| Ilha | |
|---|---|
Fernando de Noronha, arquipélago oceânico brasileiro, abriga moradores e áreas protegidas onde se pesquisa geologia, biodiversidade e conservação marinha. | |
| Categoria | Acidente geográfico |
| Definição | Porção de terra distinta de um continente e cercada por água |
| Ocorrência | Oceanos, mares, lagos e rios |
| Formação | Vulcanismo, separação continental, recifes, sedimentação e construção humana |
| Tipos principais | Continentais, oceânicas, coralinas, costeiras, fluviais, lacustres e artificiais |
| Maior ilha | Gronelândia |
| População insular | Cerca de 10% da população mundial vive em ilhas |
| Áreas de estudo | Nesografia, biogeografia insular e estudos insulares |
Uma ilha é uma porção de terra distinta de um continente e inteiramente cercada por água. Algumas se separaram de massas continentais. Outras nasceram sobre a crosta oceânica e nunca fizeram parte de um continente. Vulcões, recifes de coral, sedimentos levados por rios e pelo mar e obras humanas podem formar ilhas.
Como o mar dificulta a chegada de novas plantas e animais às ilhas oceânicas, as espécies que conseguem atravessá-lo podem evoluir em isolamento. As ilhas continentais começam com a fauna e a flora da terra da qual se separaram, mas sua biota pode tornar-se muito diferente com a ação da seleção natural.
Pessoas vivem em ilhas e navegam entre elas há milhares de anos, seja porque as terras ainda se uniam ao continente por uma ponte terrestre, seja porque viajantes atravessaram o mar. Em latitudes muito altas, o gelo pode esconder a água que separa uma ilha das terras vizinhas. Cerca de 10% da população mundial vive em ilhas, que também recebem muitos viajantes atraídos por seus ambientes e culturas. A colonização europeia submeteu grande parte das ilhas do Pacífico ao controle estrangeiro. A descolonização deu independência ou autonomia a muitos territórios, mas não encerrou os problemas causados pela industrialização, pelo turismo, pelas espécies invasoras e pelos testes de armas nucleares.
Nas ilhas baixas, como as Maldivas, as Ilhas Marshall e Tuvalu, a subida do nível do mar já se soma a extremos costeiros, ciclones tropicais, branqueamento do coral e perda de biodiversidade. A mudança do clima ameaça os ecossistemas, a infraestrutura e a própria possibilidade de continuar vivendo nesses territórios.
Uma ilha é uma área de terra cercada por água em todos os lados e distinta de um continente, mas não existe um tamanho universal que separe essas duas categorias. Essa divisão é convencional. A Austrália é tratada como o menor continente, e a Gronelândia, muito menor, como a maior ilha. Ilhas podem existir em lagos, rios e mares. Uma elevação de baixa-mar, isto é, um terreno que fica submerso durante a maré alta, em geral não entra nessa categoria. Ilhas unidas ao continente por pontes, aterros ou calçadas elevadas às vezes recebem o nome de "desinsularizadas". O sentido exato da palavra depende do uso geográfico, urbano ou jurídico.
Em português, ilha provém do catalão ou do provençal illa, derivado do latim insula, -ae. O latim insulam deu origem também ao adjetivo insular.

No direito do mar, o artigo 121 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar define ilha como uma extensão natural de terra cercada de água e acima desta na preia-mar. Em regra, uma formação desse tipo possui mar territorial, zona contígua, zona econômica exclusiva e plataforma continental calculados da mesma maneira que os de outros territórios terrestres. Rochas que não conseguem sustentar habitação humana ou atividade econômica própria não possuem zona econômica exclusiva nem plataforma continental. A convenção também separa as ilhas das elevações de baixa-mar e das ilhas artificiais, que não têm estatuto jurídico de ilha nem mar territorial próprio.

