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| Johannes Gutenberg | |
|---|---|
Monumento de 1837 em Mogúncia. Não há retratos de Gutenberg feitos em vida. | |
| Nome completo | Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg |
| Conhecido(a) por | Desenvolvimento da prensa tipográfica e introdução da impressão com tipos móveis na Europa |
| Nascimento | c. 1393–1406 |
| Morte | 1468 Mogúncia, Arcebispado de Mogúncia, Sacro Império Romano-Germânico |
| Ocupação | Inventor e artesão |
Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg (c. 1393–1406 – 1468) foi um inventor e artesão alemão que desenvolveu a prensa tipográfica de tipos móveis. Embora já se imprimisse com tipos móveis na Ásia Oriental, Gutenberg reuniu na Europa tipos de metal, tinta e uma prensa mecânica num sistema capaz de produzir livros em grande escala. A tecnologia se difundiu pelo mundo, ampliou a circulação de textos pela Europa em uma escala sem precedentes e esteve entre as condições para o desenvolvimento do Renascimento, da Reforma Protestante e do humanismo renascentista.
Entre as contribuições atribuídas a Gutenberg estão um processo de produção em massa de tipos móveis, o uso de tinta à base de óleo na impressão de livros, moldes ajustáveis, tipos móveis de metal e uma prensa de madeira semelhante às prensas agrícolas de parafuso da época. Tradicionalmente, considera-se que seu método empregava uma liga metálica e um molde manual para fundir os tipos. A liga reunia chumbo, estanho e antimônio, fundia a uma temperatura relativamente baixa e produzia peças duráveis. Sua obra mais conhecida, a Bíblia de Gutenberg, foi a primeira obra de grande porte impressa na Europa com tipos móveis de metal e recebeu elogios por sua qualidade técnica e estética.
Gutenberg costuma figurar entre as pessoas de maior influência na história humana e recebeu homenagens em muitos países. Em 1900, nas comemorações dos quinhentos anos de seu nascimento, foi fundado em Mogúncia o Museu Gutenberg. Em 1997, a Time Life escolheu sua invenção como a mais importante do segundo milênio.

Johannes Gutenberg nasceu em Mogúncia, cidade às margens do Reno, entre o fim do século XIV e o início do XV. Não se conhece o ano exato. Um documento posterior mostra que ele já tinha atingido a maioridade em 1420, e as estimativas para seu nascimento vão de 1393 a 1406. Por conveniência, costuma-se adotar o ano de 1400. Uma tradição situa seu nascimento em 24 de junho, dia do nascimento de São João Batista, pois era comum dar às crianças o nome do santo celebrado no dia em que nasciam. Não há comprovação dessa hipótese. "Johannes" e suas variantes "Johann", "Henne", "Hengin" e "Henchen" eram nomes comuns na época. Seu nome completo era "Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg". "Laden" e "Gutenberg" vinham dos nomes de casas da família em Mogúncia. A segunda era a Hof zum Gutenberg, uma grande residência de estilo gótico, hoje desaparecida, que seu pai herdara. Gutenberg provavelmente passou ali seus primeiros anos, ao lado da igreja de São Cristóvão.

Seu pai, Friele Gensfleisch zur Laden, era um patrício e comerciante, provavelmente de tecidos. Mais tarde, participou da administração das contas da cidade e da cooperativa ligada à casa da moeda, chamada Münzerhausgenossenschaft. Em 1386, casou-se pela segunda vez, com Else Wyrich, filha de um lojista. Johannes provavelmente foi o caçula dos três filhos do casal, depois de Friele, nascido por volta de 1387, e Else, nascida entre cerca de 1390 e 1397. O casamento com Else, que não pertencia ao patriciado, pode ter dificultado o futuro de Gutenberg. Por causa da origem social da mãe, ele não poderia suceder o pai na casa da moeda. O historiador Ferdinand Geldner propôs que esse afastamento da elite o teria levado a buscar a carreira pouco usual de inventor.
Os patrícios de Mogúncia, entre eles os Gutenberg, gozavam de privilégios sociais e econômicos. A defesa desses privilégios provocava atritos frequentes com as gerações mais novas dos artesãos organizados em corporações de ofício. Em fevereiro de 1411, uma disputa eleitoral deu origem a um conflito violento. Em agosto, pelo menos 117 patrícios haviam deixado a cidade. Friele também partiu, provavelmente com a família, e deve ter se instalado em Eltville, onde Else herdara uma casa junto às muralhas. Após a mediação do arcebispo, a família pôde voltar a Mogúncia naquele outono. A situação continuou instável. Em janeiro de 1413, motins provocados pela fome levaram os Gutenberg de volta a Eltville.

