Hedwig Dohm

Hedwig Dohm
Dohm, c. 1898
Nome completoMarianne Adelaide Hedwig Schlesinger
Conhecido(a) porpioneira do feminismo
Nascimento
Morte
1 de junho de 1919 (87 anos)

Nacionalidadealemã
CônjugeErnst Dohm
Ocupaçãoescritora e ativista
Gênero literárioficção e não ficção

Marianne Adelaide Hedwig Dohm (nascida Schlesinger; Berlim, 20 de setembro de 1831 — 1 de junho de 1919) foi uma escritora e defensora dos direitos das mulheres alemã.

Foi uma das primeiras teóricas feministas a atribuir os comportamentos associados ao gênero à influência da cultura e da educação, em vez de considerá-los resultado de uma determinação biológica.

Biografia

Hedwig Dohm nasceu na capital do Reino da Prússia, em 1831. Era a quarta de dezoito filhos do fabricante de tabaco, Gustav Adolph Gotthold Schlesinger, e de sua esposa, Wilhelmine Henriette Jülich. Ela nasceu fora do casamento, assim como nove de seus irmãos, pois seus pais só puderam se casar em 1838, após a morte do avô paterno. Este havia ameaçado deserdar o filho caso ele se casasse com Jülich, que também havia nascido fora do casamento. O pai de Hedwig Dohm era oriundo de uma família judaica e converteu-se à Igreja Evangélica em 1817; a partir de 1851, passou a usar legalmente o sobrenome Schleh.

Às filhas da família foi concedida apenas uma educação escolar limitada, enquanto os filhos podiam frequentar o Gymnasium (ensino secundário preparatório para a universidade). Aos quinze anos, Hedwig Dohm teve de deixar a escola para ajudar nos afazeres domésticos da família. Três anos depois, recebeu autorização para frequentar um seminário de formação de professoras.

Em 1853, casou-se com Ernst Dohm, editor-chefe da revista satírica Kladderadatsch, com quem teve cinco filhos entre 1854 e 1860. O único filho homem, Hans Ernst (nascido em 1854), morreu aos 11 anos. As quatro filhas, Gertrude Hedwig Anna (1855–1942), Ida Marie Elisabeth (nascida em 1856), Marie Pauline Adelheid (nascida em 1858) e Eva (nascida em 1859; casada primeiro com Max Klein e depois com Georg Bondi), receberam uma sólida formação escolar e profissional. Hedwig Dohm foi avó de Katia Mann, esposa de Thomas Mann, e do físico e astrônomo Hans Rosenberg, além de bisavó da jornalista e escritora germano-suíça Eva Maria Borer.

O casal Dohm frequentava os círculos intelectuais de Berlim. Hedwig adquiriu de forma autodidata os conhecimentos necessários para sua primeira publicação, Die spanische National-Literatur in ihrer geschichtlichen Entwicklung (“A literatura nacional espanhola em seu desenvolvimento histórico”), lançada em 1867.

Na primeira metade da década de 1870, foram publicados os quatro primeiros livros feministas de Dohm, nos quais ela defendia a completa igualdade jurídica, social e econômica entre mulheres e homens. Já em 1873, foi uma das primeiras pessoas na Alemanha a exigir o direito de voto para as mulheres. Esses quatro ensaios, entre eles Der Frauen Natur und Recht (“A natureza e o direito das mulheres”), tornaram-na famosa de imediato, mas também despertaram fortes críticas, não apenas entre os defensores dos privilégios masculinos, mas também dentro do próprio movimento feminista burguês da época, para o qual as ideias de Dohm eram excessivamente radicais. As feministas burguesas concentravam-se principalmente na melhoria da educação das meninas e na assistência às mães solteiras. No final da década de 1870, Dohm publicou diversas comédias, todas encenadas no Schauspielhaus de Berlim.

Em 1883, seu marido Ernst Dohm morreu após uma longa enfermidade. Após sua morte, Hedwig passou a dedicar-se à escrita de novelas e romances. Quando a ala radical do movimento feminista ganhou força no final da década de 1880, ela voltou a concentrar-se em publicações políticas para jornais e revistas. Também participou da fundação de diversas associações radicais, entre elas a associação feminina Reform (posteriormente Verein Frauenbildung–Frauenstudium), que defendia uma ampla reforma educacional e o acesso das mulheres ao ensino superior.

Ela ingressou na associação radical Frauenwohl, liderada por Minna Cauer, e, aos 74 anos, participou da assembleia de fundação da organização Bund für Mutterschutz und Sexualreform, criada por Helene Stöcker. Até sua morte, em 1919, publicou vários volumes de ensaios e quase uma centena de artigos em jornais e revistas, nos quais se posicionava sobre debates contemporâneos relacionados à literatura e à política.

