| Kurt Magnus | |
|---|---|
| Nascimento | 8 de setembro de 1912 Magdeburgo, Império Alemão |
| Morte | 12 de dezembro de 2003 (91 anos) Munique, Alemanha |
| Nacionalidade | alemão |
| Alma mater | Universidade de Göttingen |
| Prêmios | Anel Ludwig Prandtl (1982) Medalha Wilhelm Exner (1983) Ordem Maximiliano da Baviera para Ciência e Arte (1986) Medalha Grashof (1989) |
| Carreira científica | |
| Orientador | Max Schuler Ludwig Prandtl |
| Orientados | Horst Leipholz Werner Schiehlen Hans Ingo Weber |
| Campo(s) | Mecânica, giroscópios, vibrações, teoria de controle |
| Tese | Schwingungen kraftgekoppelter Kreisel (1937) |
Kurt Magnus (Magdeburgo, 8 de setembro de 1912 – Munique, 12 de dezembro de 2003) foi um engenheiro alemão, especialista em mecânica técnica. Destacou-se pela teoria dos giroscópios e das vibrações, e é considerado um pioneiro da mecatrônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, passou sete anos trabalhando como especialista alemão forçado na União Soviética. De volta à Alemanha, ensinou em Stuttgart e na Universidade Técnica de Munique.
Magnus estudou matemática, física e química na Universidade de Göttingen a partir de 1932. Em 1937, doutorou-se sob orientação de Max Schuler, com a participação de Ludwig Prandtl, com uma tese sobre giroscópios acoplados por forças. Em 1942 obteve a habilitação em mecânica e, no ano seguinte, tornou-se Dozent em Göttingen e professor convidado na Escola Técnica Superior de Danzig. Durante a guerra, foi liberado das atividades acadêmicas para trabalhar em problemas de engenharia na indústria e em centros de ensaio da Luftwaffe. Perto do fim do conflito, trabalhava com vibrações e giroscópios no centro de ensaios do Priwall, na baía de Lübeck.
Segundo a historiografia sobre a física em Göttingen no período nazista, Magnus ingressou na Sturmabteilung (SA) em novembro de 1933 e chegou a um posto de comando na Juventude Hitlerista.
Em 22 de outubro de 1946, Magnus foi levado com a família para a União Soviética, na operação que deportou especialistas alemães em foguetes e outras tecnologias (Operação Osoaviakhim). Ficou retido até 1953 na ilha de Gorodomlia, no lago Seliger, como especialista em sistemas giroscópicos do grupo chefiado por Helmut Gröttrup. Em 1950, conseguiu fazer chegar um artigo à revista Zeitschrift für Angewandte Mathematik und Mechanik. A Gedenkschrift de 2018 descreve a publicação como um recado de que os cientistas retidos estavam vivos.
A fundação Wilhelm Exner registra que seus trabalhos de mecânica não linear e teoria de controle desse período foram aplicados às ultracentrífugas para enriquecimento de urânio. Magnus narrou os anos de cativeiro no livro Raketensklaven (1999).
Voltou à Alemanha em 1953 e retomou a carreira em 1954, como docente na Universidade de Friburgo. Em 1958, sucedeu Richard Grammel na cátedra de mecânica da Escola Técnica Superior de Stuttgart, atual Universidade de Stuttgart. Em 1966, assumiu uma cátedra recém-criada de mecânica na Escola Técnica Superior de Munique, onde se aposentou em 1980.
Entre seus orientandos de doutorado estão Horst Leipholz (1959), Werner Schiehlen (1966) e o brasileiro Hans Ingo Weber (1971). Em 1977, presidiu, em Munique, o primeiro simpósio da União Internacional de Mecânica Teórica e Aplicada (IUTAM) sobre dinâmica de sistemas multicorpos. De 1965 a 1971, presidiu o comitê técnico de giroscópios da Sociedade Alemã de Localização e Navegação (DGON). Ali criou, em 1971, o Simpósio de Tecnologia Giroscópica, que deu origem ao atual simpósio Inertial Sensors and Systems.
Magnus mostrou que sistemas de giroscópios acoplados podem compensar erros mútuos. O resultado contribuiu para tornar mais precisos os instrumentos de navegação inercial baseados nos princípios de Schuler. Também trabalhou em teoria das vibrações, teoria de controle e mecânica analítica. Publicou cerca de 80 trabalhos, entre eles seis livros. Entre eles está Kreisel: Theorie und Anwendungen (1971), publicado pela Springer.
Os obituaristas Friedrich Pfeiffer e Heinz Ulbrich destacaram a combinação de mecânica, eletrônica e controle em seus estudos sobre giroscópios. Por isso o consideraram "um pioneiro da mecatrônica de hoje". Em julho de 2018, a Fundação Werner von Siemens Ring e a Universidade Técnica de Munique inauguraram uma placa em sua memória na Faculdade de Engenharia Mecânica.