Não restaram documentos sobre a infância ou a juventude de Gutenberg. O biógrafo Albert Kapr observou que a maior parte dos livros sobre ele passa por esses anos dizendo apenas que nada se sabe a seu respeito. Como filho de um patrício, provavelmente aprendeu a ler e a fazer contas. É provável também que soubesse latim, exigido para ingressar na universidade, mas não se sabe se estudou numa escola paroquial de Mogúncia, em Eltville ou com um tutor particular. Talvez tenha cogitado seguir a vida religiosa, uma possibilidade comum para filhos caçulas de patrícios numa região com muitas igrejas e mosteiros. Uma hipótese é que tenha estudado na colegiada de São Vítor, ao sul de Mogúncia, perto de Weisenau, cuja confraria viria a integrar. A escola tinha boa reputação e vínculos com sua família, mas sua frequência ali não foi comprovada.
Acredita-se que tenha frequentado a Universidade de Erfurt, cujos registros de 1418–1419 trazem a matrícula de um Johannes de Altavilla. Altavilla é a forma latina de Eltville am Rhein, mas não se pode comprovar que o estudante fosse Gutenberg. Após a morte do pai em 1419, Gutenberg e o irmão participaram de uma disputa sobre a herança em 1420. Um documento de 1430 também menciona seu nome; pouco mais se sabe de suas atividades nesses anos. Um registro de 14 de março de 1434 comprova sua presença em Estrasburgo, onde tinha parentes maternos. Uma lista tributária de 1444 o registra como homem apto a portar armas e associado à corporação dos ourives; isso não comprova que exercesse o ofício. Em 1437, há indícios de que ensinava um comerciante rico a polir pedras preciosas, mas não se sabe onde aprendera a técnica. Entre 1436 e 1437, seu nome apareceu num processo judicial relativo a uma promessa de casamento não cumprida com Ennelin, de Estrasburgo. Não há registro de que o casamento tenha ocorrido.
Artigo relacionado: Difusão global da prensa tipográfica.
O que me escreveram sobre aquele homem extraordinário que vi em Frankfurt é inteiramente verdade. Não vi Bíblias completas, apenas alguns cadernos de diferentes livros da Bíblia. A escrita é muito limpa e legível, nada difícil de acompanhar. Vocês poderiam lê-la sem esforço, até mesmo sem óculos.
O futuro papa Pio II, em carta ao cardeal Juan Carvajal, março de 1455.

Por volta de 1438, Gutenberg e seus sócios planejaram produzir em série espelhos de metal que, segundo a crença dos peregrinos, captariam a bênção das relíquias expostas na catedral de Aachen, cujo acervo é tradicionalmente ligado a Carlos Magno. Contavam com uma peregrinação em 1439, mas a exibição seguinte estava marcada para 1440; o erro comprometeu o empreendimento.
Gutenberg morou em Estrasburgo pelo menos até 1444, provavelmente na paróquia de São Arbogasto. Uma praça da cidade hoje leva seu nome. Num contrato firmado em 1438, Gutenberg mencionou künste vnd afentur, expressão usada na época para atividades artesanais e comerciais. Os documentos sugerem experiências com uma prensa e com formas de metal, mas não permitem afirmar que já imprimisse com tipos móveis em Estrasburgo. Segue-se uma lacuna de quatro anos na documentação. Em 1448, estava de volta a Mogúncia e tomou um empréstimo de 150 florins, avalizado por seu parente Arnold Gelthus, possivelmente para financiar a invenção. É possível que já conhecesse a calcogravura e que tivesse trabalhado em gravuras de cobre com o artista conhecido como Mestre das Cartas de Jogar.
Por volta de 1450, a prensa já funcionava e havia produzido um poema alemão, talvez seu primeiro impresso. Gutenberg recebeu cerca de 800 florims do financiador Johannes Fust por volta de 1449–1450. Peter Schöffer, que mais tarde se casaria com a filha de Fust, também entrou no negócio. Ele havia trabalhado como copista em Paris e possivelmente desenhou alguns dos primeiros tipos de letra.

A oficina de Gutenberg foi instalada no Humbrechthof, propriedade de um parente distante. Não se sabe quando ele concebeu o projeto da Bíblia. Para realizá-lo, obteve mais 800 florins de Fust alguns anos depois; a impressão começou por volta de 1452. A oficina imprimia ao mesmo tempo outros textos, mais lucrativos, talvez gramáticas latinas. Há quem suponha que contava com duas prensas, uma para os textos comuns e outra para a Bíblia. Entre 1454 e 1455, imprimiu milhares de indulgências para a Igreja. Por volta de 1455, Gutenberg produziu a Bíblia de 42 linhas, hoje chamada Bíblia de Gutenberg. Estima-se que tenham sido impressos cerca de 180 exemplares; as estimativas para os feitos em pergaminho variam de aproximadamente 30 a 45, e os demais eram de papel.

