| Taurus Armas | |
|---|---|
| Razão social | Taurus Armas S.A. |
| Nome(s) anterior(es) | Forjas Taurus S.A. (1939–2019) |
| Sociedade anônima de capital aberto | |
| Cotação | B3: TASA3, TASA4 |
| Atividade | Defesa e segurança |
| Fundação | 17 de novembro de 1939 (86 anos) |
| Fundador(es) | João Kluwe Júnior, Ademar Orlando Zanchi, Oscar Henrique Purper, Eugênio Ervin Hausen, Herbert Müller e João Guilherme Wallig |
| Sede | |
| Área(s) servida(s) | |
| Locais | São Leopoldo (Brasil) Bainbridge (Estados Unidos) |
| Proprietário(s) | Companhia Brasileira de Cartuchos (controladora) |
| Presidente | Salesio Nuhs (CEO global) |
| Empregados | 3 286 (2021) |
| Produtos | Armas de fogo, acessórios e capacetes |
| Produção | 922 000 armas (2024) |
| Subsidiárias | Taurus Holdings (Estados Unidos) Heritage Manufacturing JD Taurus (participação de 49%) |
| Lucro | R$ 17,7 milhões (2025) |
| LAJIR | R$ 106,0 milhões (2025) |
| Faturamento | |
| Website | taurusarmas.com.br |
A Taurus Armas S.A., conhecida como Taurus e denominada Forjas Taurus S.A. até 2019, é uma fabricante brasileira de armas de fogo com sede em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Fundada em 1939 em Porto Alegre como empresa metalúrgica, lançou seus primeiros revólveres em 1942 e, na segunda metade do século XX, ampliou a atuação para pistolas, armas longas, ferramentas e equipamentos de proteção balística. Desde 2015 é controlada pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e, desde 2019, dedica-se exclusivamente a armas de fogo e acessórios. Suas ações são negociadas na B3.
A companhia mantém fábricas em São Leopoldo e em Bainbridge, no estado norte-americano da Geórgia, sede da subsidiária Taurus Holdings, e participa da JD Taurus, associação com o grupo indiano Jindal que produz armas no estado de Harianá, na Índia. Os Estados Unidos são seu principal mercado: em 2021 a Taurus tornou-se a marca estrangeira de armas mais importada pelo país, e em 2025 o mercado norte-americano respondeu por 76% da receita do segmento de armas e acessórios.
O catálogo da empresa inclui revólveres como o modelo 85 e o Judge, pistolas das famílias G2, G3 e GX4, a pistola TX22 e o fuzil T4. A Taurus também detém a licença de fabricação de armas da marca Rossi e controla a norte-americana Heritage Manufacturing. Em 2024, produziu 922 mil armas.

Nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, o governo de Getúlio Vargas incentivou a indústria metalúrgica brasileira a se preparar para produzir armas, explosivos e material bélico caso o país entrasse no conflito.[carece de fontes] Nesse contexto, os empresários João Kluwe Júnior, Ademar Orlando Zanchi, Oscar Henrique Purper, Eugênio Ervin Hausen, Herbert Müller e João Guilherme Wallig fundaram as Forjas Taurus em Porto Alegre, em 17 de novembro de 1939. A empresa encomendou seus primeiros equipamentos na Alemanha, mas o início da guerra impediu a importação das máquinas. Diante da falta de maquinário e de aço, construiu os próprios equipamentos, máquinas e fornos de gaseificação para iniciar a operação.
Os primeiros revólveres da marca foram lançados em 1942, e em 1949 a empresa tornou-se uma sociedade anônima. Em 1950 foi inaugurada a fábrica da Avenida do Forte, em Porto Alegre, que funcionou também como sede da companhia. Com o aumento da capacidade produtiva na década de 1960, a Taurus passou a exportar parte da produção, e as primeiras armas destinadas aos Estados Unidos foram embarcadas em 1968.
Em 1970, a Bangor Punta Corporation, então proprietária da Smith & Wesson, comprou 51% das ações da Taurus, o que permitiu o intercâmbio de tecnologia e projetos entre as duas fabricantes. No mesmo período, a empresa incorporou a fabricante inglesa de ferramentas Ifesteel e passou a fabricar também ferramentas e acessórios. Em 1977, o controle foi adquirido pela Polimetal, que conduziu um novo ciclo de expansão.