Não existe uma contagem universal de ilhas porque o resultado muda com a resolução cartográfica, a área examinada e a forma de traçar a linha costeira. Imagens Landsat de 2014, com resolução de 30 metros, permitiram mapear 21.818 ilhas com mais de 1 km² e 318.868 abaixo desse limite.
As ilhas podem ser agrupadas por sua origem geológica, composição e relevo. Uma classificação aplicada a 1.779 ilhas do Pacífico separou o substrato em cinco grupos, vulcânico, calcário, composto, continental e superficial ou recifal. Parte deles foi dividida ainda entre formas altas e baixas. A combinação dos critérios produziu oito tipos, ilhas vulcânicas altas e baixas, calcárias altas e baixas, compostas altas e baixas, recifais e continentais. O limite de 30 metros usado nessa divisão é um critério do método, não uma definição universal.
| Tipo | Processo formador predominante | Exemplos ou formas características |
|---|---|---|
| Oceânica vulcânica | Acúmulo de lava sobre pontos quentes, zonas de subducção ou dorsais oceânicas. | Havaí e arcos insulares |
| Continental | Separação ou permanência de uma massa terrestre sobre a plataforma continental. | Madagascar, arquipélago japonês e Nova Zelândia |
| Coralina | Crescimento de recifes e acúmulo de sedimentos sobre ou ao redor de uma base vulcânica que pode sofrer subsidência. | Atóis e ilhas recifais |
| Costeira sedimentar | Deposição e redistribuição de areia ou outros sedimentos por ondas e correntes. | Ilhas-barreira |
| Fluvial ou lacustre | Erosão, sedimentação e outros processos que também formam rios e lagos. | Ilha do Bananal e ilhas em lagos |
| Artificial | Aterramento, empilhamento de materiais ou construção de estruturas de contenção. | Aeroportos, áreas urbanas e instalações marítimas |

Muitas ilhas aparecem em arquipélagos ou cadeias insulares, e algumas dessas cadeias nascem sobre pontos quentes vulcânicos. Nesses locais, o manto sob a litosfera é mais quente que nas áreas vizinhas. O vulcanismo produz lava, que esfria e se torna parte das rochas da ilha. Quando uma placa tectônica se move sobre um ponto quente relativamente estacionário, os vulcões podem alinhar-se numa sequência. As ilhas mais distantes do ponto ativo tendem a ser mais antigas, mais erodidas e, por fim, podem ficar submersas. No arquipélago do Havaí, a formação das ilhas e a passagem para atóis na parte noroeste cobrem cerca de 28 milhões de anos, enquanto a Ilha Havaí ainda tem vulcões ativos.

Em limites convergentes entre placas oceânicas, uma placa pode mergulhar sob a outra e liberar água, o que favorece a fusão parcial do manto sobrejacente. O magma que alcança a superfície constrói uma cadeia curva de vulcões chamada arco insular.
Em limites divergentes, o afastamento das placas abre espaço para a ascensão do magma, que esfria e produz nova crosta basáltica nas dorsais oceânicas. Os picos vulcânicos dessas cadeias submarinas formam ilhas quando ultrapassam a superfície do mar.
Fraturas dentro das próprias placas podem produzir muitas ilhas quase ao mesmo tempo, sem a sequência de idades típica de um ponto quente. As Espórades Equatoriais, por exemplo, têm idades estimadas em torno de oito milhões de anos.

Quando partes de um continente se separam, podem formar cadeias de ilhas, como pode ter ocorrido com o arquipélago japonês ao se afastar da Eurásia. A expansão do fundo oceânico forma uma nova crosta oceânica e empurra a crosta mais antiga. As ilhas assentadas sobre a plataforma continental recebem o nome de ilhas continentais. Outras são as pontas emersas de massas continentais quase inteiras sob o mar, como ocorre na Nova Zelândia. Cerca de 94% de Zelândia, continente de aproximadamente 4,9 milhões de quilômetros quadrados, está submerso.

No modelo clássico de formação dos atóis, recifes de coral crescem ao redor de uma ilha vulcânica enquanto ela afunda e sofre erosão. A formação coralina recebe o nome de atol quando cerca uma laguna central. A subsidência vulcânica, porém, não explica sozinha a forma de muitos atóis. Quedas repetidas do nível do mar deixaram bancos calcários expostos à dissolução. Quando a água voltou a subir, os corais cresceram de preferência nas margens desses bancos. Muitos atóis assentam sobre bases de topo plano formadas no fim do Plioceno. sedimentos acumulados em águas rasas formam parte dos recifes e das terras que os acompanham. Em certos locais, basta um movimento tectônico elevar o recife em um metro para que os sedimentos se acumulem e criem uma ilha.
As ilha-barreiras são faixas arenosas longas que se formam paralelamente ao litoral pela deposição de sedimentos transportados pelas ondas. Elas recuam, crescem e mudam de forma conforme variam os ventos e as ondas. Também protegem áreas costeiras de condições meteorológicas severas ao absorver parte da energia das ondas antes que estas atinjam a costa.