Em 1455, Gutenberg e Fust disputaram judicialmente o pagamento das quantias adiantadas à oficina e dos juros. Fust declarou ter obtido dinheiro a 6% ao ano e alegou que parte dos recursos não fora usada no empreendimento comum; Gutenberg contestou a cobrança e apresentou suas próprias despesas. O instrumento notarial de 6 de novembro de 1455 registra uma decisão parcial favorável a Fust quanto à primeira quantia, mas admite que Gutenberg deduzisse despesas relativas à segunda. O documento não registra a decisão final sobre a dissolução da sociedade nem estabelece que Fust tenha recebido a oficina.
Após a separação de Fust, Gutenberg parece ter mantido ou aberto uma oficina própria. Talvez tenha participado da impressão de uma Bíblia em Bamberga, por volta de 1459, fornecendo ao menos os tipos. Como seus livros não traziam seu nome nem uma data, é difícil ter certeza. O grande dicionário Catholicon registra Mogúncia e 1460 no colofão, mas os exemplares conhecidos pertencem a tiragens feitas com papel de datas diferentes, algumas posteriores à morte de Gutenberg. Sua participação continua discutida. A oficina de Fust e Schöffer, por sua vez, publicou em agosto de 1457 o Saltério de Mogúncia, o primeiro livro europeu a trazer o nome de seus impressores e a data. Embora o volume anunciasse o processo mecânico empregado, não mencionava Gutenberg.

Em 1462, Mogúncia foi saqueada durante a Guerra Diocesana de Mogúncia pelas tropas do arcebispo Adolfo II de Nassau. Em 18 de janeiro de 1465, o arcebispo reconheceu os feitos de Gutenberg e concedeu-lhe o título de Hofmann, membro da corte. A distinção lhe dava direito a vestimentas anuais, isenção de impostos e cerca de 2.200 litros de cereais e 2.000 litros de vinho por ano. Gutenberg morreu em 1468 e provavelmente foi sepultado como membro de uma ordem terceira na igreja dos franciscanos de Mogúncia. A igreja e o cemitério foram destruídos, e a localização do túmulo se perdeu. Em 1504, o professor Ivo Wittig o chamou de inventor da tipografia em um livro. Sua representação mais antiga conhecida é uma xilogravura publicada em 1565–1566 na obra de Heinrich Pantaleon, que também foi usada para ilustrar outras pessoas e não permite saber como Gutenberg realmente era.

Não se conhecem em detalhe o processo inicial de Gutenberg nem todos os textos que imprimiu com tipos móveis. A composição da Bíblia de 42 linhas exigiu grande quantidade de peças; um cálculo da Biblioteca da Universidade de Cambridge aponta cerca de 16 mil tipos individuais. A preparação da prensa, a aplicação da tinta, a impressão, a secagem das folhas e a distribuição dos tipos exigiam outras etapas de trabalho na oficina.
Não está claro como Gutenberg fabricava os tipos. Nas décadas seguintes, o uso de punções e matrizes de cobre se tornou padrão nas oficinas que se espalharam pela Europa. Discute-se se ele já empregava esse método elaborado ou uma versão mais rudimentar.

No processo que se tornou padrão, um punção de metal duro, com a letra gravada ao contrário, é martelado numa barra de cobre mais macio, formando uma matriz. Ela é colocada num molde manual, que recebe a liga metálica fundida. O metal esfria quase imediatamente, e o tipo pronto pode ser retirado. A mesma matriz permite fundir centenas ou milhares de peças praticamente iguais, de modo que cada ocorrência de uma letra no livro mantenha forma uniforme. Isso favoreceu o desenvolvimento de estilos distintos de fontes tipográficas. Após a fundição, os tipos são guardados em caixas e combinados para compor as páginas, que recebem tinta e são impressas repetidas vezes. As peças podem ser rearranjadas em novas combinações, daí o nome "tipos móveis".
A invenção desse processo de punção, matriz e molde costuma ser atribuída a Gutenberg. Indícios examinados nos anos 2000, porém, levantaram a possibilidade de que ele tenha empregado outra técnica. Se tivesse usado a mesma matriz repetidamente, as letras deveriam ser quase idênticas, à parte falhas de fundição e diferenças na aplicação da tinta. Os tipos de seus primeiros impressos exibem outras variações. Uma análise estatística posterior de letras da Bíblia de 42 linhas também encontrou indícios de várias matrizes para o mesmo caractere.
Em 2001, o físico Blaise Agüera y Arcas e o bibliotecário Paul Needham compararam digitalizações de uma bula papal conservada na Biblioteca Scheide, em Princeton, para examinar letras repetidas no texto. Encontraram irregularidades inclusive em caracteres simples, como o hífen. As diferenças não pareciam resultar de manchas de tinta ou do desgaste dos tipos. A análise das imagens sugeriu que as letras não vinham de uma única matriz. Fotografias com luz transmitida mostraram ainda estruturas nas impressões que não poderiam resultar do método tradicional de gravar punções.

