Gerda Alexander (15 de fevereiro de 1908 - 21 de fevereiro de 1994), foi uma dançarina, diretora e professora de Rítmica Dalcroze nascida na Alemanha e naturalizada na Dinamarca.
Gerda Alexander esteve em contato com as vanguardas das artes, da educação e da cultura corporal na Alemanha nas primeiras décadas do século XX, e posteriormente se estabeleceu em Copenhague, na Dinamarca. Suas pesquisas sobre tensão e relaxamento a levaram à concepção do termo eutonia, que foi posteriormente utilizado também para identificação de sua metodologia autoral (identificada como Eutonie Gerda Alexander®). No desenvolvimento de suas pesquisas sobre o tônus, Gerda Alexander colaborou com centros médicos, instituições pedagógicas e de formação artística na Europa, Oriente Médio, Ásia, Oceania, América do Sul, Central e do Norte.
Gerda Alexander foi uma pioneira nos estudos psicossomáticos e sua escola em Copenhague treinou profissionais por 45 anos. Sua concepção de eutonia despertou amplo interesse, e métodos relacionados são ensinados em escolas de treinamento profissional em diferentes países do mundo.
Gerda Alexander nasceu na região da atual Wuppertal, na Alemanha, e seus pais eram entusiastas da Rítmica de Dalcroze, método desenvolvido por Émile Jaques Dalcroze que integra música e movimento. Seus pais evitaram lhe falar explicitamente sobre o método, mas ela teve seu primeiro contato através de fotos do primeiro festival da escola de Dalcroze em Hellerau, seguido de um curso de Rítmica Dalcroze ministrado por Otto Blensdorf em sua cidade no mesmo período, e insistiu para participar das aulas.

Gerda Alexander fez a formação como dançarina de Rítmica Dalcroze na escola dirigida por Otto Blensdorf (Blensdorfschüle für körperlich-musikalische Erziehung, depois denominada Blensdorfschule für Rhythmik) em Wuppertal de 1915 a 1929. O processo era semelhante ao bacharelado, capacitando para a atuação cênica tanto para interpretar quanto para dirigir espetáculos. A partir de 1922, por volta de seus 14 anos de idade, Gerda Alexander começou a se envolver das atividades, das viagens, das produções cênicas e também como professora assistente da escola de Blensdorf, incluindo suas filiais nas cidades de Essen, Düsseldorf, Köln, Remscheis, Solingen, etc. No mesmo período, ela dirigiu sua primeira peça aberta ao público, reencenando os dois primeiros atos de Hansel e Gretel, de Humperdinck, aos 15 anos de idade. Em 1924, Otto Blensdorf inaugurou um seminário para a formação profissional para professores e professoras, incluindo os fundamentos pedagógicos do método. Gerda Alexander fez parte da primeira turma do seminário.
Gerda Alexander foi intérprete em apresentações no teatro local (Vereinigten Stadttheatern Barmen-Elberfeld) e em vários congressos internacionais nos anos 1920 (como por exemplo, o GESOLEI), o que lhe permitiu entrar em contato com o desenvolvimento da Dança Moderna na Alemanha (Ausdruckstanz). Em entrevistas e recordações posteriores, Gerda Alexander referiu-se a personalidades como Rudolf Laban, Mary Wigman, Elsa Gindler, Heinrich Jacoby, Bess Mensendieck, escola Loheland (Louise Langgaard e Hedwig von Rohden) e Anna Herrmann, destacando como a observação dos alunos e alunas deles foi importante para o desenvolvimento de suas pesquisas pedagógicas. Gerda Alexander também menciona seus estágios em instituições ligadas à educação e ao serviço social, que ela descreveu como “a melhor formação pedagógica da minha vida, por ter podido entrar em contato com todos esses casos, sob a orientação de professores que influenciaram profundamente meu trabalho”.