Uma ilha fluvial nasce da erosão e da sedimentação de materiais carregados pelo rio, um processo comum em sistemas fluviais. Algumas têm poucos metros de altura e desaparecem com as mudanças da corrente, do nível da água ou da quantidade de sedimentos. Outras permanecem. A Ilha do Bananal, entre dois braços do rio Araguaia, no Tocantins, chega a cerca de 55 quilômetros de largura.
Ilhas lacustres podem surgir dos mesmos processos glaciais, tectônicos e vulcânicos que originam lagos. No Lago Mono, na Califórnia, as ilhas Paoha e Negit foram construídas por erupções de lava e cinzas e pelo soerguimento do fundo lacustre provocado pela ascensão de magma.
Em regiões polares, o gelo marinho, as geleiras e as plataformas de gelo podem esconder a água e criar uma ligação superficial persistente entre a ilha e outra massa de terra. Na Antártida, a Ilha de Ross une-se visualmente à plataforma de gelo Ross, embora continue sendo uma formação geológica separada.

A crosta terrestre comprimida pelo peso de antigas camadas de gelo eleva-se após o degelo e, por meio do ajuste pós-glacial, altera a configuração de arquipélagos. No Arquipélago de Kvarken, entre a Finlândia e a Suécia, esse processo faz aparecer novas ilhas, une ilhas existentes e amplia penínsulas.
À medida que as ilhas oceânicas vulcânicas crescem, sofrem erosão e afundam, podem perder área, altitude e tipos de habitat. Algumas ficam submersas, e nas regiões tropicais seus recifes podem permanecer na forma de atóis. Como essas mudanças reduzem ou alteram o espaço disponível para a vida, a idade geológica da ilha também afeta sua diversidade biológica.
A biogeografia insular estuda onde as espécies e comunidades vivem nas ilhas, enquanto a ecologia insular examina as relações entre esses seres vivos e o ambiente. Uma biota insular começa com a chegada de organismos, passa por seu estabelecimento e pelas interações entre eles e muda com a extinção e a evolução. Como as fronteiras de uma ilha costumam ser claras, é mais fácil comparar lugares parecidos que passaram por histórias diferentes. Essa condição permite investigar a seleção natural, a formação das comunidades e os processos dos ecossistemas.

Como nunca estiveram unidas a um continente, as ilhas oceânicas só recebem organismos capazes de atravessar o mar, entre eles aves e morcegos que chegam pelo ar. Outros animais e sementes viajam carregados por esses vertebrados, por correntes marinhas ou sobre massas de vegetação flutuante. Essas viagens recebem o nome de dispersão oceânica. Ciclones tropicais podem transportar espécies por grandes distâncias. Tartarugas passam semanas sem alimento ou água e podem flutuar sobre detritos. Em 1995, quinze iguanas viajaram cerca de 300 quilômetros sobre árvores arrancadas por uma tempestade e chegaram a Anguila, no Caribe. Até então, não havia iguanas na ilha. As plantas também percorrem distâncias enormes. A Nova Zelândia e a Austrália compartilham cerca de duzentas espécies nativas, apesar dos aproximadamente 1.500 quilômetros que as separam.
Até o momento da separação, uma ilha continental compartilha a fauna e a flora do continente. Numa ilha oceânica, a presença de linhagens que vivem apenas em água doce e toleram pouco sal pode apoiar a hipótese de uma antiga ligação terrestre. Esse indício precisa ser examinado espécie por espécie, pois muitos peixes de riachos insulares são anfídromos. Eles se reproduzem em água doce, passam a fase larval no mar e retornam aos rios quando jovens. Após a separação, a evolução e a extinção mudam aos poucos a biota da ilha. A distribuição das árvores do gênero Nothofagus na Austrália, Nova Zelândia, América do Sul e Nova Guiné abriu duas explicações. Uma a relaciona à fragmentação de Gondwana, e a outra atribui parte dela à dispersão oceânica.

