Jorge Queimado

Jorge Queimado
Nascimento1548
Morte29 de maio de 1618
CidadaniaPortugal
Ocupaçãopadre, episcopado católico
Cargo(s)
Bispo-titular (desde 1599)
bispo-auxiliar (desde 1599)
ReligiãoIgreja Católica

Jorge Queimado, cujo nome religioso era Jorge de Santa Maria, natural do Montijo (então designado Aldeia Galega do Ribatejo), foi um clérigo português da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho.

Biografia

Professou a 4 de junho de 1563 no Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa, sede da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho.

Em 1572, quando os Eremitas de Santo Agostinho se estabeleceram em Ormuz e fundaram o seu primeiro convento na Índia, Frei Jorge Queimado estava entre os primeiros missionários agostinhos a partir para o Oriente.

Não se sabe por quanto tempo Frei Jorge Queimado permaneceu na Índia. Em 1589, D. Frei Agostinho de Jesus, Arcebispo de Braga, fez dele seu confessor. Em 1592, Frei Jorge Queimado presidia à fundação do novo convento dos Eremitas de Santo Agostinho de São João Novo, na freguesia de São Nicolau, no Porto.

O mesmo Arcebispo de Braga nomeou-o seu auxiliar e coadjutor a 6 de setembro de 1596. Nesse mesmo ano, o arcebispo fundou o convento agostinho de Nossa Senhora do Pópulo, em Braga. A escritura de doação do terreno foi lavrada a 23 de dezembro de 1595, com a presença de Frei Jorge Queimado, que foi escolhido como primeiro reitor do Convento de Nossa Senhora do Pópulo, cuja primeira pedra foi lançada a 3 de julho de 1596.

A 1 de fevereiro de 1599, o Papa Clemente VIII concedeu a D. Frei Jorge Queimado o título de bispo de Fez, confirmando a escolha feita por D. Frei Agostinho de Jesus quando o nomeou auxiliar e coadjutor em 1596.

A documentação existente no Arquivo Distrital de Braga permite conhecer parte da sua atividade religiosa nesse arcebispado: adquiriu direitos de priorado sobre as igrejas de São Pedro de Rates (1601), de São Paio de Sequeiros (1601) e de São Clemente de Basto (1604); exerceu o cargo de reitor do Seminário de São Pedro, em Braga (1606); e foi-lhe atribuída a qualidade de lugar-tenente do Arcebispo de Braga, com a possibilidade de o substituir nas ausências (1608).

As últimas referências documentais da sua presença no arcebispado de Braga remontam ao ano de 1609, quando assinou dois termos de visitações a conventos da Ordem.

Em 15 de julho de 1612, D. Frei Jorge Queimado já se encontrava em Lisboa, no Convento de Nossa Senhora da Graça, para a posse do novo arcebispo de Braga, D. Frei Aleixo de Meneses, que «tomou o Pálio na Graça de Lisboa da mão de seu Bispo d'Anel D. Fr. Jorge Queimado no 3.º Domingo de Julho». Antes dessa cerimónia, a 12 de abril do mesmo ano, D. Frei Jorge Queimado assinou uma escritura de doação de umas vinhas, situadas na Barrosa, na então Aldeia Galega do Ribatejo, a seus familiares ou, na falta destes, à Santa Casa da Misericórdia.

Diogo Barbosa Machado, em obra de referência da bibliografia nacional, menciona um texto inédito da sua autoria: Vida do Ilustríssimo Arcebispo de Braga, D. Agostinho de Castro.

D. Frei Jorge Queimado foi um dos doze primeiros missionários agostinhos na Índia; cofundador do Convento de Ormuz, do Convento de São João Novo (Porto) e do Convento de Nossa Senhora do Pópulo (Braga); primeiro reitor deste último e reitor do Seminário de São Pedro, em Braga; visitador e reformador da Ordem de Santo Agostinho, bem como das ordens militares de Avis e Santiago.

Manuel Caetano de Sousa, um dos seus biógrafos, descreveu-o nos seguintes termos:

Foy natural de Aldea Gallega de Riba-Tejo, de nobre geração, filho de Manoel Casado e Branca Queimada, e religioso da Ordem dos Eremitas do Santo Agostinho, em que professou no anno de 1563. Foy coadjutor do Arcebispo de Braga, D. Fr. Agostinho de Castro, e deu o pallio ao Arcebispo D. Fr. Aleixo de Meneses. Foy Visitador e Reformador das Ordens Militares de Aviz e Santiago. Morreu na sua Pátria e está enterrado na Igreja Matriz, na capella mor, à parte do Evangelho, adonde tem o epitáfio seguinte: Aqui jaz D. Fr. Georze Queimado Bispo de Fez Visitador Geral e Reformador dos Conventos de Palmela e Aviz. Faleceu a 29 de Abril de 1618.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Sousa, Manuel Caetano de (1725). «Catalogo Histórico dos Summos Pontificios, Arcebispos e Bispos Portuguezes que tiveram Dioceses». Collecção dos Documentos e Memórias da Academia Real da História Portugueza. 5. Lisboa: Officina de Pascoal da Sylva. pp. 175–176
  2. 1 2 Vieira, Domingos (2011). Ordem dos eremitas de Santo Agostinho em Portugal (1256–1834). Lisboa: Centro de Estudos de História Religiosa. 196 páginas
  3. ↑ Gonçalves, Margareth de Almeida (30 de junho de 2014). «A edificação da cristandade no Oriente português: questões em torno da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho no limiar do século XVII». Revista de História (170). 107 páginas. ISSN 2316-9141. doi:10.11606/issn.2316-9141.v0i170p107-141. Consultado em 15 de março de 2025
  4. 1 2 Leal, Augusto de Pinho (1875). Portugal Antigo e Moderno. VI. Lisboa: Livraria Editora de Matos Moreira & Companhia. pp. 77–78
  5. 1 2 Vieira, Domingos (2011). Ordem dos eremitas de Santo Agostinho em Portugal (1256–1834). Lisboa: Centro de Estudos de História Religiosa. 320 páginas
  6. 1 2 Arquivo Municipal do Montijo – Santa Casa da Misericórdia do Montijo, Doações, Cx. 39, doc. 767.
  7. ↑ Bibliotheca Lusitana. II. Lisboa: Officina de Ignacio Rodrigues. 1747. 814 páginas