Ilha

 Nota: Para outros significados de Ilha, veja Ilha (desambiguação).
Ilha
Vista aérea do arquipélago de Fernando de Noronha, com ilhas rochosas cercadas pelo oceano Atlântico
Fernando de Noronha, arquipélago oceânico brasileiro, abriga moradores e áreas protegidas onde se pesquisa geologia, biodiversidade e conservação marinha.
CategoriaAcidente geográfico
DefiniçãoPorção de terra distinta de um continente e cercada por água
OcorrênciaOceanos, mares, lagos e rios
FormaçãoVulcanismo, separação continental, recifes, sedimentação e construção humana
Tipos principaisContinentais, oceânicas, coralinas, costeiras, fluviais, lacustres e artificiais
Maior ilhaGronelândia
População insularCerca de 10% da população mundial vive em ilhas
Áreas de estudoNesografia, biogeografia insular e estudos insulares

Uma ilha é uma porção de terra distinta de um continente e inteiramente cercada por água. Algumas se separaram de massas continentais. Outras nasceram sobre a crosta oceânica e nunca fizeram parte de um continente. Vulcões, recifes de coral, sedimentos levados por rios e pelo mar e obras humanas podem formar ilhas.

Como o mar dificulta a chegada de novas plantas e animais às ilhas oceânicas, as espécies que conseguem atravessá-lo podem evoluir em isolamento. As ilhas continentais começam com a fauna e a flora da terra da qual se separaram, mas sua biota pode tornar-se muito diferente com a ação da seleção natural.

Pessoas vivem em ilhas e navegam entre elas há milhares de anos, seja porque as terras ainda se uniam ao continente por uma ponte terrestre, seja porque viajantes atravessaram o mar. Em latitudes muito altas, o gelo pode esconder a água que separa uma ilha das terras vizinhas. Cerca de 10% da população mundial vive em ilhas, que também recebem muitos viajantes atraídos por seus ambientes e culturas. A colonização europeia submeteu grande parte das ilhas do Pacífico ao controle estrangeiro. A descolonização deu independência ou autonomia a muitos territórios, mas não encerrou os problemas causados pela industrialização, pelo turismo, pelas espécies invasoras e pelos testes de armas nucleares.

Nas ilhas baixas, como as Maldivas, as Ilhas Marshall e Tuvalu, a subida do nível do mar já se soma a extremos costeiros, ciclones tropicais, branqueamento do coral e perda de biodiversidade. A mudança do clima ameaça os ecossistemas, a infraestrutura e a própria possibilidade de continuar vivendo nesses territórios.

Conceito, terminologia e dimensões

Definição e termos próximos

Uma ilha é uma área de terra cercada por água em todos os lados e distinta de um continente, mas não existe um tamanho universal que separe essas duas categorias. Essa divisão é convencional. A Austrália é tratada como o menor continente, e a Gronelândia, muito menor, como a maior ilha. Ilhas podem existir em lagos, rios e mares. Uma elevação de baixa-mar, isto é, um terreno que fica submerso durante a maré alta, em geral não entra nessa categoria. Ilhas unidas ao continente por pontes, aterros ou calçadas elevadas às vezes recebem o nome de "desinsularizadas". O sentido exato da palavra depende do uso geográfico, urbano ou jurídico.

Em português, ilha provém do catalão ou do provençal illa, derivado do latim insula, -ae. O latim insulam deu origem também ao adjetivo insular.

Direito do mar

Diagrama em português das zonas marítimas medidas a partir da costa
Uma ilha pode projetar mar territorial, zona contígua, zona econômica exclusiva e plataforma continental. Rochedos inabitáveis e ilhas artificiais seguem regras diferentes.

No direito do mar, o artigo 121 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar define ilha como uma extensão natural de terra cercada de água e acima desta na preia-mar. Em regra, uma formação desse tipo possui mar territorial, zona contígua, zona econômica exclusiva e plataforma continental calculados da mesma maneira que os de outros territórios terrestres. Rochas que não conseguem sustentar habitação humana ou atividade econômica própria não possuem zona econômica exclusiva nem plataforma continental. A convenção também separa as ilhas das elevações de baixa-mar e das ilhas artificiais, que não têm estatuto jurídico de ilha nem mar territorial próprio.

Contagem e distribuição

Mapa-múndi na projeção de Fuller com as trinta maiores ilhas destacadas
As maiores ilhas aparecem na mesma escala, o que permite comparar seus tamanhos e a divisão convencional entre ilhas e continentes.

Não existe uma contagem universal de ilhas porque o resultado muda com a resolução cartográfica, a área examinada e a forma de traçar a linha costeira. Imagens Landsat de 2014, com resolução de 30 metros, permitiram mapear 21.818 ilhas com mais de 1 km² e 318.868 abaixo desse limite.

Origem, classificação e transformação

As ilhas podem ser agrupadas por sua origem geológica, composição e relevo. Uma classificação aplicada a 1.779 ilhas do Pacífico separou o substrato em cinco grupos, vulcânico, calcário, composto, continental e superficial ou recifal. Parte deles foi dividida ainda entre formas altas e baixas. A combinação dos critérios produziu oito tipos, ilhas vulcânicas altas e baixas, calcárias altas e baixas, compostas altas e baixas, recifais e continentais. O limite de 30 metros usado nessa divisão é um critério do método, não uma definição universal.

