A linamarina é um glicósido cianogénico com a fórmula química C₁₀H₁₇NO₆, classificado estruturalmente como β-D-glucósido da cianidrina de acetona, que se encontra presente em concentrações elevadas em plantas de grande relevância económica e alimentar, tais como a mandioca (Manihot esculenta), o linho (Linum usitatissimum) e o feijão-de-lima (Phaseolus lunatus). Servindo como um sofisticado mecanismo de defesa química do reino vegetal contra a herbivoria e o ataque de fitopatógenos, este composto orgânico encontra-se originalmente armazenado de forma estável e inócua nos vacúolos de células intactas; todavia, aquando da ocorrência de danos mecânicos no tecido da planta — como a trituração, ralação ou mastigação —, a rutura das barreiras celulares coloca a linamarina em contacto direto com a enzima linamarase (uma β-glucosidase presente nas paredes celulares), desencadeando um processo sequencial de hidrólise que culmina na libertação de cianeto de hidrogénio (HCN), um gás volátil extremamente tóxico que inibe a enzima oxidase de citocromo c na cadeia respiratória mitocondrial, bloqueando a respiração celular e provocando uma rápida asfixia nos tecidos com elevada exigência metabólica, como o cérebro e o coração. No âmbito da saúde pública global, a ingestão crónica de linamarina proveniente do consumo regular de variedades de mandioca-amarga que não tenham sido submetidas a processos rigorosos de desintoxicação (como a demolha prolongada, a prensagem, a fermentação bacteriana e a subsequente cozedura térmica para volatilização do cianeto), especialmente quando associada a regimes alimentares severamente carenciados em aminoácidos sulfurados, está diretamente correlacionada com a manifestação de graves patologias neuroendócrinas irreversíveis, destacando-se o conzo (uma paraplegia espástica bilateral súbita dos membros inferiores), a neuropatia atáxica tropical (uma síndrome degenerativa progressiva que afeta a coordenação e a visão) e o desenvolvimento de bócio e hipotiroidismo induzidos pela acumulação de tiocianato — o metabólito gerado pelo organismo humano para a depuração do cianeto —, o qual atua como um inibidor competitivo da captação de iodo na glândula tiroide, razão pela qual a investigação contemporânea se foca intensamente na regulação genética da sua biossíntese, que ocorre nas partes aéreas das plantas a partir do aminoácido valina, visando o desenvolvimento biotecnológico de linhagens agrícolas transgénicas com teores residuais ou nulos deste composto de modo a mitigar o risco de toxicidade alimentar em populações dependentes destes recursos agrícolas.