Margarida Rey

Margarida Rey
Nome completoMaria Margarida Lopes
Outros nomesMargarida Rey
Nascimento17 de janeiro de 1922
Santos, SP
Nacionalidadebrasileira
Morte19 de novembro de 1983 (61 anos)
Rio de Janeiro, RJ
OcupaçãoAtriz e Dubladora
Atividade1946-1978
ParentescoChico Teixeira (sobrinho neto)
Isabel Teixeira (sobrinha neta)

Margarida Rey, nome artístico de Maria Margarida Lopes (Santos, 17 de janeiro de 1922 - Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1983), foi uma atriz brasileira. Destacou-se principalmente no teatro, atingindo grandes desempenhos em papéis dramáticos e trágicos.

Biografia

Estreou em Desejo, de Eugene O'Neill, uma direção de Ziembinski para Os Comediantes, em 1946 e grande sucesso no período. No mesmo ano, esteve em A Rainha Morta, de Henry de Montherland, também sob a direção de Ziembinski. Volta em Terras do Sem-Fim, adaptação de Graça Mello para o romance de Jorge Amado, em 1947.

Junto a Os Artistas Unidos, a atriz participou de dois grandes espetáculos: Medeia, de Eurípides, e Uma Rua Chamada Pecado, de Tennessee Williams, ambos dirigidos por Ziembinski, com Henriette Morineau à frente do elenco, em 1948.

Em São Paulo, surgiu ao lado de Madalena Nicol, em O Homem, a Besta e a Virtude, de Luigi Pirandello, em 1951. Contracenando com Nicette Bruno em De Amor Também Se Morre, em 1952, e, com a Companhia de Delmiro Gonçalves, esteve em duas realizações cheias de ressonâncias: "A Falecida Mrs. Black", de Dinner e Morunr, e A Ilha das Cabras, de Ugo Betti, encenações de Rubens Petrilli de Aragão, que lhe deram dois prêmios Saci consecutivos.

Em 1954, Margarida Rey foi contratada pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) onde fez Negócios de Estado e Cândida, em 1954, e Santa Marta Fabril S. A., em 1955.

Saiu do TBC para retornar ao Rio de Janeiro, na Companhia Tônia-Celi-Autran (CTCA), atuando com destaque nas principais montagens da empresa, como Otelo, de William Shakespeare; A Viúva Astuciosa, de Carlo Goldoni; Entre Quatro Paredes (Huis Clos), de Jean-Paul Sartre, todas em 1956, com novas premiações; Natal na Praça, de Henri Ghéon, em 1960; e ainda Calúnia, de Lillian Hellmann; Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello; Esses Maridos e O Castelo da Suécia, de Françoise Sagan; Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, em 1961.

Em São Paulo, na Companhia Nicette Bruno, interpretou Oito Mulheres, de Robert Thomas, com direção de Luís de Lima, em 1963. Voltou ao gênero trágico, em 1965, na montagem de Electra, de Sófocles, ao lado de Glauce Rocha, com o diretor Antônio Abujamra à frente do Grupo Decisão.

Em 1966, Margarida Rey esteve em Os Físicos, de Dürrenmatt, novamente com Ziembinski e, no ano seguinte, na montagem de Édipo Rei, direção de Flávio Rangel para a companhia de Paulo Autran. Em 1968, participou de O Burguês Fidalgo, de Molière, direção de Ademar Guerra para o mesmo conjunto.

Em 1974, ressurgiu ao lado de Miriam Mehler em Bonitinha, mas Ordinária, de Nelson Rodrigues, uma encenação de Antunes Filho.

Sua interpretação em A Ilha das Cabras motivou o crítico Décio de Almeida Prado a comentar: Margarida Rey tem no drama de Ugo Betti o maior desempenho de sua carreira. Embora contracenando com três bons atores, com sua sobriedade, a sua força autêntica e profunda, a sua impecável dignidade, a sua noção de medida que é calor e não frieza. Margarida sempre foi uma excelente atriz mas agora ao rol, muitíssimo restrito, das grandes atrizes. A sua preocupação, durante muito tempo, será a de manter e não ultrapassar o nível do seu desempenho.

Também atuou na televisão e no cinema.

No cinema, estreou em Alegria de Viver (1958). Em 1962, protagonizou o filme Porto das Caixas (1962).[carece de fontes]? Depois, interpretou a rainha Maria I de Portugal no filme Os Inconfidentes (1972).

Na televisão, Margarida Rey esteve nas novelas Nenhum Homem É Deus (1969); Super Plá (1969); Bandeira 2 (1971); O Bofe (1972); O Bem-Amado (1973), onde interpretou a irmã do personagem Zeca Diabo; Anjo Mau (1976) e Sem Lenço, Sem Documento (1977).