Tipos de ilha e como se formam
TipoProcesso formador predominanteExemplos ou formas características
Oceânica vulcânicaAcúmulo de lava sobre pontos quentes, zonas de subducção ou dorsais oceânicas.Havaí e arcos insulares
ContinentalSeparação ou permanência de uma massa terrestre sobre a plataforma continental.Madagascar, arquipélago japonês e Nova Zelândia
CoralinaCrescimento de recifes e acúmulo de sedimentos sobre ou ao redor de uma base vulcânica que pode sofrer subsidência.Atóis e ilhas recifais
Costeira sedimentarDeposição e redistribuição de areia ou outros sedimentos por ondas e correntes.Ilhas-barreira
Fluvial ou lacustreErosão, sedimentação e outros processos que também formam rios e lagos.Ilha do Bananal e ilhas em lagos
ArtificialAterramento, empilhamento de materiais ou construção de estruturas de contenção.Aeroportos, áreas urbanas e instalações marítimas

Ilhas oceânicas e vulcânicas

Diagrama do movimento de uma placa tectônica sobre um ponto quente do manto, formando uma cadeia de ilhas
O magma de um ponto quente sobe do manto terrestre para a litosfera. O deslocamento da placa forma uma cadeia de vulcãos.

Muitas ilhas aparecem em arquipélagos ou cadeias insulares, e algumas dessas cadeias nascem sobre pontos quentes vulcânicos. Nesses locais, o manto sob a litosfera é mais quente que nas áreas vizinhas. O vulcanismo produz lava, que esfria e se torna parte das rochas da ilha. Quando uma placa tectônica se move sobre um ponto quente relativamente estacionário, os vulcões podem alinhar-se numa sequência. As ilhas mais distantes do ponto ativo tendem a ser mais antigas, mais erodidas e, por fim, podem ficar submersas. No arquipélago do Havaí, a formação das ilhas e a passagem para atóis na parte noroeste cobrem cerca de 28 milhões de anos, enquanto a Ilha Havaí ainda tem vulcões ativos.

Diagrama de uma placa oceânica que mergulha sob outra placa e alimenta vulcões insulares
Um arco insular pode formar-se acima de uma zona de subducção. A água liberada pela placa descendente favorece a fusão parcial do manto e a ascensão de magma.

Em limites convergentes entre placas oceânicas, uma placa pode mergulhar sob a outra e liberar água, o que favorece a fusão parcial do manto sobrejacente. O magma que alcança a superfície constrói uma cadeia curva de vulcões chamada arco insular.

Em limites divergentes, o afastamento das placas abre espaço para a ascensão do magma, que esfria e produz nova crosta basáltica nas dorsais oceânicas. Os picos vulcânicos dessas cadeias submarinas formam ilhas quando ultrapassam a superfície do mar.

Fraturas dentro das próprias placas podem produzir muitas ilhas quase ao mesmo tempo, sem a sequência de idades típica de um ponto quente. As Espórades Equatoriais, por exemplo, têm idades estimadas em torno de oito milhões de anos.

Ilhas continentais

Imagem de satélite de Madagascar separada do continente africano pelo canal de Moçambique
A longa separação de Madagascar do continente africano permitiu o desenvolvimento de uma biota muito distinta.

Quando partes de um continente se separam, podem formar cadeias de ilhas, como pode ter ocorrido com o arquipélago japonês ao se afastar da Eurásia. A expansão do fundo oceânico forma uma nova crosta oceânica e empurra a crosta mais antiga. As ilhas assentadas sobre a plataforma continental recebem o nome de ilhas continentais. Outras são as pontas emersas de massas continentais quase inteiras sob o mar, como ocorre na Nova Zelândia. Cerca de 94% de Zelândia, continente de aproximadamente 4,9 milhões de quilômetros quadrados, está submerso.

Ilhas coralinas e costeiras

Quatro cortes sucessivos mostram uma ilha vulcânica cercada por recifes que subsidia até restar um atol com laguna
No modelo clássico, o crescimento vertical do recife acompanha a subsidência da ilha vulcânica até que uma laguna central fique cercada pelo atol.

No modelo clássico de formação dos atóis, recifes de coral crescem ao redor de uma ilha vulcânica enquanto ela afunda e sofre erosão. A formação coralina recebe o nome de atol quando cerca uma laguna central. A subsidência vulcânica, porém, não explica sozinha a forma de muitos atóis. Quedas repetidas do nível do mar deixaram bancos calcários expostos à dissolução. Quando a água voltou a subir, os corais cresceram de preferência nas margens desses bancos. Muitos atóis assentam sobre bases de topo plano formadas no fim do Plioceno. sedimentos acumulados em águas rasas formam parte dos recifes e das terras que os acompanham. Em certos locais, basta um movimento tectônico elevar o recife em um metro para que os sedimentos se acumulem e criem uma ilha.

As ilha-barreiras são faixas arenosas longas que se formam paralelamente ao litoral pela deposição de sedimentos transportados pelas ondas. Elas recuam, crescem e mudam de forma conforme variam os ventos e as ondas. Também protegem áreas costeiras de condições meteorológicas severas ao absorver parte da energia das ondas antes que estas atinjam a costa.

Ilhas fluviais e lacustres

Imagem de satélite mostra dois braços do rio Araguaia contornando a extremidade norte da Ilha do Bananal
Na Ilha do Bananal, os braços do rio Araguaia delimitam uma extensa ilha fluvial no centro do Brasil.

Uma ilha fluvial nasce da erosão e da sedimentação de materiais carregados pelo rio, um processo comum em sistemas fluviais. Algumas têm poucos metros de altura e desaparecem com as mudanças da corrente, do nível da água ou da quantidade de sedimentos. Outras permanecem. A Ilha do Bananal, entre dois braços do rio Araguaia, no Tocantins, chega a cerca de 55 quilômetros de largura.

Ilhas lacustres podem surgir dos mesmos processos glaciais, tectônicos e vulcânicos que originam lagos. No Lago Mono, na Califórnia, as ilhas Paoha e Negit foram construídas por erupções de lava e cinzas e pelo soerguimento do fundo lacustre provocado pela ascensão de magma.

Transformação e ciclo de vida

Em regiões polares, o gelo marinho, as geleiras e as plataformas de gelo podem esconder a água e criar uma ligação superficial persistente entre a ilha e outra massa de terra. Na Antártida, a Ilha de Ross une-se visualmente à plataforma de gelo Ross, embora continue sendo uma formação geológica separada.

