Juan Requesens | |
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| Requesens em 2017 | |
| Deputado da Assembleia Nacional da Venezuela por Táchira | |
| Período | 5 de janeiro de 2016 – 8 de agosto de 2018 |
| Membro da Comissão de Política Interior [es] | |
| Período | janeiro de 2018 – agosto de 2018 |
| Presidente da Comissão de Desenvolvimento e Integração Social [es] | |
| Período | 18 de janeiro de 2017 – 30 de janeiro de 2018 |
| Antecessor | Miguel Pizarro |
| Sucessor | José Manuel Olivares |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 17 de março de 1989 (37 anos) Caracas, Distrito Federal, Venezuela |
| Nacionalidade | Venezuelano |
| Alma mater | Universidade Central da Venezuela |
| Cônjuge | Orianna Granati (c. 2015) |
| Filhos | 2 |
| Partido | Primeiro Justiça |
| Profissão | |
| Também integra a Mesa da Unidade Democrática. | |
Juan Carlos Requesens Martínez (Caracas, 17 de março de 1989) é um cientista político e ex-deputado da Assembleia Nacional, eleito em 6 de dezembro de 2015 e empossado em 5 de janeiro de 2016. Foi líder estudantil na Universidade Central da Venezuela (UCV) e um dos líderes dos protestos estudantis de oposição durante os protestos venezuelanos de 2014. Ele liderou marchas contra o Governo da Venezuela sob o presidente Nicolás Maduro, buscando “transformar a rebelião estudantil em um movimento social mais amplo”.
Requesens foi preso em agosto de 2018 e libertado em 28 de agosto de 2020. Em 2022, foi condenado a oito anos de prisão por sua suposta participação no atentado com drones em Caracas. Ele foi libertado em outubro de 2023 em um acordo entre o governo venezuelano e os Estados Unidos, depois que este último concordou em flexibilizar as sanções contra a Venezuela.
Em 2011, Requesens foi eleito presidente estudantil da Universidade Central da Venezuela (UCV), onde iniciou sua atuação política, estudando ciência política. Requesens começou a organizar manifestações contra o governo venezuelano em janeiro de 2013, quando ajudou a articular um protesto conjunto de estudantes da UCV e da Universidade Católica Andrés Bello. Ele ainda era presidente em 2014, quando se tornou uma liderança dos protestos massivos daquele ano e passou a receber ameaças após a morte de outro líder estudantil na Universidade Nacional Experimental do Táchira. Na UCV, utilizou o Twitter para promover debates estudantis, e o The Washington Post observou que ele era um orador público talentoso.
Requesens declarou em 2014 que seu ídolo político era o ex-presidente venezuelano Rómulo Betancourt, conhecido como o “pai da democracia venezuelana”. Segundo o The Washington Post, ele é um “social-democrata” que acredita na “igualdade de oportunidades” e em uma “economia de mercado com objetivos sociais”.
Ver também

Requesens usou com frequência a tecnologia para organizar pessoas; os 12 mil seguidores no Twitter que possuía no início de 2014 aumentaram para 450 mil em março, e ele conseguia reunir protestos contra o governo a partir do próprio celular.
As principais reivindicações do movimento de Requesens eram a libertação de manifestantes presos e justiça para manifestantes mortos e supostamente torturados. Depois de ganhar notoriedade no começo de 2014, Requesens foi pressionado pelo governo venezuelano a pedir que manifestantes violentos recuassem, especialmente no estado de Táchira, onde ocorreram os episódios de violência. Ele também foi convidado a participar de reuniões com o presidente Maduro, mas recusou devido às violações de direitos humanos; em seguida, solicitou que, caso houvesse reunião com Maduro, ela fosse transmitida ao vivo pela televisão. O The Washington Post afirmou que Requesens “insistia que Maduro libertasse os manifestantes presos e cumprisse outras pré-condições” antes de encontrá-lo. Na época, ele considerava que pedir a saída de Maduro da presidência era um “beco sem saída” e disse que a “estratégia de escalar o confronto apenas dará ao governo a chance de nos desacreditar e continuar com mais repressão”. Segundo o The Washington Post, ele se aproximava mais de Henrique Capriles em “tom e estratégia”, e era mais moderado do que a “ala linha-dura” da oposição, representada por María Corina Machado e Leopoldo López.
Pouco depois de ser eleito para a Assembleia Nacional em 2015, a irmã de Requesens, Rafaela Requesens, e um amigo, Eladio Hernández, foram sequestrados por desconhecidos no estado de Táchira.
