Hiperstena

A hiperstena ou hipersténio é um mineral formador de rochas essencial pertencente ao grupo das ortopiroxenas, com a fórmula química (Mg,Fe)SiO₃, que representa uma solução sólida intermédia entre a enstatite (rica em magnésio) e a ferrosilite (rica em ferro). Embora a Associação Internacional de Mineralogia (IMA) tenha descontinuado o termo formal em favor de «enstatite rica em ferro», a designação permanece amplamente consagrada na geologia descritiva, na petrologia e no comércio de gemas. Cristalizando no sistema ortorrômbico, o mineral ocorre habitualmente em massas foliadas, agregados granulares ou cristais prismáticos curtos, exibindo uma palete de cores que varia do castanho-escuro e cinzento-esverdeado ao preto. Uma das suas características físicas mais distintas é o fenómeno ótico de schiller — um brilho bronzeado, acobreado ou metaloide que surge devido à reflexão da luz em microinclusões lamelares orientadas de ilmenite, magnetite ou augite. Em termos de propriedades físicas, apresenta uma dureza de 5,5 a 6 na escala de Mohs, uma densidade de 3,4 a 3,9 g/cm³ (que aumenta proporcionalmente ao teor de ferro) e uma clivagem perfeita em duas direções que se intersetam a quase 90 graus, o que auxilia a sua identificação em lâmina delgada através de um pleocroísmo característico de tons esverdeados a rosados. No contexto geológico, a hiperstena é um constituinte fundamental de rochas ígneas plutónicas e vulcânicas de natureza máfica a intermédia, como noritos, gabros, andesitos e dacitos, além de ser o mineral diagnóstico dos charnoquitos e granulitos em terrenos metamórficos de alta temperatura e pressão. Adicionalmente, a sua abundância em meteoritos rochosos, como os condritos e os acondritos, confere-lhe um papel científico crucial na reconstituição dos processos de diferenciação magmática e na compreensão da evolução geoquímica dos corpos primordiais do Sistema Solar.

Referências

  1. ↑ «Hypersthene». www.mindat.org. Consultado em 2 de junho de 2026
  2. ↑ «Hypersthene Mineral Data». webmin.mindat.org. Consultado em 2 de junho de 2026
  3. ↑ Morimoto, N.; Fabries, J.; Ferguson, A. K.; Ginzburg, I. V.; Ross, M.; Seifert, F. A.; Zussman, J.; Aoki, K.; Gottardi, G. (setembro de 1988). «Nomenclature of Pyroxenes». Mineralogical Magazine (em inglês). 52 (367): 535–550. ISSN 0026-461X. doi:10.1180/minmag.1988.052.367.15
  4. ↑ «Rock-forming minerals. 2,A: Single-chain silicates». London: The Geological Society. 2001. ISBN 978-1-897799-85-7
  5. ↑ Klein, Cornelis (9 de novembro de 2022). Manual de Ciência dos Minerais. Barbara Dutrow 23 ed. Porto Alegre, RS: Bookman. ISBN 978-85-7780-963-9
  6. ↑ «Piroxênios - Materiais Didáticos». 23 de junho de 2020. Consultado em 2 de junho de 2026