Julia Zanatta | |
|---|---|
| Deputada Federal por Santa Catarina | |
| Período | 1º de fevereiro de 2023 em exercício |
| Legislatura | 57ª legislatura (2023 — 2027) |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Julia Pedroso Zanatta |
| Nascimento | 20 de março de 1985 (41 anos) Criciúma, SC |
| Nacionalidade | brasileira |
| Partido | PSD (2016-2020) PL (2020-presente) |
| Religião | católica |
| Ocupação | política |
Júlia Pedroso Zanatta (Criciúma, 20 de março de 1985) é uma advogada, jornalista e política brasileira, filiada ao Partido Liberal (PL). Foi eleita Deputada Federal em 2022 e reeleita em 2026 com mais de 570.000 votos válidos.
Nasceu em Criciúma, no estado de Santa Catarina, filha do empresário Fernando Zanatta e Carla Pedroso. Sua tia é Sandra Guidi, ex-Senadora de Santa Catarina, casada com o ex-deputado federal Altair Guidi e pais do deputado federal Ricardo Guidi, primo de Julia Zanatta.
Formada em Jornalismo e Direito, defende o direito à legítima defesa, liberdade econômica e a autonomia familiar na educação. Zanatta é crítica ao que classifica como "doutrinação ideológica" nas escolas e se opõe ao direito de interrupção de gravidez.
Júlia Zanatta vive com Guilherme Colombo, com quem tem uma filha. Ela também possui uma outra filha adolescente, de um relacionamento anterior. Apesar de viverem juntos e terem uma filha em comum, Júlia declarou que não é casada com Colombo. Ele, por sua vez, esclarece que a situação se refere apenas ao âmbito religioso, uma vez que o casal não possui união civil reconhecida. Colombo busca, há cinco anos, a anulação de um casamento religioso anterior, que durou apenas seis meses.
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) autorizou Zanatta e o companheiro a utilizarem a frase "meu voto é casado" em campanha, no mês de agosto. A decisão ocorreu após o casal ingressar com ação na Justiça Eleitoral contra publicações que se referiam à deputada como "amante" ou "concubina", acompanhadas de montagens nas redes sociais. Segundo Colombo, eles venceram a ação, pois esse tipo de ataque não faz parte do jogo democrático.
Seu parceiro, Guilherme foi banido da Uber em novembro de 2022 por um suposto episódio de racismo. O caso ganhou repercussão em 2024, após Colombo mover um processo contra a plataforma para voltar a utilizar os serviços.
Na eleição municipal de Criciúma em 2020 concorreu à prefeitura do município, ficou em 3º lugar com 6.953 votos (7,03% dos votos válidos).
Já nas eleições de 2022, foi eleita Deputada Federal por Santa Catarina com 111.588 votos (2,81% dos votos válidos).
Em sua atuação legislativa no Congresso, Zanatta apoiou a norma técnica do Conselho Federal de Medicina que impede a indução da parada cardíaca em fetos durante procedimentos preparatórios ao aborto. Ela também apresentou o Projeto de Decreto Legislativo nº 486/2023, para sustar a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19 em crianças de seis meses a cinco anos, alegando que, embora recomendada pela OMS, a vacina atualmente não é obrigatória em nenhum país.Em 2025, foi alvo de pedido de providências na Advocacia-Geral da União, por supostamente promover campanha antivacina. A ação partiu do grupo jurídico Prerrogativas, que classifica atos da deputada como “campanha sistemática de desinformação sanitária”. No pedido de providências, são citados dois projetos de lei assinados por Zanatta voltados ao tema: o PL 2643/2025 - que visa desobrigar pais ou responsáveis a vacinarem menores de idade, e o PL 2641/2025 - que dispõe sobre a vedação da vacinação compulsória no território nacional, além de criar o crime de “coação vacinal”, que altera o Código Penal.
Recebeu o Prêmio Excelência Parlamentar nos anos de 2023 e 2026, promovido pela organização Ranking dos Políticos.
O levantamento "Monitor de Assédio Judicial contra jornalistas no Brasil 2024" da Abraji, coloca Zanatta como uma das pessoas que mais ajuizou ações contra jornalistas e que foram classificadas como assédio judicial, com mais de uma dezena de casos. Entre os processados, estão jornalistas que denunciaram o uso de dinheiro público para pagamento de notícias a favor da parlamentar durante os desastres ambientais na região Sul do Brasil em 2024.
Zanatta ficou conhecida por utilizar sua tiara de flores como forma de imagem e identificação, dizendo ser símbolo da feminilidade da mulher e referente ao traje típico germânico, comum na Oktoberfest de Blumenau, seu reduto eleitoral, e se defende dizendo não ter relação nenhuma com o nazismo. Conta, também, ter comprado o acessório naquele recinto antes da eleição. O uso da tiara se tornou uma marca registrada durante a campanha ao ser criticada por posar com a tiara e uma arma em mãos.
