| Monte Pascoal | |
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Vista do Monte Pascoal a partir da rodovia. | |
| Ponto mais alto | |
| Coordenadas | 16° 55′ 00″ S, 39° 16′ 00″ O |
| Altitude | 536 metro |
| Tipo | montanha |
| Geografia | |
| Localização | Porto Seguro, Bahia, Brasil |
| Continente | América |
| País | Brasil |
O Monte Pascoal é uma elevação de 586 metros situada no extremo sul da Bahia, reconhecida pela historiografia como um dos principais marcos associados à chegada da armada de Pedro Álvares Cabral ao litoral brasileiro em 22 de abril de 1500, segundo o calendário juliano.
A identificação do monte como a primeira terra oficialmente avistada pelos portugueses baseia-se em interpretações da Carta de Pero Vaz de Caminha e na tradição historiográfica consolidada desde o período colonial.
A área onde se situa o monte é território tradicional do povo pataxó e integra, desde 1961, o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, reconhecido por sua relevância ecológica, histórica e cultural, sendo um dos locais em que ainda são preservados bolsões da Mata Atlântica original.

De acordo com a carta de Pero Vaz de Caminha, Pedro Álvares Cabral, o capitão da esquadra, nomeou a montanha avistada como "Monte Pascoal" como consequência da proximidade da data do avistamento a data da Páscoa daquele ano.
Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal (monte da Páscoa) e à terra A Terra de Vera Cruz!

Muito antes da chegada europeia, a região do Monte Pascoal era habitada por grupos indígenas de tronco tupi e, posteriormente, pelos pataxó, que mantêm até hoje vínculos espirituais, territoriais e culturais com o local.
Registros etno-históricos confirmam práticas de caça, coleta, horticultura e manejo florestal na região desde o período pré-colonial.
Na carta de Caminha, descreve-se uma elevação “mui alta e redonda”, usualmente interpretada como o Monte Pascoal.
Os relatos de cronistas e as compilações de historiadores como Jaime Cortesão e Capistrano de Abreu reforçam essa identificação, embora reconheçam limitações cartográficas das fontes quinhentistas.
Parte da historiografia contemporânea destaca que o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón alcançou o litoral da atual região de Pernambuco em janeiro de 1500, meses antes da armada portuguesa.
Esse debate não invalida o peso simbólico do Monte Pascoal na formação de narrativas sobre o descobrimento, mas insere o episódio em contexto mais amplo das navegações atlânticas.
O Monte Pascoal destaca-se como elevação isolada no litoral sul baiano, com ampla visibilidade a partir do mar e recobrimento de floresta ombrófila densa. A formação situa-se a cerca de 62 km de Porto Seguro, compondo a transição entre ambientes costeiros, tabuleiros arenosos, restingas e remanescentes da Mata Atlântica.
Estudos recentes classificam a região como área de elevada prioridade para os esforços de conservação biológica na Mata Atlântica em razão de seu alto grau de endemismo e densa conectividade ecológica com outras unidades de conservação regionais.

Para o povo pataxó, o monte constitui marco identitário, local de memória e espaço ritual.
Na cartografia e iconografia colonial, o Monte Pascoal aparece com frequência como símbolo do início da presença portuguesa no território brasileiro.

O Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal foi criado pelo Decreto nº 242, de 29 de novembro de 1961, abrangendo cerca de 22 500 hectares.
A unidade integra o Corredor Central da Mata Atlântica e abriga significativos remanescentes florestais, além de sítios associados ao período colonial. A gestão é realizada em cooperação com comunidades pataxó, que atuam em projetos de turismo, manejo ambiental e educação patrimonial. Estudos ecológicos identificam a presença de espécies ameaçadas, incluindo o macuco e o puma, reforçando a relevância da região para conservação da biodiversidade.
O acesso ao parque ocorre pela BR-101, mediante autorização das lideranças indígenas locais. As atividades turísticas incluem trilhas, mirantes, observação da fauna e centros de interpretação ambiental, além de iniciativas de etnoturismo desenvolvidas pelas comunidades pataxó.