| Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) | |
|---|---|
| Tipo | Unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação |
| Fundação | 16 de maio de 1980 |
| Sede | Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil |
| Diretor | Fábio Borges de Oliveira |
| Website | https://www.lncc.br |
O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), dedicada à computação científica e à modelagem computacional, com sede em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Tem três missões: pesquisar em ciência da computação aplicada à modelagem, oferecer computação de alto desempenho à comunidade científica do país e formar especialistas na área.
O laboratório abriga o Supercomputador Santos Dumont, o computador reservado à pesquisa acadêmica mais potente em operação no país, e coordena o nó central do Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (SINAPAD). Em 2026 ficou encarregado de implantar e operar o supercomputador de inteligência artificial previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.

O laboratório nasceu no fim da década de 1970, no Laboratório de Cálculo (LAC) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), então dirigido por Antônio César Olinto de Oliveira. Entre seus iniciadores estavam os pesquisadores Abimael Loula, Augusto Galeão, Carlos Antônio de Moura, Edgardo Taroco, Marco Antonio Raupp e Raúl Feijóo. O LAC foi reorganizado como Laboratório de Computação Científica (LCC), criado em 16 de maio de 1980 pelo presidente do CNPq, Lynaldo Cavalcanti. Em meados da década de 1980 ganhou abrangência nacional. O grupo participou da criação da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC).
Em setembro de 1988, o LNCC estabeleceu uma linha direta com a Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Foi uma das primeiras ligações do Brasil a uma rede acadêmica internacional, a BITNET. O laboratório participou, com a FAPESP, da implantação das primeiras redes de dados acadêmicas do país, a BITNET e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).
Em 1998, o LNCC deixou a cidade do Rio de Janeiro e passou a ocupar um terreno de cerca de 11 000 m² no bairro Quitandinha, em Petrópolis. A mudança coincidiu com uma fase de expansão. Em 2000 foram criados o programa de pós-graduação em Modelagem Computacional e os laboratórios de bioinformática (LABINFO) e de modelagem em medicina (HeMoLab), e em 2001 surgiu uma incubadora de empresas. Também surgiram nesse período o Centro de Modelagem da Atmosfera, Continente e Oceano (CATO), voltado à previsão regional do tempo, e a participação do laboratório na rede de geoprocessamento da Amazônia (GEOMA).
Em 2004, o MCTI confirmou o LNCC como responsável pela coordenação do SINAPAD. O SINAPAD, criado naquele ano, reúne os Centros Nacionais de Processamento de Alto Desempenho (CENAPADs) espalhados pelo país. Em 2025, foi reorganizado por portaria que criou um centro dedicado à inteligência artificial.
O supercomputador Santos Dumont, fabricado pela Atos (depois Eviden), entrou em operação em 2015–2016. Com 1,1 petaflop, foi o primeiro sistema do país na escala dos petaflops. Em novembro de 2019 foi ampliado com 63 milhões de reais da Petrobras e de seus sócios no consórcio do campo de Libra. Em 2024 recebeu nova expansão, de cerca de 17 petaflops, num contrato de 19,4 milhões de dólares com a Eviden financiado pela Petrobras. No fim daquele ano o sistema ocupava a 89.ª posição na lista TOP500.
Até dezembro de 2023, o Santos Dumont havia atendido 430 projetos de pesquisa e mais de 2 000 usuários ativos. Esses projetos geraram mais de mil artigos, 398 dissertações e teses e 11 patentes. Em março de 2020, o LABINFO usou a máquina para sequenciar, em 48 horas, 19 genomas do SARS-CoV-2 coletados em cinco estados. O estudo indicou que o vírus já circulava com características genéticas próprias no país. Em 2021, o laboratório analisou cerca de 6 300 genomas ligados à COVID-19.
Em agosto de 2026, o MCTI anunciou que o LNCC passará a operar o supercomputador de inteligência artificial do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Macaíba. O investimento previsto ultrapassa 1 bilhão de reais, com capacidade estimada de 7 200 petaflops. A seleção do fornecedor, conduzida por uma fundação de apoio em benefício do LNCC, foi adiada de outubro de 2026 para 4 de novembro, com alterações no edital. O valor estimado era de cerca de 959 milhões de reais.
A pesquisa está organizada em duas coordenações: Métodos Matemáticos e Computacionais (COMAC) e Modelagem Computacional (COMOD). As principais linhas são:
Entre as aplicações estão a bioinformática, a medicina computacional, os fenômenos de transporte, os reservatórios de petróleo e a sísmica. Em 2021, os pesquisadores publicaram 93 artigos em periódicos indexados e mantiveram 104 projetos e cooperações.
O Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional, com mestrado e doutorado, foi criado em 2000. Teve conceito 6 da CAPES desde 2010. Nas avaliações quadrienais de 2017–2020 e de 2021–2024 obteve conceito 7, a nota máxima. Em 2026, havia 50 docentes e 92 alunos, e havia 227 mestres e 189 doutores titulados.
A incubadora de empresas de base tecnológica do LNCC funciona desde 2001. Até 2021 havia admitido 18 empresas, das quais 11 se graduaram.
| Período | Diretor |
|---|---|
| 1980–1999 | Antônio César Olinto de Oliveira |
| 1999–2006 | Marco Antonio Raupp |
| 2006–2007 | Abimael Fernando Dourado Loula |
| 2007–2015 | Pedro Leite da Silva Dias |
| 2015–2021 | Augusto César Gadelha Vieira |
| 2021–atual | Fábio Borges de Oliveira |