Vista aérea de ilhas baixas e canais no arquipélago de Kvarken
No Arquipélago de Kvarken, o ajuste pós-glacial faz surgir novas ilhas e une algumas das existentes.

A crosta terrestre comprimida pelo peso de antigas camadas de gelo eleva-se após o degelo e, por meio do ajuste pós-glacial, altera a configuração de arquipélagos. No Arquipélago de Kvarken, entre a Finlândia e a Suécia, esse processo faz aparecer novas ilhas, une ilhas existentes e amplia penínsulas.

À medida que as ilhas oceânicas vulcânicas crescem, sofrem erosão e afundam, podem perder área, altitude e tipos de habitat. Algumas ficam submersas, e nas regiões tropicais seus recifes podem permanecer na forma de atóis. Como essas mudanças reduzem ou alteram o espaço disponível para a vida, a idade geológica da ilha também afeta sua diversidade biológica.

Biogeografia, ecologia e evolução

A biogeografia insular estuda onde as espécies e comunidades vivem nas ilhas, enquanto a ecologia insular examina as relações entre esses seres vivos e o ambiente. Uma biota insular começa com a chegada de organismos, passa por seu estabelecimento e pelas interações entre eles e muda com a extinção e a evolução. Como as fronteiras de uma ilha costumam ser claras, é mais fácil comparar lugares parecidos que passaram por histórias diferentes. Essa condição permite investigar a seleção natural, a formação das comunidades e os processos dos ecossistemas.

Colonização e dispersão

Morcego alaranjado pendurado de cabeça para baixo em uma árvore
O morcego-das-seicheles dispersa sementes entre ilhas, uma forma de dispersão oceânica.

Como nunca estiveram unidas a um continente, as ilhas oceânicas só recebem organismos capazes de atravessar o mar, entre eles aves e morcegos que chegam pelo ar. Outros animais e sementes viajam carregados por esses vertebrados, por correntes marinhas ou sobre massas de vegetação flutuante. Essas viagens recebem o nome de dispersão oceânica. Ciclones tropicais podem transportar espécies por grandes distâncias. Tartarugas passam semanas sem alimento ou água e podem flutuar sobre detritos. Em 1995, quinze iguanas viajaram cerca de 300 quilômetros sobre árvores arrancadas por uma tempestade e chegaram a Anguila, no Caribe. Até então, não havia iguanas na ilha. As plantas também percorrem distâncias enormes. A Nova Zelândia e a Austrália compartilham cerca de duzentas espécies nativas, apesar dos aproximadamente 1.500 quilômetros que as separam.

Até o momento da separação, uma ilha continental compartilha a fauna e a flora do continente. Numa ilha oceânica, a presença de linhagens que vivem apenas em água doce e toleram pouco sal pode apoiar a hipótese de uma antiga ligação terrestre. Esse indício precisa ser examinado espécie por espécie, pois muitos peixes de riachos insulares são anfídromos. Eles se reproduzem em água doce, passam a fase larval no mar e retornam aos rios quando jovens. Após a separação, a evolução e a extinção mudam aos poucos a biota da ilha. A distribuição das árvores do gênero Nothofagus na Austrália, Nova Zelândia, América do Sul e Nova Guiné abriu duas explicações. Uma a relaciona à fragmentação de Gondwana, e a outra atribui parte dela à dispersão oceânica.

Teoria da biogeografia insular

Quatro ilhas de tamanhos e distâncias diferentes do continente, com setas representando taxas de imigração
Na teoria da biogeografia insular, ilhas maiores e mais próximas da fonte de colonizadores tendem a ter mais espécies do que ilhas menores e mais isoladas.

A teoria de Robert MacArthur e Edward O. Wilson trata a riqueza de espécies como um equilíbrio dinâmico entre imigração e extinção. O isolamento dificulta a chegada de colonizadores. A área pequena limita o tamanho das populações e aumenta o risco de desaparecimento local. Modelos posteriores acrescentaram a especiação e o ciclo geológico das ilhas oceânicas. Neles, a diversidade muda junto com a área, a altitude e os habitats enquanto a ilha cresce, sofre erosão e afunda.

Apesar do alto endemismo, a riqueza total de espécies costuma ser menor em ilhas do que em áreas continentais. A quantidade de espécies tende a aumentar com a área da ilha, relação chamada de curva espécie-área. Áreas maiores oferecem mais habitats e recursos, sustentam populações maiores e diminuem o risco de extinção local. Essas populações tendem a reter mais diversidade genética, mas a especiação depende também do isolamento, da história geológica e das oportunidades ecológicas, não apenas da capacidade de carga.

Montagem das comunidades

Mesmo depois de chegar a uma ilha, uma espécie pode não formar uma população porque barreiras de dispersão, condições ambientais, competição, predação e mutualismo filtram, em etapas sucessivas, o que consegue se estabelecer. A biota formada não é uma amostra aleatória da região de origem. Certos grupos aparecem em excesso, e outros são raros ou inexistentes. Esse padrão recebe o nome de desarmonia insular.

Quando diminui ou desaparece uma interação que restringia uma espécie, a população pode ampliar ou mudar seu nicho ecológico. Esse fenômeno recebe o nome de liberação ecológica. O conceito nasceu de observações de aves e formigas insulares e passou a orientar hipóteses sobre uso de habitat, morfologia e diversificação. Como pode abranger mecanismos diferentes, cada trabalho precisa dizer com clareza qual deles está examinando.

Traços funcionais e funcionamento dos ecossistemas

A biogeografia insular clássica dedica-se sobretudo ao número de espécies e a quais delas estão presentes, enquanto a biogeografia funcional acrescenta os chamados traços funcionais, características morfológicas e fenológicas relacionadas ao modo de vida de cada organismo. Esses traços permitem investigar quais espécies chegam, formam populações e persistem numa ilha, além das mudanças que provocam no ecossistema. Esse campo recente reúne biogeografia, ecologia funcional e evolução e abre novas perguntas para a conservação.