A teoria de Robert MacArthur e Edward O. Wilson trata a riqueza de espécies como um equilíbrio dinâmico entre imigração e extinção. O isolamento dificulta a chegada de colonizadores. A área pequena limita o tamanho das populações e aumenta o risco de desaparecimento local. Modelos posteriores acrescentaram a especiação e o ciclo geológico das ilhas oceânicas. Neles, a diversidade muda junto com a área, a altitude e os habitats enquanto a ilha cresce, sofre erosão e afunda.
Apesar do alto endemismo, a riqueza total de espécies costuma ser menor em ilhas do que em áreas continentais. A quantidade de espécies tende a aumentar com a área da ilha, relação chamada de curva espécie-área. Áreas maiores oferecem mais habitats e recursos, sustentam populações maiores e diminuem o risco de extinção local. Essas populações tendem a reter mais diversidade genética, mas a especiação depende também do isolamento, da história geológica e das oportunidades ecológicas, não apenas da capacidade de carga.
Mesmo depois de chegar a uma ilha, uma espécie pode não formar uma população porque barreiras de dispersão, condições ambientais, competição, predação e mutualismo filtram, em etapas sucessivas, o que consegue se estabelecer. A biota formada não é uma amostra aleatória da região de origem. Certos grupos aparecem em excesso, e outros são raros ou inexistentes. Esse padrão recebe o nome de desarmonia insular.
Quando diminui ou desaparece uma interação que restringia uma espécie, a população pode ampliar ou mudar seu nicho ecológico. Esse fenômeno recebe o nome de liberação ecológica. O conceito nasceu de observações de aves e formigas insulares e passou a orientar hipóteses sobre uso de habitat, morfologia e diversificação. Como pode abranger mecanismos diferentes, cada trabalho precisa dizer com clareza qual deles está examinando.
A biogeografia insular clássica dedica-se sobretudo ao número de espécies e a quais delas estão presentes, enquanto a biogeografia funcional acrescenta os chamados traços funcionais, características morfológicas e fenológicas relacionadas ao modo de vida de cada organismo. Esses traços permitem investigar quais espécies chegam, formam populações e persistem numa ilha, além das mudanças que provocam no ecossistema. Esse campo recente reúne biogeografia, ecologia funcional e evolução e abre novas perguntas para a conservação.
As ilhas trocam matéria e energia com o mar quando aves marinhas, por exemplo, levam para a terra nutrientes obtidos no oceano. A água que atravessa o guano pode fertilizar recifes próximos. Nas ilhas do arquipélago de Chagos sem ratos introduzidos, as aves depositaram muito mais nitrogênio. Os recifes vizinhos tinham uma biomassa total de peixes 48% maior que a encontrada perto das ilhas infestadas. Com isso, a introdução de um predador terrestre pode interromper a passagem de nutrientes entre oceano, ilha e recife.

Em biologia, endemismo é a presença de uma espécie ou de outro táxon apenas numa área geográfica. A água separa das ilhas os organismos terrestres, e a terra faz o mesmo com os organismos aquáticos que vivem nelas. Os ecossistemas insulares têm algumas das maiores proporções de endemismo do planeta, embora ocupem uma parte pequena de sua superfície. Entre as plantas vasculares avaliadas em todo o mundo, 94.052 espécies são nativas de ilhas. Elas correspondem a 31% das plantas examinadas, embora as ilhas cubram 5,3% das terras emersas. Desse total, 63.280 são endêmicas de ilhas e equivalem a 21% da biodiversidade vegetal mundial. A conservação da natureza dá prioridade às regiões que concentram muitas espécies de distribuição restrita, pois a perda de uma área pequena pode eliminar uma espécie inteira.

