Vertentes do lapsarianismo
O lapsarianismo possui duas vertentes que divergem quanto à ordem lógica (não temporal) dos decretos eternos de Deus. Nenhuma dessas vertentes acredita que os eleitos tenham sido designados depois que Adão pecou (já que os decretos divinos seriam anteriores à criação do mundo) Nesse aspecto, os arminianos também concordam com os lapsarianos.
As vertentes do lapsarianismo são:
- Supralapsarianismo, segundo o qual os decretos de Deus da eleição e da reprovação precederam logicamente o decreto da queda. Ou seja, o supralapsarismo ordena os decretos divinos de tal maneira que o decreto de Deus, em relação à predestinação dos homens à salvação ou à reprovação, antecede seus decretos de criar os homens e de permitir sua queda. Assim, a sequência resultante seria:
- Deus decretou salvar certos homens e reprovar outros
- Deus decretou criar ambos
- Deus decretou permitir a queda de ambos
- Deus decretou enviar um redentor para redimir apenas os eleitos
- Infralapsarianismo, posição na qual se afirma que os decretos de Deus da eleição e da reprovação logicamente sucederam o decreto da queda. De acordo com este esquema, Deus primeiro viu seu povo como caído e então determinou salvá-lo, escolhendo somente alguns para serem salvos. Assim, a ordem lógica:
- Deus decretou criar o homem
- Deus decretou permitir a queda do homem
- Deus decretou eleger alguns, dentre os homens caídos, para salvá-los
- Deus decretou prover um redentor para os eleitos
Muitos calvinistas (e muitos não-calvinistas ou arminianos) rejeitam as visões lapsarianistas porque percebem qualquer ordenação particular dos decretos como uma especulação desnecessária e presuntiva, argumentando ser impossível conhecer a mente de Deus sem evidências nas escrituras bíblicas.