| Ernesto Chardron | |
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| Nascimento | 9 de agosto de 1840 |
| Morte | |
| Nacionalidade | francesa |
| Ocupação | Livreiro e editor |
Ernesto Chardron (Ardenas, 9 de agosto de 1840 – São Lourenço de Asmes, 29 de junho de 1885) foi um livreiro e editor francês radicado em Portugal. Estabelecido na cidade do Porto, fundou, em 1869, a Livraria Internacional de Ernesto Chardron, tornando-se responsável pela publicação de obras de autores como Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós e Teófilo Braga.
Nascido no departamento francês de Ardenas, Chardron mudou-se para Portugal em 1858. No Porto, começou a trabalhar na Livraria Moré, uma das principais casas livreiras da cidade naquele período. O estabelecimento havia sido fundado pelo livreiro francês Nicolau Moré, que mantinha negócios no Porto e em Coimbra. Após a morte do fundador, a livraria passou para sua viúva e ficou sob a gerência do bibliófilo José Gomes Monteiro.
Chardron permaneceu na Livraria Moré até 1869. Antes de estabelecer seu próprio negócio, investiu na edição de duas obras prefaciadas por Camilo Castelo Branco: Prosas e Poesias Inéditas de Fernão Roiz Lobo Soropita e Memórias de Fr. João de S. José Queirós.
Em 1869, instalou-se por conta própria nos números 96 e 98 da Rua dos Clérigos, no Porto, onde fundou a Livraria Internacional de Ernesto Chardron e passou a atuar como livreiro-editor. O estabelecimento original não ocupava o edifício atualmente associado à Livraria Lello, localizado no número 144 da Rua das Carmelitas, que seria inaugurado somente em 1906.
Durante pouco mais de quinze anos de atividade independente, Chardron foi responsável pela publicação de mais de 1 500 títulos. Seu catálogo incluía cerca de trinta volumes de Camilo Castelo Branco, além de projetos de maior dimensão, como o Tesouro da Língua Portuguesa, de Domingos Vieira, e o Dicionário de Conversação.
Entre os demais autores publicados pela casa estavam Almeida Garrett, Alberto Augusto de Almeida Pimentel, Augusto Luso da Silva, Faustino Xavier de Novais, Francisco Gomes de Amorim, Tomás Ribeiro e Teófilo Braga. O catálogo preservado da empresa, posteriormente incorporado ao espólio da Livraria Lello, possuía mais de seiscentas páginas.
Chardron também manteve uma relação editorial duradoura com Eça de Queirós. A partir de O Primo Basílio, o escritor passou a publicar grande parte de suas obras por meio da Livraria Internacional. A maioria dos livros de Eça publicados durante a vida do autor foi editada pela casa de Chardron, embora a relação entre ambos também tenha sido marcada por negociações sobre prazos, valores, revisão e divulgação das obras.
Na década de 1870, Chardron ampliou seu catálogo com traduções de obras francesas e livros de autores brasileiros. Para isso, estabeleceu uma parceria comercial com o livreiro-editor Baptiste-Louis Garnier, proprietário da Livraria Garnier no Rio de Janeiro.
A comparação entre os catálogos das duas casas mostra que Chardron e Garnier comercializavam títulos de autores como Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, Machado de Assis e Luís Guimarães Júnior. Chardron também anunciava e vendia em Portugal o periódico brasileiro Jornal das Famílias, publicado por Garnier, atuando como seu correspondente comercial no país.
Essa atividade contribuiu para a circulação de livros entre Portugal, França e Brasil e para a presença mais organizada da literatura brasileira no mercado português durante a segunda metade do século XIX.
Ernesto Chardron morreu em 29 de junho de 1885, em São Lourenço de Asmes, localidade atualmente integrada à cidade de Ermesinde. A informação consta do registro paroquial de óbito e é confirmada pelo obituário publicado naquele ano em O Occidente.
Após sua morte, a Livraria Internacional foi adquirida pelos franceses Jules Genelioux e Mathieu Lugan, passando a funcionar sob a designação Lugan & Genelioux, Sucessores. Os novos proprietários deram continuidade às publicações e aos contratos estabelecidos por Chardron.
Em 1894, a antiga casa Chardron foi vendida a José Pinto de Sousa Lello, que se associou ao irmão António Lello. A empresa tornou-se uma das antecessoras da atual Livraria Lello, cujo edifício na Rua das Carmelitas foi inaugurado em 1906.