| Hortênsia Mancini | |
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Hortênsia caracterizada como a deusa grega Afrodite. O seu seio esquerdo à mostra indica sua posição como amante real. Obra de Jacob Ferdinand Voet, c. 1675 | |
| Nascimento | 6 de junho de 1646 |
| Morte | 2 de julho de 1699 (53 anos) |
| Progenitores | Mãe: Geronima Mazzarini Pai: Barão Lorenzo Mancini |
| Cônjuge | Armand Charles de La Porte, 2.º duque de La Meilleraye |
| Filho(a)(s) | 4 (ver Descendência) |
| Ocupação | nobre e amante real |
| Título | duquesa de Mazarin, Mayenne e de La Meilleraye e princesa de Château-Porcien |
Brasão da família Mancini | |
Hortênsia Mancini (em italiano: Ortensia Mancini; francês: Hortense Mancini; Roma, 6 de junho de 1646 – Londres, 2 de julho de 1699), duquesa de Mazarin, Mayenne e de La Meilleraye, foi uma nobre francesa de origem italiana, sobrinha do cardeal Mazarin, primeiro-ministro da França. Era uma das cinco famosas irmãs Mancini, que, juntamente com duas de suas primas Martinozzi, ficaram conhecidas na corte do rei Luís XIV como as Mazarinettes.
Considerada uma das mulheres mais belas do século XVII, recebeu propostas de casamento do rei Charles II da Inglaterra, do duque Carlos Emanuel II de Saboia e do duque Carlos V da Lorena, mas nenhuma delas se concretizou. Em 1661, casou-se com o duque Armand Charles de La Porte, um dos homens mais ricos da Europa, com quem teve quatro filhos. Popular, brilhante e de espírito livre, Hortênsia logo se cansou do marido, conhecido por sua mesquinhez e ciúme excessivo. Ele chegou a confiná-la em um convento com sua amante lésbica, Sidonia de Courcelles. Expulsa do convento após supostamente seduzir algumas freiras, Hortênsia fugiu do marido com a ajuda de seus irmãos, Filipe e Maria Mancini.
O rei Luís XIV e dois de seus antigos pretendentes, o rei inglês e o duque de Saboia, tornaram-se seus protetores e lhe concederam generosas pensões. Nesse período, Hortênsia tornou-se amante oficial de Charles II, mas logo se cansou do relacionamento e iniciou um caso amoroso com Anne Lennard, condessa de Sussex, filha do próprio rei. Posteriormente, tornou-se amante do príncipe Luís I de Mônaco.
Durante seus últimos anos de sua vida, Hortênsia presidiu um salão literário frequentado por intelectuais, dramaturgos, teólogos e cientistas. Ela faleceu em 1699, aos 53 anos. Através de seu filho, Paul Jules de La Porte, é ancestral da atual família principesca de Mônaco.

Hortênsia foi descrita como sendo uma jovem inteligente de cabelos cacheados escuros. De acordo com a historiadora Elizabeth C. Goldsmith, Hortênsia possuia uma aspecto mais frágil que sua irmã Maria, mas ainda sim notável por sua beleza delicada. Ela foi considerada "a mulher mais bela de seu tempo, depois de Ninon de Lenclos".
Em 1930, o escritor e diplomata Mauricio López Roberts publicou dois artigos no jornal ABC sobre a Coleção de Pintura Conde de la Cimera, um dedicado à pintura do século XVII intitulada A Primavera (autor desconhecido), cujos verbetes coletados apontam como sendo uma representação de Hortênsia.
Sobre A Primavera, López Roberts escreve:
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"Uma delas, Hortênsia Mancini, que carregava o título de Duquesa de Mazarin, instituído para perpetuar a memória daquele grande homem representa aqui a primavera sob a forma de uma mulher alta, graciosa e flexível, cuja figura graciosa eleva a graça ondulante de um junco sobre uma paisagem sorridente, onde jardins floridos se aquecem no doce ar da primavera, casais elegantes passeando e brincando pelos caminhos, ao lado de fontes, perto das inúmeras e perfumadas flores. 'Mazarin preservou tal beleza em um esplêndido, fresco e florido ramo de uma roseira, onde enormes rosas abrem pomposamente a amplitude de seus cálices, sendo como uma homenagem da primavera àquela que a representa tão perfeitamente..." |
” |