Requesens foi designado para a Comissão de Desenvolvimento e Integração Social da Assembleia Nacional. Em abril de 2016, em meio a greves de professores, Requesens e Miguel Pizarro se voluntariaram para trabalhar no projeto da Lei de Educação — que não era desenvolvido havia mais de uma década — a fim de aumentar o salário mínimo dos docentes e incorporar padrões à legislação. Em 2016, Requesens passou a pedir a renúncia de Maduro.
Requesens tentou concorrer ao cargo de governador de Táchira, estado pelo qual já era deputado, em 2017. No entanto, a comissão eleitoral se recusou a aceitar a substituição de pré-candidatos na cédula; assim, votos em seu favor não foram contabilizados, fato que ele denunciou na Assembleia no dia seguinte à votação.
No início de 2018, Requesens integrou a ala da Assembleia que formou a coalizão chamada Frente Amplio Venezuela Libre, para pedir eleições livres no país e a saída de Maduro, afirmando que a oposição e o país precisavam avançar de forma cívica.
Requesens e Juan Pablo Guanipa foram detidos brevemente em 30 de novembro de 2017 quando tentavam cruzar a fronteira para a Colômbia. Em maio de 2018, Requesens foi um dos políticos que intervieram quando profissionais de imprensa eram atacados por guardas do lado de fora dos prédios parlamentares, entrando em confronto com os soldados; no mesmo dia, Requesens e Carlos Paparoni foram atacados e imobilizados ao tentar defender jornalistas do lado de fora do Supremo Tribunal. Ele voltou aos protestos de rua no dia seguinte, rejeitando eleições previstas para mais tarde naquela semana.

Ver também Requesens voltou às ruas em 2017, agora como deputado eleito. Em abril de 2017, ele marchava com outros jovens manifestantes rumo à Defensoria do Povo quando foi atacado, junto com outro deputado. Ele foi atingido na cabeça e sofreu cortes profundos no rosto. Segundo José Manuel Olivares, Requesens precisou passar por cirurgia para reparar fraturas, incluindo no nariz e na mandíbula, além de levar pontos na testa. A marcha pedia a renúncia dos magistrados do Supremo Tribunal de Justiça.
Em junho de 2017, Requesens foi atacado novamente, desta vez por integrantes da Guarda Nacional Bolivariana — embora ele os tenha chamado de “coletivos” em entrevista à Unión Radio [es] — que o jogaram em um bueiro, além de roubarem seus pertences e os de outras pessoas. O governo da Colômbia emitiu uma nota condenando o uso excessivo de violência, especialmente contra políticos, e lembrou às autoridades militares venezuelanas que a Constituição do país exige que se evite violência desnecessária contra manifestantes.
Em 7 de agosto de 2018, Requesens havia feito um discurso na Assembleia Nacional da Venezuela responsabilizando Maduro pela instabilidade no país. Nesse discurso, ele usou a frase “Eu me nego a me render”:
"I refuse to give up, I refuse to kneel in front of those who want to break our morale. Today I can speak from here, tomorrow I do not know. What I want to reaffirm is that we are going to continue doing everything we can to take Nicolás Maduro out of power."
Requesens foi preso naquele dia pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN). Ele foi detido como suspeito de envolvimento no atentado com drones em Caracas, uma suposta tentativa de assassinato do presidente venezuelano Nicolás Maduro. As circunstâncias de sua prisão e detenção são controversas, e há irregularidades em torno do processo judicial. Ele ficou preso em El Helicoide desde a detenção, com alegações de tortura para forçar uma confissão, além de atrasos que dificultavam o andamento do processo e das audiências. Ele foi condenado a oito anos de prisão em agosto de 2022.
A detenção de Requesens foi condenada pela Assembleia Nacional — assim como por diplomatas, políticos e organizações internacionais — e ocorreram grandes protestos na Venezuela exigindo sua libertação. Parentes e colegas políticos afirmaram acreditar que ele foi preso por criticar Maduro. A Assembleia Nacional condenou sua detenção como um caso de desaparecimento forçado.
A hashtag do Twitter "#YoMeNiegoARendirme" — em espanhol, “Eu me nego a me render” — tornou-se um slogan popular em torno do caso, e um lema para a oposição.
Em 2022, Requesens foi condenado a oito anos de prisão por sua suposta participação no atentado com drones em Caracas. Colocado em prisão domiciliar, foi libertado posteriormente, em outubro de 2023, quando o presidente Joe Biden fechou um acordo com o governo Maduro para aliviar as sanções contra a Venezuela.
O pai de Requesens é médico, sua mãe é professora de inglês e sua irmã, Rafaela Requesens, é ativista. Requesens é casado com Orianna Granati, e o casal tem dois filhos pequenos.
Si tengo que estar preso por defender a los que no tienen salud, por defender a los chamos de la resistencia, por defender a los venezolanos, voy a estar 20.000 veces preso porque lo volveré a hacer.