Os pesquisadores propuseram que Gutenberg imprimia formas simples, de modo semelhante à escrita cuneiforme, numa matriz de material macio, talvez areia. A fundição destruiria o molde e exigiria refazê-lo para cada novo tipo. A hipótese poderia explicar as diferenças entre as letras e as estruturas vistas nas imagens. Assim, sugeriram que o uso de moldes reutilizáveis para fundir tipos talvez tenha surgido de maneira gradual, e que o punção empregado para produzir matrizes reaproveitáveis só teria entrado em uso na década de 1470. Outros pesquisadores contestaram parte ou a totalidade dessas conclusões e deram interpretações diferentes aos indícios. A questão permanece em aberto.
No livro Batavia, escrito por volta de 1568 e publicado postumamente em 1588, o holandês Hadrianus Junius atribuiu a invenção dos tipos móveis a Laurens Janszoon Coster. Segundo seu relato, um empregado chamado Johannes, que Junius supunha ser Johannes Fust, teria roubado o conhecimento e o equipamento da oficina em Haarlem e fugido para Mogúncia. Não há comprovação documental de que Coster imprimisse livros. A Crônica de Colônia, de 1499, citou Ulrich Zell, impressor de Colônia, para afirmar que uma forma rudimentar de impressão existira antes nos Países Baixos; não nomeou Coster e, na mesma passagem, chamou Gutenberg de "primeiro inventor da impressão". Os impressos posteriormente atribuídos a Coster foram datados de 1463 em diante. O primeiro livro com data expressa impresso nos Países Baixos é de 1473. A atribuição a Coster é hoje considerada uma lenda. No século XIX, o impressor e fundidor de tipos Fournier Le Jeune propôs que Gutenberg usava tipos de madeira entalhados individualmente, sem matriz reutilizável. Nash apresentou uma hipótese semelhante em 2004.

Entre 1450 e 1455, Gutenberg imprimiu diferentes textos, alguns ainda não identificados. Como não punha nome nem data nos impressos, as atribuições dependem da análise tipográfica e de testemunhos externos. Sabe-se que produziu documentos da Igreja, entre eles uma carta papal e duas versões de indulgências, compostas em 30 e 31 linhas, impressas em grande quantidade em 1454–1455. Algumas edições da Ars Minor, manual escolar de gramática latina de Élio Donato, talvez também tenham saído de sua oficina. Sua datação permanece incerta, embora haja fragmentos impressos com tipos da Bíblia de 42 linhas. A composição tipográfica permitia repetir o texto de uma tiragem de modo muito mais uniforme que na cópia manual, embora houvesse variações entre exemplares, inclusive na decoração feita à mão.
Por volta de 1455, saíram exemplares da Biblia Sacra, uma Bíblia em formato fólio com 42 linhas por página. O preço original não é conhecido, mas há indícios de que um exemplar foi vendido por 30 florins, aproximadamente três anos de salário de um escriturário. Ainda assim, custava bem menos que uma Bíblia manuscrita, cuja cópia poderia ocupar um escriba por mais de um ano. Depois da impressão, alguns exemplares receberam rubricas ou iluminuras feitas à mão, como os manuscritos da época. Conhecem-se cerca de 49 exemplares ou volumes preservados em extensão variável, dos quais 21 estão completos; fragmentos testemunham a existência de outros exemplares. Dois dos preservados pertencem à Biblioteca Britânica. O texto não tem recursos hoje comuns, como numeração de páginas, recuos ou separação entre parágrafos. Uma edição sem data, com 36 linhas por página, foi impressa provavelmente em Bamberg, entre 1458 e 1460, talvez por Gutenberg. Uma parte extensa foi composta a partir de um exemplar de sua Bíblia de 42 linhas, o que descartou a antiga hipótese de que a edição de 36 linhas fosse a mais velha.

