Gerard Van Caloen | |
|---|---|
| Bispo da Igreja Católica | |
| Abade emérito de Nossa Senhora do Monserrate do Rio de Janeiro | |
| van Caloen, c. 1910 | |
Título |
Bispo titular de Foceia |
| Atividade eclesiástica | |
| Ordem religiosa | Ordem de São Bento |
| Diocese | Abadia Territorial de Nossa Senhora do Monserrate do Rio de Janeiro |
| Nomeação | 28 de fevereiro de 1905 |
| Sucessor | Pedro Eggerath O.S.B. |
| Mandato | 1905 - 1915 |
| Ordenação e nomeação | |
| Profissão Solene | 25 de maio de 1874 |
| Ordenação presbiteral | 26 de dezembro de 1876 Abadia de Monte Cassino |
| Nomeado abade | 24 de maio de 1896 |
| Nomeação episcopal | 24 de março de 1906 |
| Ordenação episcopal | 18 de abril de 1906 Abadia de Maredsous, Denée por Francisco do Rego Maia |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Lophem-lez-Bruges, Bélgica 12 de março de 1853 |
| Morte | Cabo de Antibes, França 16 de janeiro de 1932 (78 anos) |
| Nome nascimento | Josef van Caloen |
| Nacionalidade | belga |
| Sepultado | Abadia de Santo André de Zevenkerken, Sint-Andries |
| dados em catholic-hierarchy.org Bispos Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Dom Frei Gerard van Caloen, O.S.B. (Lophem-lez-Bruges, 12 de março de 1853 - Cabo de Antibes, 16 de janeiro de 1932) foi um abade e bispo beneditino belga, que também atuou no Brasil.
Gérard van Caloen, batizado Josef, era filho do Barão Karl van Caloen, e de sua esposa Sabina, Condessa de Gourcy-Serainchamps. Ele foi criado na residência familiar, o Castelo de Loppem, perto de Bruges. Josef tinha duas irmãs mais velhas e dois irmãos mais novos. O castelo de seus pais era um centro ultramontano; os van Caloen usaram sua riqueza para apoiar o Papa com grandes somas de dinheiro.
Influenciado por seu primo Hildebrand de Hemptinne, Josef ingressou na comunidade beneditina de Maredsous em 1872 como seu primeiro noviço. Os monges aguardavam a conclusão de seu mosteiro em Maredret, e os van Caloen contribuíram significativamente para o financiamento da construção. Em 1873, recebeu o hábito na arquiabadia de Beuron, tornando-se irmão Gerard. Por motivos de saúde, completou seu noviciado na Riviera Francesa. Retornando a Beuron, Frei Gerard professou em 25 de maio de 1874 e, dois anos depois, em 26 de dezembro de 1876, foi ordenado sacerdote na Abadia Territorial de Montecassino.
Em consequência da Kulturkampf, nessa época ele já vivia na Abadia de Maredsous. Assim, no dia seguinte à sua ordenação, foi nomeado prior e mestre de noviços em Maredsous até 1878, quando se tornou bibliotecário. Dedicou-se também à escrita. Em 1881, fundou a escola da abadia de Maredsous, da qual foi reitor entre 1882 e 1886. Para seu trabalho na escola, ele foi para a Inglaterra estudar métodos educacionais e pedagógicos. Lá, descobriu o futebol e voltou com uma bola. Em 1881, os primeiros alunos da Escola da Abadia de Maredsous estiveram entre os pioneiros do futebol na Bélgica.
Em 1882, Caloen publicou o Missel des Fidèles, o primeiro missal bilíngue francês-latim. No ano seguinte, suas observações durante um congresso litúrgico em Liège causaram controvérsia quando ele falou favoravelmente da participação dos leigos na Missa e que os presentes deveriam receber a comunhão durante a Missa, em vez de antes ou depois. O Missel des Fidèles, com suas introduções e explicações, ajudou a tornar a Missa inteligível para os leigos. Este foi um momento significativo no nascente Movimento Litúrgico Belga. Em 1884, fundou o jornal Messager des Fidèles, que se tornou a Revue Benédictine em 1890; o jornal é significativo como a primeira publicação fundada para auxiliar a promoção do movimento litúrgico.
Em 1885, ele propôs ao Abade Placidus Wolter a abertura de um instituto missionário para o treinamento de crianças que servissem futuramente como missionários beneditinos no Congo Belga, atendendo também a uma reivindicação antiga de Leopoldo II. A ideia do padre Van Caloen recebeu o apoio do rei e do ministro das Relações Exteriores da Bélgica; contudo, antes que medidas definitivas pudessem ser tomadas, Van Caloen foi enviado a Roma.