Quando uma linhagem chega a um arquipélago e se divide com rapidez em novas espécies ou subespécies, ocorre uma radiação adaptativa. A pouca competição e a presença de recursos diferentes dos encontrados no ambiente de origem podem favorecer ramificações evolutivas com modos distintos de obter alimento e ocupar o espaço.
Os fringilídeos de Darwin formam uma radiação de pelo menos dezoito espécies de traupídeos, dezessete nas Galápagos e uma na Ilha do Coco. Seus bicos se adaptaram a alimentos diferentes. Geospiza magnirostris quebra sementes e frutos com um bico grosso. O tentilhão-dos-cactos-de-genovesa retira polpa e flores de cactos. Certhidea olivacea come aranhas e insetos encontrados nas plantas. O mesmo processo ocorreu no Havaí, em Madagascar e também fora das ilhas.

Em algumas linhagens endêmicas, o tamanho do corpo muda de modo recorrente após a chegada a uma ilha. A regra de Foster, ou regra insular, reúne duas tendências. Pequenos animais, em especial mamíferos como roedores, podem ficar maiores, fenômeno chamado de gigantismo insular. Linhagens de grandes mamíferos, entre elas as de elefantes e hipopótamos, podem originar formas menores, num processo chamado nanismo insular. As tartarugas-gigantes das Seicheles seguem a primeira tendência, embora ainda não se saiba se seus ancestrais cresceram antes ou depois de alcançar as ilhas. O padrão ocorre em mamíferos, aves e répteis e é menos claro nos anfíbios. Sua intensidade muda com o clima, a área e o isolamento da ilha. Com menos predadores e competidores, uma espécie antes pequena pode crescer. Para os animais grandes, a falta de recursos favorece indivíduos menores, que precisam de menos alimento. A ausência de predadores reduz ainda a vantagem de conservar um corpo grande.
As ilhas visitadas por Charles Darwin, somadas às leituras e aos dados que reuniu depois da viagem, fizeram parte do caminho que o levou à teoria da seleção natural. Ele chegou às Galápagos em 1835 como naturalista do HMS Beagle, durante uma circum-navegação de cinco anos, e encontrou conjuntos de seres vivos que mudavam de uma ilha para outra. Os tentilhões se tornaram um caso conhecido de evolução e radiação adaptativa, mas não deram origem sozinhos à teoria de Darwin, como diz uma versão popular dessa história. Mais de vinte anos se passaram antes que ele publicasse suas ideias em A Origem das Espécies.
As fronteiras, a formação geológica e as possíveis áreas de origem dos colonizadores costumam ser mais fáceis de delimitar nas ilhas que nos continentes. Dados moleculares e grandes conjuntos de observações permitem examinar redes ecológicas, abundância de espécies, especiação, diversificação e processos dos ecossistemas. Os resultados alimentam teorias ecológicas e evolutivas que também se aplicam aos continentes.
Nos arquipélagos vulcânicos, ilhas e substratos de idades diferentes formam cronossequências naturais que acompanham a passagem de comunidades jovens, mais dependentes da imigração, para outras em que a diferenciação local e a especiação ganham espaço. No Havaí, artrópodes e redes formadas por plantas e herbívoros mudam em estrutura genética e ecológica ao longo dessa sequência geológica.
Muito antes do surgimento de Homo sapiens, outros hominínios já alcançavam ilhas oceânicas e deixaram em Flores ferramentas de pedra com pelo menos 1,02 milhão de anos. Em Sulawesi, objetos encontrados em camadas do início do Pleistoceno têm de 1,04 a 1,48 milhão de anos. Ainda não se sabe quem os produziu. Como essas ilhas da Wallacea nunca estiveram unidas ao continente, seus primeiros ocupantes precisaram atravessar o mar. Não se sabe se fizeram a viagem de propósito nem quais meios usaram. Para chegar a Flores e Timor, era preciso cruzar pelo menos 29 quilômetros de água. Algumas ilhas, como Honshu, provavelmente estiveram unidas ao continente por pontes terrestres e foram ocupadas antes de se isolarem.

