Um sistema de gestão documental (SGD), também conhecido internacionalmente por document management system (DMS) e, no Brasil, por Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED), é habitualmente um sistema informático utilizado para armazenar, partilhar, acompanhar e gerir ficheiros ou documentos. Alguns sistemas incluem registo histórico onde é gravado um log das várias versões criadas e modificadas por diferentes utilizadores. O termo tem alguma sobreposição com os conceitos de sistema de gestão de conteúdos. É frequentemente visto como um componente dos sistemas de gestão de conteúdo empresarial (ECM) e está relacionado com gestão de ativos digitais, digitalização de documentos, sistemas de fluxo de trabalho e gestão de registos.
Embora muitos sistemas de gestão documental eletrônicos armazenem documentos no seu formato nativo (Microsoft Word, Excel, PDF), alguns sistemas baseados na web começaram a armazenar conteúdo sob a forma de HTML. As capacidades de pesquisa avançada tornaram-se componentes críticos dos SGD.
No Brasil, o termo “Gerenciamento Eletrônico de Documentos” (GED) foi amplamente divulgado na década de 1990, especialmente pelo CENADEM (Centro Nacional de Automação de Documentos). A partir dos anos 2000, o conceito foi gradualmente englobado pelo termo internacional ECM (Enterprise Content Management), embora “GED” continue a ser o termo mais utilizado no mercado brasileiro.
Os sistemas de gestão documental fornecem habitualmente armazenamento, digitalização, controle de versões, metadados, segurança, bem como capacidades de indexação, manutenção e recuperação. Segue-se a descrição desses componentes:
| Componente | Descrição |
|---|---|
| Metadados | Metadados são normalmente armazenados para cada documento (data, autor, etc.). Podem ser extraídos automaticamente ou inseridos manualmente, inclusive por reconhecimento ótico de caracteres (OCR). |
| Integração | Integração com outras aplicações através de APIs (ODMA, LDAP, WebDAV, SOAP, REST). |
| Captura | Digitalização de papel e importação de ficheiros eletrónicos, muitas vezes com OCR. |
| Validação de dados | Regras de validação antes da importação. |
| Indexação | Criação de índices para recuperação rápida. |
| Armazenamento | Gestão do local, duração e eventual destruição dos documentos. |
| Recuperação | Pesquisa simples ou avançada (texto completo, pesquisa federada). |
| Distribuição | Fornecimento em formato não editável ou por hiperligação. |
| Segurança | Controlo de acesso e conformidade com normas (ISO 9001, ISO 13485, FDA, etc.). |
| Fluxo de trabalho | Módulo integrado ou ligação com ferramentas externas. |
| Colaboração | Edição simultânea com registo de contributos. |
| Controlo de versão | Check-in/check-out e recuperação de versões anteriores. |
| Publicação | Revisão, aprovação e distribuição formal. |
Destacam-se as normas ISO 15489, ISO 32000 (PDF), ISO/IEC 27001 e ISO 16175. No Brasil, a gestão documental é regulada pelo Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ), pelo Decreto nº 10.278/2020 (digitalização e validade jurídica) e pela MP nº 2.200-2/2001 (ICP-Brasil).
Os sistemas de gestão documental são utilizados em organizações de todos os portes e setores: administração pública, saúde, advocacia, engenharia, construção, educação, indústria e serviços financeiros.
A aplicação de um sistema documental visa gerar aumento de produtividade, redução de custos operacionais, otimização do espaço físico, segurança da informação aprimorada e auditabilidade.
O mercado brasileiro combina soluções desenvolvidas localmente com plataformas internacionais. Entre os fornecedores mais conhecidos encontram-se empresas nacionais (Softexpert, Sólides, Qualiex, eBox Digital, Totvs/Fluig) e representantes de soluções globais como OpenText, IBM FileNet, Hyland OnBase, Oracle, Microsoft SharePoint e Alfresco.