| Haym Salomon | |
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Ilustração de Salomon | |
| Conhecido(a) por | Principal financiador da Guerra de Independência dos Estados Unidos |
| Nascimento | 7 de abril de 1740 Leszno, República das Duas Nações (atual Polônia) |
| Morte | 6 de janeiro de 1785 (44 anos) Filadélfia, Pensilvânia, EUA |
| Ocupação | Broker |
Haym Salomon (também escrito Solomon; 7 de abril de 1740 – 6 de janeiro de 1785) foi um comerciante norte-americano nascido na Polônia, mais conhecido por suas ações durante a Revolução Americana, período em que se tornou um dos principais financiadores do Congresso Continental.
Nascido em Leszno, na República das Duas Nações, Salomon estudou finanças na Europa Ocidental antes de emigrar para a cidade de Nova Iorque em 1775. No mesmo ano, com o início da Guerra de Independência dos Estados Unidos, apoiou os Patriotas, prestando serviços financeiros ao lado do financista Robert Morris, Superintendente de Finanças dos Estados Unidos [en], e arriscou a vida como membro dos Filhos da Liberdade, o que lhe valeu várias prisões pelos britânicos por espionagem.
Ele ajudou a converter empréstimos franceses em moeda forte ao vender letras de câmbio em nome de Morris e intermediou grandes doações para a causa patriota. Entre elas, destacou-se um empréstimo crucial de 20.000 dólares em 1781 que possibilitou a decisiva campanha de Yorktown [en] liderada por George Washington, ponto decisivo para a Revolução Americana. Entre 1781 e 1784, Salomon ajudou a providenciar mais de 650.000 dólares (14,8 milhões de dólares em 2024). Foi também defensor da liberdade religiosa, cofundando a congregação Mikveh Israel [en] da Filadélfia e combatendo leis discriminatórias. Apesar de ter doado toda a sua fortuna ao Exército Continental e a vários Pais Fundadores dos Estados Unidos, Salomon morreu na miséria na Filadélfia em 1785, pois autoridades governamentais e credores privados nunca lhe pagaram as dívidas que tinham com ele.
Haym Salomon nasceu em 7 de abril de 1740 em Leszno, na República das Duas Nações, numa família sefardita descendente de judeus portugueses e espanhóis que, após o decreto de expulsão dos judeus da Espanha (Decreto de Alhambra) em 1492, migraram gradualmente para a Polônia. Embora a maioria dos judeus da Europa Central e Oriental falasse iídiche, afirma-se que, por ter deixado a Polônia ainda jovem com a família, Salomon não sabia ler nem escrever em iídiche; os sefarditas costumavam falar judeu-espanhol (ladino), língua baseada no hebraico e no espanhol. Na juventude, estudou hebraico.
Durante viagens pela Europa Ocidental na idade adulta, Salomon adquiriu conhecimentos de finanças e fluência em várias línguas da época. Regressou à Polônia em 1770, mas partiu para a Inglaterra dois anos depois, em consequência da Primeira Partilha da Polônia em 1772. Em 1775, emigrou para a cidade de Nova Iorque, onde se estabeleceu como corretor para comerciantes americanos envolvidos no comércio exterior.

Simpatizante da causa patriota, Salomon filiou-se à seção nova-iorquina dos Filhos da Liberdade. Em setembro de 1776, foi preso pelos britânicos como espião, mas rapidamente perdoado. Contudo, as autoridades britânicas mantiveram-no detido por 18 meses num navio, como intérprete para as tropas hessianas, já que Salomon falava alemão. Aproveitou a posição para ajudar prisioneiros de guerra do Exército Continental a fugir, incentivar a deserção de soldados hessianos e colaborar com Hercules Mulligan e Cato [en] em outras ações de espionagem. Em 1778, foi preso novamente, condenado por espionagem e sentenciado à morte. Conseguiu escapar e, com a família, dirigiu-se para a Filadélfia, onde então se encontrava o Congresso Continental.
Uma vez reestabelecido na Filadélfia, Salomon retomou a atividade de corretor. Tornou-se agente do cônsul francês e pagador de todas as forças francesas na América do Norte. A partir de 1781, passou a trabalhar intensamente com Robert Morris, recém-nomeado Superintendente de Finanças dos Estados Unidos [en].
Entre 1781 e 1784, registos mostram que a angariação de fundos e os empréstimos pessoais de Salomon ajudaram a fornecer mais de 650.000 dólares (14,8 milhões de dólares em 2024) ao general George Washington para o esforço de guerra. A sua contribuição financeira mais significativa, porém, ocorreu imediatamente antes da Batalha de Yorktown.
Em agosto de 1781, o Exército Continental encurralou o tenente-general Charles Cornwallis na cidade costeira de Yorktown, na Virgínia. George Washington e o exército principal, juntamente com o Conde de Rochambeau e o seu exército francês, decidiram marchar de Hudson Highlands [en] até Yorktown para desferir o golpe final. Porém, o cofre de guerra de Washington estava completamente vazio, assim como o do Congresso. Sem alimentos, uniformes nem suprimentos, as tropas de Washington estavam à beira do motim.
Washington calculou que precisava de pelo menos 20.000 dólares para financiar a campanha. Quando Morris lhe disse que não havia fundos nem crédito disponíveis, Washington respondeu: "Mandem chamar Haym Salomon". Salomon angariou 20.000 dólares através da venda de letras de câmbio. Com essa contribuição, Washington conduziu a campanha de Yorktown, que se revelou a batalha final da Revolução.
Salomon intermediou a venda da maior parte da ajuda de guerra da França e das Províncias Unidas dos Países Baixos, vendendo letras de câmbio a comerciantes americanos. Também apoiou pessoalmente vários membros do Congresso Continental durante a sua permanência na Filadélfia, incluindo James Madison e James Wilson. Cobrava juros abaixo do mercado e nunca exigiu pagamento.
Acredita-se que Salomon tenha feito doações diretas a homens que considerava heróis esquecidos da revolução e que ficaram na miséria durante a guerra. Um exemplo seria Bodo Otto [en], cirurgião-chefe do Exército Continental. Otto ingressou no exército aos 65 anos e serviu durante toda a guerra. Entre outras ações, criou o hospital de Valley Forge [en]. Com a doação de Salomon, Otto pôde retomar a sua prática médica em Reading, na Pensilvânia, ao fim do conflito.:7-8
O Tratado de Paris, assinado em 3 de setembro de 1783, pôs fim à Guerra de Independência, mas não aos problemas financeiros da nação recém-criada. A dívida de guerra dos Estados Unidos para com a França nunca foi devidamente paga, o que contribuiu para a cascata de eventos que levou à Revolução Francesa.