Enquanto muitos povoamentos insulares anteriores exigiram travessias menores que cem quilômetros, a expansão polinésia povoou de forma planejada ilhas muito mais remotas. Os navegadores polinésios percorreram de 2.000 a 3.200 quilômetros para chegar a lugares como o Taiti. Eles cruzavam o oceano sem instrumentos de navegação recentes e procuravam terras onde fosse possível viver. Entre 1100 e 800 a.C., grupos austronésios seguiram para leste a partir da Nova Guiné e das Ilhas Salomão e chegaram a Fiji e Samoa. As viagens alcançaram a Ilha de Páscoa, a leste, e a Nova Zelândia, ao sul. Os primeiros povoamentos neozelandeses datam de aproximadamente 1250 a 1300.
Algumas ilhas remotas permaneceram vazias, enquanto outras, sobretudo no Pacífico, mantiveram populações por muito tempo. Ilhas maiores costumam oferecer mais recursos e têm maior chance de ocupação. Uma ilha pequena que não sustente sozinha uma comunidade ainda pode ser habitável se outra ilha com recursos ficar a uma distância navegável. Aves marinhas, mudanças nas nuvens e no tempo e a direção das ondas avisavam que a terra estava próxima. Alguns sítios guardam vestígios de ocupação, mas estavam vazios quando exploradores chegaram depois. Neles ocorreu uma extinção populacional local.
Nas Canárias, uma das sociedades insulares que perderam a capacidade de navegar pelo mar, os povos indígenas ficaram relativamente isolados até a conquista pelo Império Espanhol, concluída em 1496. O pouco contato com o continente e as poucas oportunidades de comércio podem ter reduzido a necessidade de embarcações.
Como não se conhecem por completo as motivações das primeiras explorações insulares, uma explicação antiga atribuía parte do povoamento ao acaso, como uma jangada levada para o mar. O povoamento de Sahul, porém, exigiu planejamento e travessias deliberadas. A busca polinésia por ilhas também pode ser comparada a expedições posteriores, como a viagem de Cristóvão Colombo pelo oceano Atlântico em procura de uma rota para as Índias Orientais. O prestígio e a riqueza dos navegadores bem-sucedidos estimulavam novas partidas, mesmo que muitas terminassem sem encontrar terra.

Os contatos europeus com ilhas polinésias, micronésias e de outras regiões abriram caminho para a colonização de muitas sociedades insulares. Missões cristãs intervieram na política colonial e, em certos territórios, exerceram tarefas quase governamentais. A relação delas com chefias e outras estruturas indígenas mudou de um arquipélago para outro. A partir do século XVI, Estados europeus colocaram grande parte da Oceania sob administração colonial. A Espanha reivindicou Pohnpei no século XVI, e a ilha passou depois pelos domínios alemão, japonês e estadunidense. Em 1979, Pohnpei e outros três estados criaram constitucionalmente os Estados Federados da Micronésia. O país se tornou independente em 1986, quando entrou em vigor o tratado de livre associação com os Estados Unidos. Guam ficou sob domínio espanhol até 1898 e é um território não incorporado dos Estados Unidos.
A descolonização deu independência ou alguma forma de autogoverno a muitos Estados insulares. Os testes de armas nucleares feitos pelos Estados Unidos no norte das Ilhas Marshall, entre 1946 e 1958, contaminaram ou destruíram terras, deixaram áreas inabitáveis e causaram deslocamentos forçados. As doses de radiação aumentaram o risco estimado de câncer ao longo da vida, sobretudo entre as pessoas expostas em Rongelap e Ailinginae após o teste Castle Bravo, de 1954. No Havaí, a colonização enfraqueceu costumes e instituições culturais e transformou os havaianos nativos em minoria. Formas comunitárias de propriedade e decisão entraram em tensão com instituições econômicas capitalistas introduzidas do exterior.

Na geografia em língua portuguesa, a nesografia é o ramo da geografia física dedicado às ilhas. Os estudos insulares formam um campo interdisciplinar que examina as ilhas em seus próprios termos. Para isso, reúne geografia, história, antropologia, ecologia, política e economia. O isolamento político e geográfico, os recursos limitados, a dependência do mar e a colonização produziram ambientes e culturas diferentes dos continentais.
A pesca fornecia grande parte da proteína consumida pelas populações polinésias e era feita perto da costa ou em águas profundas. Os rapanui navegavam até o recife de Sala y Gómez, a cerca de 500 quilômetros da ilha. Arpões, linhas e redes eram usados para capturar atuns, tubarões e raias.