Grande colônia de aves marinhas em uma pequena ilha arenosa
Aves marinhas levam nutrientes do oceano para as ilhas. Parte deles volta ao mar e alcança os recifes vizinhos.

As ilhas trocam matéria e energia com o mar quando aves marinhas, por exemplo, levam para a terra nutrientes obtidos no oceano. A água que atravessa o guano pode fertilizar recifes próximos. Nas ilhas do arquipélago de Chagos sem ratos introduzidos, as aves depositaram muito mais nitrogênio. Os recifes vizinhos tinham uma biomassa total de peixes 48% maior que a encontrada perto das ilhas infestadas. Com isso, a introdução de um predador terrestre pode interromper a passagem de nutrientes entre oceano, ilha e recife.

Endemismo

Pinguim-das-galápagos nadando junto a uma costa rochosa
O pinguim-das-galápagos vive apenas nas ilhas Galápagos, condição chamada de endemismo insular.

Em biologia, endemismo é a presença de uma espécie ou de outro táxon apenas numa área geográfica. A água separa das ilhas os organismos terrestres, e a terra faz o mesmo com os organismos aquáticos que vivem nelas. Os ecossistemas insulares têm algumas das maiores proporções de endemismo do planeta, embora ocupem uma parte pequena de sua superfície. Entre as plantas vasculares avaliadas em todo o mundo, 94.052 espécies são nativas de ilhas. Elas correspondem a 31% das plantas examinadas, embora as ilhas cubram 5,3% das terras emersas. Desse total, 63.280 são endêmicas de ilhas e equivalem a 21% da biodiversidade vegetal mundial. A conservação da natureza dá prioridade às regiões que concentram muitas espécies de distribuição restrita, pois a perda de uma área pequena pode eliminar uma espécie inteira.

Radiação adaptativa

Diagrama ramificado de tentilhões com diferentes formatos de bico
A radiação adaptativa de um tentilhão ancestral em espécies com bicos distintos permitiu o uso de diferentes fontes de alimento nas ilhas Galápagos.

Quando uma linhagem chega a um arquipélago e se divide com rapidez em novas espécies ou subespécies, ocorre uma radiação adaptativa. A pouca competição e a presença de recursos diferentes dos encontrados no ambiente de origem podem favorecer ramificações evolutivas com modos distintos de obter alimento e ocupar o espaço.

Os fringilídeos de Darwin formam uma radiação de pelo menos dezoito espécies de traupídeos, dezessete nas Galápagos e uma na Ilha do Coco. Seus bicos se adaptaram a alimentos diferentes. Geospiza magnirostris quebra sementes e frutos com um bico grosso. O tentilhão-dos-cactos-de-genovesa retira polpa e flores de cactos. Certhidea olivacea come aranhas e insetos encontrados nas plantas. O mesmo processo ocorreu no Havaí, em Madagascar e também fora das ilhas.

Regra insular

Modelo em gesso e cera de uma ave grande com bico recurvado
O extinto dodô é um exemplo de gigantismo insular em relação a seus parentes voadores.

Em algumas linhagens endêmicas, o tamanho do corpo muda de modo recorrente após a chegada a uma ilha. A regra de Foster, ou regra insular, reúne duas tendências. Pequenos animais, em especial mamíferos como roedores, podem ficar maiores, fenômeno chamado de gigantismo insular. Linhagens de grandes mamíferos, entre elas as de elefantes e hipopótamos, podem originar formas menores, num processo chamado nanismo insular. As tartarugas-gigantes das Seicheles seguem a primeira tendência, embora ainda não se saiba se seus ancestrais cresceram antes ou depois de alcançar as ilhas. O padrão ocorre em mamíferos, aves e répteis e é menos claro nos anfíbios. Sua intensidade muda com o clima, a área e o isolamento da ilha. Com menos predadores e competidores, uma espécie antes pequena pode crescer. Para os animais grandes, a falta de recursos favorece indivíduos menores, que precisam de menos alimento. A ausência de predadores reduz ainda a vantagem de conservar um corpo grande.

Ilhas como modelos científicos

As ilhas visitadas por Charles Darwin, somadas às leituras e aos dados que reuniu depois da viagem, fizeram parte do caminho que o levou à teoria da seleção natural. Ele chegou às Galápagos em 1835 como naturalista do HMS Beagle, durante uma circum-navegação de cinco anos, e encontrou conjuntos de seres vivos que mudavam de uma ilha para outra. Os tentilhões se tornaram um caso conhecido de evolução e radiação adaptativa, mas não deram origem sozinhos à teoria de Darwin, como diz uma versão popular dessa história. Mais de vinte anos se passaram antes que ele publicasse suas ideias em A Origem das Espécies.

As fronteiras, a formação geológica e as possíveis áreas de origem dos colonizadores costumam ser mais fáceis de delimitar nas ilhas que nos continentes. Dados moleculares e grandes conjuntos de observações permitem examinar redes ecológicas, abundância de espécies, especiação, diversificação e processos dos ecossistemas. Os resultados alimentam teorias ecológicas e evolutivas que também se aplicam aos continentes.

Nos arquipélagos vulcânicos, ilhas e substratos de idades diferentes formam cronossequências naturais que acompanham a passagem de comunidades jovens, mais dependentes da imigração, para outras em que a diferenciação local e a especiação ganham espaço. No Havaí, artrópodes e redes formadas por plantas e herbívoros mudam em estrutura genética e ecológica ao longo dessa sequência geológica.

