A infauna designa o conjunto de organismos animais que habitam o interior do substrato biológico ou sedimentar do fundo dos ecossistemas aquáticos, distinguindo-se da epifauna, que vive imediatamente sobre a superfície desse mesmo fundo. Presente em ambientes que vão desde rios e lagos até às fossas abissais dos oceanos, esta comunidade bentónica agrupa-se tradicionalmente em três categorias consoante a sua dimensão: a microinfauna, composta por seres microscópicos como os nematodes; a meiofauna, que povoa os espaços intersticiais entre os grãos de areia; e a macroinfauna, visível a olho nu e representada por anelídeos poliquetas, crustáceos cavadores e moluscos bivalves. Para sobreviverem na obscuridade e na escassez de oxigénio que caracterizam as camadas subsuperficiais do sedimento, estes animais desenvolveram adaptações evolutivas notáveis, incluindo pés musculares altamente especializados na escavação e sifões extensíveis que se projetam acima da linha da areia para bombear água limpa, permitindo simultaneamente a respiração e a alimentação por filtração de partículas orgânicas em suspensão. Do ponto de vista ecológico, a infauna assume um papel vital na manutenção da saúde planetária através da bioturbação, um processo mecânico de escavação e deslocação que remexe as camadas sedimentares, facilitando a penetração profunda do oxigénio e prevenindo a formação de zonas anóxicas desprovidas de vida. Adicionalmente, estes organismos atuam como recicladores primários ao consumirem detritos biológicos em decomposição e reintroduzirem nutrientes essenciais na cadeia trófica, servindo eles próprios de base alimentar para uma vasta gama de peixes, aves limícolas e caranguejos. Atualmente, a estabilidade das comunidades infaunais encontra-se gravemente ameaçada pelas atividades humanas, sofrendo com a deposição contínua de microplásticos e contaminantes químicos que se acumulam nos fundos, bem como com a destruição física e mecânica dos seus habitats provocada pela pesca de arrasto de fundo, o que compromete a biodiversidade e o equilíbrio biológico de ecossistemas aquáticos inteiros.