Plantas nativas e introduzidas dividiam os cultivos, e os polinésios plantavam inhame, taro, fruta-pão, banana, coco, frutas e hortaliças. O clima mudava o peso de cada alimento na dieta. O Havaí tinha campos irrigados de taro, e no Taiti cultivava-se mais fruta-pão, que podia ser conservada por fermentação. Nas Canárias, os habitantes mastigavam raízes de samambaias, que desgastavam muito seus molares. Também cultivavam cevada e criavam cabras e outros animais.

Embora tenham pouca terra e recursos terrestres limitados, muitos países insulares controlam grandes áreas marítimas. Nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento, a zona econômica exclusiva mede, em média, 28 vezes a área terrestre. Essas águas sustentam a pesca e outros setores da economia oceânica. Cobre, ouro, níquel e petróleo estão presentes apenas em certos territórios. Os ambientes naturais atraem turistas, e a posição das ilhas permite instalar bases navais, realizar testes de armas e controlar rotas ou áreas marítimas. Na Polinésia Francesa, o auxílio e os gastos militares franceses alteraram a economia insular. O território é uma coletividade ultramarina autônoma da República Francesa. Palau, os Estados Federados da Micronésia e as Ilhas Marshall mantêm com os Estados Unidos Tratados de Livre Associação que cobrem defesa, assistência e mobilidade. As disposições financeiras foram renovadas em 2024.
As longas distâncias, os mercados internos pequenos e a dependência de poucos portos e aeroportos encarecem o transporte e a logística de muitos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. Conexões marítimas, aéreas e digitais melhores permitem diversificar a economia, cooperar com países vizinhos e resistir a crises.
Embora o clima, as culturas locais e os ambientes naturais atraiam turistas às ilhas, o acesso aéreo ou marítimo pode ser limitado e a chegada de visitantes pressiona a infraestrutura. Em climas frios, o turismo costuma ocorrer apenas em certas épocas e ocupa uma parte menor da economia. Nas ilhas tropicais, pode responder pela maior parcela da atividade econômica e do ambiente construído. Algumas ilhas dependem ainda de ajuda externa para crescer. Essa dependência pode aumentar a desigualdade social e a degradação ambiental. Quando o turismo recua, poucas atividades repõem as receitas com rapidez.
O território brasileiro tem ilhas continentais, fluviais, costeiras e oceânicas, entre elas a Ilha do Bananal e o Marajó. No Marajó, as águas do rio Amazonas e de outros cursos fluviais encontram o oceano Atlântico. No Atlântico, programas científicos trabalham no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, em Fernando de Noronha, no Atol das Rocas e nas ilhas de Trindade e Martim Vaz. Esses ambientes são usados em pesquisas ecológicas e geológicas e estendem a presença marítima brasileira.

Em Portugal, os arquipélagos dos Açores e da Madeira são formados por ilhas oceânicas vulcânicas. Erupções ocorridas em épocas diferentes deram às ilhas açorianas idades e formas distintas. Na Região Autónoma da Madeira, a atividade de pontos quentes formou a Madeira, Porto Santo, as Desertas e as Selvagens.

Em Cabo Verde, dez ilhas vulcânicas formadas pelo acúmulo de rochas eruptivas sobre plataformas submarinas dividem-se entre Barlavento e Sotavento. São Tomé e Príncipe, no golfo da Guiné, abrange as duas ilhas que dão nome ao país e ilhéus menores.
Na Guiné-Bissau, o Arquipélago dos Bijagós reúne 88 ilhas e ilhéus que nasceram de um antigo delta dos rios Geba e Grande. A área integra uma reserva da biosfera da UNESCO. Em 2025, seus ecossistemas costeiros e marinhos entraram na Lista do Patrimônio Mundial. É o único arquipélago deltaico ativo da costa atlântica africana. A ilha de Timor é dividida entre Timor-Leste e a Indonésia. O território timorense abrange a parte oriental da ilha e o exclave costeiro de Oecusse, na parte ocidental.

