Loxosceles

Como ler uma infocaixa de taxonomiaLoxosceles
aranhas-marrom, aranhas-violino
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Arachnida
Ordem: Araneae
Família: Sicariidae
Género: Loxosceles
Heineken & Lowe, 1832
Espécies
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Loxosceles Heineken & Lowe, 1832 é um gênero de aracnídeos peçonhentos pertencentes à família Sicariidae, conhecidos pelos casos onde sua picada tem efeito necrosante, apesar de a grande maioria das picadas não chegar nessa gravidade. Os membros destes gêneros são conhecidos pelos nomes comuns de aranhas-marrom (Brasil) ou aranhas-violino (Portugal).

Informações

As espécies do gênero Loxosceles têm um comprimento total de 3 a 4 cm, sendo que um terço é o corpo, de coloração tipicamente acastanhada. Apresentam seis olhos, de cor esbranquiçada. Algumas apresentam o desenho de uma estrela no cefalotórax. As teias são pequenas e irregulares apenas forrando quase invisivelmente o chão e arredores de seu esconderijo, servindo como cordões de alarme. Têm como característica a peregrinação noturna e a alta atividade no verão. Durante o dia permanecem escondidas sob cascas de árvores e folhas secas de palmeira - na natureza - ou atrás de móveis, de coisas encostadas às paredes, em sótãos, porões e garagens - no ambiente doméstico.

Principais espécies

A última revisão das espécies de Loxosceles na América do Sul foi feita por Gertsch em 1958 e 1967. Estão catalogadas cerca de 30 espécies para o aquele continente, entre as quais:

Forma e consequência dos ataques

Loxosceles reclusa: macho adulto quase do tamanho de uma moeda de um centavo de dólar.

São aranhas pouco agressivas, dificilmente atacam pessoas. As picadas ocorrem com mais frequência como defesa quando a aranha fica presa contra a pele, nas roupas, por exemplo. Muitas das picadas ocorrem ao rolar sobre a aranha durante o sono, no momento do uso das vestimentas (calçando um sapato, por exemplo) ou no manuseio de objetos de trabalho (como enxadas e pás guardadas em locais escuros). O volume total de veneno é minúsculo (apenas 2 microgramas injetados de 4 microlitros nas glândulas de veneno).

No ato da picada há pouca ou nenhuma dor e a marca é praticamente imperceptível. Depois de 12 a 14 horas ocorre um inchaço acompanhado de vermelhidão na região (edema e eritema, respectivamente), que pode ou não coçar. Também pode ocorrer escurecimento da urina e febre. Os dois quadros distintos conhecidos são o loxoscelismo cutâneo (o que normalmente ocorre, onde há a picada na pele) e o cutâneo-visceral (com lesão cutânea associada a uma hemólise intravascular).

Com o avanço (sem tratamento) da picada, o veneno (dependendo da quantidade inoculada) pode causar necrose do tecido atingido, falência renal e, em alguns casos, morte. Somente foram detectados casos de morte - cerca de 1,5% do total - nos incidentes com L. laeta e L. intermedia.

O veneno é idêntico nas aranhas machos e fêmeas, mas as fêmeas podem ter quase o dobro da concentração de toxinas. Por razões desconhecidas, a toxicidade do veneno para espécies de mamíferos varia; mordidas de loxosceles podem causar necrose em humanos, coelhos e porquinhos-da-índia, mas não em camundongos ou ratos.

A Loxosceles chilena (L. laeta) supostamente possui um veneno mais potente, o que resulta em envolvimento sistêmico com mais frequência. Todas as espécies de Loxosceles testadas têm venenos semelhantes ao da Loxosceles reclusa e todas devem ser evitadas. Em geral, porém, elas não são agressivas e comumente ocupam habitações humanas sem causar problemas.