Seres humanos e ilhas

Povoamento e navegação

Muito antes do surgimento de Homo sapiens, outros hominínios já alcançavam ilhas oceânicas e deixaram em Flores ferramentas de pedra com pelo menos 1,02 milhão de anos. Em Sulawesi, objetos encontrados em camadas do início do Pleistoceno têm de 1,04 a 1,48 milhão de anos. Ainda não se sabe quem os produziu. Como essas ilhas da Wallacea nunca estiveram unidas ao continente, seus primeiros ocupantes precisaram atravessar o mar. Não se sabe se fizeram a viagem de propósito nem quais meios usaram. Para chegar a Flores e Timor, era preciso cruzar pelo menos 29 quilômetros de água. Algumas ilhas, como Honshu, provavelmente estiveram unidas ao continente por pontes terrestres e foram ocupadas antes de se isolarem.

Mapa com setas e datas aproximadas da expansão austronésia desde o Sudeste Asiático até ilhas do Pacífico
As setas e datas acompanham as grandes travessias dos povos austronésios até ilhas remotas do Pacífico.

Enquanto muitos povoamentos insulares anteriores exigiram travessias menores que cem quilômetros, a expansão polinésia povoou de forma planejada ilhas muito mais remotas. Os navegadores polinésios percorreram de 2.000 a 3.200 quilômetros para chegar a lugares como o Taiti. Eles cruzavam o oceano sem instrumentos de navegação recentes e procuravam terras onde fosse possível viver. Entre 1100 e 800 a.C., grupos austronésios seguiram para leste a partir da Nova Guiné e das Ilhas Salomão e chegaram a Fiji e Samoa. As viagens alcançaram a Ilha de Páscoa, a leste, e a Nova Zelândia, ao sul. Os primeiros povoamentos neozelandeses datam de aproximadamente 1250 a 1300.

Algumas ilhas remotas permaneceram vazias, enquanto outras, sobretudo no Pacífico, mantiveram populações por muito tempo. Ilhas maiores costumam oferecer mais recursos e têm maior chance de ocupação. Uma ilha pequena que não sustente sozinha uma comunidade ainda pode ser habitável se outra ilha com recursos ficar a uma distância navegável. Aves marinhas, mudanças nas nuvens e no tempo e a direção das ondas avisavam que a terra estava próxima. Alguns sítios guardam vestígios de ocupação, mas estavam vazios quando exploradores chegaram depois. Neles ocorreu uma extinção populacional local.

Nas Canárias, uma das sociedades insulares que perderam a capacidade de navegar pelo mar, os povos indígenas ficaram relativamente isolados até a conquista pelo Império Espanhol, concluída em 1496. O pouco contato com o continente e as poucas oportunidades de comércio podem ter reduzido a necessidade de embarcações.

Como não se conhecem por completo as motivações das primeiras explorações insulares, uma explicação antiga atribuía parte do povoamento ao acaso, como uma jangada levada para o mar. O povoamento de Sahul, porém, exigiu planejamento e travessias deliberadas. A busca polinésia por ilhas também pode ser comparada a expedições posteriores, como a viagem de Cristóvão Colombo pelo oceano Atlântico em procura de uma rota para as Índias Orientais. O prestígio e a riqueza dos navegadores bem-sucedidos estimulavam novas partidas, mesmo que muitas terminassem sem encontrar terra.

Colonização e descolonização

Fotografia em preto e branco de moradores embarcando com seus pertences
Os testes nucleares obrigaram moradores do Atol de Bikini a deixar a ilha e mantiveram parte de seu território inabitável.

Os contatos europeus com ilhas polinésias, micronésias e de outras regiões abriram caminho para a colonização de muitas sociedades insulares. Missões cristãs intervieram na política colonial e, em certos territórios, exerceram tarefas quase governamentais. A relação delas com chefias e outras estruturas indígenas mudou de um arquipélago para outro. A partir do século XVI, Estados europeus colocaram grande parte da Oceania sob administração colonial. A Espanha reivindicou Pohnpei no século XVI, e a ilha passou depois pelos domínios alemão, japonês e estadunidense. Em 1979, Pohnpei e outros três estados criaram constitucionalmente os Estados Federados da Micronésia. O país se tornou independente em 1986, quando entrou em vigor o tratado de livre associação com os Estados Unidos. Guam ficou sob domínio espanhol até 1898 e é um território não incorporado dos Estados Unidos.

A descolonização deu independência ou alguma forma de autogoverno a muitos Estados insulares. Os testes de armas nucleares feitos pelos Estados Unidos no norte das Ilhas Marshall, entre 1946 e 1958, contaminaram ou destruíram terras, deixaram áreas inabitáveis e causaram deslocamentos forçados. As doses de radiação aumentaram o risco estimado de câncer ao longo da vida, sobretudo entre as pessoas expostas em Rongelap e Ailinginae após o teste Castle Bravo, de 1954. No Havaí, a colonização enfraqueceu costumes e instituições culturais e transformou os havaianos nativos em minoria. Formas comunitárias de propriedade e decisão entraram em tensão com instituições econômicas capitalistas introduzidas do exterior.

Sociedades e estudos insulares

Vista aérea de Malé mostra edifícios ocupando quase toda uma pequena ilha cercada pelo oceano
Em Malé, nas Maldivas, edifícios ocupam quase toda a ilha, o que exige uso cuidadoso do espaço e da infraestrutura.

Na geografia em língua portuguesa, a nesografia é o ramo da geografia física dedicado às ilhas. Os estudos insulares formam um campo interdisciplinar que examina as ilhas em seus próprios termos. Para isso, reúne geografia, história, antropologia, ecologia, política e economia. O isolamento político e geográfico, os recursos limitados, a dependência do mar e a colonização produziram ambientes e culturas diferentes dos continentais.

Subsistência e alimentação

Frutos verdes e arredondados de uma árvore-do-pão entre folhas grandes
Em ilhas da Polinésia, a árvore-do-pão fornece um alimento rico em amido, consumido fresco ou conservado por fermentação.

