Helena da Asatur | |
|---|---|
| Deputada Federal por Roraima | |
| Período | 1 de fevereiro de 2023 em exercício |
| Legislatura | 57ª legislatura (2023 — 2027) |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 30 de março de 1976 Araguatins |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Partido | MDB (2022-2026) PSD (2026-presente) |
| Ocupação | Empresária |
Maria Helena Teixeira Lima (Araguatins, 30 de março de 1976), mais conhecida como Helena da Asatur, é uma empresária e política brasileira filiada ao PSD.
Em 2025, foi condenada em primeira instância a oito anos de inelegibilidade por envolvimento em um esquema de compra de votos no município de São João da Baliza nas eleições de 2024.
Nascida em Tocantins e filha de uma dona de casa e um agricultor, chegou a Roraima com 5 anos e se criou em São João da Baliza. Formada em Direito, também é bióloga, especialista em Meio Ambiente e empresária, atuando no setor de transporte de passageiros há 20 anos. A sua empresa, a ASATUR Turismo, criada em outubro de 2001, tem como principal trecho a linha Boa Vista-Manaus e também trabalha com fretamento e locação de veículos. Se declara evangélica e "defensora dos direitos da saúde e da mulher". Nas eleições de 2022 se candidatou como deputada federal por Roraima, sendo eleita com 15.848 votos, segunda mais votada na disputa estadual e única mulher em representação do estado na Câmara dos Deputados da 57ª Legislatura (2023-2027).
Em 2 de abril de 2026, anunciou que é pré-candidatura ao Senado por Roraima nas eleições de 2026. Ela deixou o MDB e se filiou ao PSD.
Em novembro de 2025, Helena Lima foi condenada à inelegibilidade por 8 anos por compra de votos e abuso de poder econômico em um esquema ligado às eleições municipais de 2024 em São João da Baliza, no Sul de Roraima. A decisão foi da Justiça Eleitoral da comarca de São Luiz do Anauá, em primeira instância, e foi assinada pela juíza Rafaella Holanda Silveira.
Segundo as informações reunidas, ela foi apontada como participante de um esquema para beneficiar o vereador Adriano Costa (MDB), esposo de sua prima, com uso de dinheiro, transferências via Pix e transporte irregular de eleitores por meio da Asatur, empresa da família.
Helena, familiares e empresas ligadas à família passaram a ser investigados pela Operação Caixa Preta da Polícia Federal após uma denúncia de compra de votos que culminou na prisão de seu marido, Renildo Lima, em 2024, com R$ 500 mil em dinheiro vivo. Parte do dinheiro estava escondida em sua cueca.
A prisão do marido de Helena Lima ocorreu em 9 de setembro de 2024. Além de Renildo, foram presas mais cinco pessoas, entre elas dois policiais militares do BOPE, um assessor parlamentar e uma advogada. Os policiais estavam de folga na ocasião e faziam a escolta dos envolvidos. No momento da abordagem, a PF encontrou também materiais de campanha de um vereador candidato à reeleição, não identificado. Todos foram autuados por crimes eleitorais e associação criminosa armada. Poucos dias depois, um dos policiais e o assessor parlamentar envolvidos no caso, que haviam sido soltos com medidas cautelares, foram novamente detidos pela Polícia Federal, acusados de tentar intimidar e ameaçar a delegada responsável pela apreensão dos R$ 500 mil. A Justiça Eleitoral expediu mandados de prisão por obstrução de Justiça e ameaça à autoridade.
Investigações da Operação Caixa Preta
A partir da prisão do marido de Helena, a Polícia Federal iniciou a Operação Caixa Preta a fim de investigar possíveis crimes eleitorais e lavagem de dinheiro no estado de Roraima. Em julho de 2025, foram expedidos mandados de busca e apreensão em endereços de Helena Lima, de seu marido Renildo Lima e do presidente da CBF, Samir Xaud, que teve seu nome mencionado por Renildo em áudio interceptado pela Polícia Federal como um possível aliado da família Lima na captação de pelo menos 500 votos para políticos aliados. A Justiça decretou o bloqueio de mais de R$ 10 milhões nas contas dos investigados.