Em 1980, a Taurus comprou a fábrica que a italiana Beretta mantinha em São Paulo, instalada seis anos antes para produzir pistolas Beretta 92 e submetralhadoras M12 sob contrato com o Exército Brasileiro. Com a aquisição, o maquinário e os direitos sobre os projetos fabricados no local passaram à Taurus, que desenvolveu a partir deles as pistolas PT92 e PT51.
Em 1981, foi fundada em Miami, na Flórida, a Taurus International Manufacturing Inc., responsável pela distribuição das armas da marca no mercado norte-americano. Dois anos depois, foi criada a Taurus Blindagem, fabricante de coletes balísticos, capacetes e escudos, pioneira no uso de Kevlar na fabricação desses produtos no Brasil. Na mesma década, a empresa iniciou a produção do revólver modelo 85, um dos de maior sucesso comercial da marca, e passou a representar e fabricar no Brasil armas de pressão da espanhola Gamo.[carece de fontes]
Entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2000, a Taurus lançou as pistolas PT 940 e PT 24/7, a linha Millennium e os revólveres Raging Bull, Tracker e Judge. Em 1997, firmou acordo com a Rossi e assumiu a produção exclusiva dos revólveres daquela fabricante; em 2008, assumiu também a produção das armas longas da marca, passando a fabricar rifles, carabinas e espingardas. Em 2004, em parceria com a Famastil, abriu uma fábrica de ferramentas em Gramado. Em 2012, comprou a fabricante norte-americana Heritage Manufacturing.
Em 2015, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Companhia Brasileira de Cartuchos adquiriu 52,67% das ações da Taurus e assumiu seu controle. A nova gestão concentrou a empresa no segmento de armas e, em 2019, a razão social foi alterada de Forjas Taurus S.A. para Taurus Armas S.A. Os códigos de negociação na B3 passaram de FJTA3 e FJTA4 para TASA3 e TASA4.
No mesmo período, a empresa respondeu a questionamentos sobre a segurança de pistolas fabricadas nas décadas anteriores. Em 2015, nos Estados Unidos, encerrou uma ação coletiva por meio de acordo e anunciou o recolhimento voluntário de cerca de 1 milhão de pistolas das séries Millennium, PT 609, PT 640 e PT 24/7 produzidas entre 1997 e 2013, com inspeção, reparo ou compensação aos proprietários. No Brasil, o Exército suspendeu em 2016 a comercialização das pistolas PT 24/7 e PT 840, e corporações como a Polícia Militar do Distrito Federal substituíram as armas desses modelos. A Taurus contestou parte das conclusões técnicas e retirou os modelos de linha, substituindo-os por novas famílias de pistolas, submetralhadoras e fuzis.
Em 5 de dezembro de 2019, a subsidiária norte-americana inaugurou em Bainbridge, na Geórgia, uma fábrica e centro de operações com mais de 18 mil metros quadrados, para onde transferiu a sede que mantinha em Miami Lakes, na Flórida, desde 1982. Segundo a empresa, o investimento total foi de 42 milhões de dólares, com previsão de 300 novos empregos. Em 2020, a companhia anunciou a transferência da produção das pistolas TS9 para a unidade norte-americana e uma associação com a metalúrgica Joalmi para a produção de acessórios e carregadores.
Ainda em janeiro de 2020, durante missão comercial do governo brasileiro à Índia, a Taurus assinou acordo definitivo com o grupo Jindal para criar uma associação destinada à fabricação de fuzis, pistolas e revólveres para os mercados civil, policial e militar indianos, com 51% do capital para a Jindal e 49% para a Taurus. A fábrica da JD Taurus, em Hisar, no estado de Harianá, iniciou a produção em março de 2024, com capacidade anual de até 250 mil armas, e passou a fornecer pistolas e submetralhadoras a forças de segurança indianas, como a Força de Segurança de Fronteira e polícias estaduais.