A pesca fornecia grande parte da proteína consumida pelas populações polinésias e era feita perto da costa ou em águas profundas. Os rapanui navegavam até o recife de Sala y Gómez, a cerca de 500 quilômetros da ilha. Arpões, linhas e redes eram usados para capturar atuns, tubarões e raias.

Plantação de taro com grandes folhas verdes em solo úmido
Campos irrigados de taro forneceram alimento a populações permanentes em ilhas do Pacífico.

Plantas nativas e introduzidas dividiam os cultivos, e os polinésios plantavam inhame, taro, fruta-pão, banana, coco, frutas e hortaliças. O clima mudava o peso de cada alimento na dieta. O Havaí tinha campos irrigados de taro, e no Taiti cultivava-se mais fruta-pão, que podia ser conservada por fermentação. Nas Canárias, os habitantes mastigavam raízes de samambaias, que desgastavam muito seus molares. Também cultivavam cevada e criavam cabras e outros animais.

Estados, territórios e geopolítica

Mapa-múndi destaca as zonas econômicas exclusivas projetadas a partir das costas de Estados e territórios
Mesmo uma ilha pequena pode projetar uma extensa zona econômica exclusiva, com direitos sobre pesca e outros recursos marinhos.

Embora tenham pouca terra e recursos terrestres limitados, muitos países insulares controlam grandes áreas marítimas. Nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento, a zona econômica exclusiva mede, em média, 28 vezes a área terrestre. Essas águas sustentam a pesca e outros setores da economia oceânica. Cobre, ouro, níquel e petróleo estão presentes apenas em certos territórios. Os ambientes naturais atraem turistas, e a posição das ilhas permite instalar bases navais, realizar testes de armas e controlar rotas ou áreas marítimas. Na Polinésia Francesa, o auxílio e os gastos militares franceses alteraram a economia insular. O território é uma coletividade ultramarina autônoma da República Francesa. Palau, os Estados Federados da Micronésia e as Ilhas Marshall mantêm com os Estados Unidos Tratados de Livre Associação que cobrem defesa, assistência e mobilidade. As disposições financeiras foram renovadas em 2024.

Economia, transportes e turismo

As longas distâncias, os mercados internos pequenos e a dependência de poucos portos e aeroportos encarecem o transporte e a logística de muitos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. Conexões marítimas, aéreas e digitais melhores permitem diversificar a economia, cooperar com países vizinhos e resistir a crises.

Embora o clima, as culturas locais e os ambientes naturais atraiam turistas às ilhas, o acesso aéreo ou marítimo pode ser limitado e a chegada de visitantes pressiona a infraestrutura. Em climas frios, o turismo costuma ocorrer apenas em certas épocas e ocupa uma parte menor da economia. Nas ilhas tropicais, pode responder pela maior parcela da atividade econômica e do ambiente construído. Algumas ilhas dependem ainda de ajuda externa para crescer. Essa dependência pode aumentar a desigualdade social e a degradação ambiental. Quando o turismo recua, poucas atividades repõem as receitas com rapidez.

Ilhas no mundo lusófono

Brasil

O território brasileiro tem ilhas continentais, fluviais, costeiras e oceânicas, entre elas a Ilha do Bananal e o Marajó. No Marajó, as águas do rio Amazonas e de outros cursos fluviais encontram o oceano Atlântico. No Atlântico, programas científicos trabalham no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, em Fernando de Noronha, no Atol das Rocas e nas ilhas de Trindade e Martim Vaz. Esses ambientes são usados em pesquisas ecológicas e geológicas e estendem a presença marítima brasileira.

Portugal

Imagem de satélite alongada da ilha de São Miguel, com crateras, lagos e áreas urbanas
A imagem de satélite da ilha de São Miguel combina o relevo vulcânico, os lagos e a ocupação humana em uma das ilhas dos Açores.

Em Portugal, os arquipélagos dos Açores e da Madeira são formados por ilhas oceânicas vulcânicas. Erupções ocorridas em épocas diferentes deram às ilhas açorianas idades e formas distintas. Na Região Autónoma da Madeira, a atividade de pontos quentes formou a Madeira, Porto Santo, as Desertas e as Selvagens.

África e Ásia lusófonas

Vista aérea das encostas da ilha do Fogo com povoado, vegetação e fluxos escuros de lava
Na ilha do Fogo, os fluxos de lava e a grande caldeira tornam visível a origem vulcânica de Cabo Verde.

Em Cabo Verde, dez ilhas vulcânicas formadas pelo acúmulo de rochas eruptivas sobre plataformas submarinas dividem-se entre Barlavento e Sotavento. São Tomé e Príncipe, no golfo da Guiné, abrange as duas ilhas que dão nome ao país e ilhéus menores.

Na Guiné-Bissau, o Arquipélago dos Bijagós reúne 88 ilhas e ilhéus que nasceram de um antigo delta dos rios Geba e Grande. A área integra uma reserva da biosfera da UNESCO. Em 2025, seus ecossistemas costeiros e marinhos entraram na Lista do Patrimônio Mundial. É o único arquipélago deltaico ativo da costa atlântica africana. A ilha de Timor é dividida entre Timor-Leste e a Indonésia. O território timorense abrange a parte oriental da ilha e o exclave costeiro de Oecusse, na parte ocidental.

Ilhas artificiais

História e técnicas

Vista aérea de uma pequena ilha densamente construída e cercada por muros de concreto
Muros de concreto ampliaram e protegeram as margens de Hashima, uma pequena ilha natural usada para mineração.

Sociedades constroem ilhas por aterramento marítimo há séculos, como fizeram as comunidades da Lagoa Lau, nas Ilhas Salomão. Elas transportaram e empilharam rochas de coral sobre recifes rasos para erguer aproximadamente 94 ilhas. Em Al-Sayah, no Bahrein, uma instalação artificial foi construída ao redor de uma nascente submarina. Uma de suas fases de construção data dos séculos VII e VIII.

