
O sistema antígeno leucocitário humano, ou HLA (sigla em inglês: Human leukocyte antigen), codifica proteínas de superfície que reconhecem e apresentam antígenos próprios ou externos para o sistema imune adaptativo humano. Situa-se no locus 21 do braço curto (p) do Cromossoma 6. Os genes HLA são altamente polimórficos (diversificados em forma e com muitos alelos diferentes) permitindo a grande especificidade do sistema imune adaptativo.

O sistema de antigénios leucocitários humanos (HLA) é o nome dado ao complexo principal de histocompatibilidade (MHC) nos humanos. Este superlócus contém um grande número de genes relacionados com o funcionamento do sistema imunitário humano. Este grupo de genes está localizado no cromossoma 6 e codifica proteínas de apresentação de antigénios na superfície celular, para além de ter muitas outras funções. Os genes HLA são a versão humana dos genes MHC que se encontram em muitos vertebrados (e são os mais estudados entre eles). As proteínas codificadas por determinados genes são também conhecidas como antigénios, em consequência da sua descoberta histórica como fatores importantes no transplante de órgãos. Os principais antigénios HLA são essenciais para a função imunitária. Existem em diferentes classes com diferentes funções, incluindo:
Os HLA de classe III do MHC codificam componentes do sistema complemento.
Os HLA têm outras funções. São importantes na defesa contra doenças e são a principal causa de rejeição de transplantes de órgãos. Podem proteger contra o cancro ou falhar na proteção se forem regulados negativamente por infeção.
No complexo HLA, para além dos genes que codificam as 6 principais proteínas apresentadoras de antigénios, encontra-se também um grande número de outros genes, muitos dos quais envolvidos na função imunitária. A diversidade de HLAs na população humana é um aspecto da defesa contra as doenças e, como resultado desta diversidade, a probabilidade de dois indivíduos possuírem moléculas de HLA idênticas em todos os loci é muito baixa. Os genes HLA foram historicamente identificados pela rejeição de transplantes entre indivíduos com HLA diferentes.
HLAs correspondentes a MHC de classe Ia (A, B e C) apresentam peptídeos de antígenos encontrados dentro da célula, como vírus, bactérias e protozoários intracelulares. Existe outro grupo de moléculas estruturalmente homólogas as moléculas de MHC-Ia clássicas, estas por sua vez são agrupadas no MHC-Ib, dito não clássico, esses homólogos correspondem ao HLA-E, HLA-F e HLA-G, que possuem geralmente funções de imunorregulação. Já os HLAs correspondentes a MHC de classe II (DP, DM, DOA, DOB, DQ e DR) apresentam peptídeos encontrados fora da célula, como bactérias e fungos extracelulares, parasitas animais e alérgenos. Os HLA correspondentes aos codificadores do MHC de classe III (CS) são responsáveis pelo sistema complemento.
Quando um corpo estranho entra no corpo, células imunes chamadas células apresentadoras de antígenos (CPAs) envolvem o patógeno através de um processo chamado fagocitose. As proteínas do patógeno são digeridas em pequenos pedaços (peptídeo)s e carregadas em antígenos como o MHC classe II, cuja produção depende dos genes HLA. Os antígenos são então exibidos pelas células apresentadoras de antígeno para os linfócitos T auxiliares com receptores CD4, e induzem uma variedade de efeitos para eliminar o patógeno do organismo.
Diversidade genética
O loci HLA constitui os genes mais polimórficos de todos os mamíferos, são conhecidos atualmente cerca de 22 548 alelos de HLA distribuídos na espécie humana, sendo 16 200 alelos do HLA de classe I e 6 162 de HLA classe II. Essa grande variedade de polimorfismos ainda não é bem entendida, umas das hipóteses é que uma maior diversidade de moléculas de MHC permitiria o reconhecimento dos mais diversos antígenos, quando uma proteína é processada em pequenos peptídeos nem todos os seus trechos possuem afinidade pelo MHC, apenas as regiões determinantes ou epítopos determinantes se ligam com maior avidez no bolsão da molécula, diferentes alelos de HLA reconhecem melhor diferentes peptídeos, isso garantiria que ao menos um dos alelos disponíveis na população conseguiria apresentar o peptídeo e resistir ao patógeno.
Qualquer célula exibindo algum tipo de HLA que não parece próprio do indivíduo é percebido como um invasor pelo sistema imunológico do corpo, resultando na rejeição do transplante do tecido que possui essas células. Assim verificar a compatibilidade HLA é essencial para que um transplante de órgãos seja bem sucedido.
As mutações HLA aumentam o risco relativo, comparado com pessoas sem a mutação, no desenvolvimento de diversas doenças autoimunes como:
O sistema HLA também pode estar relacionado com a percepção do cheiro de outras pessoas e pode estar envolvido na seleção do parceiro entre os mamíferos, inclusive humanos.
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As mutações no HLA podem estar ligadas a doenças autoimunes (exemplos: diabetes tipo 1, doença celíaca). O HLA pode também estar relacionado com a perceção do cheiro de outras pessoas e pode estar envolvido na seleção de parceiros.