A demanda por armas no Brasil e nos Estados Unidos levou a empresa a resultados recordes no início da década. Somente nos três primeiros meses de 2020, a Taurus fabricou cerca de 260 mil armas, e em 2021 produziu mais de 2,25 milhões de unidades, com receita líquida de 3,44 bilhões de reais e lucro líquido de 635,1 milhões de reais. No mesmo ano, segundo a revista Veja, superou a austríaca Glock e a tcheca CZ como marca estrangeira mais importada pelos Estados Unidos. Com a retração do mercado norte-americano nos anos seguintes, a produção caiu para 922 mil armas em 2024, ano em que a empresa vendeu 1,17 milhão de unidades e registrou receita de 1,67 bilhão de reais.
Em abril de 2025, a Taurus assinou memorando de entendimentos não vinculante para avaliar a aquisição do controle da Mertsav, fabricante turca de armas militares como metralhadoras leves, lançadores de granadas e fuzis de infantaria. O prazo do memorando foi prorrogado sucessivamente, a última vez em fevereiro de 2026.
Em julho de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, em vigor a partir de agosto. O CEO global da empresa, Salesio Nuhs, declarou que a medida poderia levar à transferência de toda a operação para os Estados Unidos. Em agosto, a Taurus anunciou a transferência para Bainbridge da montagem da família G, sua principal linha, que passaria a ter cerca de 900 armas por dia montadas nos Estados Unidos, de um total de 2 100 produzidas diariamente no Brasil para aquele mercado. A fábrica de São Leopoldo manteve a produção destinada ao Brasil e aos demais mercados internacionais. Em 2025, a receita líquida recuou 12,5%, para 1,463 bilhão de reais, e o lucro líquido foi de 17,7 milhões de reais, com impacto estimado das tarifas de cerca de 16 milhões de dólares; as vendas no Brasil e em outros países cresceram 9,4% e 32,0%, respectivamente, e reduziram a participação norte-americana na receita de armas e acessórios de 82,5% para 76,0%.
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal a estrutura tarifária que impunha a sobretaxa de 50%, e a empresa estimou em cerca de 18 milhões de dólares a restituição dos valores pagos no período; a tarifa global de 10% adotada em seguida foi considerada administrável pela direção da companhia. No primeiro trimestre de 2026, pela primeira vez em sua história, a Taurus produziu mais armas nos Estados Unidos do que no Brasil. No mesmo mês da decisão, o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil firmou com a empresa um protocolo de intenções para o desenvolvimento de armas leves e coletivas. Em agosto de 2026, na feira COP International, em São Paulo, a Taurus apresentou uma estratégia de ampliação do portfólio para sistemas aéreos e terrestres não tripulados, sensoriamento e mobilidade autônoma.
A Taurus Armas é uma sociedade anônima de capital aberto controlada pela Companhia Brasileira de Cartuchos, com ações ordinárias e preferenciais listadas na B3. Sua principal unidade industrial fica em São Leopoldo. Nos Estados Unidos, a Taurus Holdings reúne as operações de engenharia, produção e distribuição das marcas Taurus, Rossi e Heritage a partir de Bainbridge, cuja fábrica tem capacidade para cerca de 3 mil armas por dia. Na Índia, a participação de 49% na JD Taurus dá acesso a licitações militares e policiais locais, entre elas a concorrência do Ministério da Defesa indiano para 425 mil carabinas.
Além das armas de fogo, a empresa fabrica acessórios e capacetes. Em 2021, empregava 3 286 pessoas, das quais 2 985 no Brasil e 301 nos Estados Unidos, e exportava para mais de 70 países. Segundo a empresa, a marca respondeu por 41% dos revólveres vendidos nos Estados Unidos em 2020, participação estimada em 61% no ano seguinte.
A linha da Taurus abrange revólveres, pistolas, submetralhadoras, carabinas, fuzis e espingardas, além das armas fabricadas sob as marcas Rossi e Heritage. A pistola de calibre .22 Long Rifle TX22, produzida em Bainbridge, recebeu em 2019 o título de arma curta do ano da revista Guns & Ammo. Em 2021, a empresa lançou a GX4, sua primeira pistola microcompacta de alta capacidade em calibre 9 mm. Em 2024, foram lançados 16 modelos nos Estados Unidos e 14 no Brasil.




Desde 1997, a Taurus fabrica os revólveres da marca Rossi e, desde 2008, também suas armas longas.
