
Linotipo ou linótipo é uma máquina de composição tipográfica por fundição a quente inventada por Ottmar Mergenthaler e introduzida comercialmente em 1886.
O equipamento revolucionou a indústria gráfica ao permitir a composição mecanizada de linhas inteiras de texto, substituindo em larga escala a composição manual com tipos móveis.
O nome deriva de line o' type ("linha de tipos"), em referência ao processo de fundição de uma linha inteira de caracteres em um único bloco metálico.

A máquina foi desenvolvida pelo inventor alemão Ottmar Mergenthaler, que emigrou para os Estados Unidos. O primeiro modelo comercial entrou em operação em julho de 1886 no jornal New York Tribune.
A invenção representou uma transformação profunda no setor editorial, tornando possível a impressão diária de jornais com maior rapidez e menor necessidade de composição manual.
Durante décadas, a fabricação das máquinas esteve associada à Mergenthaler Linotype Company, empresa que dominou amplamente o mercado de composição mecânica.
A linotipo integra em uma única máquina os processos de composição, fundição e redistribuição de tipos. Sua estrutura principal compreende teclado, magazine (depósito de matrizes), mecanismo de fundição e distribuidor automático.
O operador compõe o texto por meio de um teclado específico, no qual cada tecla libera uma matriz metálica correspondente a determinado caractere. As matrizes descem do magazine e são organizadas em sequência em um componedor, formando uma linha completa de texto.

Os espaços entre palavras são obtidos por meio de peças móveis chamadas espaçadores, cunhas metálicas ajustáveis utilizadas no processo de justificação. Quando a linha está completa, essas peças expandem-se para uniformizar a largura da composição, alinhando o texto de acordo com a medida definida.
Após a composição, a linha é transferida ao mecanismo de fundição, onde uma liga metálica aquecida — geralmente composta por chumbo, antimônio e estanho — é injetada contra as matrizes, produzindo uma linha-bloco única.
Concluída a fundição, as matrizes são separadas do bloco metálico e elevadas ao distribuidor, localizado na parte superior da máquina. Cada matriz possui um código dentado que permite seu reconhecimento mecânico, fazendo com que retorne automaticamente ao canal correto no magazine, onde permanece disponível para reutilização.
Esse sistema de circulação contínua permitia elevada produtividade, alcançando aproximadamente entre 6 mil e 8 mil toques por hora, desempenho muito superior ao da composição manual com tipos móveis. A automação da redistribuição das matrizes foi considerada uma das principais inovações técnicas da linotipo e um dos fatores decisivos para sua ampla adoção por jornais e gráficas ao longo do século XX.
A partir da segunda metade do século XX, a linotipo começou a ser substituída por sistemas de Phototypesetting e posteriormente pela editoração digital.
Apesar disso, permanece como um marco da história da impressão e da industrialização editorial, sendo considerada uma das invenções mais importantes para a modernização da imprensa escrita.
Embora praticamente extinta em escala industrial, algumas oficinas e jornais históricos ainda preservam e utilizam linotipos.
No Brasil, o jornal O Taquaryense, publicado em Taquari, Rio Grande do Sul, mantém o uso de linotipo e impressão tipográfica tradicional.
Nos Estados Unidos, o jornal The Saguache Crescent, publicado no estado do Colorado, é conhecido por manter a composição em linotipo e impressão tipográfica tradicional.
Na França, o jornal Le Démocrate de l'Aisne, fundado em 1906, é reconhecido por preservar métodos tradicionais de composição tipográfica, incluindo o uso de linotipo.