A deputada nega as acusações e associações com a estética nazista, entrando com processo contra pessoas que fizeram tais associações como a deputada Gleisi Hoffmann (PT/PR) e o jornalista Chico Pinheiro, tendo sido derrotada no primeiro processo. Em 13 de junho de 2024, Felipe Neto publicou em suas redes sociais que a tiara de flores usada por Zanatta "é tida por muita gente como um símbolo de apologia ao nazismo", acrescentando que ela "curiosamente" não usou o acessório ao discursar no Parlamento Europeu.
Em julho de 2024, a Justiça de Santa Catarina negou o pedido de Zanatta para que Neto removesse a publicação. O juiz entendeu que não houve associação direta da deputada ao nazismo, pois a postagem mencionava apenas a percepção pública sobre o acessório, sem chamar Zanatta de nazista de forma categórica.
No entanto, em abril de 2025, a 41ª Vara Criminal do Rio de Janeiro aceitou a queixa-crime apresentada por Zanatta, tornando Felipe Neto réu pelos crimes de injúria e difamação. A decisão reconheceu indícios de materialidade e autoria dos delitos. Uma audiência de conciliação realizada em 2 de abril de 2025 entre as partes não chegou a um acordo.
A defesa de Neto afirmou que confia na Justiça e ressaltou que o recebimento da queixa-crime não representa condenação, mas apenas o início da fase de análise do mérito da ação, com a apresentação de provas pelas partes.
Em 9 de setembro de 2026, a Justiça do Rio de Janeiro extinguiu a ação penal da deputada Júlia Zanatta contra o influenciador Felipe Neto. O motivo da decisão foi a falta de andamento do processo. Zanatta acusava o influenciador de difamação e injúria após uma publicação em uma rede social associando sua tiara de flores ao nazismo.
Em 2023, Zanatta acusou o deputado Márcio Jerry por importunação sexual, após ele se aproximar pelas costas para cochichar durante uma discussão. O caso foi levado ao Conselho de Ética da Casa, mas foi arquivado após pedido de desculpas do parlamentar.
Em agosto de 2025, o presidente do Congresso Hugo Motta decidiu indicar a punição do afastamento do mandato da parlamentar por até seis meses. Junto com outros parlamentares bolsonaristas, Zanatta protestava contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, ela foi alvo de críticas de ter levado a filha para o plenário. Zanatta admitiu que estava usando a criança como "escudo", sendo inclusive denunciada ao conselho tutelar pelo também deputado Reimont.
Em 6 de agosto de 2025, durante uma ocupação do plenário da Câmara dos Deputados por parlamentares de oposição, a deputada federal Júlia Zanatta permaneceu no local acompanhada de sua filha, ainda bebê. Durante o episódio, Zanatta também se sentou na cadeira destinada à Presidência da Câmara, então ocupada institucionalmente por Hugo Motta (Republicanos-PB).
A ocupação havia começado no dia anterior e também ocorreu no plenário do Senado Federal. Os parlamentares envolvidos protestavam contra medidas judiciais impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, entre elas sua prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, o presidente da Câmara, Hugo Motta, havia convocado uma sessão e anunciado a possibilidade de adoção de medidas disciplinares contra os deputados que permanecessem no plenário, incluindo a suspensão do mandato por até seis meses. Também afirmou que a Polícia Legislativa poderia ser acionada para realizar a desocupação.
Durante a manifestação, Zanatta publicou nas redes sociais imagens de sua permanência na cadeira da Presidência e fez críticas à condução dos trabalhos da Câmara. Em meio às repercussões sobre a presença de sua filha no plenário, a deputada afirmou em uma publicação que estava utilizando a criança como “escudo”, em referência às críticas que havia recebido por levar a bebê ao local.
O episódio também gerou questionamentos relacionados à proteção da criança. O deputado federal Reimont (PT-RJ), então presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, encaminhou solicitação ao Conselho Tutelar de Brasília para que fosse apurada a situação. Segundo Reimont, a permanência da criança em um ambiente de tensão e instabilidade durante a ocupação poderia representar situação de risco e justificar a atuação do órgão.
O caso posteriormente voltou a ser mencionado em sessões da Câmara. Em março de 2026, durante debate no plenário, Reimont voltou a citar o episódio de agosto de 2025 e afirmou que havia acionado o Conselho Tutelar por considerar que a criança poderia estar em situação de risco. Zanatta, por sua vez, relatou o episódio em plenário e criticou o acionamento do órgão, relacionando-o à sua condição de mãe e ao fato de estar amamentando a filha.
Em setembro de 2026, a deputada federal Júlia Zanatta declarou, durante participação no podcast 3 Irmãos, ser contrária às propostas de redução da jornada de trabalho e de alteração da escala 6x1. Ao comentar o tema, a parlamentar relacionou sua posição a princípios religiosos e afirmou acreditar que Jesus Cristo apoiaria seu posicionamento. Durante a entrevista, declarou: “Eu faço as coisas aqui pra ir pro céu”. A declaração ocorreu no contexto das discussões no Brasil sobre mudanças na jornada de trabalho, incluindo propostas que buscam reduzir a carga horária semanal e alterar ou extinguir a escala 6x1, regime em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e dispõe de um dia de descanso.
