Florália

A Floralia era um festival romano, em honra à deusa Flora, ocorrido no mês de maio e ligado ao ciclo agrário, para consagrar as florações da primavera. Iniciava-se em 28 de abril e se estendia até 3 de maio, com representações teatrais, solturas de animais associados à fertilidade e divertimentos realizados no Circo Máximo. Foi criado em 240 a.C. pelos irmãos edis Públio e Marco Publício Maleolo.

Deusa Flora

Casamento de Clóris e Zéfiro. Afresco de Pompeia.

O poeta Ovídio, na obra Os Fastos (livro V), descreve-a como "mãe das flores", "deidade amiga" e "deusa jovial". Além de reinar sobre as flores, os campos também eram de seus cuidados: as videiras (produção de vinho), o olival (azeite e azeitonas), codeços, timo , ervilhas e lentilhas. Seus domínios eram os campos e jardins cercados e não o que era selvagem.

“-De que provém caçarem em teus jogos
Triste cabra montês, medrosa lebre,
E não da Líbia horríficas leoas?”-
Expôs-me por causal, que os seus domínios
Não eram selvas: eram hortos, campos,
Contra feras terríficas defesos."

Ovídio narra, no poema-calendário, que ela era Clóris (ninfa dos campos) e Flora foi seu nome dado na região do Lácio. As florações lhe foram consagradas após Zéfiro raptá-la e desposá-la, dando as flores como dote. Sua função era cuidar de tudo que da terra brotasse. Segundo a lenda, Flora ajudou no nascimento de Marte, ao entregar uma flor fecunda, existente em seus jardins, à sua mãe que o desejava, mas não queria engravidar através da relação sexual com uma figura masculina.

História do Festival

Estátua de Flora

Sob a direção do oráculo dos livros Sibilinos, em 240 a.C, foi construído um templo em honra a Flora, dedicado em 28 de abril. A Floralia foi instituída para pedir sua proteção. Devido às más colheitas, as festas foram intermitentes durante quase cem anos (entre 240 a.C a 173 a.C), tendo sido retomadas de forma anual a partir daí. Pela ausência de tais festivais é que Flora esquecera seu ofício, negligenciando seus campos, proporcionando esse período decadente. Ovídio narra a fala da deusa sobre a suspensão de suas festas:

"Ai! de quem nos despreza! ao desacato
Sobr’está logo a pena ; então não pomos
À nossa justa cólera limites.
(...)
“Longo fora o catálogo das penas,
Que hemos dado a sacrilégios; só quero
Narrar-te as que infligi. De Roma os Padres
Tinham-me preterido; eu que faria?
Como desagravar-me e escarmentá-los?
Absorta em meu pesar, o ofício esqueço;
(...)
“Não promovia eu mesma aquelas perdas;
Não sou cruel na ira; per si vinham,
E eu não as repelia."

Os jogos (Ludi Florales) foram reinstituídos, em 173 a.C, pelo Senado, para honrar a deusa e trazer um período próspero para a agricultura novamente.

Características

Proper Piatti : Floralia, 1899

Ver também

Notas

  1. ↑ Veleio Patérculo I, 14 identifica este como sendo ano da criação da Florália.

Referências

  1. ↑ Pighius, Anales vol. II. p. 72.
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 HORÁCIO-OVÍDIO, Sátiras/Os Fastos, tradução: Antônio Feliciano de Castilho, vol. IV , Ed. W. M. Jackson, 1960, p.281-290.
  3. 1 2 3 4 5 «Floralia». Encyclopædia Romana. 2011. Consultado em 17 de novembro de 2011
  4. ↑ Ovídio, os Fastos, Livro V.
  5. ↑ Floralia- The Roman Festival of Floralia

Bibliografia

Ligações Externas