Uma miocina é uma citocina ou outra molécula de sinalização peptídica que é sintetizada, expressa e libertada pelas células musculares esqueléticas (fibras musculares) em resposta direta à contração mecânica e ao exercício físico. A descoberta destas substâncias biologicamente ativas revolucionou a fisiologia moderna ao demonstrar que o músculo esquelético não é meramente um órgão locomotor, mas funciona efetivamente como o maior órgão endócrino do corpo humano, capaz de comunicar de forma bidirecional com outros tecidos e órgãos — tais como o tecido adiposo, o fígado, o pâncreas, os ossos e o cérebro — através de vias endócrinas, parácrinas e autócrinas. Entre as miocinas mais estudadas destaca-se a interleucina 6 (IL-6), que foi a primeira a ser identificada neste papel e que atua durante o esforço físico como um sensor energético que estimula a lipólise no tecido adiposo e a produção de glicose no fígado, ao passo que a irisina promove o «browning» ou escurecimento do tecido adiposo branco (convertendo-o em gordura castanha metabolizável) e aumentando o dispêndio energético global. Outras moléculas-chave incluem a miostatina, um regulador negativo que limita o crescimento excessivo da massa muscular, e o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), cuja produção estimulada pelo movimento favorece a neurogénese, a plasticidade sináptica e a melhoria das funções cognitivas. Através desta complexa rede de comunicação molecular, as miocinas exercem potentes efeitos protetores e sistémicos ao regular o metabolismo da glicose e dos lípidos, ao melhorar a sensibilidade à insulina e ao contrariar a inflamação crónica de baixo grau, proporcionando assim a base científica que explica por que razão a atividade física regular é fundamental para prevenir doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes do tipo 2 e o declínio cognitivo.