| Helena Theodoro | |
|---|---|
| Nome completo | Helena Theodoro Lopes |
| Nascimento | 12 de maio de 1943 (83 anos) Rio de Janeiro, RJ |
| Alma mater | Universidade Federal do Rio de Janeiro |
| Ocupação | educadora, filósofa, pedagoga, escritora |
Helena Theodoro Lopes (Rio de Janeiro, 12 de junho de 1943) é uma educadora, filósofa, pedagoga e escritora brasileira.
A educadora se tornou conhecida por ser a primeira mulher negra a terminar um doutorado em Filosofia no Brasil, em 1985. Sua trajetória de mais de meio século é marcada pela defesa da cultura afro-brasileira e pelo combate ao racismo estrutural. Ela tornou-se referência nos estudos sobre a cultura afro-brasileira, carnaval, samba, arte e religiões de matriz africana, abrindo caminhos para novas gerações de intelectuais negros no país.
Nascida na cidade do Rio de Janeiro, é filha do economista Jurandir Theodoro e da intérprete Lea de Araújo Theodor, ativistas negros. Na infância estudou balé, piano e Francês, bem como frequentou rodas de samba e teatros.
Helena tornou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1967 e em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1970. Em seguida, concluiu mestrado em Educação pela UFRJ em 1978 e obteve o doutorado em Filosofia pela Universidade Gama Filho em 1985, escrevendo sua tese de doutorado sobre um terreiro de candomblé e o pensamento da escola idealista alemã de Max Scheler. Posteriormente, em 2019, finalizou um pós-doutorado em História Comparada no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.
Na Assembleia Nacional Constituinte de 1987, Helena participou dos debates da Subcomissão dos Negros, Populações Indígenas, Pessoas Deficientes e Minorias. Defendeu, ao lado de Lélia Gonzalez, a inclusão da História Africana e Afro-Brasileira nos currículos escolares e a valorização das tradições culturais de matriz africana, ressaltando a necessidade de combater estereótipos e assegurar igualdade material para a população negra.
Paralelamente à carreira acadêmica, a pesquisadora teve destacada atuação na comunicação e divulgação cultural. Ingressou muito jovem na Rádio MEC, emissora de rádio pública federal, onde aos 15 anos já produzia e apresentava programas educativos e culturais e se tornou a primeira coordenadora do Projeto Minerva, iniciativa pioneira de educação a distância via rádio durante a década de 1970.
Helena utilizou o espaço radiofônico para difundir conhecimentos sobre os quilombos, os orixás, o samba e a resistência negra, numa época em que essas pautas tinham pouca voz na mídia hegemônica. Ela também conduziu diversas entrevistas na Rádio MEC, dando espaço a importantes lideranças e intelectuais negros, como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Carlos Alberto Medeiros, Joel Rufino dos Santos, Muniz Sodré e Martinho da Vila.
Como escritora é autora e coautora de diversos livros e artigos que abordam a história, a cultura e a espiritualidade afro-brasileira. Ainda nos anos 1970, colaborou em obras educacionais sendo co-autora de coleção didática e do livro Negro e Cultura no Brasil (1986).
Em sua produção individual, destacam-se os seguintes livros:
Além dos livros, a escritora publicou numerosos artigos acadêmicos e capítulos de livros sobre temas como cultura afro-brasileira, samba e carnaval, religiões de matriz africana, identidade étnica, educação e direitos humanos. Seus trabalhos frequentemente discutem valores civilizatórios africanos (como a filosofia Ubuntu), o enfrentamento do racismo e a valorização dos saberes tradicionais.
Em abril de 2023, prestes a completar 80 anos, foi homenageada em uma sessão solene na Câmara dos Deputados em Brasília, a convite da deputada Benedita da Silva, durante um evento sobre os 100 anos da Rádio MEC, oportunidade em que se reconheceu sua trajetória como pioneira na comunicação e na educação antirracista.
No ano seguinte, Helena recebeu duas das mais altas condecorações concedidas no Rio de Janeiro: em abril de 2024 foi agraciada com a Medalha Tiradentes, honraria máxima da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (ALERJ), em reconhecimento à sua trajetória marcante na defesa da cultura afro-brasileira e dias depois, foi também agraciada com a Medalha Chiquinha Gonzaga, outorgada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro a mulheres que se destacam em causas democráticas, humanitárias, artísticas e culturais.
Neste mesmo ano, sua vida e obra foram tema de uma grande homenagem no campo cultural: o Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo realizou a ocupação “Trilogia Matriarcas”, um evento multidisciplinar em tributo à sua história.