Margarida Rey faleceu no Rio de Janeiro, aos 61 anos de idade, de edema pulmonar.

Filmografia

Televisão

Ano Título Personagem Notas
1952Grande Teatro Tupi—Episódio: "De Amor Também Se Morre"
—Episódio: "Fugir, Casar ou Morrer"
—Episódio: "A Valsa"
—Episódio: "Festim Diabólico"
1953—Episódio: "A Falecida Mrs.Black"
1969Super PláGuilhermina
Nenhum Homem É DeusCloé
1971Bandeira 2Anunciata
1972O BofeDona Sara
1974SupermanoelaDona Lígia
Teatro 2—Episódio: "Electra"
1976Anjo Mau—
1977Sem Lenço, Sem DocumentoMargot

Cinema

Ano Título Personagem
1958Alegria de ViverJojo
1962Porto das CaixasMulher
1972Os InconfidentesRainha Maria I de Portugal

Trabalhos no Teatro

Ano Título Direção Ref.
1946 A Rainha MortaZiembinski
Desejo
1947Vestido de NoivaZiembinski
Não Sou Eu
Terras do Sem-FimZigmunt Turkov
1948Uma Rua Chamada PecadoZiembinski
Medeia
1950O Homem do SotãoHenriette Morineau
Alegres Canções nas MontanhasEsther Leão
1951O Homem, a Besta e a Virtude—
1952De Amor Também se MorreZigmunt Turkov
1953A Ilha das CabrasRubens Petrilli de Aragão
A Falecida Mrs. Blake
1954Negócios de EstadoZiembinski
Cândida
A Tia de Carlitos—
1955Santa Marta Fabril S. A.Adolfo Celi
1956Otelo
A Viúva Astuciosa
Entre Quatro Paredes
1957Negócios de Estado
Esses Maridos
Auto da Infância de JesusBenedito Corsi
1958Olho Mecânico
1958A Ilha das CabrasAdolfo Celi
Calúnia
1959A Torre de Marfim
1959-1960Seis Personagens à Procura de um Autor
1960Calúnia
1961Um Castelo na Suécia
Arsênico e Alfazema
1963Oito MulheresLuís de Lima
1964Os Direitos da MulherAntonio do Cabo
Qualquer Quarta-FeiraMaurice Vaneau
1965ElectraAntônio Abujamra
1966Os FísicosZiembinski
1967Édipo ReiFlávio Rangel
1968O Burguês FidalgoAdemar Guerra
1971Cemitério de AutomóveisAntunes Filho
1974Bonitinha, mas Ordinária
Direção
Ano Título Notas Ref.
1953A Toga Branca
1980As Três Faixas de Poder

Prêmios e indicações

AnoPremiaçãoNomeaçãoObraResultadoRef.
1953Prêmio SaciMelhor Atriz CoadjuvanteA Ilha das Cabras
A Falecida Mrs. Blake
Venceu
1956Prêmio Governador do EstadoOteloVenceu
Prêmio SaciA Viúva AstuciosaVenceu
1971Prêmio MolièreMelhor AtrizCemitério de AutomóveisVenceu

Referências

  1. 1 2 3 4 «Margarida Rey marcou época no teatro brasileiro». memoria.bn.gov.br. A Tribuna (SP). 1983. Consultado em 10 de junho de 2026
  2. ↑ Cinemateca Brasileira, Os Inconfidentes [em linha]
  3. ↑ «Super Plá». observatoriodatv.com.br. Consultado em 10 de junho de 2026
  4. ↑ «Nenhum Homem É Deus». teledramaturgia.com. Consultado em 10 de junho de 2026. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2025
  5. ↑ «Bandeira 2». observatoriodatv.com.br. Consultado em 10 de junho de 2026. Cópia arquivada em 18 de junho de 2025
  6. ↑ «O Bofe». observatoriodatv.com.br. Consultado em 10 de junho de 2026. Cópia arquivada em 20 de fevereiro de 2025
  7. ↑ «Sem Lenço, Sem Documento». observatoriodatv.com.br. Consultado em 10 de junho de 2026. Cópia arquivada em 17 de setembro de 2025
  8. ↑ «A Rainha Morta». enciclopedia.itaucultural.org.br. Consultado em 10 de junho de 2026. Cópia arquivada em 21 de março de 2025
  9. ↑ «Desejo». enciclopedia.itaucultural.org.br. Consultado em 10 de junho de 2026. Cópia arquivada em 7 de janeiro de 2026
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