Devido a dificuldades com seu cargo de reitor, foi nomeado professor de Liturgia na Universidade Beneditina de Santo Anselmo, em Roma, em 1886, e simultaneamente procurador-geral da Congregação de Beuron, de 1886 a 1888. Em 1888, tornou-se diretor do seminário de Leuven e, em 1893, voltou a ser procurador em Roma. Nesse período, surgiu seu interesse no diálogo ecumênico com representantes das Igrejas Ortodoxas Grega e Russa, enquanto alimentava seu projeto da atividade missionária beneditina.
Em 31 de julho de 1893, diante dos apelos da comunidade brasileira, o Papa Leão XIII o incumbiu de revitalizar os mosteiros beneditinos brasileiros que estavam em perigo de desaparecimento em consequência das leis anticlericais criadas durante o Império. Após uma viagem inicial entre abril e julho de 1894, foi nomeado prior da comunidade de 16 membros que partiria para o Brasil, pelo Abade Primaz Hildebrand de Hemptinne, em nome do Papa, em 31 de julho de 1895, e tornou-se abade do mosteiro de Olinda em 24 de maio de 1896. Em 19 de dezembro de 1898, Leão XIII determinou que o trabalho de Van Caloen deveria ser principalmente voltado para o trabalho missionário entre os indígenas da Amazônia.
Em 26 de setembro de 1899, o mosteiro de Santo André em Sint-Andries foi refundado como procuradoria missionária, por van Caloen, para servir como uma base para os noviços. No mesmo ano, em 8 de dezembro de 1899, von Caloen foi nomeado vigário-geral do Abade Geral da Congregação Beneditina Brasileira, Domingos Machado, com direito de sucessão. Em 1901, Santo André se tornou abadia, com Van Caloen como abade e instalada em um complexo monástico.
Em 12 de maio de 1903, o abade Gerard tentou assumir a Abadia do Rio, mas o abade que lá residia recusou; ele conseguiu auxílio militar, autorizado pela Santa Sé, e finalmente assumiu a abadia. Em 28 de fevereiro de 1905, foi transferido de Olinda para a Abadia de São Bento do Rio de Janeiro.
No ano seguinte, em 24 de março de 1906, foi nomeado bispo titular de Foceia e ordenado em 18 de abril, na Abadia de Maredsous, por Dom Francisco do Rego Maia, bispo emérito de Belém do Pará, auxiliado por Thomas Louis Heylen, O. Praem., bispo de Namur, e Victor-Jean-Joseph-Marie van den Branden de Reeth, bispo auxiliar de Mechelen.
Em 15 de agosto de 1907, sua abadia foi separada da Congregação Beuron, quando o papa criou a abadia territorial de Nossa Senhora do Monserrate do Rio de Janeiro. O mesmo decreto separou o Distrito do Rio Branco da Diocese do Amazonas e o submeteu à jurisdição do Abade de Santa Maria de Monserrato. Em 6 de setembro de 1908, Caloén tornou-se Abade Geral (arquiabade) da Congregação Brasileira.
Em 1909, Dom Gerard conseguiu convencer as Irmãs Beneditinas Missionárias alemãs a se estabelecerem em Olinda, para preparar brasileiras para o trabalho no Rio Branco.
De 1895 a 1914, 280 monges e oblatos europeus partiram para o Brasil. Quando Dom Gérard van Caloen chegou Brasil, em 1895, a Congregação contava com apenas onze monges; na sua partida, eram 261.
Após o início da Primeira Guerra Mundial, Dom Frei Gerard renunciou a todos os seus cargos em 2 de março de 1915. Sua renúncia como Abade de Nossa Senhora do Monserrate do Rio de Janeiro foi aceita em 18 de maio de 1915. Ele permaneceu como Vigário Geral do Administrador Apostólico Laurentius Zeller no território missionário de Rio Branco.
Em agosto de 1919, retornou definitivamente à Europa por motivos de saúde. Passou os últimos anos de sua vida em Cabo de Antibes, no sul da França. Em 1923, ele ajudou refugiados russos abrindo um dispensário, uma escola e um orfanato com uma capela de rito bizantino colocada sob a autoridade do bispo católico de Nice, onde também faleceu. Foi sepultado na Abadia de Santo André de Zevenkerken, Sint-Andries.
Dois anos depois de sua morte, a Abadia de Nossa Senhora do Monserrate do Rio de Janeiro perdeu seu território no Rio Branco, que se tornou Administração Apostólica do Rio Branco.