Nascida em 6 de junho de 1646, em Roma, filha do barão Lorenzo Mancini e de Geronima Mazzarini, Hortênsia tinha quatro irmãs, Laura, Olímpia, Maria e Maria Ana, que, assim como ela, eram conhecidas por sua beleza. Após a morte do pai, em 1660, Hortênsia e as irmãs foram levadas de Roma para Paris. A intenção era aproveitar a influência de seu tio materno, o cardeal Mazarin, primeiro-ministro da França, para conseguir casamentos vantajosos para as jovens.
Em 1659, Charles Stuart, filho do ex-rei Charles I da Inglaterra e então exilado na França após a Guerra Civil Inglesa, pediu Hortênsia em casamento. Mazarin recusou a proposta por considerar que Charles tinha poucas perspectivas de recuperar o trono. A decisão se mostrou equivocada: poucos meses depois, Charles foi restaurado como rei da Inglaterra. Mais tarde, quando Hortênsia fugiu do marido, que era descrito como agressivo, o já rei Charles II a recebeu na corte inglesa e concedeu-lhe uma pensão de quatro mil libras.
Hortênsia também recebeu uma proposta de casamento do duque Carlos Emanuel II de Saboia. As negociações, porém, fracassaram porque Mazarin não aceitou incluir o castelo-fortaleza de Pinerolo em seu dote. Uma proposta semelhante do duque Carlos V da Lorena também foi recusada por questões relacionadas ao dote.

Em 1 de março de 1661, aos 14 anos, Hortênsia se casou com Armand Charles de La Porte, 2.º duque de La Meilleraye, um dos homens mais ricos da Europa. Após o casamento, ela passou a usar o título de duquesa de Mazarin. Quando o cardeal Mazarin faleceu, Hortênsia e o marido herdaram uma grande fortuna, incluindo o Palais Mazarin, em Paris, que abrigava uma importante coleção de obras de arte.
Entretanto, o casamento foi infeliz. Hortênsia era jovem, inteligente e tinha uma vida social ativa, enquanto Armand-Charles era descrito como extremamente ciumento, controlador e instável. Entre seus comportamentos estavam proibir as leiteiras de trabalhar por causa de sua associação entre os animais e a sexualidade, mandar arrancar os dentes da frente das criadas para evitar que atraíssem homens e danificar partes consideradas obscenas de sua coleção de arte. Ele também proibia Hortênsia de conviver com outros homens, procurava possíveis amantes escondidos durante a noite, obrigava a esposa a passar parte do dia rezando e a levou a deixar Paris para viver no campo.
Durante o casamento, Hortênsia iniciou um relacionamento lésbico com Sidonia de Courcelles. O marido tentou impedir a relação enviando as duas para um convento. A medida não funcionou. Segundo os relatos, elas flertavam com as freiras, colocavam tinta na água benta, molhavam as camas e tentavam fugir pela chaminé.

Em 13 de junho de 1668, cansada da situação, Hortênsia fugiu de casa e deixou os filhos pequenos para trás. Com a ajuda do irmão Filipe, o duque de Nevers, conseguiu cavalos e uma escolta para viajar até Roma, onde pretendia ficar com a irmã Maria, casada com um príncipe da família Colonna.
O duque de La Meilleraye reagiu entrando com uma queixa contra o duque de Nevers no Parlamento francês por ter ajudado Hortênsia a fugir. Ele também conseguiu uma ordem que permitia prendê-la caso fosse encontrada. Diante das dificuldades, Hortênsia escreveu ao marido pedindo perdão e prometendo seguir suas determinações. Ele respondeu que só consideraria recebê-la novamente depois que ela passasse dois anos em um convento. Sem dinheiro, Hortênsia começou a penhorar suas joias por valores inferiores ao que realmente valiam. Depois, voltou à França para tentar obter uma pensão sobre os bens que havia levado ao casamento. O rei Luís XIV da França declarou-se seu protetor e concedeu-lhe uma pensão anual de 24 mil libras. Seu antigo pretendente, o Carlos Emanuel II de Saboia, também ofereceu proteção. Hortênsia então se estabeleceu em Chambéry, em Saboia, onde passou a receber escritores, filósofos e artistas. Após a morte do duque, Hortênsia foi expulsa pela viúva dele, Maria Joana Batista de Saboia, por causa do relacionamento que mantinha com o falecido.
Sem a proteção do duque, Hortênsia ficou novamente sem uma fonte segura de renda. Seu marido bloqueou seus recursos, incluindo a pensão concedida por Luís XIV. Nesse período, o embaixador inglês na França, Ralph Montagu, percebeu a situação financeira de Hortênsia e decidiu ajudá-la, também com interesses próprios. Ele pretendia usá-la para melhorar sua posição junto ao rei Charles II e esperava que ela pudesse substituir a amante do monarca, Louise de Kéroualle, duquesa de Portsmouth. Hortênsia aceitou a proposta. Em 1675, viajou para Londres sob o pretexto de visitar sua sobrinha Maria de Módena, recém-casada com James, duque de Iorque, irmão mais novo de Charles II. Na viagem, Hortênsia usou roupas masculinas. Sua propensão ao travestismo é considerada por alguns historiadores como uma expressão externa de sua neutralidade de gênero. Antes mesmo de chegar à Inglaterra, Hortênsia já era conhecida entre parte da sociedade inglesa devido à publicação de uma tradução de suas memórias.