Num método antigo de construção, um revestimento de contenção segura o material do aterro para que ondas e correntes não o espalhem. Sacos de areia ou pedras são lançados de uma barcaça até o terreno ficar pouco acima da água. O interior recebe areia ou cascalho e é cercado por uma estrutura de proteção. Outra técnica monta um tubulão permanente de aço ou concreto em circuito fechado e depois o preenche com areia.

Usos e estatuto jurídico

Vista aérea de uma ilha artificial alongada ocupada por pistas de aeroporto e ligada à costa por uma ponte
O Aeroporto Internacional de Kansai, em Osaka, ocupa uma ilha artificial, e uma ponte a une à costa.

As ilhas artificiais recentes, como The Pearl-Qatar, no Catar, e as Palm Islands, em Dubai, consumiram milhões de toneladas de areia. Seus usos mais comuns são empreendimentos imobiliários, propriedades privadas e moradias. Plataformas de petróleo no mar também podem receber informalmente o nome de ilha por sua forma ou uso. Para o direito do mar, as ilhas artificiais, instalações e estruturas não são ilhas, não geram mar territorial próprio e não mudam os limites das zonas marítimas. No mar da China Meridional, a China cobriu recifes e elevações de baixa-mar com concreto para construir bases militares.

Ameaças, conservação e adaptação

Mudança do clima e habitabilidade

Rua urbana de Porto Rico coberta por água de inundação
Chuvas intensas e extremos costeiros inundaram ruas de San Juan, Porto Rico, depois do furacão Maria.

A mudança do clima ameaça quem vive nas ilhas por meio da subida do nível do mar, de extremos costeiros, de ciclones tropicais mais intensos, de chuvas fortes, do branqueamento de corais, de secas e da expansão de espécies invasoras. Em 2017, o furacão Maria danificou cerca de 90% das moradias de Dominica e interrompeu por completo o fornecimento de eletricidade. Os danos e as perdas equivaliam a 226% do produto interno bruto do país em 2016. Esses processos tornam mais difícil viver nas ilhas pequenas. O branqueamento frequente dos corais prejudica ecossistemas marinhos dos quais dependem muitas economias insulares.

Ilhas baixas podem perder área, sofrer inundações repetidas ou tornar-se inabitáveis antes de desaparecer sob o mar. O Tratado da União Falepili entre Tuvalu e a Austrália criou uma via de residência permanente para até 280 cidadãos tuvaluanos por ano. Nas Ilhas Marshall, formadas por atóis muito baixos, a elevação do mar ameaça a permanência da população no território.

Água doce e salinização

Corte de uma ilha mostrando uma lente de água doce acima da água salgada subterrânea
Em pequenas ilhas, a água subterrânea menos densa pode formar uma lente de água doce acima da água salgada.

Em muitas ilhas pequenas e atóis, a água subterrânea disponível fica em lentes rasas de água doce alimentadas pela chuva. A retirada excessiva, as secas, as ondas que atravessam a ilha durante tempestades e a elevação do nível do mar aumentam a salinidade e reduzem a parte utilizável dessas reservas. A mudança das chuvas e a intrusão salina pioram a falta de água potável, sobretudo onde há pouco armazenamento ou dessalinização.

Espécies invasoras e perda de biodiversidade

Rato-preto visto de lado sobre uma superfície clara
Ratos levados por seres humanos ameaçam espécies nativas em ilhas de muitas partes do mundo.

Quase metade das espécies terrestres ameaçadas de extinção vive em ilhas, e 1.189 vertebrados sob alto risco foram encontrados em 1.288 delas. Esse número equivale a 41% do total mundial examinado.

Tempestades tropicais podem espalhar espécies introduzidas ao transportar água, detritos e organismos entre ilhas e corpos d'água. A agricultura, o comércio e o transporte também levam organismos não nativos a ecossistemas insulares pequenos e frágeis. O crescimento do comércio e das conexões de transporte tende a aumentar a pressão das invasões biológicas. Caramujos-maçã levados aos Estados Unidos por aquaristas se espalharam pela costa do golfo do México e por ilhas vizinhas com a ajuda de furacões. Em alta densidade, as espécies invasoras competem com as nativas e podem expulsá-las de parte do ambiente.

Conservação, restauração e adaptação

Especialistas trabalham junto a caixas e equipamentos de campo durante uma operação de controle de roedores
A erradicação planejada de roedores invasores pode permitir a recuperação de plantas, aves e outras espécies nativas em ilhas tratadas.

Como o mar delimita a área ocupada, o restauro insular pode eliminar por completo uma população de vertebrados invasores e abrir espaço para a restauração ecológica. Das 1.550 tentativas de erradicação feitas em 998 ilhas, 88% das operações concluídas e sem reinvasão tiveram sucesso.

A adaptação climática nas ilhas pode proteger e recuperar ecossistemas costeiros, reforçar a infraestrutura, criar sistemas de alerta, administrar a água e, quando necessário, planejar a mudança de comunidades. As medidas escolhidas dependem do relevo, dos recursos e das instituições de cada ilha. Sua execução exige financiamento, conhecimento local e cooperação regional.

