Magã

Magã ou Macã (em sumério: 𒈣𒃶; romaniz.: Magan ou Makkan) foi uma antiga região mencionada nos textos cuneiformes sumérios do início do século a.C. como fonte de cobre e diorita para a Mesopotâmia.

Localização

A localização de Magan não é conhecida com certeza, porém a maior parte das evidências arqueológicas e geológicas sugerem que o local estaria no território do atual Omã. Alguns arqueólogos, no entanto, o colocaram na região do Iêmen conhecida como Ma'in, no sul do Alto Egito, na Núbia ou no Sudão, e outros até mesmo em partes do atual Irã ou Paquistão. O acadêmico Ranajit Pal sustenta que o Omã e parte do Irã eram Magã; de acordo com o seu ponto de vista o rei Mânio (Manium) de Magan, que também seria conhecido como Mannu, era o célebre Manu, o primeiro sacrificador do texto sagrado indiano Rigveda. O nome Oman poderia até mesmo estar relacionado com Ooumi Manu, um dos diversos Manus. Pal também afirma que Magan é o antigo Mágada dos textos indianos.

História

Modelo do barco de Magã.

As primeiras menções sumérias de uma terra de Magã são feitas durante o período de Umal-Nar (2600–2000 a.C.), bem como referências aos 'Senhores de Magã'. As fontes sumérias também apontam para 'Tilmum' (aceito hoje como sendo centrado no atual Bahrein) e Melua (pensado para se referir ao Vale do Indo). As campanhas acádias contra Magã ocorreram no século XXIII a.C., novamente possivelmente explicando a necessidade de fortificações, e tanto Narã-Sim quanto Manistusu, em particular, escreveram sobre uma campanha contra '32 senhores de Magã'.

Inscrição dos cilindros de Gudea A IX: 19. Gudea menciona as devoções ao seu Templo: "Magã e Melua descerão de suas montanhas para comparecer".  As palavras Magã (𒈣𒃶) e Melua (𒈨𒈛𒄩) aparecem verticalmente na primeira coluna à direita.

Narã-Sim deu o título acádio Maleque ao derrotado governante de Magã, um título que sobrevive em árabe para rei, maleque.

Magã era famosa por sua construção naval e capacidade marítima. O rei Sargão da Acádia (r. 2371–2316 a.C.) gabava-se de que seus portos eram o lar de barcos de Dilmum, Magã e Melua. Seu sucessor, Narã-Sim, não apenas conquistou Magã, mas honrou o rei de Magã Manium ao nomear a cidade de Manium-Qui na Mesopotâmia em sua homenagem.

Comércio

O comércio entre o vale do Indo e a Suméria ocorria por meio de Magã, embora esse comércio pareça ter sido interrompido, pois Ur-Namu (r. 2113–2096 a.C.) de Ur afirmou ter 'trazido de volta os navios de Magã'. Com o fim do comércio na região do Indo, o cobre de Magã foi substituído por importações de cobre de Alásia (antigo Chipre). O comércio entre Magã e Ur foi extenso antes dos reinados dos reis gútios sobre Ur. Depois de terem sido depostos, Ur-Namu de Ur restaurou as estradas e o comércio entre as duas nações (por volta de 2 100 a.C.).

Ver também

Referências

  1. ↑ McGrail, Seán (2004). Boats of the World: From the Stone Age to Medieval Times (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press
  2. ↑ M. Redha Bhacker e Bernadette Bhacker. «Digging in the Land of Magan». Archaeological Institute of America
  3. ↑ Hommel, F. Ethnologie und Geographie des alten Orients, (Handbuch der klassischen Altertumswissenschaft von W. Otto, III. Abtl. I, Teil, Bd. I, Munique 1926), 550, 578 ff.
  4. ↑ Lawton, John. «Oman - The Lost Land». Saudi Aramco World (Maio/Junho de 1983): 18–19. Consultado em 14 de agosto de 2009. Arquivado do original em 6 de outubro de 2014
  5. ↑ Pal, Ranajit Non-Jonesian Indology and Alexander, Nova Delhi 2002, p.37.
  6. 1 2 United Arab Emirates : a new perspective. Abed, Ibrahim., Hellyer, Peter. London: Trident Press. 2001. p. 40.
  7. ↑ «The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature». etcsl.orinst.ox.ac.uk. Consultado em 12 de abril de 2021
  8. ↑ Tosi, Maurizio (1986). «The Emerging Picture of Prehistoric Arabia». Annual Review of Anthropology: 461–490. ISSN 0084-6570. Consultado em 12 de abril de 2021
  9. ↑ Donald., Hawley (1970). The Trucial States. Londres: Allen & Unwin. p. 27.
  10. ↑ Hamblin, William J. Warfare in the Ancient Near East to 1600 BC. Nova Iorque: Routledge, 2006.
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