O que o mundo é hoje, de bom e de ruim, deve a Gutenberg. Tudo pode ser remontado a essa origem, mas devemos homenageá-lo [...] pois o mal trazido por sua invenção colossal é mil vezes superado pelo bem que ela concedeu à humanidade.
Mark Twain, em 1900.
A invenção de Gutenberg teve consequências culturais e sociais de grande alcance. Seu sistema facilitou a circulação de livros por toda a Europa e transformou a difusão de informações. Para Andreas Venzke, o Renascimento, a Reforma e o humanismo teriam sido impensáveis sem essa mudança. Em 1999, uma equipe de jornalistas dos Estados Unidos o elegeu "homem do milênio". No mesmo ano, a A&E Network o colocou na primeira posição de sua lista das pessoas de maior influência do segundo milênio. Em 1997, a Time–Life havia escolhido sua invenção como a mais importante do período. O estudioso da história do papel Thomas Francis Carter traçou um paralelo entre Cai Lun, a quem se atribui tradicionalmente a invenção do papel na dinastia Han Oriental, e Gutenberg, chamando-os de "pai e filho espirituais". Em The 100: A Ranking of the Most Influential Persons in History, de 1978, Michael H. Hart deu a Gutenberg o oitavo lugar, abaixo de Cai Lun e acima de Cristóvão Colombo, Albert Einstein e Charles Darwin.
Veneza tornou-se um dos principais centros europeus de impressão no fim do século XV. Impressores vindos de outras regiões, inicialmente sobretudo alemães, instalaram ali suas oficinas; Aldo Manúcio ampliou a disponibilidade de textos gregos e latinos. O desenvolvimento desse mercado dependia do fornecimento de papel e da procura por livros. Entre os livros impressos preservados na Biblioteca Colombina, em Sevilha, está um exemplar da Historia rerum ubique gestarum de Pio II com anotações de Cristóvão Colombo. A guerra em Mogúncia entre 1461 e 1463 também pode ter contribuído para a dispersão dos impressores e de suas oficinas, embora a impressão já tivesse chegado a outras cidades antes dela.
A impressão teve participação na Reforma Protestante. As Noventa e cinco teses de Martinho Lutero foram impressas e circularam amplamente. Lutero publicou depois folhas avulsas contra as indulgências, cujos certificados estiveram entre os primeiros produtos impressos por Gutenberg. A circulação desses textos ajudou a difundir as ideias da Reforma. Folhas avulsas impressas também foram usadas para divulgar notícias.

Em 1827, Mogúncia ergueu seu primeiro monumento a Gutenberg. Dez anos depois, inaugurou na Gutenbergplatz uma estátua concebida por Bertel Thorvaldsen, realizada com participação internacional. Em Estrasburgo, a praça que recebeu o nome de Gutenberg em 1840, por ocasião do quarto centenário da imprensa europeia, abriga uma estátua de bronze do escultor David d'Angers. Em São Paulo, sua figura foi representada na fachada da antiga Casa Garraux, ao lado de Johannes Fust.
A cidade de Mogúncia fundou o Museu Gutenberg em 1900. A Sociedade Internacional Gutenberg foi criada em 1901 e publica, desde 1926, o Gutenberg-Jahrbuch, periódico dedicado à história do livro e da impressão. A universidade local passou a se chamar Universidade Johannes Gutenberg de Mogúncia quando foi reaberta, em 1946. Desde 1968, a cidade e a sociedade concedem o Prêmio Gutenberg por realizações artísticas, técnicas ou científicas na área da impressão. Em 2001, um exemplar em pergaminho da Bíblia de Gutenberg, conservado em Göttingen juntamente com documentos da época relacionados à sua produção, foi inscrito no Registo da Memória do Mundo da UNESCO.
Em 1952, o Serviço Postal dos Estados Unidos lançou um selo comemorativo dos quinhentos anos da impressão da Bíblia de Gutenberg. Seu nome também foi dado ao asteroide 777 Gutemberga e a uma cratera da Lua, reconhecida pela União Astronômica Internacional. Gutenberg inspirou duas óperas: G, Being the Confession and Last Testament of Johannes Gensfleisch, also known as Gutenberg, Master Printer, formerly of Strasbourg and Mainz, composta em 2001 por Gavin Bryars e estreada em 2002, com libreto de Blake Morrison, e La Nuit de Gutenberg, com música de Philippe Manoury, estreada em Estrasburgo em 2011. O Projeto Gutenberg, iniciado em 1971 e pioneiro entre as bibliotecas digitais, também o homenageia. Desde 1968, a Johannisnacht, festa realizada em Mogúncia, celebra o nome de Gutenberg.