Ver também

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Notas

  1. ↑ "Convencional" não quer dizer que a distinção seja feita ao acaso. A palavra indica um acordo de uso entre geógrafos e cartógrafos, pois a natureza não oferece um tamanho exato a partir do qual uma ilha passa a ser continente.
  2. ↑ Uma ilha "desinsularizada" continua cercada por água, mas perdeu parte do isolamento prático porque ganhou uma ligação permanente, como uma ponte ou um aterro, com outra terra.
  3. ↑ Em dicionários de latim, a forma antes da vírgula é a palavra principal, e "-ae" dá parte de sua flexão gramatical. Insula significa "ilha".
  4. ↑ Preia-mar é o nível alcançado pela maré alta.
  5. ↑ A resolução cartográfica é o menor detalhe que um mapa ou uma imagem consegue distinguir. Quanto mais fino for esse detalhe, maior será a chance de pequenas ilhas entrarem na contagem.
  6. ↑ O substrato é o material geológico que forma a base física da ilha, sobre a qual se desenvolvem o solo e os ecossistemas.
  7. ↑ Subsidência é o afundamento gradual de uma parte da crosta terrestre.
  8. ↑ "Relativamente estacionário" quer dizer que, nesse modelo, o ponto quente se move muito menos que a placa situada acima dele.
  9. ↑ Um limite convergente é uma região onde duas placas tectônicas se movem uma em direção à outra.
  10. ↑ Num limite divergente, as placas tectônicas se afastam e o material quente do interior da Terra pode ocupar o espaço aberto entre elas.
  11. ↑ Biota é o conjunto dos seres vivos que habitam determinado lugar.
  12. ↑ Essa elevação é muito lenta na escala da vida humana. Ela ocorre porque a crosta deixa de suportar o enorme peso do gelo que a pressionava.
  13. ↑ A idade geológica acompanha o tempo de formação e transformação da ilha. Não se trata da idade dos seres vivos que moram nela.
  14. ↑ Essas comparações lembram um experimento natural, embora duas ilhas nunca sejam cópias exatas uma da outra.
  15. ↑ Essas massas são jangadas naturais feitas de troncos, raízes e plantas arrancados das margens ou da costa, muitas vezes durante uma tempestade.
  16. ↑ "Anfídromo" é o organismo cujo ciclo de vida alterna água doce e marinha, sem que a ida ao mar tenha como objetivo a reprodução.
  17. ↑ O equilíbrio é "dinâmico" porque as espécies continuam chegando e desaparecendo. O total pode ficar parecido mesmo quando as espécies presentes mudam.
  18. ↑ Desaparecimento local significa que a espécie deixou de existir naquela ilha, mesmo que ainda viva em outros lugares.
  19. ↑ A palavra "filtros" é uma comparação. Em cada etapa, algumas espécies avançam e outras não. Uma semente pode alcançar a ilha, por exemplo, mas não encontrar solo ou clima adequados para germinar.
  20. ↑ Aqui, "desarmonia" não é um julgamento negativo. A palavra quer dizer que os grupos de organismos aparecem em proporções diferentes das encontradas na região de origem.
  21. ↑ O tamanho do corpo, a forma das sementes e a época de floração são traços funcionais. Eles permitem comparar como os organismos usam recursos e alteram o ambiente.
  22. ↑ Biomassa total é a soma estimada da massa de todos os peixes considerados numa área, não apenas sua quantidade.
  23. ↑ Táxon é qualquer grupo usado numa classificação biológica, como uma espécie, um gênero ou uma família.
  24. ↑ Uma linhagem é uma sequência de populações ou espécies que descendem de ancestrais comuns.
  25. ↑ São informações obtidas de moléculas dos organismos, sobretudo do DNA. Elas permitem comparar parentesco, diversidade genética e mudanças nas populações.
  26. ↑ Aqui, "colonização" tem o sentido arqueológico de fundar e manter povoamentos em novas terras. Não se refere ao domínio imperial europeu tratado na seção seguinte.
  27. ↑ A expressão quer dizer que o povoamento deixou de existir naquele lugar. Isso pode ter ocorrido por mortes, migração ou uma combinação das duas, sem que todos os descendentes daquele povo tenham desaparecido.
  28. ↑ Nesse tipo de acordo, um Estado soberano mantém governo próprio, mas divide com outro país responsabilidades específicas, como defesa, ajuda financeira ou mobilidade.
  29. ↑ Um campo interdisciplinar reúne perguntas e métodos de áreas diferentes. Estudar uma ilha pode exigir atenção ao ambiente físico, à economia e ao modo como vivem seus habitantes.
  30. ↑ Rapanui é o nome do povo indígena, de sua cultura e de sua língua na ilha também conhecida como Ilha de Páscoa. Na língua local, a própria ilha se chama Rapa Nui.
  31. ↑ A posição geopolítica de um território afeta relações de poder, segurança, comércio e controle de rotas.
  32. ↑ Resiliência é a capacidade de se preparar para choques, reduzir os danos e recuperar serviços e atividades depois deles.
  33. ↑ Madeira e Açores são partes de Portugal, mas possuem governos e assembleias regionais com competências próprias. Não são países independentes.
  34. ↑ Uma reserva da biosfera procura conciliar proteção da natureza, pesquisa e uso sustentável. Ela não precisa ser fechada à presença ou às atividades humanas.
  35. ↑ Um exclave é uma parte de um território separada do restante dele. O governo timorense também chama Oecusse de enclave. Como a região tem litoral no mar de Savu, ela não é inteiramente cercada pela Indonésia.
  36. ↑ O revestimento é uma barreira colocada ao redor do aterro.
  37. ↑ Barcaça é uma embarcação larga e de fundo quase plano, própria para transportar cargas pesadas em rios, portos ou águas costeiras.
  38. ↑ Extremos costeiros são eventos incomuns ou muito intensos junto ao litoral, como marés de tempestade, ondas grandes e inundações.
  39. ↑ A intrusão salina ocorre quando a água do mar avança para aquíferos ou solos antes abastecidos por água doce.
  40. ↑ Dessalinizar é retirar sais da água do mar ou da água salobra para torná-la própria para consumo ou outros usos.
  41. ↑ Erradicar uma espécie invasora de uma ilha significa removê-la daquele local. A espécie pode continuar existindo em outras partes do mundo.
  42. ↑ Mobilidade planejada é a mudança organizada e antecipada de pessoas ou comunidades quando ficar no local se torna arriscado demais. Ela procura evitar deslocamentos de emergência e reduzir perdas sociais e culturais.

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Leitura adicional

Ligações externas