Considerada a "rainha do sensacionalismo", Mary Elizabeth escreveu mais de 80 romances, sendo que o número exato é difícil de precisar, pois seu marido, John Maxwell, publicou alguns de seus trabalhos sob vários pseudônimos em revistas literárias. Foi autora de vários ensaios, peças de teatro, poemas e contos, em especial sobrenaturais e de horror. Foi também editora de duas revistas literárias.
Biografia
Mary Elizabeth nasceu em Londres em 1835, ainda que em algumas biografias apareça 1837. É provável que ela tenha alterado a idade em alguns momentos conforme seu sucesso crescia. Era filha de Henry Braddon, procurador da Cornualha e Fanny White, irlandesa, mas o casal se separou quando Mary Elizabeth tinha apenas 5 anos de idade. Mary tinha mais dois irmãos, Maggie, 11 mais velha e Edward, seis anos mais novo. Por um período, a família morou em St. Leonard's-on-Sea, cidade e estância turística em Hastings, mas boa parte de sua infância foi em Londres.
Quando Mary tinha 10 anos, seu irmão Edward Braddon partiu para a Índia para trabalhar no comércio mercantil de um primo, em Calcutá. Ele depois foi voluntário nas Forças Britânicas em 1857, onde participou da ação militar na Rebelião Indiana de 1857. Em seguida foi para a Austrália, onde se tornou primeiro-ministro da Tasmânia entre 1894 e 1899.
Mary convivia com a literatura desde pequena, pois sua mãe era uma ávida leitora de Charles Dickens, William Makepeace Thackeray e Edward Bulwer-Lytton. Mas foi nos palcos que Mary começou a trabalhar aos 17 anos, com o apoio da mãe, como forma de ajudar no sustento da família. Usando o nome artístico de "Mary Seyton", ela atuava principalmente em teatros do interior entre os anos de 1852 e 1859. Por uma temporada, ela atuou nos palcos do Royal Surrey Theatre, em Londres, mas em fevereiro de 1860 Mary decidiu deixar os palcos para se tornar escritora. Por volta dessa época ela já tinha escrito The lily of Louisiana (1859).
Em 1860 sua peça The Loves of Arcadia foi montada no Strand Theatre, em Londres. No mesmo ano, seu livro Three Times Dead foi publicado e lhe foi encomendado um poema sobre os feitos de Giuseppe Garibaldi na Itália. Neste mesmo ano, ela conheceu o editor John Maxwell (1824-1895), que publicou vários de seus contos em revistas literárias, como The Cold Embrace.
A atração entre os dois foi imediata, porém Maxwell já era casado e tinha cinco filhos. Sua esposa estava internada em um manicômio na Irlanda e Mary agiu como madrasta das crianças, momento em que as fofocas se proliferam, até 1874, quando a esposa de Maxwell morreu e eles enfim puderam se casar. O casal teve outros seis filhos. A filha mais velha do casal, Fanny Margaret Maxwell (1863-1955), casou-se com o naturalista Edmund Selous em 13 de janeiro de 1886. O segundo filho mais velho foi o escritor William Babington Maxwell (1866-1939).
Carreira
Mary escreveu prolificamente, tendo escrito até três livros por ano e foi fundadora bem como editora da popular revista literária Belgravia, publicação mensal que custava apenas um shilling, como foco nos leitores da classe trabalhadora, que pediam uma literatura de fácil acesso. A revista fez sucesso, com uma circulação que chegou a 18 mil revistas em 1868. Seu livro mais famoso, Lady Audley’s Secret, foi publicado primeiro em uma revista literária por Maxwell e depois reunido e editado em um livro de enorme sucesso, chegando a ter nove edições em um único ano. Outros livros de sucesso foram Aurora Floyd (1863), Eleanor’s Victory(1863), John Marchmont’s Legacy (1863), Henry Dunbar (1864) e The Doctor’s Wife (1864). Mesmo tendo escrito cerca de 85 livros, boa parte deles caiu hoje no ostracismo.
Seu segundo livro famoso é Aurora Floyd, publicado em três volumes em 1863. Levemente inspirado no livro de Gustave Flaubert, Madame Bovary (1857), Mary Elizabeth desafia a moralidade vitoriana e a as esferas separadas para homens e mulheres, tom crítico que permearia outros de seus trabalhos, como The Doctor's s Wife.
Morte
Em 1891, a saúde de Maxwell começou a piorar e ele morreu em 5 de março de 1895. Mary Elizabeth viveu ainda outros vinte anos após a morte do marido, tendo escrito no mesmo ritmo de antes. Começou a publicar em jornais de grande circulação, garantindo-lhe grande popularidade entre a classe trabalhadora, ainda que nenhum trabalho seu tenha alcançado o sucesso de Lady Audley’s Secret. Entre 1912 e 1913 comprou um carro, algo caro demais para a maioria das pessoas e na eclosão da Primeira Guerra Mundial foi voluntária em hospitais com feridos de guerra.