Na Inglaterra, em meados de 1676, Hortênsia conseguiu alcançar seu objetivo: ela havia tomado o lugar de Louise de Kerouaille como amante real de Charles II. O rei lhe deu uma pensão de 4.000 libras, o que ajudou bastante a melhorar sua situação financeira. Entretanto, sua posição como favorita de Charles II não durou muito, principalmente por causa da vida amorosa bastante agitada de Hortênsia. Na Inglaterra, ela chegou a receber o apelido de "a prostituta italiana". Um dos primeiros escândalos envolveu seu relacionamento, provavelmente sexual, com a condessa de Sussex, filha ilegítima do rei com a duquesa de Cleveland. A situação chegou ao ponto de as duas mulheres protagonizarem um duelo público de esgrima no St. James's Park, usando apenas camisolas. Depois disso, o marido da condessa mandou que ela fosse para o campo. Mesmo assim, quando chegou ao campo, a condessa se recusou a fazer qualquer coisa além de ficar deitada, passando o tempo beijando várias vezes uma miniatura de Hortênsia.
Posteriormente, Hortênsia começou um relacionamento com o príncipe Luís I de Mônaco. Charles II ficou furioso, protestou contra a situação e cortou sua pensão. Porém, poucos dias depois, se arrependeu e voltou a fazer os pagamentos. Mesmo assim, esse episódio marcou o fim de Hortênsia como favorita oficial do rei. Os dois continuaram amigos, mas a duquesa de Portsmouth voltou a ocupar o lugar de principal amante de Charles II até a morte do monarca. Depois da morte do rei, Hortênsia continuou recebendo apoio financeiro de James II, provavelmente por causa de sua ligação com a esposa do novo rei, Maria de Módena. Mesmo quando James fugiu da Inglaterra e William III e Mary II assumiram o poder, Hortênsia continuou recebendo sua pensão, embora o valor tivesse sido bastante reduzido.
Nesse ínterim, Hortênsia passou a comandar um famoso salão literário, frequentado por intelectuais e personalidades importantes. O lugar chegou a ser considerado um dos salões mais famosos da Europa no século XVII. Charles de Saint-Évremond, um importante poeta e epicurista, era um de seus amigos mais próximos e costumava levar até sua casa vários dos homens mais cultos de Londres. As mulheres também participavam desses encontros. Entre elas estavam Nell Gwyn, a duquesa de Cleveland e a duquesa de Portsmouth. Foi nesse ambiente que o champanhe começou a aparecer na sociedade inglesa como uma bebida da moda. As mulheres podiam jogar, conversar e conviver com dramaturgos, teólogos e cientistas, discutindo acontecimentos recentes, ideias e assuntos da época.
Hortênsia faleceu em 2 de julho de 1699, em Londres, aos 53 anos. A causa da morte pode ter sido suicídio. Seu marido se mostrou lesivo mesmo após sua morte. Ele carregou o corpo de Hortênsia com ele em suas viagens pela França, antes de finalmente permitir que ela fosse enterrada no túmulo de seu tio, o cardeal Mazarin.
As "Mémoires de la duchesse Mazarin" ("Memórias da Duquesa Mazarin") na verdade não são escritas por ela e sim obra do abade de Saint-Réal. Pierre Bayle, no entanto, não tem esta opinião; mas Pierre Des Maizeaux nos ensina que era proprietário de um exemplar da primeira e rara edição dessas memórias, de 1675, que haviam pertencido a Hortênsia e que estavam repletas de correções marginais feitas pela mão de St-Réal.
Estas "Memórias" foram reimpressas dentro do "Mélange curieux des meilleures pièces attribuées à St-Evremond" ("Coleção Curiosa das Melhores Peças Atribuídas a St-Evremond"), t. 2, e no "Recueil des œuvres de St-Réal" ("Conjunto das Obras de St-Réal"), t. 6.
Pode-se também consultar :
Foi publicado em Paris, em 1808, "La duchesse Mazarin, mémoires écrits par elle-même" ("A Duquesa Mazarin, Memórias Escritas por Ela Mesma"), in-8 et 2 vol. in-12. É uma reimpressão das "Memórias" feitas por St-Réal, e que foi desfigurada com inserções retiradas de diversas fontes que não merecem total confiança.[carece de fontes]
| Nome | Nascimento | Morte | Notas |
|---|---|---|---|
| Marie Charlotte | 1662 | 1729 | Casou-se com Louis Armand de Vignerot du Plessis, marquês de Richelieu, com descendência. |
| Marie Anne | 1663 | 1720 | Tornou-se abadessa. |
| Marie Olympe | 1665 | 1754 | Casou-se com Louis Christophe Gigault, marquês de Bellefonds, com descendência. |
| Paul Jules | 1666 | 1731 | Duque de Mazarin e de La Meilleraye. Casou-se com Félice Armande de Durfort, com descendência (incluindo Armande Félice de La Porte Mazarin, mãe das cinco famosas irmãs de Nesle, quatro das quais foram amantes do rei Luís XV da França). O filho e herdeiro de Paul Jules, Guy Jules Paul de La Porte, foi bisavô de Luísa de Aumont, esposa do príncipe Honorato IV de Mônaco. Deste casamento descendem os atuais príncipes soberanos de Mônaco. |