Fernando Corona

Fernando Corona e Pietro Giglio. Entre ambos um retrato de Giglio modelado por Corona.

Fernando Corona Cabello (Santander, 26 de novembro de 1895 – Porto Alegre, 23 de junho de 1979) foi um escultor, arquiteto, ornatista, ensaísta, crítico e professor de arte de origem espanhola, radicado em Porto Alegre, no Brasil.

Biografia

Fernando Corona Cabello nasceu em Santander em 26 de novembro de 1895, filho de Antonia Cabello e Jesús Maria Corona, escultor e arquiteto espanhol, que viajou para Porto Alegre em 1909, empregando-se na oficina de decoração predial de João Vicente Friedrichs.

Fernando chegou em Porto Alegre em 4 de março de 1912, e considerando sua preparação insuficiente, ingressou como aprendiz na oficina Friedrichs, realizando desenhos de ornatos e decorações de fachadas para projetos dos arquitetos Manoel Itaqui e Theo Wiederspahn. A partir de 1914 trabalhou como escultor-decorador na firma que seu pai abriu e produziu capas para a revista Máscara. Entre 1917 e 1919 colaborou com o pai na elaboração de um projeto para a nova Catedral de Porto Alegre, que não foi aceito. O pai então se mudou para Pelotas e Corona se associou ao escultor Alfredo Staege para produção de ornatos e decorações prediais. Em 1922 reabriu a firma paterna, e em 1925 venceu um concurso para o prédio do Hospital Modelo, atual Hospital São Francisco da Santa Casa.

Prédio do antigo Banco Nacional do Comércio, desenhado por Corona

Com o declínio da demanda por decorações prediais, em 1926 passou a fazer parte da equipe estável da construtora Azevedo Moura & Gertum como projetista e arquiteto, embora não tivesse um preparo formal nessas especialidades, aprendendo de forma autodidata. Ali permaneceria 20 anos, através dela deixando importante legado para a arquitetura local, muitas vezes trabalhando em parceria com outros profissionais. Assinou o projeto das fachadas com decorações escultóricas do antigo Banco Nacional do Comércio (1926), os projetos da antiga Escola Normal (1935), da Galeria Chaves (1936), e do Instituto de Belas Artes (1942), entre outros.

No início do seu trabalho como arquiteto acompanhou a tendência dominante em Porto Alegre de construir em estéticas ecléticas e historicistas, mas desde antes se interessava por novidades. Apoiou a Semana de Arte Moderna de 1922, entrou em contato com artistas e intelectuais da vanguarda e em 1925 participou da organização do Salão de Outono, que foi uma das primeiras manifestações de tendências mais progressistas na arte local.

Edifício Guaspari

Foi um dos primeiros arquitetos locais a empregar a estética modernista, e a partir da década de 1940 aprofundou seu estudo da arquitetura moderna, especialmente a produção teórica e prática de Le Corbusier, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Foi autor de projetos relevantes como o Edifício Guaspari, em 1936, um dos primeiros símbolos da modernidade em Porto Alegre, e o Edifício Jaguaribe, em 1951, em parceria com seu filho Luís Fernando. A partir de 1939 passou a lecionar no Curso Técnico de Arquitetura, criado no Instituto de Belas Artes, recebeu medalha de bronze em arquitetura no Salão Nacional de Belas Artes de 1940, e em 1944 foi um dos fundadores do Curso Superior de Arquitetura, onde lecionou até 1950.