Entre seus 15 e 21 anos, Gerda Alexander teve várias crises graves de febre reumática, seguidas de doenças cardíacas que culminaram em uma endocardite, considerada uma doença incapacitante nos anos 1920. Ela foi hospitalizada várias vezes e teve que encontrar maneiras de se mover que não sobrecarregassem seu sistema circulatório. Quando recebia alta de suas internações, voltava para seus estudos e atividades cênicas e pedagógicas da escola: “felizmente, minhas doenças sempre passavam e, quando eu me sentia razoavelmente saudável, voltava para a estrada novamente”. Gerda Alexander obteve sua certificação como professora de Rítmica Dalcroze pela Hochschule für Musik in Berlin em 1929. Durante esse período, a Rítmica de Dalcroze era ensinada em todas as grandes universidades e escolas de música da Alemanha em função da reforma de Kestenberg.
Depois de fazer parte da quinta conferência mundial da organização New Education Fellowship (fundada por Beatrice Ensor), e ser convidada a dar aulas nas Escolas Fröbel, Gerda Alexander se mudou para a Dinamarca. Suas primeiras parcerias também incluíram trabalhos na Suécia, no Reino Unido e pelo seu país natal, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Entre 1929 e 1935, Gerda Alexander, em parceria com o maestro do Conservatório Real de Malmo Walter Meyer Radon, foi diretora das obras "Orfeu e Euridice", ópera composta por Gluck com libreto de Ranieri de’ Calzabigi (1714-1795) e coreografia de Giovanni Maria Quaglio (1700-1765), “Aquele que diz sim”, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) e do compositor Kurt Weill (1900-1950), e a ópera “Dido e Enéias”, do compositor inglês Henry Purcell (1659-1695).
Entre 1939 e 1940, Gerda Alexander abriu uma escola para a formação profissional de professores de Rítmica Dalcroze em Copenhague, a primeira a ser inaugurada na Dinamarca. A formação seguia os princípios dos programas de ensino da Rítmica Dalcroze na Inglaterra, na Suíça e na Alemanha, e contava com a parceria do Conservatório Real de Música. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Gerda Alexander permaneceu em Copenhague durante a maior parte de sua vida. Por sua colaboração na resistência dinamarquesa, recebeu a cidadania dinamarquesa na década de 1940.

Nos anos 1940 e 1950, suas pesquisas se desenvolveram em direção às chamadas Pedagogias do relaxamento (ou liberação de tensão), sendo identificada em comissões e associações de regulamentação da profissão na Dinamarca (ver Afspændingspædagogik). Atualmente, os esforços dessa geração são reconhecidos pela Associação Dinamarquesa de Psicomotricidade como o início do desenvolvimento da área no país.
Em 1959, Gerda Alexander organizou o "Primeiro Congresso Internacional para a Liberação de Tensão e Movimento Funcional" em Copenhagen com apoio do Ministério da Educação da Dinamarca. Nesse evento, ela reuniu pesquisadoras e pesquisadores pioneiros e criadores de metologias psicossomáticas (posteriormente nominados "Somáticas", "métodos de educação somática" ou "práticas somáticas").
Ao longo de sua vida, Gerda Alexander trabalhou em parceria com instituições como a Frederiksberg Folkemusikhøjskolen, Private Theatre School, Royal Theatre Copenhagen, Theatre Academy, Danish Broadcasting House (orquestra, coro e equipe), Royal Music Conservatory, Danmarks Lærerhøjskole (Treinamento de professores - Departamento de música), Rigshospital, Dalcroze Societies, CEMEA (Centres d'Entrainement aux Méthodes d'Education Active, na França), entre outros. Ela deu palestras e workshops na Dinamarca, Suécia, Noruega, França, Áustria, Alemanha, Suíça, EUA, Israel, Grécia, Itália, Holanda, México, Venezuela, Bélgica e Argentina. Na América Latina, Gerda Alexander esteve no México (1968), na Venezuela (1968) e deu diversos cursos na Argentina (1971, 1978, 1980, 1981), mas nunca esteve em solo brasileiro.
Gerda Alexander morreu seis dias após seu 86º aniversário em Wuppertal, onde morou nos últimos anos.
