| Glossina moscas tsé-tsé | |||||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
Pouco preocupante | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||
Distribuição natural da mosca tsé-tsé. | |||||||||||||||||||
| Grupos de espécies | |||||||||||||||||||
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Glossina Wiedemann, 1830 é um género de moscas da família Glossinidae (anteriormente integrado na família Muscidae) que inclui as espécies conhecidas pelo nome comum de moscas tsé-tsé, nome com origem nas línguas manto da África equatorial. Estas espécies transmitem Trypanosoma brucei, o tripanossoma causador da doença do sono e também Trypanossoma vivax, causador da Tripanossomíase Animal Africana conhecida popularmente como Nagana.
O vetor exibe características biológicas e fisiológicas singulares que potencializam sua função na cadeia de transmissão. O gênero Glossina apresenta morfologia adaptada à hematofagia. Diferentemente de muitos dípteros, nos quais apenas as fêmeas desenvolvem esse hábito, na Tsé-Tsé, ambos, machos e fêmeas, são estritamente hematófagos e, portanto, capazes de adquirir e transmitir o parasita.
A divisão corporal da mosca segue o padrão da maioria dos insetos: corpo dividido em cabeça, tórax e abdômen. Sendo um tórax robusto, que suporta o voo eficiente, e um abdômen distensível para acomodar o volume sanguíneo após a refeição.
Os problemas causados pelo fato deste inseto ser o transmissor da doença do sono têm levado as autoridades da área de saúde a cogitar em programas de extermínio.
Suas características principais são:
O ciclo de vida da Tsé-Tsé é classificado como holometábolo (metamorfose completa), mas com uma progressão incomum. O processo reprodutivo é vivíparo, onde o desenvolvimento larval ocorre no interior do útero da fêmea. O desenvolvimento larval intrauterino dura, em média, cerca de nove dias, sendo que a fêmea deposita uma única larva madura por ciclo diretamente no solo ou em locais protegidos. Imediatamente após o depósito, a larva se enterra no substrato para se transformar em pupa (dentro de um casulo rígido). A subsequente fase de pupa estende-se por aproximadamente seis semanas, e sua duração é diretamente influenciada pelas condições climáticas do ambiente.
O ciclo de transmissão é iniciado quando a mosca ingere o sangue de um hospedeiro infectado, adquirindo o parasita. Dentro do trato digestivo da Glossina, o Trypanosoma brucei sofre uma metamorfose morfológica, se multiplica no intestino médio e migra ativamente para as glândulas salivares. Lá, o parasita se transforma na forma tripomastigota metacíclica, que é a fase infecciosa para os mamíferos. A mosca, por sua vez, só se torna capaz de transmitir a doença após esse período de maturação biológica.
A Tripanossomíase Humana Africana (TAH) representa um grave desafio de saúde pública, sendo severamente agravada por sua inclusão no panorama das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN). O termo "negligenciada" evidencia a disparidade entre a severidade dessas patologias e o volume de atenção, pesquisa e financiamento que recebem globalmente. Essa condição decorre da falta de poder econômico das populações rurais afetadas, o que desestimula o investimento em pesquisa e desenvolvimento pela indústria farmacêutica.
A doença manifesta-se em duas fases clinicamente distintas. A Fase Hemolinfática (Inicial) é caracterizada pela multiplicação do parasita no sangue e sistema linfático, com sintomas que podem ser inespecíficos. A Fase Neurológica (Grave), o estágio mais crítico, ocorre quando o parasita atravessa a barreira hematoencefálica e invade o Sistema Nervoso Central, levando a distúrbios neurológicos e sonolência.
Enquanto a versão humana evolui para a invasão do Sistema Nervoso Central e sintomas neurológicos graves, a Tripanossomíase Animal Africana (TAA) não apresenta essa progressão. A TAA, frequentemente denominada Nagana, é caracterizada principalmente por anemia progressiva, febre intermitente, perda de peso e redução drástica da produtividade pecuária. Essa diferença de manifestação é essencial para a estratégia de controle e para o diagnóstico em campo, dado que o foco do controle da mosca Tsé-Tsé abrange tanto a saúde humana quanto o impacto econômico e na segurança alimentar do continente africano.
Os principais reservatórios animais do parasita na África são:
A doença do sono apresenta altas taxas de mortalidade quando o tratamento é tardio. Embora a doença seja curável, a terapia é complexa, exigindo fármacos específicos para cada fase. Para a fase neurológica, os medicamentos devem ser capazes de atuar no cérebro, porém as opções disponíveis frequentemente carregam alta toxicidade.
Devido à ausência de vacinas, o controle da mosca Tsé-Tsé é uma estratégia fundamental. As táticas de controle vetorial concentram-se na redução das populações em áreas endêmicas, incluindo o uso de armadilhas, monitoramento e estratégias de ponta, como o controle da comunidade de bactérias simbióticas que influenciam a sobrevivência e a capacidade de transmissão da mosca.
As espécies dessa mosca são restritas á região Subsaariana da África, mais especificamente do lago Chade e do Senegal, ao oeste, até o lago Vitória, ao leste. Esta região é banhada pelo Rio Congo e seus afluentes, sendo conhecida como Coração Verde do Continente Africano. A umidade do local favorece o aparecimento de insetos das mais diversas espécies.
O ciclo de vida do inseto prospera sob condições climáticas específicas, com a temperatura favorecendo o desenvolvimento em torno de 25−26°C. Contudo, o vetor é extremamente vulnerável a extremos de calor, o que delimita sua presença geográfica, pois temperaturas superiores a 38°C limitam drasticamente sua longevidade.
As mudanças climáticas atuam como um fator crucial que pode potencializar a notificação da doença do sono. O aumento da temperatura global e a alteração nos regimes de chuva levam à expansão geográfica das áreas de risco da doença, colaborando para a notificação em novas regiões ao criarem nichos ecológicos com médias favoráveis em áreas que antes eram consideradas inadequadas.
O género Glossina é normalmente dividido em três grupos de espécies, com base na sua distribuição geográfica, comportamento e morfologia:
Estas espécies têm distribuição natural em, entre o Sahel e o Kalahari,incluido as regiões de selvas onde também se encontra a malária, outro tipo de doença transmitida por insectos, no caso mosquitos.