| Metaspriggina | |
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| Concepção artística do Metaspriggina. | |
| Classificação científica | |
| Reino: | |
| Filo: | |
| Infrafilo: | |
| Família: | †Metaspriggiidae Simonetta & Insom 1993 |
| Gênero: | †Metaspriggina Simonetta & Insom 1993 |
| Nome binomial | |
| †Metaspriggina walcotti Simonetta & Insom 1993 | |
Metaspriggina é um gênero extinto de cordado do Cambriano Médio, conhecido principalmente pela espécie Metaspriggina walcotti. Seus fósseis foram encontrados em depósitos do Folhelho Burgess, no Canadá, e representam alguns dos registros mais antigos de características associadas aos vertebrados primitivos.
Estudos baseados em fósseis excepcionalmente preservados indicam que Metaspriggina pode representar um vertebrado basal, fornecendo evidências importantes sobre a origem e a evolução inicial da anatomia vertebrada durante a chamada Explosão Cambriana.
Os primeiros fósseis atribuídos a Metaspriggina walcotti foram descritos em 1993 por Alberto M. Simonetta e Emilio Insom a partir de dois espécimes encontrados nos depósitos fossilíferos do Burgess Shale, na Colúmbia Britânica, Canadá. Durante décadas, o conhecimento sobre o animal permaneceu limitado devido à escassez de fósseis. Em 2012, expedições lideradas pelo Royal Ontario Museum descobriram cerca de 44 novos espécimes no sítio fossilífero de Marble Canyon, no Parque Nacional Kootenay. Esses fósseis apresentam preservação excepcional, permitindo análises detalhadas da anatomia do organismo e levando pesquisadores a reinterpretá-lo como um dos vertebrados mais primitivos conhecidos.

O nome Metaspriggina foi criado em referência ao organismo ediacarano Spriggina, devido a semelhanças superficiais observadas nos primeiros estudos. Pesquisas posteriores demonstraram, contudo, que os dois organismos não possuem relação evolutiva direta.
Metaspriggina possuía corpo alongado e relativamente estreito, semelhante ao de um pequeno peixe primitivo. Os maiores exemplares conhecidos atingem cerca de 10 centímetros de comprimento. Entre suas principais características anatômicas estão:
Essa configuração muscular é semelhante à encontrada em peixes modernos e sugere que o animal se locomovia por meio de movimentos laterais ondulatórios do corpo.
Uma característica particularmente importante de Metaspriggina é a presença de sete pares de barras faríngeas. Essas estruturas apresentam organização semelhante aos elementos branquiais dos vertebrados modernos, incluindo partes equivalentes aos epibranquiais e ceratobranquiais. O primeiro par de barras é mais robusto e aparentemente não sustentava brânquias diretamente, sendo interpretado como um possível precursor evolutivo das mandíbulas dos vertebrados.

A anatomia e a posição dos olhos indicam que Metaspriggina era um animal nadador ativo que provavelmente vivia próximo ao fundo marinho. Pesquisadores sugerem que ele poderia ter sido um alimentador por filtração, capturando pequenas partículas suspensas na água enquanto nadava. Esse estilo de vida é compatível com os ecossistemas marinhos ricos em organismos que caracterizavam os mares do Cambriano.
A descoberta de novos fósseis de Metaspriggina teve grande impacto na compreensão da origem dos vertebrados. A organização de suas barras faríngeas sugere que o padrão observado nos vertebrados modernos pode ter se originado muito cedo na história evolutiva do grupo. Além disso, a diferenciação do primeiro arco branquial pode representar um estágio inicial na evolução das mandíbulas, uma inovação anatômica que posteriormente permitiu a diversificação dos gnatostomados (vertebrados com mandíbula).
Análises filogenéticas indicam que Metaspriggina pertence ao grupo dos chamados "vertebrados do tronco evolutivo", próximos da base da linhagem dos vertebrados. Entre os organismos relacionados estão:
Esses animais representam alguns dos cordados mais antigos conhecidos e fornecem pistas importantes sobre os primeiros estágios da evolução dos vertebrados.