Ao justificar sua posição, Zanatta associou suas convicções políticas e econômicas à sua interpretação de princípios do cristianismo. A fala foi posteriormente repercutida nas redes sociais e incorporada ao debate público sobre a redução da jornada de trabalho. A discussão sobre a escala 6x1 envolve diferentes posições entre trabalhadores, organizações sindicais, entidades empresariais e parlamentares. Entre os argumentos favoráveis à redução da jornada estão possíveis efeitos sobre o descanso, a qualidade de vida e o tempo disponível para atividades pessoais e familiares. Entre os argumentos contrários estão possíveis impactos sobre os custos das empresas, a organização das atividades econômicas e o mercado de trabalho.
A deputada federal foi reeleita nas eleições de 2026 com 560.223 votos, tornando-se a parlamentar mais votada da história de Santa Catarina e a quinta deputada federal mais votada do país. Na noite de domingo, após a divulgação do resultado, a parlamentar percorreu, acompanhada de apoiadores, o trajeto entre seu apartamento e o comitê de campanha, em Florianópolis. Durante o percurso, carregava um chicote, também chamado de relho, em uma das mãos e um microfone na outra. Em vídeos publicados nas redes sociais, ela aparece batendo o objeto no chão enquanto comemorava o resultado eleitoral.
O uso do chicote gerou críticas e questionamentos nas redes sociais sobre o significado do gesto. Após a repercussão, Zanatta explicou que o objeto fazia referência a uma expressão que, segundo ela, é utilizada regionalmente em Santa Catarina para indicar uma vitória expressiva. A deputada afirmou que expressões ditas por ela naquele momento, como “ganhou de relho” ou “foi de relho” seriam utilizadas com sentido semelhante a “ganhou de lavada”. A deputada afirmou posteriormente: “Foi uma brincadeira com essa expressão: apareci com o relho (chicote) na mão para comemorar o grande número de votos que recebemos. É uma referência à nossa linguagem regional e à força do resultado nas urnas”. Em outro vídeo publicado durante a comemoração, a deputada associou o uso do objeto ao resultado das urnas e afirmou: “É histórico! É muito voto! Atualiza que eu quero mais! É dado de relho! É Júlia Zanatta com catarinenses!”.
A interpretação da expressão, contudo, foi objeto de questionamentos. O professor de linguística Valter Pereira Romano, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que o uso mais comum da expressão relacionada ao “relho” está associado à ideia de sofrimento. O relho é um tipo de açoite, geralmente confeccionado com um cabo de madeira e tiras de couro trançadas ou amarradas em uma das extremidades.
A atuação parlamentar e o discurso político estão associados ao conservadorismo brasileiro e a pautas de orientação cristã, com ênfase em temas relacionados à família, à liberdade individual, à segurança pública e à economia. Sua atuação política também se caracteriza pelo alinhamento com o campo político de direita associado ao bolsonarismo e pela oposição a governos e propostas identificados com a esquerda.
Entre os fundamentos de seu discurso político estão os princípios sintetizados nas expressões “Deus, Pátria, Família e Liberdade”. No campo dos valores sociais e religiosos, Zanatta se posiciona contra a ampliação das hipóteses de aborto e defende a proteção da vida desde a concepção. Também manifesta oposição a políticas relacionadas à chamada “ideologia de gênero”, especialmente quando aplicadas ao ambiente escolar e à formulação de políticas públicas. Em seus pronunciamentos, defende a família e a autoridade dos pais na educação dos filhos, além da liberdade religiosa.
Outro eixo de sua atuação está relacionado à defesa das liberdades individuais e da propriedade privada. A deputada defende a ampliação do acesso às armas de fogo para cidadãos e para os chamados CACs, argumentando que o armamento está relacionado ao direito à legítima defesa. Também atribui importância à liberdade de expressão e manifesta oposição a medidas que considera restritivas ao exercício desse direito, especialmente no contexto das redes sociais e do debate político.
Na área econômica, Zanatta defende a redução da carga tributária, a liberdade econômica e medidas destinadas a diminuir a intervenção estatal na atividade produtiva. Sua atuação inclui manifestações contrárias a aumentos de impostos e propostas que, segundo sua avaliação, possam elevar os custos para empresas ou afetar setores produtivos. Também mantém posições favoráveis ao agronegócio e ao empreendedorismo.
No campo político, Zanatta exerce oposição ao governo federal e apresenta críticas a políticas e decisões associadas à esquerda. Entre suas principais pautas está a defesa da anistia para pessoas investigadas, processadas ou condenadas em decorrência dos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Também se posiciona contra políticas de descriminalização ou legalização de drogas e contra medidas de movimentos sociais que envolvam ocupações de propriedades privadas.
| Ano | Eleição | Partido | Cargo | Votos | % | Resultado | Ref |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2020 | Municipal de Criciúma | PL | Prefeita | 6.953 | 7,03% | Não Eleita | |
| 2022 | Estaduais em Santa Catarina | Deputada Federal | 111.588 | 2,81% | Eleita | ||
| 2026 | Estaduais em Santa Catarina | Deputada Federal | 560.223 | Eleita | |||
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