Sociedades constroem ilhas por aterramento marítimo há séculos, como fizeram as comunidades da Lagoa Lau, nas Ilhas Salomão. Elas transportaram e empilharam rochas de coral sobre recifes rasos para erguer aproximadamente 94 ilhas. Em Al-Sayah, no Bahrein, uma instalação artificial foi construída ao redor de uma nascente submarina. Uma de suas fases de construção data dos séculos VII e VIII.
Num método antigo de construção, um revestimento de contenção segura o material do aterro para que ondas e correntes não o espalhem. Sacos de areia ou pedras são lançados de uma barcaça até o terreno ficar pouco acima da água. O interior recebe areia ou cascalho e é cercado por uma estrutura de proteção. Outra técnica monta um tubulão permanente de aço ou concreto em circuito fechado e depois o preenche com areia.

As ilhas artificiais recentes, como The Pearl-Qatar, no Catar, e as Palm Islands, em Dubai, consumiram milhões de toneladas de areia. Seus usos mais comuns são empreendimentos imobiliários, propriedades privadas e moradias. Plataformas de petróleo no mar também podem receber informalmente o nome de ilha por sua forma ou uso. Para o direito do mar, as ilhas artificiais, instalações e estruturas não são ilhas, não geram mar territorial próprio e não mudam os limites das zonas marítimas. No mar da China Meridional, a China cobriu recifes e elevações de baixa-mar com concreto para construir bases militares.

A mudança do clima ameaça quem vive nas ilhas por meio da subida do nível do mar, de extremos costeiros, de ciclones tropicais mais intensos, de chuvas fortes, do branqueamento de corais, de secas e da expansão de espécies invasoras. Em 2017, o furacão Maria danificou cerca de 90% das moradias de Dominica e interrompeu por completo o fornecimento de eletricidade. Os danos e as perdas equivaliam a 226% do produto interno bruto do país em 2016. Esses processos tornam mais difícil viver nas ilhas pequenas. O branqueamento frequente dos corais prejudica ecossistemas marinhos dos quais dependem muitas economias insulares.
Ilhas baixas podem perder área, sofrer inundações repetidas ou tornar-se inabitáveis antes de desaparecer sob o mar. O Tratado da União Falepili entre Tuvalu e a Austrália criou uma via de residência permanente para até 280 cidadãos tuvaluanos por ano. Nas Ilhas Marshall, formadas por atóis muito baixos, a elevação do mar ameaça a permanência da população no território.

Em muitas ilhas pequenas e atóis, a água subterrânea disponível fica em lentes rasas de água doce alimentadas pela chuva. A retirada excessiva, as secas, as ondas que atravessam a ilha durante tempestades e a elevação do nível do mar aumentam a salinidade e reduzem a parte utilizável dessas reservas. A mudança das chuvas e a intrusão salina pioram a falta de água potável, sobretudo onde há pouco armazenamento ou dessalinização.
Quase metade das espécies terrestres ameaçadas de extinção vive em ilhas, e 1.189 vertebrados sob alto risco foram encontrados em 1.288 delas. Esse número equivale a 41% do total mundial examinado.
Tempestades tropicais podem espalhar espécies introduzidas ao transportar água, detritos e organismos entre ilhas e corpos d'água. A agricultura, o comércio e o transporte também levam organismos não nativos a ecossistemas insulares pequenos e frágeis. O crescimento do comércio e das conexões de transporte tende a aumentar a pressão das invasões biológicas. Caramujos-maçã levados aos Estados Unidos por aquaristas se espalharam pela costa do golfo do México e por ilhas vizinhas com a ajuda de furacões. Em alta densidade, as espécies invasoras competem com as nativas e podem expulsá-las de parte do ambiente.

Como o mar delimita a área ocupada, o restauro insular pode eliminar por completo uma população de vertebrados invasores e abrir espaço para a restauração ecológica. Das 1.550 tentativas de erradicação feitas em 998 ilhas, 88% das operações concluídas e sem reinvasão tiveram sucesso.
A adaptação climática nas ilhas pode proteger e recuperar ecossistemas costeiros, reforçar a infraestrutura, criar sistemas de alerta, administrar a água e, quando necessário, planejar a mudança de comunidades. As medidas escolhidas dependem do relevo, dos recursos e das instituições de cada ilha. Sua execução exige financiamento, conhecimento local e cooperação regional.