Durante a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, Dohm esteve entre os poucos intelectuais que se manifestaram contra o conflito desde o início. Manteve uma postura crítica em relação ao entusiasmo patriótico que dominava a sociedade alemã. Em seus últimos escritos, publicados principalmente em meios explicitamente pacifistas, como Die Aktion, de Franz Pfemfert, apresentou-se como uma pacifista intransigente. Ainda testemunhou a introdução do sufrágio feminino na Alemanha, em 1918.

Morte

Túmulo de Hedwig Dohm no cemitério St-Matthäus-Kirchhof

Dohm morreu aos 87 anos, em 1 de junho de 1919. Foi sepultada no Cemitério Antigo de São Mateus (Alter St.-Matthäus-Kirchhof), em Berlim-Schöneberg. Em 22 de setembro de 2007, a Associação das Jornalistas Alemãs ergueu no local um memorial com uma nova lápide. Em agosto de 2018, o Senado de Berlim decidiu homenageá-la com um túmulo de honra, reservado a personalidades de especial relevância para a cidade. A cerimônia oficial de inauguração ocorreu em 24 de março de 2019, com a presença da prefeita distrital de Tempelhof-Schöneberg, Angelika Schöttler, além de representantes da política e da Associação das Jornalistas Alemãs.

Obra e pensamento

Hedwig Dohm foi uma das pioneiras do feminismo moderno. Defendia que meninas e meninos recebessem a mesma educação e formação profissional. Estava convencida de que a independência econômica era o único caminho para que as mulheres deixassem de ficar presas ao que chamava de “prisão do casamento”, podendo escolher livremente viver ou não uma relação afetiva baseada na igualdade de direitos.

Além de reivindicar igualdade educacional e o acesso das mulheres ao mercado de trabalho, manifestou-se energicamente em favor do sufrágio feminino.

Em 1925, Helene Lange escreveu:

Em Die Antifeministen (“Os antifeministas”), publicado em 1902, Hedwig Dohm expõe, com humor, as ideologias dos principais pensadores e formadores de opinião de sua época, revelando suas contradições e interpretando seu temor em relação às mulheres como uma defesa simplista de privilégios e posições de poder.

Em Die Mütter (“As mães”), de 1903, ela discute o amor materno, que, em sua opinião, não constitui um instinto natural, mas algo aprendido e cultivado socialmente devido à falta de outras possibilidades de atuação para as mulheres. Para tornar compatíveis a maternidade e a vida profissional, propôs que o trabalho doméstico e a educação das crianças fossem assumidos por instituições especializadas.

Publicações

Literatura

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 Müller, Nikola; Rohner, Isabel; Rohner, Isabel (2006). Hedwig Dohm Ausgewählte Texte. Berlim: trafo. p. 317. ISBN 978-3896265593
  2. ↑ «Dohm, Hedwig (1831–1919)». Encyclopedia.com. Consultado em 2 de junho de 2026
  3. ↑ «Hedwig Dohm». www.encyclopedia.com. Consultado em 2 de junho de 2026
  4. ↑ «Dohm, Hedwig | Encyclopedia.com». www.encyclopedia.com. Consultado em 2 de junho de 2026
  5. ↑ Stephan Meder, Arne Duncker, Andrea Czelk (23 de setembro de 2023). Die Rechtsstellung der Frau um 1900. Köln / Weimar / Wien: Böhlau Verlag. 305 páginas. ISBN 978-3-412-20577-5
  6. 1 2 Roloff, Eckart (2020). «Eine starke Stimme für die Frauen. Hedwig Dohm». In: Michael Haller, Walter Hömberg. „Ich lass mir den Mund nicht verbieten!“ Journalisten als Wegbereiter der Pressefreiheit und Demokratie. Ditzingen: Reclam Verlag. p. 114–117. ISBN 978-3-15-011277-9
  7. ↑ Meder, Stephan. Familienrecht. Köln / Weimar / Wien: Böhlau Verlag. 191 páginas. ISBN 978-3-8252-3901-5
  8. ↑ «Hedwig Dohm». Fembio. Consultado em 2 de junho de 2026
  9. 1 2 3 «Hedwig Dohm, geb. Schlesinger (1831–1919)». Frankfurter Frauenzimmer. Consultado em 2 de junho de 2026
  10. 1 2 3 4 5 6 Adriana Muller (ed.). «A obra de Hedwig Dohm e as origens do feminismo: tradução comentada do artigo Vier Kategorien der Antifeministen». Universidade Federal do Rio de Janeiro. Consultado em 2 de junho de 2026

Ligações externas

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