeu à sé metropolitana de Brazzaville em 14 de junho de 1971. Tornou-se presidente da Conferência Episcopal do Congo no mesmo ano e participou da Segunda Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano. Três anos depois, participiu da Terceira Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos.
Criado cardeal-presbítero no consistório de 5 de março de 1973, quando recebeu o barrete vermelho e o título de São Marcos em Agro Lauretino. Foi o primeiro cardeal do Congo. Retornou a Brazzaville em 9 de maio do ano seguinte.
Os conflitos internos do partido marxista-leninista no poder afetavam a estabilidade da República Popular do Congo. Na tarde de 18 de março de 1977, o cardeal Biayenda havia conversado com o presidente Marien Ngouabi sobre assuntos relacionados à Igreja do Congo. Após a reunião, o cardeal retornou para casa. Poucas horas depois, o presidente foi assassinado. Na noite de 22 de março de 1977, às 17h, um Land Rover parou em frente à residência do cardeal. Dois homens saíram do veículo e comunicaram ao cardeal que o Comitê Militar do Partido queria vê-lo. O cardeal Biayenda embarcou no veículo, que o levaria ao quartel-general do Estado-Maior do Exército. Durante o trajeto, um carro preto em alta velocidade perseguiu o Land Rover em que o cardeal se encontrava, fazendo-o capotar. Os homens no carro conversaram com os soldados, seus cúmplices, e disseram-lhes para seguirem na direção de Mpila. Mais tarde naquela noite, as autoridades do Comitê Militar do Partido anunciaram ao padre Louis Badila, vigário-geral de Brazzaville, o assassinato do cardeal Biayenda por aqueles que o haviam sequestrado.
O corpo do prelado foi levado ao necrotério e vestido com as vestes eclesiásticas apropriadas. No sábado, 26 de março, o corpo foi levado do hospital geral para a catedral metropolitana e revestido com as insígnias pontifícias e, em seguida, velado por uma multidão. Às 16h daquele dia, o Comitê Militar do Partido foi à catedral apresentar suas condolências. No domingo, 27 de março, a missa solene de réquiem foi presidida pelo Cardeal Joseph Malula, arcebispo de Kinshasa. Em seguida, o corpo do cardeal Biayenda foi levado em procissão pela imensa multidão de fiéis que lotavam a catedral e que entoavam o cântico "Dila sambila". Monsenhor Biayenda foi sepultado naquela catedral metropolitana, ao lado de seu antecessor, o arcebispo Théphile Mbemba.
O Seminário Maior de Brazzaville leva o nome do falecido Cardeal. Também em sua homenagem, o Conselho Municipal de Brazzaville decidiu em 2015 renomear a principal rua comercial da cidade, a Avenida Foch, para Avenida Émile Biayenda.
O processo de beatificação foi aberto a pedido do Papa João Paulo II pela Congregação para as Causas dos Santos em 20 de março de 1995, data do nihil obstat. Em consequência disso, foi-lhe concedido o título de Servo de Deus. O processo diocesano decorreu de 21 de outubro de 1996 a 14 de junho de 2003. Uma comissão histórica foi designada para a causa e concluiu os seus trabalhos em 2014. A Congregação para as Causas dos Santos validou o processo diocesano em 29 de maio de 2015. A Positio da causa foi publicada em 2023. Agora, espera-se sua declaração como Venerável, com o reconhecimento das suas virtudes heroicas.