Instituto de Aeronáutica e Espaço

Instituto de Aeronáutica e Espaço
Pesquisa, desenvolvimento e ensaios de sistemas aeronáuticos, espaciais e de defesa.
Criação1991, por fusão do IPD com o Instituto de Atividades Espaciais
País Brasil
CorporaçãoForça Aérea Brasileira
TipoOrganização militar de ciência e tecnologia
MissãoPesquisa, serviços tecnológicos e desenvolvimento de projetos aeroespaciais e de defesa
SubordinaçãoDepartamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial
SedeSão José dos Campos, São Paulo
SiglaIAE
Página oficialiae.dcta.mil.br
Comando
DiretorEduardo Alexandre Bacelar

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) é uma organização militar de pesquisa e desenvolvimento da Força Aérea Brasileira, subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), com sede em São José dos Campos, no estado de São Paulo. Desenvolve e gerencia projetos de aeronáutica, de acesso ao espaço e de defesa, além de realizar pesquisas e prestar serviços tecnológicos nessas áreas.

O IAE resultou da fusão, em 1991, do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento com o Instituto de Atividades Espaciais, ambos do antigo Centro Técnico Aeroespacial.

Os trabalhos do IAE abrangem foguetes de sondagem, projetos de veículos lançadores, sistemas de propulsão, materiais e equipamentos aeronáuticos. Seus laboratórios também realizam ensaios para instituições de ensino, órgãos públicos e empresas.

Pesquisa e serviços tecnológicos

O IAE realiza estudos e ensaios de aerodinâmica, estruturas, propulsão, eletrônica e materiais. Entre os serviços disponíveis estão ensaios em túnel de vento, testes de vibração e fadiga estrutural, avaliação de compatibilidade eletromagnética e caracterização físico-química de materiais.

Na área de propulsão, a infraestrutura permite ensaios de câmaras de combustão de motores-foguete a propelente líquido e híbrido, avaliações de bombas e turbinas e medições da velocidade de queima de propelentes sólidos. Os bancos hidráulicos permitem testar componentes com água, enquanto os bancos de combustão empregam os propelentes do motor.

Os serviços podem ser contratados por instituições públicas e privadas, após avaliação da viabilidade técnica e da disponibilidade dos laboratórios.

História

Institutos predecessores

O Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IPD) integrou a estrutura inicial do Centro Técnico de Aeronáutica, considerado organizado a partir de 1º de janeiro de 1954. Suas pesquisas abrangiam aeronáutica, eletrônica, materiais e equipamentos para aviação. Entre os projetos desenvolvidos estavam os aviões Bandeirante e Ipanema e o planador Urupema. A formação da Embraer, em 1969, foi acompanhada da transferência de pessoal, conhecimentos e instalações da Divisão de Aeronaves do IPD para a empresa.

As atividades espaciais da Aeronáutica foram conduzidas pelo Grupo Executivo e de Trabalho e Estudos de Projetos Espaciais (GETEPE), que participou da implantação do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno e do desenvolvimento do Sonda I. Em 17 de outubro de 1969, foi iniciado o Instituto de Atividades Espaciais. Seu núcleo foi ativado em 20 de agosto de 1971, reunindo pessoal e instalações do GETEPE e do Departamento de Assuntos Especiais do IPD.

Na Missão Espacial Completa Brasileira, concebida em 1979, o IAE recebeu a tarefa de desenvolver o veículo lançador, enquanto o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ficou responsável pelos satélites. A implantação da infraestrutura de lançamento em Alcântara também coube à Aeronáutica.

Fusão e reorganização

Em 1991, o IPD e o Instituto de Atividades Espaciais foram fundidos para formar o Instituto de Aeronáutica e Espaço. Uma reestruturação iniciada em 2016 e concluída em 2018 organizou o trabalho por projetos e por serviços tecnológicos de engenharia e ensaios.

Em 18 de fevereiro de 2009, ocorreu uma sequência de explosões em um paiol do Instituto, e os prédios próximos foram evacuados. Uma pessoa sofreu ferimentos leves provocados por estilhaços de vidro.

Projetos espaciais

Foguetes de sondagem e lançadores

Modelo de um foguete VS-40 disposto horizontalmente em uma carreta de exposição ao ar livre.
Os foguetes de sondagem desenvolvidos pelo IAE transportam experimentos em voos suborbitais, como o VS-40.

O Instituto desenvolveu a família Sonda, que compreendeu os veículos Sonda I, Sonda II, Sonda III e Sonda IV. Os lançamentos desses foguetes permitiram testar tecnologias empregadas no projeto do VLS-1. Também foram desenvolvidos os veículos suborbitais VS-30, VS-40 e VSB-30.

O VSB-30 foi desenvolvido com participação do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) para transportar experimentos científicos e tecnológicos em voos suborbitais. Seu primeiro voo ocorreu em 23 de outubro de 2004, em Alcântara. Em dezembro de 2005, o veículo foi lançado pela primeira vez na Europa, a partir de Esrange, na Suécia, para o programa de experimentos em microgravidade.

Em 2012, um VS-40M lançado de Andøya, na Noruega, transportou o experimento alemão Shefex II, dedicado ao estudo de materiais e sistemas de proteção térmica para a reentrada na atmosfera.