Enquanto isso, desenvolvia outras atividades. Em 1938, com a tese Fídias - Miguel Ângelo - Rodin, venceu concurso para a recém criada cátedra de Escultura e Modelagem do Instituto de Belas Artes, sendo seu primeiro professor. Segundo Elvio Rossi, "depois que Fernando Corona ingressou no IBA é impossível separar o artista, o docente e o agente institucional. Ele socorreu por diversas vezes o Instituto nas suas relações tumultuadas com o poder público e com a UFRGS. Apesar de não ocupar cargo administrativo, Corona foi peça fundamental no reconhecimento do IBA, em 1939, no Rio de Janeiro, e em 1962, em Brasília, quando se conseguiu a reintegração do Instituto na UFRGS". "Porém, Fernando Corona não se restringiu ou se prendeu ao sistema das artes plásticas emergente no Rio Grande do Sul. Ele foi mais além, reagindo conforme as transformações do seu tempo, acatando as novidades que vinham de fora, e atuando na promoção de mudanças significativas no campo artístico local". Aposentou-se no Instituto de Belas Artes em 1965.

Detalhe do frontispício do antigo Banco Nacional do Comércio, projetado por Corona

Exerceu significativa atividade como escultor. Participou do Salão Nacional de Belas Artes (1933), recebendo medalha de bronze; da Exposição do Centenário Farroupilha (1935), onde conquistou medalha de ouro; do I Salão Sul-Riograndense de Belas Artes (1939); do 7º Salão Oficial de Belas Artes (1956), recebendo medalha de ouro, e do I Salão Pan-Americano de Artes (1958). Foi autor da imagem de Nossa Senhora do Líbano na fachada da igreja de mesmo nome, de um relevo para a fachada do Instituto de Artes, da máscara de Beethoven no Parque Farroupilha, do projeto dos grupos escultóricos dos frontispícios do antigo Banco Nacional do Comércio, e do projeto da Fonte Talavera de La Reina defronte ao Paço Municipal. Também tem peças em coleções particulares, na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo e no Museu de Arte do Rio Grande do Sul.

No campo da escrita deixou obra importante na historiografia e crítica de arte. Foi um dos primeiros a atuar como crítico profissional na imprensa do Rio Grande do Sul, publicando seus primeiros textos em 1928. Colaborou assiduamente na página de arte do Correio do Povo e da Revista do Globo de 1940 até sua morte, escrevendo crônicas, ensaios e impressões pessoais a respeito do ambiente artístico gaúcho e brasileiro de sua época e suas personalidades mais marcantes. Seus principais textos foram reunidos no livro Caminhada nas Artes 1940-76, publicado em 1977. Também colaborou com a Enciclopédia Rio-Grandense escrevendo capítulos sobre os primórdios da escultura e do ensino da arquitetura no Rio Grande do Sul.

Foi casado com Benvenuta Rossi, tendo os filhos Eduardo (1921), arquiteto; Marina Eletra (1923), e Luís Fernando (1924), arquiteto. A pintora Marilice Corona é sua neta. Faleceu em Porto Alegre em 23 de junho de 1979.

Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 4 5 "Fernando Corona". Centro de Memória do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, consulta em 17 de setembro de 2026
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  3. 1 2 3 4 5 Lima, Raquel Rodrigues & Canez, Anna Paula. "A bordo do Guaspari". In: Arquitetura Revista, 2018; 14 (1): 41-47
  4. 1 2 3 4 Pereira, Cláudio Calovi & Szekut, Alessandra Rambo. "Arte e arquitetura moderna na obra de Luís Fernando Corona em Porto Alegre". In: 8º Seminário Docomomo Brasil. Rio de Janeiro, 2009
  5. 1 2 Rossi, Elvio Antônio. "Fernando Corona: um crítico na província". In: Revista Ciclos, 2014; 2 (3)
  6. ↑ Cardoso, Everton & Silveira, Jacira Cabral da. "A nossa arte no estado". In: Jornal da Universidade, 2011, XIV (138): 8-10
  7. ↑ Nicolaiewsky, Alfredo. "Documentário fotográfico de esculturas executadas pelos alunos desde a fundação do curso de escultura, de Fernando Corona". In: 19&20, 2016; XI (1)
  8. ↑ "Reitoria da UFRGS recebe obras de arte de quatro gerações da família Corona". UFRGS, 6 de junho de 2019