| MPB4 | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Origem | Niterói, RJ |
| País | Brasil |
| Gêneros | MPB, bossa nova |
| Período em atividade | 1965–presente |
| Afiliações | Chico Buarque, Quarteto em Cy, Toquinho, Milton Nascimento |
| Integrantes | Dalmo Medeiros (1ª voz) Paulo Malaguti Pauleira (2ª voz) Aquiles Rique Reis (3ª voz) Miltinho (4ª voz) |
| Ex-integrantes | Ruy Alexandre Faria (1ª voz) Magro Waghabi (2ª voz) |
| Página oficial | Sítio oficial |
MPB4 é um conjunto vocal e instrumental brasileiro formado em 1965, na cidade de Niterói, estado do Rio de Janeiro, por Miltinho, Magro, Aquiles e Ruy Faria. O seu repertório assenta sobretudo na música popular brasileira e no samba, distinguindo-se pelas harmonizações vocais e pela longa colaboração artística mantida com o compositor Chico Buarque ao longo da sua carreira.

A gênese do grupo ocorreu em 1964, no efervescente ambiente universitário e político fluminense. Aquiles, Magro, Ruy e Miltinho integravam o Centro Popular de Cultura (CPC), núcleo de agitação cultural vinculado à União Nacional dos Estudantes (UNE). Magro e Miltinho, ambos com formação musical prévia (Magro com estudos de teoria musical sob a tutela de Eumir Deodato e Isaac Karabtchevsky), eram estudantes de Engenharia na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ruy era graduado em Direito e atuava na cena noturna como crooner, enquanto Aquiles era ainda estudante secundarista.
Fortemente influenciados pela harmonia da bossa nova e por conjuntos vocais como Os Cariocas e Tamba Trio, decidiram profissionalizar-se em 1965, migrando para São Paulo. A profissionalização exigiu um trâmite legal: como Aquiles era menor de idade, Ruy Faria assumiu formalmente a sua tutela para viabilizar os contratos do grupo.
Em São Paulo, o quarteto alinhou-se à nascente MPB de protesto. Iniciaram uma parceria simbiótica e fundamental com Chico Buarque, atuando como seus "escudeiros vocais" em diversas apresentações e gravações ao longo de uma década. Em 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, obtiveram destaque nacional ao interpretar "Gabriela" e ao acompanhar Chico Buarque no antológico dueto de "Roda Viva" (3º lugar).
Do ponto de vista técnico, a sonoridade do MPB4 sofreu uma reestruturação fundamental em 1968. Até então, a divisão vocal era composta por Ruy (1ª voz), Magro (2ª), Miltinho (3ª) e Aquiles (4ª). Após Aquiles iniciar estudos formais de bel canto e impostação vocal, os arranjos foram reorganizados, invertendo as posições de base: Miltinho assumiu a 4ª voz e Aquiles a 3ª voz, estabelecendo a tessitura harmônica clássica que definiria o grupo nas décadas seguintes.

A década de 1970 marcou o ápice criativo do MPB4, mas também o período de maior atrito com a repressão institucional da ditadura militar. A associação pregressa ao CPC da UNE e a ligação visceral com a obra de Chico Buarque (que se encontrava autoexilado na Itália) colocaram o grupo sob o escrutínio constante dos censores.
O grupo enfrentou severas dificuldades financeiras devido à interrupção arbitrária de espetáculos. Para contornar a censura e garantir a viabilidade profissional, o quarteto precisou adotar negociações diretas em Brasília e subterfúgios técnicos. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em 1973: proibidos de assinar a música-tema da telenovela O Bem-Amado (composta por Toquinho e Vinicius de Moraes), os integrantes gravaram a faixa de forma anônima sob o pseudônimo de "Coral Som Livre".
Apesar do cerco político, a produção discográfica foi aclamada. O LP Deixa Estar (1970) marcou a emancipação artística do grupo em relação a Chico Buarque, impulsionado pelo sucesso de "Amigo é pra essas coisas" (de Aldir Blanc e Sílvio da Silva Júnior). O álbum Cicatrizes (1972) evidenciou a sofisticação dos arranjos instrumentais e vocais de Magro Waghabi, rendendo ao MPB4 o prêmio de Melhor Conjunto Vocal pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
O quarteto também participou de eventos históricos de resistência cultural, como o espetáculo coletivo Phono 73, consolidando o seu papel como uma das vozes mais politizadas da música brasileira daquele período.
Ao longo das décadas seguintes, o grupo diversificou o seu repertório. Nos anos 1980, produziram discos voltados ao público infantil, como Flicts (1980, com o Quarteto em Cy) e Adivinha o que é (1981). A parceria com o Quarteto em Cy rendeu novos frutos nos anos 1990 e 2000, gerando turnês e discos conjuntos, como Bate-Boca (1997) e Vinícius - A Arte do Encontro (2000).
Em 2004, a formação original sofreu a sua primeira alteração estrutural. Ruy Faria deixou o quarteto devido a divergências internas, sendo substituído por Dalmo Medeiros (ex-integrante do grupo Céu da Boca). Em agosto de 2012, o grupo sofreu a perda de Magro Waghabi, que faleceu aos 68 anos, vítima de câncer. Para ocupar a 2ª voz, foi oficializado o cantor e arranjador Paulo Malaguti Pauleira, também ex-integrante do Céu da Boca e do Arranco de Varsóvia. Ruy Faria viria a falecer alguns anos depois, em janeiro de 2018, aos 80 anos.
Com a nova formação, o MPB4 continuou a sua produção discográfica e rotina de espetáculos. Venceram o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Grupo de MPB em 2017 pelo álbum comemorativo de meio século de carreira, O Sonho, a Vida, a Roda Viva! (Selo Sesc).