Mary morreu devido a um AVC, em 4 de fevereiro de 1915, em Richmond, aos 79 anos. Seu último livro, Mary, foi publicado postumamente em 1916. Mary foi sepultada no cemitério de Richmond.
Na Igreja de St. Mary Magdalene, em Richmond, há uma placa memorial em seu nome e várias ruas do entorno de sua antiga residência, hoje demolida, e da igreja, levam nomes de personagens de seus romances.
Publicações
Livros
Three Times Dead 1860 (republicado como The Trail of the Serpent 1861)
The Lady Lisle 1862
The Black Band ou The Mysteries of Midnight 1861-1862. (republicado em 1877)
Captain of The Vulture 1861
The Octoroon ou The Lily of Louisiana 1861-1862
Lady Audley’s Secret 1862
Aurora Floyd 1862
Woman’s Revenge ou The Captain of the Guard 1862
The White Phantom 1862-1863
John Marchmont’s Legacy 1861. (republicado em 1863)
The Factory Girl ou All Is Not Gold That Glitters 1863
Eleanor’s Victory 1863
The Outcasts 1863-4 (republicado como Henry Dunbar 1864)
Oscar Bertrand ou Idiot of the Mountain 1863-1864
The Doctor’s Wife 1864
Only a Clod 1864-5
The Banker’s Secret 1864-5. (republicado como Rupert Godwin 1867)
Sir Jasper’s Tenant 1865
The Lady’s Mile 1865-6
Diavola 1866-7 (republicado como Run to Earth 1868)
Birds of Prey 1866-67
Circe 1867 (republicado sob o pseudônimo de ‘Babington White’ em dois volumes)
Dead Sea Fruit 1867-8
Charlotte’s Inheritance 1868-9
Fenton’s Quest 1870
The Lovels of Arden 1871-2
Robert Ainsleigh 1872
To the Bitter End 1872
Strangers and Pilgrims 1872-3
Lucius Davoren ou Publicans and Sinners 1873-4
Taken at the Flood 1873-4
Lost for Love 1873-4
A Strange World 1874
Hostages to Fortune 1874-5
Dead Men’s Shoes 1875-6
Joshua Haggard’s Daughter 1875-6
Put to the Test, por Ada Buisson (editado por Mary Elizabeth Braddon), 1876
An Open Verdict 1877
The Cloven Foot 1878-9
Vixen 1878-9
Her Splendid Misery 1879-80
Aladdin and Other Stories 1880. (livro infantil)
Just as I Am 1880
Asphodel 1880-1
Le Pasteur de Marston 1881
Mount Royal 1882
The Golden Calf 1882-3
Phantom Fortune 1883
Ishmael 1884
Wyllard’s Weird 1884-5
Cut by the County 1885
The Good Hermione 1886 (livro infantil publicado sob o pseudônimo de ‘Aunt Belinda’)
Mohawks 1886-7
One Thing Needful 1886
Like and Unlike 1887
The Fatal Three 1888
The Day Will Come 1889
Whose Was the Hand 1890 (republicado como One Life, One Love)
The World, the Flesh, and the Devil (republicado como Gerard 1891)
The Venetians 1892
The Christmas Hirelings 1893. (livro infantil, republicado em 1894)
Thou Art the Man 1894
Sons of Fire 1895
London Pride; or, When the World Was Younger 1895-6
The Little Aunty 1896 (republicado como Under Love’s Rule 1897)
A Shadowed Life 1897. (republicado como Rough Justice 1898)
In High Places 1897-8
His Darling Sin 1899
The Infidel 1900
During Her Majesty’s Pleasure 1901
The Conflict, The People 1902
A Lost Eden 1904
The Rose of Life, Tit-Bits 1904
The White House 1906
Alias Jane Brown 1906 (republicado como Dead Love Has Chains 1907)
Her Convict 1907
Our Adversary 1909
Beyond These Voices 1910
The Green Curtain 1911
Miranda 1913
Mary 1916
Contos
‘Captain Thomas’, Welcome Guest, 1860
‘The Cold Embrace’, Welcome Guest, 1860
‘My Daughters’, Welcome Guest, 1860
‘My First Happy Christmas’, Welcome Guest, 1861
‘Samuel Lowgood’s Revenge’, Welcome Guest, 1861
‘The Lawyer’s Secret’, Welcome Guest, 2, 9, 1861
‘Ralph, the Bailiff’, St. James’s Magazine, 1861
‘The Mystery of Fernwood’, Temple Bar, 1861
‘Lost and Found’, London Journal, 1864
‘At Daggers Drawn’, Belgravia, 1867
‘Eveline’s Visitant: A Ghost Story’, Belgravia, 1867
‘How I Heard My Own Will Read’, Belgravia, 1867
‘Found in the Muniment Chest’, Belgravia Christmas Annual, 1867
↑Lucasta Miller (ed.). «Sweet sensation». The Guardian. Consultado em 19 de dezembro de 2019
↑Meller, Hugh; Parsons, Brian (2011). London Cemeteries: An Illustrated Guide and Gazetteer. Stroud, Gloucestershire: The History Press. pp.290–294. ISBN9780752461830