O projeto VLS-1 foi descontinuado oficialmente no início de 2018. O desenvolvimento de lançadores passou a concentrar-se no veículo suborbital VS-50 e no VLM-1, em cooperação com o DLR. Em abril de 2026, o VLM-1 continuava em desenvolvimento sob a liderança do IAE.

Propulsão líquida

O IAE iniciou o projeto do motor L75 em 2008, e o DLR passou a colaborar em 2013. O motor foi projetado para empregar etanol e oxigênio líquido. Dois modelos de cabeçote de injeção, componente que introduz os propelentes na câmara de combustão, foram ensaiados em Lampoldshausen, na Alemanha, para comparar seu desempenho.

O projeto MFPL L25, apresentado pelo IAE em 2025, prevê um motor-foguete a propelente líquido para estágios superiores de veículos lançadores, também com oxigênio líquido e etanol. O Instituto é responsável pela concepção técnica do motor.

O Sistema de Navegação Inercial (Sisnav) foi concebido pelo IAE para estimar a posição de um veículo lançador a partir das leituras de acelerômetros e giroscópios. Em 19 de março de 2023, o equipamento foi levado como carga útil do foguete sul-coreano HANBIT-TLV, em voo suborbital a partir de Alcântara. O teste destinou-se à avaliação do sistema nas condições de vibração e temperatura do lançamento e do voo.

Formação e publicações

O IAE mantém programas de iniciação científica e tecnológica para estudantes de graduação, com projetos orientados por seus pesquisadores.

O periódico científico Journal of Aerospace Technology and Management (JATM) foi criado em 2009 e inicialmente publicado pelo IAE. Seus temas incluem materiais, propulsão, orientação de foguetes e ensaios aerodinâmicos.

Organização

O regimento interno de outubro de 2026 estabelece uma Direção, uma Vice-Direção e três subdiretorias: de Engenharia, Técnica e de Projetos. A Subdiretoria de Engenharia reúne as áreas de aerodinâmica, controle e estruturas, eletrônica, materiais, propulsão e sistemas de defesa.

Desde abril de 2026, o Instituto é dirigido pelo brigadeiro do ar Eduardo Alexandre Bacelar, que sucedeu Jorge Marques de Campos Junior.

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 «Portaria DCTA nº 593/DDO, de 2 de outubro de 2026: Regimento Interno do Instituto de Aeronáutica e Espaço». Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial. 2 de outubro de 2026. pp. Anexo I, arts. 1º a 4º e 33. Consultado em 24 de outubro de 2026
  2. 1 2 3 4 5 6 7 «Histórico». Instituto de Aeronáutica e Espaço. 18 de março de 2019. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2026
  3. ↑ «Diretor». Instituto de Aeronáutica e Espaço. 13 de abril de 2026. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 10 de maio de 2026
  4. 1 2 3 4 5 Rodolpho Vilhena de Moraes; Ana Paula Marins Chiaradia (2007). «Instituições e agências brasileiras». In: Othon Cabo Winter; Antonio Fernando Bertachini de Almeida Prado. A conquista do espaço: do Sputnik à Missão Centenário. São Paulo: Livraria da Física. pp. 128–135. ISBN 978-85-88325-89-0. Cópia arquivada em 25 de maio de 2025
  5. 1 2 «Solicitação de Prestação de Serviços Técnicos Especializados». Instituto de Aeronáutica e Espaço. 6 de março de 2026. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 10 de maio de 2026
  6. 1 2 «Catálogo de Serviços». Instituto de Aeronáutica e Espaço. 6 de março de 2026. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 21 de abril de 2026
  7. ↑ «Decreto nº 34.701, de 26 de novembro de 1953». Câmara dos Deputados. 26 de novembro de 1953. pp. arts. 1º e 3º. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 16 de outubro de 2026
  8. ↑ Antonio José Junqueira Botelho (fevereiro de 1999). «Da utopia tecnológica aos desafios da política científica e tecnológica: o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1947-1967)». Revista Brasileira de Ciências Sociais. 14 (39): 139–154. doi:10.1590/S0102-69091999000100008. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2022
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  10. ↑ «Paiol explode em centro da Aeronáutica no interior de SP». G1 São Paulo. 18 de fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 29 de janeiro de 2021
  11. ↑ Fábio Amato; Matheus Pichonelli (19 de fevereiro de 2009). «Paiol da Aeronáutica com pólvora e armas explode». Folha de S.Paulo. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 8 de junho de 2021
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  18. ↑ Rodrigo de Oliveira Andrade (1 de junho de 2023). «Startup sul-coreana é a primeira empresa privada a operar na base de Alcântara». Pesquisa FAPESP. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 2 de março de 2024
  19. ↑ «PIBIC IAE». Instituto de Aeronáutica e Espaço. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 10 de maio de 2026
  20. ↑ «Publicação aeroespacial». Pesquisa FAPESP (169). Março de 2010. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 19 de maio de 2026
  21. ↑ «Instituto de Aeronáutica e Espaço tem novo Diretor». Instituto de Aeronáutica e Espaço. 13 de abril de 2026. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 10 de maio de 2026

Leitura adicional

Ligações externas

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