Salomon participou ativamente da comunidade judaica, sendo membro da congregação Mikveh Israel [en] da Filadélfia; em 1782, fez a maior doação individual para a construção do edifício principal da sinagoga. Em 1783, esteve entre os judeus proeminentes que conseguiram que o Conselho de Censores da Pensilvânia removesse o juramento religioso exigido para o exercício de cargos públicos pela Constituição estadual. Essas leis de teste haviam sido originalmente criadas para marginalizar a maioria quaker (que se recusava a prestar juramentos), mas afetavam muitos outros. Foi o velho amigo de Salomon, Robert Morris, quem apresentou a legislação que acabou com essas leis na Pensilvânia. Em 1784, Salomon respondeu a calúnias antissemitas na imprensa declarando: "Sou judeu; é a minha própria nação; não perco a esperança de que conquistaremos todos os outros privilégios a que aspiramos, juntamente com os nossos concidadãos".
Tal como Washington e muitos homens proeminentes da Revolução Americana, Salomon era maçom. Recebeu os dois primeiros graus na Loja nº 2 da Filadélfia, Rito Antigo de York, em 1764. Após a guerra, o grau de Mestre Maçom foi-lhe conferido em 1784 (possivelmente na Loja Maryland, nº 27), um ano antes da sua morte.
O financista morreu subitamente e na pobreza em 6 de janeiro de 1785, na Filadélfia. Devido à recusa de governos e credores privados em pagar as dívidas contraídas durante a guerra, sua família ficou sem recursos após a sua morte aos 44 anos de idade. Os milhares de dólares em títulos continentais que Salomon adquiriu com a própria fortuna valiam apenas cerca de 10 centavos por dólar quando morreu.:2
O obituário publicado no Independent Gazetteer dizia: "Na última quinta-feira, após longa doença, faleceu o Sr. Haym Salomon, eminente broker desta cidade, natural da Polônia e da nação hebraica. Destacava-se pela habilidade e integridade na profissão e pela conduta generosa e humana. Os seus restos mortais foram ontem depositados no cemitério da sinagoga desta cidade".:7

O túmulo de Haym Salomon localiza-se no Cemitério Mikveh Israel [en] da Filadélfia. Embora não tenha lápide, há duas placas de homenagem. Na parede leste encontra-se uma lápide de mármore instalada pelo seu bisneto, William Salomon, e um memorial de granito dentro do portão do cemitério. Em 1980, a Loja Haym Salomon nº 663 da organização fraterna B'rith Sholom [en] patrocinou um memorial no Cemitério Mikveh Israel. Um comitê, que incluía Robert S. Whitman, Sidney Bruskin e Marvin Abrams, todos ex-presidentes da loja e residentes da Filadélfia, promoveu a restauração das paredes e caminhos do cemitério e supervisionou a instalação de uma grande placa memorial de granito logo à entrada, com a inscrição "Um Patriota Americano". Robert S. Whitman instalou também uma placa de bronze com a bandeira americana, marcando o espaço dedicado ao patriota americano.


Circula a lenda de que, durante o processo de criação do Grande Selo dos Estados Unidos, Washington perguntou que compensação Salomon desejava pelas suas contribuições financeiras à Guerra de Independência. Ele teria respondido que "nada queria para si mesmo, mas algo para o seu povo". Embora não haja provas, há quem defenda que as 13 estrelas que representam as colônias foram dispostas na mesma forma que a Estrela de Davi em homenagem às contribuições de Salomon. A teoria, porém, tem pouca base histórica, apesar de frequentemente repetida.
Quando Morris foi nomeado Superintendente de Finanças, recorreu a Salomon para obter ajuda na angariação do dinheiro necessário para continuar a guerra e, posteriormente, para salvar a nação emergente do colapso financeiro. Salomon concedeu empréstimos diretos ao governo e doou generosamente dos seus próprios recursos para pagar salários de funcionários públicos e oficiais do exército. Com anotações frequentes do tipo "mandei chamar Haym Salomon", o diário de Morris entre 1781 e 1784 regista cerca de 75 transações entre os dois homens.