Gerda Alexander desenvolveu suas pesquisas a partir de suas constantes reflexões com seus alunos e alunas de todas as idades, sua investigação sobre o desenvolvimento artístico, e a superação de suas próprias dificuldades. Em suas próprias palavras: “procurei descobrir como poderia desenvolver a expressão de cada pessoa sem programá-la. Ao mesmo tempo, havia minha necessidade pessoal de aprender a sobreviver" e "a criação dos princípios da Eutonia brotou de duas importantes necessidades minhas. Uma era de me curar de enfermidades crônicas que a medicina ortodoxa não era capaz de tratar. [...] Meu outro desejo era desenvolver um novo meio para a expressão do movimento para a ópera, drama e dança".

Gerda Alexander desenvolveu maneiras de influenciar somaticamente a regulação do tônus neuromuscular. A palavra eutonia (do grego "ευ": bom, e " τόνος": tensão, tônus) foi cunhada com a ajuda do Dr. med. Alfred Bartussek. Segundo Alexander, “usamos o tônus alto para o esforço, e o tônus médio ou baixo para o descanso e sono. Na Eutonia, aprendemos a usar o melhor tônus para a ação em questão".
Benefícios psicossomáticos começaram a ser relatados por seus alunos, que reconheciam melhoras não só na organização do movimento como no bem-estar psíquico, nas relações e em sua vida cotidiana. Gerda Alexander se engajou em desenvolver uma abordagem pedagógica que considerasse a integralidade das dimensões da vida humana, e que a pessoa aluna fosse agente do aprendizado: “é importante, no tratamento, não dar e fazer mais do que o necessário, para que o outro possa contar consigo mesmo. Não é que eu seja uma grande mestre que ajuda você. Em vez disso, posso apresentá-lo ao meu trabalho para sua própria autodescoberta".
Os processos psicossomáticos desencadeados por suas aulas foram relatados pelos alunos, que reconheceram benefícios em seu bem-estar psíquico e em sua vida cotidiana, e Gerda Alexander começou a receber encaminhamentos médicos e a fazer parcerias institucionais, tratando pacientes que "os especialistas não podiam dar nenhuma esperança de melhora" como paraplégicos, espásticos, amputados, com casos psicossomáticos, entre outros. Teorias científicas vieram a posteriori para apoiar suas práticas, ou, em suas palavras: "desde então, novas descobertas em neurofisiologia se tornaram um importante apoio ao nosso trabalho, e nossas descobertas práticas podem ser explicadas passo a passo".

O treinamento profissional inclui temas como: Eutonia (prática e teoria, pedagogia e terapia), treinamento da voz, psicologia, anatomia, fisiologia, neurologia, neurofisiologia, neuropatologia, psiquiatria e seminários visitantes de especialistas sobre o desenvolvimento em neurofisiologia e outras disciplinas relevantes.
Gerda Alexander fundou sua primeira escola em Copenhague em 1939/1940 para a formação de professores de Rítmica Dalcroze. Em 1943, ela transformou o programa em um curso de formação de três anos em pedagogia do relaxamento (ou liberação de tensão) e, em 1957, a escola obteve o reconhecimento estatal. À medida que ela passou a utilizar a palavra “eutonia” para descrever seu trabalho, o diploma passou a ser denominado “professores/pedagogos de Eutonie Gerda Alexander®” (em algumas línguas, como em língua portuguesa, é comum o uso da expressão “eutonistas”). A partir da década de 1970, a escola passou a contar com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), por meio da Sociedade Internacional de Educação Musical. A primeira filial da escola de Gerda Alexander, a École Suisse d’Eutonie Gerda Alexander®, foi aberta em Genebra, na Suíça, no ano de 1974, sob direção de Gunna Brieghel-Müller, e a filial na Alemanha foi aberta em 1987 por Karin Schaefer. A escola em Copenhagen foi fechada por Gerda Alexander em 1987 sob o nome de "The Gerda Alexander School - International Centre of Eutonia" (sendo a grafia com “a”, como em língua portuguesa). Berta Vishnivetz, que foi aluna e uma das assistentes da escola de Copenhagen, foi responsável pelo ensino e idealização da formação profissional na Argentina e no Brasil a partir dos anos 1980.