

Tarso é uma cidade na Cilícia, uma região do sudeste da Ásia Menor (moderna Turquia). A cidade manteve-se sob controle romano desde 67 a.C., e então passou para o Império Bizantino até meados do século VII, quando após a conquista muçulmana do Levante, a cidade foi disputada com o nascente Califado Árabe. Durante os conflitos entre bizantinos e o Califado Omíada, a cidade localizou-se na disputada terra de ninguém entre os dois impérios e mudou de mãos frequentemente, tornando-se deserta e arruinada no processo. Em 778/779, o Califado Abássida organizou a primeira tentativa de restaurar a cidade como base de operações contra o Império Bizantino, mas o trabalho não foi aparentemente concluído. Não foi até 787/788, que a cidade seria reconstruíra e repovoada por Faraje ibne Soleime sob ordens do califa Harune Arraxide (r. 786–809). Três mil coraçanes e dois mil sírios (mil de Antioquia e mil e Mopsuéstia) receberam casas e terras na nova cidade-fortaleza.
Tarso foi aparentemente recuperada pelos bizantinos logo depois, em algum momento em torno do fim do século. A cidade provavelmente permaneceu em mãos bizantinas durante a guerra civil abássida Quarta Guerra Civil Islâmica, mas retornaria ao controle muçulmanos por 830, quando o califa Almamune (r. 813–833) recomendou campanhas ofensivas contra o Império Bizantino. Os governadores de Tarso frequentemente também exerciam o governo de todas as marcas sírias (Tugur Axamia), e seu principal dever era organizar os raides anuais contra os bizantinos.
A cidade permaneceu sob controla abássida direto até 878/9, quando o controle sobre ela e as marcas com o império passaram ao governante autônomo do Egito, Amade ibne Tulune (r. 868–905). O governador Iazamane Alcadim retornou-a à fidelidade direta à Bagdá de 882 em diante, mas foi forçado a reconhecer a suserania tulúnida novamente em 890. A possessão tulúnida do tugur durou até a morte do herdeiro de ibne Tulune, Cumarauai, em 896, após a qual o califa Almutadide (r. 892–902) restabeleceu controle direto sobre as regiões fronteiriças. Em 946/947, Tarso reconheceu a suserania do emir hamedânida Ceife Adaulá de Alepo (r. 945–967), que tornou-se o nome mestre do norte da Síria e dos territórios fronteiriços bizantinos. Enfrentando o ressurgimento do Império Bizantino, ele foi capaz de conter a maré por um tempo, mas em 965, o imperador bizantino Nicéforo II Focas (r. 693–969) capturou a cidade, terminando o domínio muçulmano ali.
| Nome | Mandato | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|
| Iázide ibne Machlad Alfazar | Expulso pela guarnição do Coração, devido seu orgulho excessivo em pertencer à família pró-omíada de Omar ibne Hubaira | ||
| Abu'l-Fawaris | Apenas a data de sua nomeação é conhecida. | ||
| Tábite ibne Nácer | Intitulado "emir das marcas sírias". | ||
| Amade ibne Saíde | Liderou uma troca de prisioneiros com os bizantinos em setembro/outubro, deposto após um fracassado raide de inverno ao território bizantino. | ||
| Nácer ibne Hâmeza | Apenas a data de sua nomeação é conhecida. | ||
| Ali ibne Iáia, o Armênio | out./nov. 862 |
Uma figura proeminente nas guerras contra o Império Bizantino, liderou vários raides de verão e supervisionou duas trocas de prisioneiros, em 856 e abril de 860. | |
| Maomé ibne Harune | Nomeado ao posto, mas morto antes de alcançar Tarso | ||
| Maomé ibne Ali Alarmani | Morto pelos bizantinos. | ||
| Urcuz ibne Ulugue Tarcã | Deposto por desviar os salários da guarnição de Lulo, levando a sua rendição aos bizantinos. | ||
| Abedalá ibne Raxide ibne Cavus | Derrotado e capturado em batalha pelo bizantinos. | ||
| Takhshi | Nomeado por Amade após sua partida de Tarso em 878. | ||
| Sima | Nomeado por Amade. | ||
| Calafe de Fergana | Nomeado por Amade. Deposto pela facção pró-abássida sob Iazamane. | ||
| Iazamane Alcadim | Líder da facção pró-abássida, liderou várias expedições contra os bizantinos. Em outubro de 890, reconheceu a suserania tulúnida. Morreu de suas feridas adquiridas em uma campanha contra o Império Bizantino. | ||
| Amade ibne Tugane Alujaifi | verão de 892 |
Sucedeu Iazamane e inicialmente foi confirmado por Cumarauai, mas logo foi substituído pelo primo de Cumarauai | |
| Maomé ibne Muça ibne Tulune | Membro da família tulúnida, nomeado por Cumarauai, deposto e capturado pela população em agosto de 892. | ||
| Amade ibne Tugane Alujaifi | Restaurado ao governo por Cumarauai. Supervisionou a troca de prisioneiros de outubro de 896, e então partiu de Tarso pelo mar. | ||
| Damião de Tarso | mar./abr. de 897 |
Renegado bizantino, foi deixado à cargo de Tarso por Alujaifi. Deposto e preso por uma rebelião pró-abássida. | |
| Ibne Aliquexide | Nomeado pelo califa Almutadide. Morto em uma expedição contra os bizantinos. | ||
| Abu Tábite | Subgovernador de Ibne Aliquexide, sucedeu-o após sua morte, mas foi capturado pelos bizantinos em março de 900. | ||
| Ali ibne Alárabe | Eleito pelos mais velhos de Tarso para suceder Abu Tábite. | ||
| Nizar ibne Maomé | Nomeado pelo governador das marcas, Haçane ibne Ali Cura. | ||
| Muzafar ibne Haje | Deposto. | ||
| Abu Alaçair Amade ibne Nácer | Sucessor de Muzafar ibn Haje. | ||
| Rustum ibne Bardu | Liderou vários raides contra o Império Bizantino e supervisionou as trocas de prisioneiros de setembro de 905 e 908. Ele também ajudou o rebelde Andrônico Ducas a fugir para território árabe. | ||
| Bixer Alafexini | Liderou vários raides contra o Império Bizantino e supervisionou a troca de prisioneiros do outono de 917. | ||
| Tamal Adulafi | Um comandante naval bem-sucedido, liderou vários raides contra o Império Bizantino, e até mesmo saqueou Amório e fez contato com Simeão I da Bulgária por uma frente comum. Ele supervisionou uma troca de prisioneiros no outono de 925. | ||
| Baxir Atamali | Antigo tenente de Tamal Adulafi, supervisionou a troca de prisioneiros do outono de 938. | ||
| Nácer Atamali | Antigo tenente de Tamal Adulafi, supervisionou a troca de prisioneiros de setembro de 946. Logo depois, as marcas sírias reconheceram a suserania de Ceife Adaulá. | ||
| Ibne Azaiate | Nomeado por Ceife Adaulá. No final de 961, reconheceu mais uma vez diretamente o califa abássida, mas foi derrotado pelos bizantinos e cometeu suicídio. Tarso voltou a ser fiel a Ceife Adaulá. | ||
| Raxique Anácimi | 16 de ago. de 965 |
Sucedeu ibne Azaiate. Governador de Tarso até a rendição da cidade para Nicéforo Focas em 16 de agosto de 965. | |