A investigação concluiu que Helena estruturou uma rede para captar eleitores por meio de listas partidárias, que, conforme apurado, recebiam valores entre R$ 400 e R$ 700, em espécie ou via Pix. Segundo Rafaella Holanda Silveira, juíza responsável pela sentença do caso, recursos da Asatur teriam sido usados para financiar o transporte de eleitores e a distribuição de dinheiro, com o objetivo de favorecer a eleição do vereador Adriano Costa, do MDB, em São João da Baliza. Em novembro de 2025, a 4ª Zona Eleitoral de São Luiz do Anauá declarou Helena Lima inelegível por oito anos.
Um mês antes da sentença, o Ministério Público Eleitoral apresentou um parecer formal pedindo a cassação do mandato de Helena Lima e a inelegibilidade dela e de vários integrantes de sua família. O documento serviu de base para a condenação que veio em novembro.
Em abril de 2026, mesmo com a sentença de inelegibilidade em vigor, Helena da Asatur deixou o MDB, migrando para o PSD, e anunciou sua pré-candidatura ao Senado por Roraima nas eleições de 2026. O TRE-RR marcou o julgamento do recurso contra a condenação para 22 de abril de 2026, mas a sessão foi retirada de pauta na véspera, sem nova data definida, prolongando a indefinição jurídica sobre sua candidatura.
Helena é sócia de duas empresas de transporte com forte atuação no Norte do Brasil e ligadas a controvérsias políticas. Ambas pertencem à sua família. Uma delas é a Voare Táxi Aéreo, especializada em transporte aéreo sob demanda, presidida pelo marido. A outra é a Asatur Transporte e Turismo, empresa de transporte rodoviário cuja proprietária é sua filha, Eduarda Lima.
Em 2023, já em seu primeiro mandato como deputada, a Voare firmou cinco contratos de locação de aeronaves e táxi aéreo com o governo federal. Esses contratos envolviam o Exército, a Funai e o Ministério da Saúde. Até junho de 2025, a Voare já havia recebido R$ 271 milhões do governo federal por meio de 17 contratos de prestação de serviços, envolvendo o Ministério da Saúde, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Defesa. Durante as investigações da Operação Caixa Preta, foi revelado que, do montante total recebido do governo federal, R$ 96 milhões foram contratados sem processo de licitação, o que corresponde a 35,4% do valor total.
Em janeiro de 2025, a Voare firmou um contrato de R$ 15,8 milhões com o Ministério da Saúde para serviços de transporte aéreo de equipes de saúde e insumos no Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Y), responsável pelo território indígena. Em maio de 2025, o contrato foi atualizado para R$ 173 milhões.
Lideranças de sete associações do povo Yanomami enviaram uma carta ao governo federal denunciando práticas abusivas da Voare nos contratos de remoção aeromédica e transporte de insumos dentro da Terra Indígena Yanomami. As denúncias apontavam monopólio, falta de transparência e suspeita de superfaturamento nos contratos com o Ministério da Saúde. Outro ponto levantado pelas lideranças é o impacto de um acidente aéreo envolvendo um helicóptero da empresa, que teria resultado na morte de dois idosos Yanomami. O caso reforçou a desconfiança sobre a capacidade da empresa de operar em uma área tão sensível e de grande complexidade logística.
Durante as investigações da Operação Caixa Preta, uma reportagem revelou que Helena associou seu nome pessoal ao uniforme do Atlético Roraima, um dos principais clubes do estado. O time, patrocinado pela Asatur, disputou o Estadual com o slogan “Helena Deputada Federal” estampado em seu uniforme. A estratégia foi descrita como uso do esporte como plataforma de projeção política.
Em 9 de abril, Helena assinou o requerimento de urgência do Projeto de Lei 2858/22, conhecido como “PL da Anistia”, que propôs o perdão judicial a parte dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro em Brasília. Na ocasião, chegou a posar para foto com Nikolas Ferreira, que foi mencionado pela imprensa como um dos principais articuladores com lideres partidários para a arrecadação de votos para o projeto. Alguns dias depois, Helena retirou o seu voto, afirmado ter se antecipado na decisão.
O recuo provocou reação imediata e levou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, a antecipar o protocolo do pedido de urgência. Com isso, a estratégia passou a ser a de tornar públicas as assinaturas já reunidas e reduzir o risco de novas desistências.
O pastor Silas Malafaia fez críticas diretas à deputada, chamando-a de “traíra” e lhe acusando de fazer o jogo do governo Lula. Segundo reportagens, a retirada da assinatura de Helena Lima foi interpretada por interlocutores como resultado de pressão política do governo federal, que teria ameaçado exonerar aliados.