
A goethite ou goethita é um mineral de óxido de ferro, com fórmula química FeO(OH) que pode ocorrer em vários tons de castanho, laranja, amarelo e vermelho, ainda que a sua risca se mantenha sempre. É opaco e tem brilho adamantino.
Este mineral aparece sob a forma de um agregado cristalino fibroso. É muito dificilmente riscado pelo estilete, o que corresponde a uma dureza entre 5,0 e 5,5. Tem clivagem perfeita e fractura desigual, é denso (4,28) e quebradiço. A goethite tem um aspecto estriado e áspero.
Fórmula Química - FeO (OH)
Composição - Óxido de ferro hidratado. 90,0% de Fe2O3, 10,0% de H2O
Cristalografia - Ortorrômbico
Classe - Bipiramidal rômbica
Propriedades Ópticas - Unixial negativo, negativo
Hábito - Prismático, fibroso, maciço, radial, estalactítico
Clivagem - Perfeita (010)
Dureza - 5 - 5,5
Densidade relativa - 3,3 - 4,3
Fratura - Ausente
Brilho - Adamantino a submetálico
Cor - Vermelho, preto, amarelo, marrom
Associação - Associada a limonita, hematita, pirita, gibsita, caulinita.
Propriedades Diagnósticas - Estrias longitudinais, cor de traço amarelo, solúvel em HCl.
Ocorrência - Ocorre associada ao quartzo, por alteração de sulfetos como pirita; inclusões em hematita, limonita e micas. Em parte, é formado a partir de limonita.
Usos - Fonte de ferro, pigmentos etc.
A goethita é um dos minerais de ferro mais abundantes nos ambientes superficiais da Terra. Sua formação está diretamente associada aos processos de intemperismo químico e à oxidação de minerais ricos em ferro. Quando minerais contendo ferro ferroso (Fe²⁺), como pirita, siderita e marcasita, entram em contato com a água e oxigênio, ocorre transformação para ferro ferrico (Fe³⁺), favorecendo a precipitação da goethita.
Esse processo é particularmente intenso em regiões tropicais e subtropicais, onde as condições climáticas aceleram a alteração química das rochas. Por essa razão, a goethita constitui um importante componente dos solos lateríticos e de depósitos de alteração superficial.
Além disso, a goethita pode precipitar diretamente em ambientes sedimentares, hidrotermais e pantanosos. Pesquisas também demostraram que determinadas bactérias oxidantes de ferro podem participar da sua formação por meio de processos de biomineralização.
A distribuição geográfica da goethita é extremadamente ampla, sendo encontrada em praticamente todos os continentes. Depósitos importantes ocorrem na Alemanha, Reino Unido, França, Espanha, República Tcheca, Marrocos, Cuba e Estados Unidos. No Brasil, o mineral está presente em depósitos ferríferos e em extensas áreas de solos tropicais ricos em óxidos e hidróxidos de ferro.
A importância desse mineral ultrapassa o planeta Terra. Em 2005, análise realizada pelo veículo explorador Spirit identificaram a presença de goethita na cratera Gusev, em Marte. Como a formação desse mineral normalmente requer a presença de água liquida, sua descoberta foi considerada uma evidência significativa de condições aquosas no passado no planeta vermelho.
A goethita apresenta grande diversidade de formas naturais. Embora possa ocorrer como cristais prismáticos ou aciculares, é mais frequentemente encontrada em massas compactas, agregados fibrosos, estruturas botrioidais (semelhantes a cachos de uva), formas reniformes e estalactíticas.
Uma característica importante desse mineral é a formação de pseudomorfos. Nesse processo, a goethita substitui quimicamente outros minerais ricos em ferro, preservando a forma externa original. Pseudomorfos da goethita após pirita são particularmente comuns e constituem importantes indicadores de processos de oxidação mineral.
Além da sua utilização como fonte de ferro para a indústria siderúrgica, a goethita possui relevância histórica como pigmento mineral. Desde o período paleolítico, minerais ricos em goethita foram utilizados na produção de pigmentos ocres empregados em pinturas rupestres e manifestações artísticas antigas.
Quando submetida ao aquecimento, a goethita pode transformar-se em hematita, adquirindo coloração avermelhada. Essa característica ampliou sua utilização histórica em tintas, cerâmicas e objetos decorativos.
Exemplares bem cristalizados ou variedades iridescentes são valorizados por colecionadores e podem ser lapidados para utilização em joias e objetos ornamentais.
A goethita é o principal componente da ferrugem (ferro oxidado) e também um dos compostos responsáveis pela cor característica dos solos: a cor marrom terrosa dos solos argilosos se deve a quantidades variáveis de goethita, bem como outros minerais de óxido-hidróxidos de ferro III, tais como a limonita de cor amarela (FeO(OH)·nH2O) e a hematita avermelhada (Fe2O3). Quantidades variáveis desses três minerais, bem como a presença ou não de matéria orgânica (ácidos húmicos; cor escura quase preta) são responsáveis por dar cor aos solos.
Além de influenciar a coloração dos solos, a goethita desempenha papel importante na retenção de nutrientes e contaminantes. Sua elevada área superficial permite a absorção de fósforo, metais pesados e compostos orgânicos, tornando esse mineral relevante para estudos de fertilidade de solo e de remediação ambiental.