
Megatsunâmi ou megamaremoto é um tipo de tsunâmi extremamente grande criado por um deslocamento substancial e repentino de material em uma massa de água.
Os megatsunamis têm características diferentes dos tsunâmis comuns. Os tsunamis comuns são causados pela atividade tectônica subaquática (movimento das placas tectônicas) e, portanto, ocorrem ao longo dos limites das placas e como resultado de terremotos e da subsequente elevação ou rebaixamento do fundo do mar, que desloca um volume de água. Os tsunamis comuns apresentam ondas rasas nas águas profundas do oceano aberto que aumentam drasticamente de altura ao se aproximarem da costa, atingindo uma altura máxima de cerca de 30 metros nos casos dos terremotos mais poderosos.
Em contraste, os megatsunamis ocorrem quando uma grande quantidade de material cai repentinamente na água ou em qualquer lugar próximo à água (como por meio de um deslizamento de terra, impacto de meteoro ou erupção vulcânica). Eles podem ter alturas de onda iniciais extremamente grandes, na casa das centenas de metros, muito além da altura de qualquer tsunami comum. Essas alturas de onda gigantes ocorrem porque a água é "espalhada" para cima e para fora pelo deslocamento.
Exemplos de megatsunamis modernos incluem o associado à erupção do Krakatoa em 1883 (erupção vulcânica), o terremoto e megatsunami da Baía de Lituya em 1958 (um deslizamento de terra que resultou em ondas que atingiram uma altura de 524,6 metros), o deslizamento de terra da barragem de Vajont em 1963 (causado pela atividade humana que desestabilizou as laterais do vale) e o deslizamento de terra e tsunami de Tracy Arm em 10 de agosto de 2025, que atingiu uma altura de 481 m. Exemplos pré-históricos incluem o deslizamento de Storegga e os impactos de meteoritos de Chicxulub, Chesapeake Bay e Eltanin.

Há cerca de 3 600 anos, o vulcão Thera entrou em erupção, cuja força causou megatsunâmis que afetaram todo o Mar Egeu e o Mediterrâneo Oriental.
A erupção do Krakatoa, na Indonésia, criou fluxos piroclásticos que geraram megatsunâmis quando atingiram as águas do Estreito de Sunda em 27 de agosto de 1883. As ondas atingiram alturas de até 24 metros ao longo da costa sul de Sumatra e até 42 metros ao longo da costa oeste de Java.

Um megatsunâmi de menor magnitude aconteceu na Baía de Lituya, no Alasca, em 1958, entre 7,7 e 8,3. Tal baía possui uma profundidade de 220 metros tendo apenas 10 metros de profundidade em sua entrada. A topologia da baía é adequada para a produção de um megatsunâmi local. Um terremoto de magnitude 7,5 em 8 de julho gerou um deslocamento de terra dentro da baía, que produziu uma onda que varreu árvores 200 metros acima do nível normal do mar. Comparações com fotografias anteriores ao acontecimento indicaram que várias centenas de pés de gelo foram removidos da frente de uma geleira próxima, por uma onda de aproximadamente 520 metros de altura.
Em 9 de outubro de 1963, um deslizamento de terra acima da barragem do Vajont na Itália produziu uma onda de 250 m que superou a barragem e destruiu as aldeias de Longarone, Pirago, Rivalta, Villanova e Faè, matando quase 2 000 pessoas.
Ilhas vulcânicas como as de Reunião e as Ilhas do Havaí podem causar megatsunâmis porque elas não são mais do que grandes e instáveis blocos de material mal agrupado por sucessivas erupções. Evidência de grandes deslocamentos de terra foram encontradas na forma de grande quantidade de restos subaquáticos, material terrestre que caiu oceano adentro. Em anos recentes, cinco de tais restos foram encontrados somente nas ilhas havaianas. Alguns geólogos acreditam que o maior candidato a causar o próximo megatsunâmi é a ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias. Em 1949, uma erupção provocou a queda do cume do vulcão Cumbre Vieja a vários metros adentro do Oceano Atlântico. Acredita-se que a causa foi a pressão do magma em aquecimento e o vapor d'água preso dentro da estrutura da ilha, causando um grande deslocamento de terra. Caso ocorra uma nova erupção nos próximos milênios, como estima-se, um novo fluxo de terra poderá acontecer, fazendo a metade ocidental da ilha ruir. Como consequência, haveria um impacto catastrófico de cerca de 500 bilhões de toneladas no oceano e a formação de um megatsunâmi. Regiões próximas ao clímax sofreriam uma verdadeira calamidade, sendo completamente destruídas por ondas de até 100 metros de altura. Por volta de 10 horas após o evento, ondas de 10 a 25 metros atingiriam as ilhas do Caribe, a costa leste dos Estados Unidos e regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil gerando crise humanitária severa e prejuízos de bilhões de dólares às diversas economias. Apesar de remotas as chances de um acontecimento como esse vir a ocorrer, países como Estados Unidos e Brasil já traçam planos de contingência e evacuação, a fim de amenizar as perdas.