Félicité de La Mennais

Félicité de La Mennais
Retrato por L. D. Lancôme, 1827
Nascimento19 de junho de 1782
Saint-Malo, Reino da França
Morte27 de fevereiro de 1854
Paris, Império Francês
Sepultamentocemitério do Père-Lachaise
Progenitores
  • Pierre-Louis Robert de la Mennais
  • Gratienne-Jeanne Lorin
Irmão(ã)(s)Jean-Marie de La Mennais, Marie-Joseph de La Mennais, Louis-Marie Robert de La Mennais, Gratien Robert de La Mennais
Ocupaçãofilósofo, político, tradutor, sacerdote, teólogo, escritor
Cargo(s)
Deputy of the French Second Republic (1849–1851)
Member of the 1848 Constituent Assembly (1848–1849)
Religiãopanteísmo
(anteriormente catolicismo)

Félicité Robert de Lamennais, ou La Mennais (Saint-Malo, 19 de junho de 1782 – Paris, 27 de fevereiro de 1854), foi um padre, filósofo, político e escritor francês.

Biografia

Nascido em uma família de armadores de Saint-Malo, foi educado por seu irmão Jean e tornou-se padre. Escritor brilhante, tornou-se uma figura influente e controversa na história da Igreja Católica francesa. Juntamente com Jean, concebeu a ideia de reviver o catolicismo romano como uma chave para a regeneração social. Chegaram a esboçar um programa de reforma, sob o título Reflexão do estado da Igreja…, no ano de 1808.

Cinco anos mais tarde, no auge do conflito entre Napoleão Bonaparte e o papado, os irmãos produziram uma defesa do ultramontanismo (doutrina e política dos católicos franceses que buscavam inspiração na Cúria Romana, defendendo a autoridade absoluta do Papa em matéria de fé e disciplina). Esta obra valeu a Lamennais um conflito com o Imperador, forçando-o a uma precipitada fuga para a Inglaterra em 1815. No ano seguinte, com 34 anos de idade, Lamennais retornou a Paris, onde foi ordenado padre.

Escritor fluente, político e filósofo, esforçou-se para combinar a política liberal com o catolicismo, após a Revolução Francesa. Desse modo, já em 1817 publicou Ensaios sobre a indiferença em matéria de religião considerada em suas relações com a ordem política e civil, além de uma tradução da Imitação de Jesus Cristo.

O ensaio lhe valeu fama imediata. Nele, Lamennais argumentava a respeito da necessidade da religião, baseando seus apelos na autoridade da tradição e a razão geral da Humanidade, em vez do individualismo do julgamento privado. Embora advogasse o ultramontanismo na esfera religiosa, em suas crenças políticas era um liberal que advogava a separação do Estado da Igreja, a liberdade de consciência, educação e imprensa.

Depois da Revolução de Julho de 1830, Lamennais, junto com Henri Dominique Lacordaire e Charles de Montalembert, além de um grupo entusiástico de escritores do catolicismo liberal, fundou o jornal L'Avenir. Neste periódico diário, defendia os princípios democráticos, a separação da Igreja do Estado, o que lhe criou embaraços tanto com a hierarquia eclesiástica francesa quanto com o governo do rei Luís Filipe.

O Papa Gregório XVI desautorizou as opiniões de Lamennais na encíclica Mirari vos, em agosto de 1832. Não houve uma citação específica a ele e nem a seu jornal, mas tão somente uma censura implícita a ambos. Inicialmente, Lamennais suspendeu a distribuição do jornal, submetendo-se. Em 1833, assinou uma submissão à autoridade papal, porém se arrependeu, considerando que era uma traição ao povo. Mais tarde, deixou a Igreja e defendeu a própria posição na obra Paroles d'un croyant (Palavras de um crente), condenada explicitamente na encíclica Singulari Nos, em junho de 1834, sendo citados tanto o autor quanto a obra. Em 1836, Lamennais renunciou completamente ao catolicismo.

Incansável, ele se devotou à causa do povo, colocando sua pena a serviço do republicanismo e do socialismo. Escreveu obras como O Livro do Povo (1838), Os afazeres de Roma e Esboço de uma Filosofia. Chegou a ser condenado à prisão mas, já em 1848 foi eleito para a Assembleia Nacional, e em 1849 entrou para a Assembleia Legislativa; posteriormente, aposentou-se em 1851.

Por ocasião de sua morte, não desejando se reconciliar com a Igreja (havia adotado uma filosofia panteísta e recusou-se em seu leito a ver um padre), foi sepultado em uma cova de indigente sem uma cruz na lápide e seu corpo não havia sido levado previamente a uma igreja, como pediu em vida.

Na obra O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, encontram-se mensagens atribuídas tanto a Lamennais quanto a Lacordaire. Também em O Livro dos Espíritos, obra espírita do mesmo autor, na questão 1009, pode-se encontrar uma mensagem atribuída a Lammenais.

Ver também

Referências

  1. 1 2 «La tombe de Lamennais». L'Intermédiaire des chercheurs et curieux (em francês). LXXVIII (1486). 1 de janeiro de 1918. p. 167. Consultado em 9 de dezembro de 2023
  2. 1 2 Cárcel, Vicente (2009). Historia de la Iglesia. III: La Iglesia en la época contemporánea 3ª ed. Madrid: Palabra. p. 82. ISBN 978-84-9840-290-2
  3. 1 2 Lemaître, Nicole; Quinson, Marie-Therese; Sot, Véronique (1999). Dicionário cultural do cristianismo. São Paulo: Loyola. p. 179. ISBN 978-85-15-01330-2
  4. ↑ «Lamennais (1782 - 1854)» (em francês). Herodote.net. Consultado em 9 de dezembro de 2023
  5. 1 2 3 4 Cook, Bernard (20 de outubro de 2004). «Lamennais, Hugues-Félicité Robert de (1782-1854)». Ohio University (em inglês). Consultado em 9 de dezembro de 2023
  6. ↑ Gregório XVI (25 de junho de 1834). «Singulari Nos». Papal Encyclicals (em inglês). Consultado em 9 de dezembro de 2023
  7. ↑ «La Mennais, Félicité de (1782-1854)». BnF Catalogue général (em francês). Consultado em 9 de dezembro de 2023
  8. ↑ «Félicité Robert de Lamennais». Assemblée Nationale (em francês). Consultado em 9 de dezembro de 2023
  9. ↑ Lamennais, Félicité Robert de (1895). Essay on Indifference in Matters of Religion (em inglês). Traduzido por Stanley of Alderley. Londres: John McQueen. Prefácio do tradutor
  10. 1 2 Faure, Philippe Amedee (1859). Journal d'un combattant de février (em francês). Jersey: C. Le Feuvre. p. 165

Ligações externas

O Wikiquote tem citações relacionadas a Félicité Robert de Lamennais.


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