Muitos tipos de feridas na pele são confundidas ou consideradas como resultado de uma picada de Loxosceles. Várias doenças podem imitar as lesões da picada, incluindo a doença de Lyme, diversas infecções fúngicas e bacterianas e feridas da sífilis. É importante associar a aranha diretamente à picada para evitar tratamento inadequado e para tratar com sucesso infecções comuns ou outras condições caso nenhuma aranha tenha sido vista.

A picada de uma aranha Loxosceles geralmente pode ser categorizada em um dos seguintes grupos:

A maioria das mordidas nem acaba sendo notada ou tem complicações leves.

O veneno das aranhas Loxosceles tem um efeito prejudicial dinâmico sobre o tecido adiposo (gordura). Consequentemente, mordidas em pessoas magras ou musculosas costumam ser muito menos dramáticas, enquanto que vítimas mordidas em regiões com mais tecido adiposo (coxas, nadegas), ou pessoas com sobrepeso, tendem a sofrer os piores sintomas.

Tratamento

Logo após a picada é indicado lavar o local com água e sabão abundantes e não fazer torniquetes, para evitar a gangrena do veneno e minimizar os efeitos da necrose. É interessante que a região da picada fique em repouso, dificultando a absorção do veneno. Não convém furar, cortar, queimar ou espremer. Também não é indicado fazer sucção no local da ferida nem aplicar extratos naturais. Não se recomenda a ingestão de bebidas alcoólicas. O procedimento padrão é levar a vítima ao serviço de saúde próximo o mais rapidamente possível, levando a aranha (morta ou viva) para identificação de espécie e confirmação da necessidade de soro. Vale lembrar que tais procedimentos servem para qualquer ataque de animal peçonhento.

O soro utilizado para combater a picada desta aranha é composto de Antihistamínico/anticolinesterásico/dapsona e 5 ampolas de soro antiaracnideo polivalente ou soro antiloxosceles EV, que deverá ser ministrado ao paciente até 36 horas depois do acidente com a aranha.

Combate


A região sul do Brasil (Paraná principalmente) tem sofrido com o ataque destas aranhas, cerca de 3.000 acidentes somente em 2004. Um relatório de um Instituto de Saúde de Minas Gerais, mostra que foram encontradas aranhas-marrons do gênero Loxosceles em algumas casas da Grande Belo Horizonte, onde esta aranha estaria extinta desde 1917, e teoricamente somente existiria em cavernas.

O aumento da urbanização juntamente com o da população, proporcionou novos locais para as aranhas crescerem e se reproduzirem, consequentemente aumentando os encontros com humanos.

Com a facilidade de transporte da atualidade (de mobiliário a produtos, máquinas e equipamentos), as diversas espécies de aranhas estão encontrando possibilidade de deslocamento sem precedentes, podendo tornar-se novos problemas ou até mesmo pragas em novas regiões.

Como evitar ocorrências

No caso de alguma ocorrência da presença

Espécies

Estão validamente descritas cerca de 100 espécies do gênero Loxosceles, entre as quais:

Notas

  1. 1 2 3 4 5 6 Vetter, R. S. (2008). «Spiders of the genus Loxosceles: a review of biological, medical and psychological aspects regarding envenomations» (PDF). Journal of Arachnology. 36 (3): 150–163. doi:10.1636/RSt08-06.1
  2. ↑ Vetter, R.S. (2008). "Spiders of the genus Loxosceles: A review of biological, medical, and psychological aspects regarding envenomations" (PDF). Journal of Arachnology. 36 (3): 150–163. doi:10.1636/RSt08-06.1. S2CID 7746032
  3. ↑ Barceloux, Donald G. (2008-11-12). Medical Toxicology of Natural Substances: Foods, fungi, medicinal herbs, plants, and venomous animals. John Wiley & Sons. ISBN 978-0-471-72761-3.
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  6. ↑ Vetter, R.; Bush, S. (2002). "The diagnosis of brown recluse spider bite is overused for dermonecrotic wounds of uncertain etiology". Annals of Emergency Medicine. 39 (5): 544–546. doi:10.1067/mem.2002.123594. PMID 11973562
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Ligações externas