Num vilarejo do interior, o bandido encrenqueiro Camarão é morto e as suspeitas recaem sobre Augusto, o filho do caipira Poluído. Agora a família terá de provar que o filho não é o responsável pelo crime. Enquanto isso, a notícia da aprovação da lei do divórcio provoca um tumulto entre os moradores locais e alegra uma viúva fazendeira, que nutre uma paixão por Poluído, embora este seja feliz no casamento. Recorrendo a uma série de chantagens, Dionísia fará de tudo para ter o caipira e sua família em suas mãos.
Os principais temas explorados em O Jeca contra o capeta incluem:
Debate sobre o divórcio: A trama começa justamente com a repercussão da aprovação da Lei do Divórcio no Brasil. Embora a lei só tenha sido aprovada no país em 1977 (Lei nº 6.515/1977), o debate sobre o tema já ocupava espaço na sociedade brasileira durante toda a década de 1970. O assunto é tratado de forma cômica, mostrando diferentes opiniões da população do interior sobre as mudanças nos "tradicionais costumes".
Valorização da família e da fidelidade conjugal: A tentativa da viúva Dionísia de conquistar o protagonista Poluído contrasta com a lealdade dele à esposa. O casamento aparece como um valor moral importante, típico das obras de Mazzaropi.
Injustiça e crítica ao sistema jurídico: O filho de Poluído é acusado injustamente de assassinato, e a narrativa mostra as dificuldades enfrentadas por pessoas simples diante da polícia, da justiça e de indivíduos oportunistas.
Religiosidade popular: No filme aparecem figuras associadas tanto ao diabo quanto a Jesus Cristo, mas sem um tratamento teológico profundo. A religiosidade é apresentada como parte do imaginário popular brasileiro, misturando humor, simbolismo e elementos do folclore. Embora o título faça referência ao "capeta", o antagonista central do filme não é uma figura demoníaca literal; Em uma leitura simbólica, o "capeta" representa as atitudes moralmente condenáveis presentes na comunidade — como a chantagem, a manipulação, a injustiça e a ganância — personificadas principalmente pelos personagens Dionísia, Camarão e o advogado. Assim, Mazzaropi desloca o mal do plano sobrenatural para o comportamento humano.
Crítica aos costumes e à modernização: O filme retrata um Brasil rural em transformação, onde novas leis, mudanças sociais e comportamentos urbanos chegam ao interior e geram conflitos cômicos.
Recepção
Rendeu Cr$ 15.258.957,70 e público de 2.602.630 espectadores, sendo o filme brasileiro com a maior bilheteria e público de 1975 e a segunda maior bilheteria entre as produções de Mazzaropi, perdendo apenas para seu antecessor, O Jeca Macumbeiro.